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AT Nº 36 - PROGRESSÃO DA PASTEURELOSE PNEUMÔNICA NO BOVINO


L. Hollis, D.V.M.
Pfizer Animal Health
Exton, PA, EUA

 

A doença respiratória é a principal causa de morbidade e mortalidade na bovinocultura nos Estados Unidos. Sua manifestação mais comum é uma pleuropneumonia fibrinonecrosante aguda, denominada febre do transporte ou pasteurelose pneumônica. (1) É um processo multifatorial envolvendo tipicamente fatores predisponentes e patógenos bacterianos oportunistas primários, secundários e terciários.

Fatores predisponentes incluem uma variedade de agentes estressantes que entram em duas categorias principais: 1) manejo e ambiente, e 2) agentes infecciosos. (2) Os fatores de manejo e ambiente considerados estressantes incluem: desmame, agrupamento, transporte, mistura de bovinos de diferentes origens, superlotação, castração, descorna, desnutrição, desidratação, temperatura, poeira, mudança repentina de temperatura. Agentes infecciosos estressantes incluem IBR, PI3, BVD, BRSV e outras viroses que podem afetar o sistema respiratório, bem como Chlamydia e Mycoplasma spp. (3, 4, 5, 7).

Os sintomas clínicos da infecção por P. haemolytica são:
• depressão;
• anorexia;
• secreção nasal;
• tosse;
• febre (40,5ºC a 42,2ºC);
• pulsação acelerada;
• respiração rápida e superficial;
• morte.

A Pasteurella haemolytica (Tipo A1) é uma bactéria gram-negativa que comumente habita a nasofaringe dos animais. P. haemolytica causa a pneumonia do seguinte modo:


Figura1: P. haemolytica entra nas narinas do bezerro, logo após o nascimento e forma colônias nas fossas nasais.
 
Figura 2: A exposição a vírus, ou o stress físico ( isto é, desmame, tranporte, mistura com outros animais, castração) permite que as bactérias multiplicam-se e invadam os pulmões.
 
Figura 3: (Detalhe da Fig.2): P. haemolytica viaja através dos bronquios e dos bronquíolos e entra nos sacos alveolares.

Figura 4: A P.haemolytica coloniza os sacos alveolares nos pulmões e cresce. O cerscimento rápido da P.haemolytica produz leocotoxina, a qual funcionalmente enfraquece e mata os fagócitos que são atraídos para a área de infecção.
 

Figura 5: Os fagócitos rompem-se
ao morrer e liberam-se enzimas
que danificam o tecido
pulmonar.
 
Figura 6: O resultado é pneumonia fibrinosa.
     


P. haemolytica entra nas narinas do bezerro, logo após o nascimento, e forma colônias nas fossas nasais.

A exposição ao vírus ou o estresse físico (isto é, desmame, transporte, mistura com outros animais, castração) permitem que as bactérias multipliquem-se e invadam os pulmões.

P. haemolytica viaja através dos brônquios e dos bronquiolos e entra nos sacos alveolares.

A P. haemolytica coloniza os sacos alveolares nos pulmões e cresce. O crescimento rápido da P. haemolytica produz leucotoxina, a qual funcionalmente enfraquece e mata os fagócitos que são atrídos para a área de infecção.

Os fagócitos rompem-se ao morrer e liberam enzimas que danificam o tecido pulmonar.

O resultado é pneumonia fibrinosa.

Danos pulmonares em bezerros desafiados com Pasteurella haemolytica e Pasteurella multocida.

As bactérias comumente envolvidas incluem: Pasteurella haemolytica, Pasteurella multocida, Haemophilus somnus e Actinobacillus pyogenes. Enquanto a P. multocida e a H. Somnus ocasionalmente são isoladas, a P. haemolytica é a bactéria predominante isolada de muitos casos de doença respiratória. Pasteurella haemolytica biotipo A sorotipo 1 (STI) é o principal agente bacteriano, responsável por doença clínica e danos pulmonares agudos. (1, 2, 3, 4, 5). A doença foi reproduzida experimentalmente por administração transtorácica ou intratraqueal de grande número de P. haemolytica sozinha. (5)

Laboratoristas revelam que as espécies bacterianas isoladas de lesões pneumônicas pulmonares típicas mudam, dependendo da progressão da doença até a morte. Em casos de pneumonia aguda e superaguda, relatam que a P. haemolytica é tipicamente a única bactéria isolada. Se os animais forem removidos muito tarde para o tratamento ou se o tratamento for ineficaz ou inadequado, a doença pode alcançar estágios avançados, onde ocorrem danos pulmonares significativos. Neste estágio, a P. multocida freqüentemente surgirá em culturas pulmonares. A Pasteurella multocida raramente é isolada sozinha e normalmente é vista como parte de uma cultura mista. Quando a doença torna-se crônica e abscessos começam a desenvolver-se, surgirá A. pyogenes em culturas pulmonares. (6, 7, 8,).


Figura 7: Danos pulmonares em bezerros desafiados
com Pasteurella haemolytica e Pasteurella multocida.

No bovino clinicamente sadio, a P. haemolytica está presente em pequena quantidade nas descargas nasais, e as que são isoladas são predominantemente do biotipo A sorotipo 2 (ST2), que raramente está associado à doença respiratória. (5) Após condições de estresse ou doença induzida por vírus, há mudança abrupta de comensal para patógeno em P. haemolytica de predominância de ST2 a um crescimento explosivo e colonização seletiva por ST1 na população da microflora no trato respiratório superior (TRS). (4) Uma vez que a a colonização extensiva do TRS ocorreu, a bactéria pode ser cultivada a partir dos núcleos de gotículas de ar traqueal. (5) Estes núcleos das gotículas penetram e colonizam o pulmão. É importante notar que enquanto o crescimento explosivo e a colonização de P. haemolytica ST1 está acontecendo, a taxa de colonização de P. multocida nestes mesmos animais não muda. (5) Parece que a colonização de P. multocida no pulmão é dependente ou muito aumentada pelo dano inicial causado por P. haemolytica.

