| INTRODUÇÃO
As medicações injetáveis,
independente das vias de aplicação
utilizadas, para que apresentem seu efeito terapêutico,
dependem da absorção e concentração
da droga no plasma, isto é, da farmacocinética.
Desse modo, o efeito terapêutico está
mais relacionado com a concentração
plasmática do que propriamente com a dose
administrada. Portanto, devemos levar sempre em
conta quando analisamos medicamentos com princípios
ativos iguais, similares ou diferentes, a biodisponibilidade
das mesmas no organismo animal, ou seja, a quantidade
intacta da droga que chega no sangue.
A biodisponibilidade das drogas e conseqüentemente
a sua ação terapêutica, dependem
de vários fatores, como dosagem, características
físico-químicas do princípio
ativo, da via de aplicação, etc.
Como temos que escolher sempre uma via de aplicação
e levando-se em conta que estaremos medicando
bovinos, deveremos sempre pensar na facilidade
de aplicação relacionada à
praticidade do manejo e quantidade de animais
que serão medicados. Portanto, dependendo
do medicamento, deveremos usar na maioria dos
casos as vias subcutânea (SC) e/ou intramuscular
(IM) em bovinos.
Com o objetivo de oferecer ao produtor, maior
flexibilidade e praticidade na opção
da via de aplicação de TM/LA em
bovinos, foram realizados nos EUA quatro estudos
comparando-se os parâmetros farmacocinéticos
área sob a curva (ASC), tempo para atingir
o pico (Tmáx), pico de concentração
máxima (Cmáx), e tempo de vida média
plasmática da oxitetraciclina (T1/2), após
aplicações SC e IM.
MATERIAIS E MÉTODOS
Local do estudo
Os estudos foram realizados no centro de pesquisas
da Pfizer em Terre Haute, Indiana, USA.
Procedimentos
Estudo 1:
Foram utilizados 30 animais, machos não
castrados, com peso médio 148,8 kg e 4
meses de idade, da raça Holandês.
Os animais receberam TM/LA em dose única
sendo 15 animais tratados pela via SC na tábua
do pescoço e 15 animais tratados pela via
IM na coxa, na dosagem de 20 mg/kg de peso dividida
em dois locais de aplicação.
Estudo 2:
Foram utilizados 10 animais, machos não
castrados, com peso médio 165,3 kg e 4
a 5 meses de idade, cruzados Hereford/Angus/Charolês.
Os animais receberam TM/LA em dose única
sendo 5 animais tratados pela via SC e 5 animais
tratados pela via IM, na dosagem de 20 mg/kg de
peso dividida em dois locais de aplicação.
Estudo 3:
Foram utilizados 6 animais, machos castrados,
com peso médio 317,5 kg e 10 meses de idade,
cruzados. Os animais receberam TM/LA em dose única
sendo 3 animais tratados pela via SC na tábua
do pescoço e 3 animais tratados pela via
IM na coxa, na dosagem de 20 mg/kg de peso dividida
em dois locais de aplicação.
Nos três estudos, foram coletadas amostras
de sangue da veia jugular a 0 (antes da medicação),
4, 24, 48, 72 e 96 horas após medicação.
O plasma foi separado por centrifugação
e analisado por teste padrão de placa microbiológica
(LOD = 0,150 mcg/mL) para oxitetraciclina.
Estudo 4:
Foram utilizados 12 animais cruzados. Os animais
receberam TM/LA em dose única sendo 6 animais
tratados pela via SC no lado esquerdo da tábua
do pescoço e 6 animais tratados pela via
IM no lado esquerdo da tábua do pescoço,
na dosagem de 20 mg/kg de peso.
Neste estudo, foram coletadas amostras de sangue
da veia jugular a 0 (antes da medicação),
0.5, l, 2, 4, 8, 12, 24, 48, 72, 96, 120, 144
e 168 horas após medicação.
O plasma foi separado por centrifugação
e analisado por teste padrão de placa microbiológica
(LOD = 0,150 mcg/mL) para oxitetraciclina.
Estudo 5: Depleção de resíduo
e tolerância nos tecidos.
Foram utilizados 24 animais cruzados, 12 machos
e 12 fêmeas com 253 kg de peso médio.
Os animais receberam TM/LA em dose única
pela via SC, em três locais diferentes da
tábua do pescoço (1 lado direito
e 2 lado esquerdo), na dosagem de 20 mg/kg de
peso e foram divididos em 6 grupos com 2 machos
e 2 fêmeas cada. Dois outros animais foram
usados como grupo controle que receberam solução
salina estéril.
