| A doença respiratória
é a principal causa de morbidade e mortalidade
na bovinocultura nos Estados Unidos. Sua manifestação
mais comum é uma pleuropneumonia fibrinonecrosante
aguda, denominada febre do transporte ou pasteurelose
pneumônica. (1) É um processo multifatorial
envolvendo tipicamente fatores predisponentes
e patógenos bacterianos oportunistas primários,
secundários e terciários.
Fatores predisponentes incluem uma variedade
de agentes estressantes que entram em duas categorias
principais: 1) manejo e ambiente, e 2) agentes
infecciosos. (2) Os fatores de manejo e ambiente
considerados estressantes incluem: desmame, agrupamento,
transporte, mistura de bovinos de diferentes origens,
superlotação, castração,
descorna, desnutrição, desidratação,
temperatura, poeira, mudança repentina
de temperatura. Agentes infecciosos estressantes
incluem IBR, PI3, BVD, BRSV e outras viroses que
podem afetar o sistema respiratório, bem
como Chlamydia e Mycoplasma spp. (3, 4, 5, 7).
Os sintomas clínicos da infecção
por P. haemolytica são:
• depressão;
• anorexia;
• secreção nasal;
• tosse;
• febre (40,5ºC a 42,2ºC);
• pulsação acelerada;
• respiração rápida
e superficial;
• morte.
A Pasteurella haemolytica (Tipo A1) é
uma bactéria gram-negativa que comumente
habita a nasofaringe dos animais. P. haemolytica
causa a pneumonia do seguinte modo:

Figura1:
P. haemolytica entra nas narinas do
bezerro, logo após o nascimento e forma
colônias nas fossas nasais. |
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Figura
2: A exposição a vírus,
ou o stress físico ( isto é,
desmame, tranporte, mistura com outros animais,
castração) permite que as bactérias
multiplicam-se e invadam os pulmões. |
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Figura
3: (Detalhe da Fig.2): P. haemolytica
viaja através dos bronquios e dos bronquíolos
e entra nos sacos alveolares. |
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Figura
4: A P.haemolytica coloniza os sacos alveolares
nos pulmões e cresce. O cerscimento
rápido da P.haemolytica produz leocotoxina,
a qual funcionalmente enfraquece e mata os
fagócitos que são atraídos
para a área de infecção.
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Figura
5: Os fagócitos rompem-se
ao morrer e liberam-se enzimas
que danificam o tecido
pulmonar. |
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Figura
6: O resultado é pneumonia fibrinosa.
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P. haemolytica entra nas narinas do bezerro, logo
após o nascimento, e forma colônias
nas fossas nasais.
A exposição ao vírus ou
o estresse físico (isto é, desmame,
transporte, mistura com outros animais, castração)
permitem que as bactérias multipliquem-se
e invadam os pulmões.
P. haemolytica viaja através dos brônquios
e dos bronquiolos e entra nos sacos alveolares.
A P. haemolytica coloniza os sacos alveolares
nos pulmões e cresce. O crescimento rápido
da P. haemolytica produz leucotoxina, a qual funcionalmente
enfraquece e mata os fagócitos que são
atrídos para a área de infecção.
Os fagócitos rompem-se ao morrer e liberam
enzimas que danificam o tecido pulmonar.
O resultado é pneumonia fibrinosa.
Danos pulmonares em bezerros desafiados com Pasteurella
haemolytica e Pasteurella multocida.
As bactérias comumente envolvidas incluem:
Pasteurella haemolytica, Pasteurella multocida,
Haemophilus somnus e Actinobacillus pyogenes.