Não há somente diferença na taxa de colonização entre P. multocida e P. haemolytica no pulmão, há também uma diferença na virulência quando estes organismos estão presentes. Ames et al. avaliou a porcentagem dos danos pulmonares ocorridos após desafio com várias concentrações de organismos Pasteurella virulentos. (9) Eles demonstraram que P. haemolytica na fase log a uma concentração de 1x109 criou uma quantidade significativa de patologia pulmonar que foi consistente com a doença natural . P. multocida na fase log 1x1010 criou muitas patologias pequenas. Na verdade, 10 milhões de P. haemolytica na fase log causaram mais do que o dobro de danos pulmonares de 1 bilhão de P. multocida na fase log.

1. Fatores de predisposição
Estresse:
• Animais podem ser manejados para reduzir estresse, porém, devido à realidade do mercado bovino, não pode ser completamente eliminado.

Infecção viral:
• As quatro viroses mais significativas - IBR, BVD, BRSV e PI3 - estão presentes onde quer que o gado esteja.
• Embora existam boas vacinas contra estas viroses, é impossível proteger completamente cada animal de uma dada população.


Figura 8: Pasteurelose pneumônica bovina:
Progressão de Doença


2. Patógeno Primário
Pasteurella haemolytica
• Viroses danificam o revestimento do trato respiratório superior, expondo estruturas para que P. haemolytica possa atacar.
• P. haemolytica cresce a altas concentrações e é aspirada para o trato respiratório inferior, onde causa danos pulmonares extensivos (lesões).
• Este dano é considerado a principal causa de morte em casos de doença respiratória.

3. Bactéria Oportunista
• Se não houver intervenção neste estágio da progressão da doença, danos extensivos causados pelas viroses e P. haemolytica permitem à bactéria oportunista estabelecer-se.
• P. multocida e A. pyogenes são duas bactérias comumente isoladas neste estágio.
• Nenhum fator de virulência foi identificado para P. multocida.
• É lógico e científico investir em vacinas para reduzir os danos causados pelas viroses e P. haemolytica; assim, reduzindo a habilidade da bactéria oportunista em estabelecer-se.

Embora a pasteurelose pseumônica seja uma doença multifatorial, acredita-se que o controle de infecção por P. haemolytica sorotipo 1 reduzirá em muito a prevalência e a severidade da pasteurelose pseumônica. (3)

Importância da leucotoxina de P. haemolytica

A P.haemolytica produz diversos fatores de virulência (como leucotoxina, cápsula e endotoxina), sendo que todos concorrem na patogênese da pasteurelose pseumônica.

A forma molecular da leucotoxina da P. haemolytica pode depender das condições de crescimento proporcionadas pelo meio. Quando se adiciona albumina sérica bovina ao meio de cultura, a atividade tóxica é potencializada. O controle da produção é bastante complexo. A leucotoxina é produzida durante a fase de crescimento rápido da P. haemolytica, e a atividade tóxica desaparece rapidamente das culturas durante o final da fase de crescimento.

Especificidade:
A leucotoxina da Pasteurella haemolytica distingue-se de outras toxinas por sua grande especificidade para células-alvo ( ou seja, afeta apenas leucócitos e plaquetas de ruminantes). As toxinas lesam ou matam as células do hospedeiro ao interferir com uma ou mais funções celulares vitais, tais como integridade da membrana plasmática, biossíntese ou regulação celular. A citólise por P. haemolytica faz com que as células-alvo aumentem o volume e sofram lise. Essa intoxicação ocorre por um mecanismo análogo ao ataque da membrana pelas frações C7 e C9 do complemento.

Patogenia:
O macrófago alveolar é a principal célula fagocitária do tecido pulmonar, e constitui a primeira linha de defesa contra a invasão bacteriana. Uma vez que essa primeira linha de defesa tenha sido vencida e o processo inflamatório tenha sido desencadeado, o fagócito predominante passa a ser o neutrófilo. In vitro, a leucotoxina da P. haemolytica é tóxica para macrófagos pulmonares e neutrófilos periféricos, o que sugere que também possa afetar as defesas do organismo do hospedeiro in vivo, potencializando a virulência dos organismos invasores. Além dos efeitos sobre as defesas do hospedeiro, as lesões de neutrófilos mediadas pela citolisina podem contribuir para as lesões dos tecidos no local da infecção. A ativação e a lise de neutrófilos resulta em liberação de produtos lisossomais, tais como elastase, colagenase e fatores intermediários reagentes com oxigênio. Provavelmente, esses produtos neutrofílicos são os principais responsáveis pelas lesões encontradas nos tecidos nos tecidos moles em casos de infecções por agentes gram-negativos produtores de citolisinas.

Imunidade:
A leucotoxina da P. haemolytica lesa macrófagos e leucócitos alveolares, que fazem parte da resposta imune geral do hospedeiro a bactérias invasoras, mas não causa dano direto ao epitélio alveolar ou endotélio pulmonar. A leucotoxina também pode afetar a imunidade adquirida. Baixas concentrações de leucotoxina reduzem a resposta blastogênica dos linfócitos bovinos a mitógenos, o que sugere que a leucotoxina da P. haemolytica pode afetar negativamente a resposta imune.

Bezerros com respostas intensas de anticorpos séricos anti-leucotoxina são altamente resistentes ao desafio com P. haemolytica. Por outro lado, foi demonstrado que animais mantidos em confinamento, mortos por pasteurelose pneum.

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