Os 24 animais dos 6 grupos tratados com TM/LA
pela via SC foram sacrificados aos 4, 10, 16,
22, 28 e 35 dias após tratamento. Amostras
de tecidos (músculo, fígado, rim,
gordura e dos três locais das injeções)
foram coletadas e analisadas para oxitetraciclina,
usando-se um procedimento válido de análise
microbiológica.
RESULTADOS
Para o estudo 1, os intervalos de segurança
de 90% para o grupo SC ficaram completamente contidos
na variação aceitável de
80-120% para ASC0-96 e Cmáx indicando a
bioequivalência das duas vias de administração
(Tabela 1).
Tabela 1: Média dos parâmetros farmacocinéticos
e intervalos de segurança para oxitetraciclina
no plasma após administração
de dosagem única IM ou SC (20 mg/kg) de
TM/LA em bovinos.
| Parâmetros |
TM/LA-IM |
TM/LA-SC |
Intervalo de Segurança |
| ASC0-96 mcghr/mL |
112,12ª |
97,55b |
-16,4% a 8,0% |
| Cmáx mcg/mL |
2,59ª |
2,67ª |
-1,1% a 7,0% |
| T1/2 hr-1 |
0,027a |
0,027a |
-2,3% a 1,5% |
| Tmáx (hr) |
4a |
4a |
N/A |
a,b Médias com letras diferentes entre
as vias de aplicação são
estatisticamente diferentes (P<=0,05).
Para o estudo 2, os resultados para todos os parâmetros
analisados não foram estatisticamente diferentes
indicando portanto que as duas vias de aplicação
são bioequivalentes (Tabela 2).
Tabela 2: Média dos parâmetros farmacocinéticos
e intervalos de segurança para oxitetraciclina
no plasma após administração
de dosagem única IM ou SC (20 mg/kg) de
TM/LA em bovinos.
| Parâmetros |
TM/LA-IM |
TM/LA-SC |
Intervalo de Segurança |
| ASC0-96 mcghr/mL |
171,13ª |
154,25ª |
-25,3% a 5,6% |
| Cmáx mcg/mL |
3,94ª |
3,71ª |
-20,2% a 8,6% |
| T1/2 hr-1 |
0,027a |
0,032a |
-0,7% a 32,3% |
| Tmáx (hr) |
4a |
18a |
N/A |
Os resultados para o estudo 3 indicaram que as
médias foram estatisticamente diferentes
somente para T1/2. Os intervalos de segurança
de 90% estavam completamente contidos na variação
aceitável de 80-120% para ASC0-96 e Cmáx
indicando a bioequivalência das duas vias
de administração (Tabela 3). Isto
significa que a quantidade de oxitetraciclina
intacta a atingir a circulação foi
a mesma para as duas vias, variando apenas o tempo
de absorção e conseqüentemente
o tempo para atingir o pico.
Tabela 3: Média dos parâmetros farmacocinéticos
e intervalos de segurança para oxitetraciclina
no plasma após administração
de dosagem única IM ou SC (20 mg/kg) de
TM/LA em bovinos.
| Parâmetros |
TM/LA-IM |
TM/LA-SC |
Intervalo de Segurança |
| ASC0-96 mcghr/mL |
178,30ª |
186,50ª |
-4,2% a 13,4% |
| Cmáx mcg/mL |
4,84ª |
4,83ª |
-5,3% a 4,6% |
| T1/2 hr-1 |
0,032a |
0,042a |
17,3% a 42,0% |
| Tmáx (hr) |
4a |
9a |
N/A |
a,b Médias com letras diferentes entre
as vias de aplicação são
estatisticamente diferentes (P<=0,05).
Para os resultados médios dos três
estudos reunidos, embora sejam observadas diferenças
nas médias de T1/2 e Tmáx os parâmetros
mais importantes como ASC0-96 e Cmáx não
apresentaram diferenças estatísticas
entres as médias para as vias IM e SC.
Os intervalos de segurança para o grupo
SC estão completamente contidos na variação
de aceitação de 80-120% do grupo
IM. Estas análises reunidas apóiam
a bioequivalência das vias IM e SC de administração
para TM/LA (Tabela 4).
Tabela 4: Média dos parâmetros farmacocinéticos
e intervalos de segurança para oxitetraciclina
no plasma após administração
de dosagem única IM ou SC (20 mg/kg) de
TM/LA em bovinos.
| Parâmetros |
TM/LA-IM |
TM/LA-SC |
Intervalo de Segurança |
| ASC0-96 mcghr/mL |
138,16ª |
128,98ª |
-12,5% a 0,8% |
| Cmáx mcg/mL |
3,37ª |
3,37ª |
-5,4% a 5,2% |
| T1/2 hr-1 |
0,028a |
0,031b |
6,1% a 16,1% |
| Tmáx (hr) |
4a |
7,85b |
N/A |
a,b Médias com letras diferentes entre
as vias de aplicação são
estatisticamente diferentes (P<=0,05).
