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INTRODUÇÃO
Vírus Respiratório Sincicial
dos Bovinos (BRSV) é um dos agentes
mais importantes das enfermidades respiratórias,
produzindo enormes perdas na criação
comercial de bovinos (ARNS, 1996). Está
amplamente distribuído pelo mundo,
sendo que o primeiro isolamento foi feito
na Suíça em 1970, por MOHANTY
et al., seguindo-se os isolamentos no Japão
(INABA et al., 1972) e nos Estados Unidos
(ROSENQUIST, 1974 e ROSSI & KIESEL,
1974).
BRSV é classificado como membro do
gênero Pineumovirus e da família
Paramixoviridae. São arredondados,
de forma pleomórfita, medindo de
50 a 80 nm e membrana externa com projeções
de 12 nm. A maioria das partículas
virais são incompletas e provavelmente
não infecciosas (ARNS, 1996).
A infecção por BRSV é
um evento comum entre os bovinos, sendo
que nos EUA a prevalência de títulos
de anticorpos encontrada tem sido de 65
a 81% da população bovina.
Os surtos de enfermidades associadas ao
BRSV ocorrem principalmente no inverno,
sendo que nas demais estações
as infecções primárias
são raras, mas as reinfecções
são comuns, sendo que estes animais
atuam como reservatórios do vírus.
O quadro da doença é freqüentemente
acompanhado de pneumonias, e muitas vezes
é seguido por infecção
bacteriana, tais como Pasteurella Haemolytica,
P. multocida e Haemophilus somnus (ARNS,
1996). Isto ocorre provavelmente porque
a infecção por BRSV altera
as sub populações de linfócitos
e também as respostas destas células
frente a outros antígenos (VERHOEFF
et al, 1988, citado por ARNS, 1996).
Há evidências de infecções
latentes por BRSV, pois o vírus já
foi isolado a partir de animais assintomáticos
como também de animais infectados
ao nascer e a infecção permanece
latente até que alguma mudança
nas condições leve ao aparecimento
da doença (ARNS, 1996). O animal
infectado transmite o BRSV a animais susceptiveis
através de secreções
do trato respiratório. Diversas práticas
de manejo, tais como confinamento e agrupamento
de bovinos de idades diferentes podem alterar
a faixa etária da qual a doença
,aparece nos animais sensíveis. Por
Ter um curto período de incubação,
a dispersão do vírus no rebanho
é muito rápida (AMES, citado
por ARNS, 1996).
BRSV tem sido extensivamente estudado e
a severidade das infecções
do trato respiratório em bovinos
jovens está bem conhecida e documentada
(STOTT, 1985, COLLINS, 1998). No gado leiteiro,
infecção severa associada
a bezerros jovens, embora tenham sido registrados
surtos de doença severa em bovinos
mais velhos (ELVANDER, 1991). Sinais clínicos
de infecção em gado mais velho,
particularmente aqueles com exposição
prévia ao BRSV, são menos
severos (BAKER, 1986). Em grandes rebanhos
leiteiros, o BRSV tem sido descrito como
causador de doença respiratória
moderada que freqüentemente não
é observada, apesar dos animais afetados
terem febre, ligeira inapetência e
um correspondente declínio na produção
de leite. Infecção por vírus
sincicial respiratório bovino tem
sido comparada com resfriado comum nos seres
humanos (HUTCHINS, 1987).
PONTOS IMPORTANTES
BRSV é um dos mais importantes
agentes etiológicos das enfermidades
respiratórias dos bovinos. Estudo
feito no Brasil mostra elevados níveis
de animais soropositivos, em torno de 80%.
Estes níveis são semelhantes
aos níveis encontrados em outros
países longamente afetados pela doença.
As infecções severas
por BRSV são comuns em bezerros.
Em grandes rebanhos leiteiros, BRSV tem
sido descrito como agente de doença
respiratória moderada, freqüentemente
não observada, apesar dos animais
terem febre, ligeira inapetência e
conseqüente declínio na produção.
A proteção via vacinação
contra BRSV está relacionada com
a integridade da proteína F, pois
esta proteína é capaz de induzir
tanto a imunidade celular como a imunidade
humoral. Esta proteína induz tanto
a produção de anticorpos neutralizantes
(protetores) e como não neutralizantes
(não protetores).
Os processos de inativação
de BRSV para produção de vacinas
mortas alteram a proteína F e comprometem
a eficácia destas vacinas, sendo
a resposta imunológica caracterizada
por altos valores de ELISA e baixos valores
de vírus neutralização.