Enquanto a P. multocida e a H. Somnus ocasionalmente
são isoladas, a P. haemolytica é
a bactéria predominante isolada de muitos
casos de doença respiratória. Pasteurella
haemolytica biotipo A sorotipo 1 (STI) é
o principal agente bacteriano, responsável
por doença clínica e danos pulmonares
agudos. (1, 2, 3, 4, 5). A doença foi reproduzida
experimentalmente por administração
transtorácica ou intratraqueal de grande
número de P. haemolytica sozinha. (5)
Laboratoristas revelam que as espécies
bacterianas isoladas de lesões pneumônicas
pulmonares típicas mudam, dependendo da
progressão da doença até
a morte. Em casos de pneumonia aguda e superaguda,
relatam que a P. haemolytica é tipicamente
a única bactéria isolada. Se os
animais forem removidos muito tarde para o tratamento
ou se o tratamento for ineficaz ou inadequado,
a doença pode alcançar estágios
avançados, onde ocorrem danos pulmonares
significativos. Neste estágio, a P. multocida
freqüentemente surgirá em culturas
pulmonares. A Pasteurella multocida raramente
é isolada sozinha e normalmente é
vista como parte de uma cultura mista. Quando
a doença torna-se crônica e abscessos
começam a desenvolver-se, surgirá
A. pyogenes em culturas pulmonares. (6, 7, 8,).

Figura
7: Danos pulmonares em bezerros desafiados
com Pasteurella haemolytica e Pasteurella multocida.
No bovino clinicamente sadio, a P. haemolytica
está presente em pequena quantidade nas
descargas nasais, e as que são isoladas
são predominantemente do biotipo A sorotipo
2 (ST2), que raramente está associado à
doença respiratória. (5) Após
condições de estresse ou doença
induzida por vírus, há mudança
abrupta de comensal para patógeno em P.
haemolytica de predominância de ST2 a um
crescimento explosivo e colonização
seletiva por ST1 na população da
microflora no trato respiratório superior
(TRS). (4) Uma vez que a a colonização
extensiva do TRS ocorreu, a bactéria pode
ser cultivada a partir dos núcleos de gotículas
de ar traqueal. (5) Estes núcleos das gotículas
penetram e colonizam o pulmão. É
importante notar que enquanto o crescimento explosivo
e a colonização de P. haemolytica
ST1 está acontecendo, a taxa de colonização
de P. multocida nestes mesmos animais não
muda. (5) Parece que a colonização
de P. multocida no pulmão é dependente
ou muito aumentada pelo dano inicial causado por
P. haemolytica.
Não há somente diferença
na taxa de colonização entre P.
multocida e P. haemolytica no pulmão, há
também uma diferença na virulência
quando estes organismos estão presentes.
Ames et al. avaliou a porcentagem dos danos pulmonares
ocorridos após desafio com várias
concentrações de organismos Pasteurella
virulentos. (9) Eles demonstraram que P. haemolytica
na fase log a uma concentração de
1x109 criou uma quantidade significativa de patologia
pulmonar que foi consistente com a doença
natural . P. multocida na fase log 1x1010 criou
muitas patologias pequenas. Na verdade, 10 milhões
de P. haemolytica na fase log causaram mais do
que o dobro de danos pulmonares de 1 bilhão
de P. multocida na fase log.
1. Fatores de predisposição
Estresse:
• Animais podem ser manejados para reduzir
estresse, porém, devido à realidade
do mercado bovino, não pode ser completamente
eliminado.
Infecção viral:
• As quatro viroses mais significativas
- IBR, BVD, BRSV e PI3 - estão presentes
onde quer que o gado esteja.
• Embora existam boas vacinas contra estas
viroses, é impossível proteger completamente
cada animal de uma dada população.

Figura
8: Pasteurelose pneumônica bovina:
Progressão de Doença
2. Patógeno Primário
Pasteurella haemolytica • Viroses danificam
o revestimento do trato respiratório superior,
expondo estruturas para que P. haemolytica possa
atacar. • P. haemolytica cresce a altas
concentrações e é aspirada
para o trato respiratório inferior, onde
causa danos pulmonares extensivos (lesões).
• Este dano é considerado a principal
causa de morte em casos de doença respiratória.
3. Bactéria Oportunista
• Se não houver intervenção
neste estágio da progressão da doença,
danos extensivos causados pelas viroses e P. haemolytica
permitem à bactéria oportunista
estabelecer-se.