Os resultados do estudo 4 são mostrados
na Tabela 5 e Figura 1. Para ASC, as médias
não foram significativamente diferentes
e o intervalo de segurança de 90% (baseado
na diferença da média da TM/LA via
SC menos a média da TM/LA via IM) estava
completamente contido na variação
aceitável de ± 20%. Para Cmáx
, foram observadas diferenças significativas
para os valores médios e o limite mais
baixo de segurança ficou fora da variação
aceitável de ± 20%. As duas vias
foram estatisticamente equivalentes em termos
de extensão de biodispomhilidade da droga
(ASC), mas não foram equivalentes em termos
do índice de absorção da
droga (Cmáx e Tmáx).
Tabela 5: Média dos parâmetros farmacocinéticos
e intervalos de segurança para oxitetraciclina
no plasma após administração
de dosagem única IM ou SC (20 mg/kg) de
TM/LA em bovinos.
| Parâmetros |
TM/LA-IM |
TM/LA-SC |
Intervalo de Segurança |
| ASC0-96 mcghr/mL |
120,59ª |
119,42ª |
-15,6% a 13,6% |
| Cmáx mcg/mL |
4,82ª |
3,76b |
-33,3% a –10,8% |
| Tmáx (hr) |
2,60a |
5,10b |
11,3% a 181,0% |
a,b Médias com letras diferentes entre
as vias de aplicação são
estatisticamente diferentes (P<=0,05).

Os resultados do estudo de resíduos (estudo
5) podem ser vistos na Tabela 6. Todos os resíduos
nos tecidos comestíveis (excluindo os locais
de injeção)
diminuem para menos do que suas respectivas tolerâncias
no dia 4 após administração
da droga. Resíduos no local da injeção
caíram para menos de 20 ppm de tolerância
no dia 28. Um período de retirada de 28
dias foi determinado pelo Centro de Medicina Veterinária
dos EUA (CVM) após aprovação
da TM/LA quando administrada por injeção
IM. Portanto, pelos dados apresentados na Tabela
6, o período de 28 dias pré-abate
também pode ser aplicado ao uso da via
SC.
Tabela 6: Média de resíduos de
oxitetraciclina nos tecidos de bovinos tratados
com uma única injeção SC
de TM/LA na dosagem de 20 mg/kg em bovinos.
| Período de Retirada |
Grupo |
Concentração de Oxitetraciclina
(mcg/g)a |
| Tecidos |
Locais
da Injeção |
| (dias) |
|
Fígado |
Gordura |
Rim |
Músculo |
#1 |
#2 |
#3 |
| 4b |
T1b |
Nd |
Nd |
0,084c |
Nd |
Nd |
Nd |
Nd |
| 4 |
T2 |
1,451 |
<0,075 |
1,687 |
0,372 |
439 |
463 |
370 |
| 10 |
T3 |
0,593 |
Nd |
0,593 |
0,129 |
205 |
161 |
74,4 |
| 16 |
T4 |
0,227 |
Nd |
0,318 |
<0,075 |
130 |
85,8 |
36,5 |
| 22 |
T5 |
0,089 |
Nd |
0,106 |
Nd |
9,34 |
20,8 |
0,673 |
| 28 |
T6 |
<0,075 |
Nd |
<0,075 |
Nd |
1,06a |
5,4 |
3,22 |
| 35 |
T7 |
Nd |
Nd |
Nd |
Nd |
Nd |
0,108 |
Nd |
a Nd = não detectado; <0,075 indica
que o valor era <LOQ para determinado tecido.
b T1 = grupo controle (dosado com solução
salina estéril).
c Fonte de atividade detectável em amostra
de rim controle era desconhecida, mas com base
em informação subseqüente de
estudos de estabilidade, não foi ocasionada
por contaminação de OTC.
d Um único valor anômalo foi deletado
do cálculo da média.
CONCLUSÃO
As vias de administração SC e IM
para TM/LA em bovinos são bioequivalentes.
Isto significa que ambas as vias de aplicação
liberam a mesma quantidade de oxitetraciclina
no sangue, apesar da via SC apresentar um perfil
de absorção mais lento do que a
via IM.
Concluindo, a TM/LA apresenta o mesmo potencial
de cura quando administrado tanto pela via IM
como pela via SC, agora com maior praticidade
de manejo.
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