• P. multocida e A. pyogenes são
duas bactérias comumente isoladas neste
estágio.
• Nenhum fator de virulência foi identificado
para P. multocida.
• É lógico e científico
investir em vacinas para reduzir os danos causados
pelas viroses e P. haemolytica; assim, reduzindo
a habilidade da bactéria oportunista em
estabelecer-se.
Embora a pasteurelose pseumônica seja uma
doença multifatorial, acredita-se que o
controle de infecção por P. haemolytica
sorotipo 1 reduzirá em muito a prevalência
e a severidade da pasteurelose pseumônica.
(3)
Importância da leucotoxina de P.
haemolytica
A P.haemolytica produz diversos fatores de virulência
(como leucotoxina, cápsula e endotoxina),
sendo que todos concorrem na patogênese
da pasteurelose pseumônica.
A forma molecular da leucotoxina da P. haemolytica
pode depender das condições de crescimento
proporcionadas pelo meio. Quando se adiciona albumina
sérica bovina ao meio de cultura, a atividade
tóxica é potencializada. O controle
da produção é bastante complexo.
A leucotoxina é produzida durante a fase
de crescimento rápido da P. haemolytica,
e a atividade tóxica desaparece rapidamente
das culturas durante o final da fase de crescimento.
Especificidade:
A leucotoxina da Pasteurella haemolytica distingue-se
de outras toxinas por sua grande especificidade
para células-alvo ( ou seja, afeta apenas
leucócitos e plaquetas de ruminantes).
As toxinas lesam ou matam as células do
hospedeiro ao interferir com uma ou mais funções
celulares vitais, tais como integridade da membrana
plasmática, biossíntese ou regulação
celular. A citólise por P. haemolytica
faz com que as células-alvo aumentem o
volume e sofram lise. Essa intoxicação
ocorre por um mecanismo análogo ao ataque
da membrana pelas frações C7 e C9
do complemento.
Patogenia:
O macrófago alveolar é a principal
célula fagocitária do tecido pulmonar,
e constitui a primeira linha de defesa contra
a invasão bacteriana. Uma vez que essa
primeira linha de defesa tenha sido vencida e
o processo inflamatório tenha sido desencadeado,
o fagócito predominante passa a ser o neutrófilo.
In vitro, a leucotoxina da P. haemolytica é
tóxica para macrófagos pulmonares
e neutrófilos periféricos, o que
sugere que também possa afetar as defesas
do organismo do hospedeiro in vivo, potencializando
a virulência dos organismos invasores. Além
dos efeitos sobre as defesas do hospedeiro, as
lesões de neutrófilos mediadas pela
citolisina podem contribuir para as lesões
dos tecidos no local da infecção.
A ativação e a lise de neutrófilos
resulta em liberação de produtos
lisossomais, tais como elastase, colagenase e
fatores intermediários reagentes com oxigênio.
Provavelmente, esses produtos neutrofílicos
são os principais responsáveis pelas
lesões encontradas nos tecidos nos tecidos
moles em casos de infecções por
agentes gram-negativos produtores de citolisinas.
Imunidade:
A leucotoxina da P. haemolytica lesa macrófagos
e leucócitos alveolares, que fazem parte
da resposta imune geral do hospedeiro a bactérias
invasoras, mas não causa dano direto ao
epitélio alveolar ou endotélio pulmonar.
A leucotoxina também pode afetar a imunidade
adquirida. Baixas concentrações
de leucotoxina reduzem a resposta blastogênica
dos linfócitos bovinos a mitógenos,
o que sugere que a leucotoxina da P. haemolytica
pode afetar negativamente a resposta imune.
Bezerros com respostas intensas de anticorpos
séricos anti-leucotoxina são altamente
resistentes ao desafio com P. haemolytica. Por
outro lado, foi demonstrado que animais mantidos
em confinamento, mortos por pasteurelose pneum.
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