Vacinas vivas modificadas (atenuadas)
contra BRSV, ao contrário das vacinas
mortas, preservam a proteína F. Estudos
comprovam que vacinas vivas modificadas
induzem elevada resposta celular, altos
níveis de anticorpos neutralizantes,
interferon e interleucina 2.
Estudo de campo com vacas de leite
comprovou que a vacinação
com CattleMaster 4 resultou em maior produção
de leite e melhores índices de concepção
na primeira inseminação, quando
comparado com vacina trivalente.
SITUAÇÃO NO BRASIL
O vírus foi detectado pela primeira
vez no Brasil em 1993, por GONÇALVES,
através de Imunofluorescência
em corte de tecido congelado e isolamento
a partir de pulmões de bezerros obtidos
em frigoríficos no Rio Grande do
Sul.
CAPALANS & ARNS (1995) fizeram o primeiro
isolamento no país de uma amostra
de BRSV coletada da secreção
na nasotraqueal de bezerros com sintomas
de doenças respiratória. O
isolamento foi feito através de inoculações
sucessivas em cultura de célula MDBK
(Madin-Darby Bovine Kidney), a qual foi
denominada BRSV - 25-BR.
Poucos estudos tem sido feitos para determinar
e incidência ou prevalência
de BRSV no Brasil. O trabalho mais abrangente
foi realizado por CAPALANS & ARS (1994
e 1995) , que buscou determinar a relação
entre as doenças respiratórias
que afetam os bovinos no Brasil com a presença
de BRSV. Este estudo envolveu tanto a sorologia
como o isolamento do agente, já referido
anteriormente.
O estudo sorológico de CAPALANAS
& ARNS comprovou a presença de
anticorpos anti-BRSV em populações
de bovinos provenientes de vários
Estados do Brasil através das provas
de ELISA e soroneutralização.
Em 311 amostra de sangue analisadas no período
de Junho de 1993 até Setembro de
1994 foi demonstrado alta porcentagem de
animais positivos a BRSV (tabela 1) e estas
amostras provinham em sua maioria de animais
apresentando problemas respiratórios.
Tanto para ELISA como para soroneutralização
, os níveis de positividade foram
elevados sendo semelhante aos encontrados
em outros países longamente afetados
pela doença (DUBOVI, 1993 e DURHAM,
1991, ambos sitados ARNS). A ampla área
envolvida sugere prolongado contado com
o vírus (ARNS , 1996).
| Tabela
1 |
Presença
de anticorpos anti-BRSV em amostras
de soros bovinos utilizando os testes
sorológicos de ELISA e soroneutralização
(SNT) (ARNS, 1996) |
| Lotes |
Histórico |
PositivasELISA |
PositivasSNT |
Negativas |
Total |
| A |
Gado de corte
do R.G. do Sul, com sintomas respiratórios,
até 8 meses de idade |
90 (88%) |
93 (91%) |
9 |
102 |
| B |
Gado de corte
de São Paulo, com sintomas respiratórios,
de 4 a 6 meses de idade |
56 (82%) |
59 (87%) |
9 |
68 |
| C |
Gado leiteiro
de São Paulo, sem história
clínica, de 4 a 6 meses de idade |
55 (83%) |
56 (85%) |
10 |
66 |
| D |
Gado de corte
de M. Gerais, com sintomas respiratórios,
de 0 a 8 meses de idade |
44 (77%) |
49 (86%) |
8 |
57 |
| E |
Gado de corte
do R.G. do Sul, todas fêmeas,
com sintomas respiratórios |
15 (83%) |
15 (83%) |
3 |
18 |
| Total |
|
260 (84%) |
272 (87%) |
39 (12,5%) |
311 |
Mais recentemente, DRIEMETER et. Al (1997)
descreveram as manifestações
clínicas, patológicas, microbiológicas
e sorológicas da enfermidade natural
causado pelo BRSV em bovinos de corte criados
extensivamente no Rio Grande do Sul. Os
sinais clínicos da doença
eram tosse crônica e dispinéia
intensa frente a esforços físicos
mínimos, em dois animais. Estes animais
foram sacrificados, necropciados e as alterações
macroscópicas encontradas foram enfisema
alveolar disseminado, focos de atalectasia
e espessamento dos septo sinterlobulares.
Imunofluorescência para BRSV em corte
de pulmão congelado foi positiva
nos dois animais e negativas para PI-3,
BVD e IBR. O exame sorológico evidenciou
79% de positivos em uma primeira amostragem
na qual havia animais jovens e alguns com
tosse. Uma Segunda amostragem feita 6 meses
após, proveniente de animais de várias
faixas etárias, resultou em 17, 3%
de positivos.
ASPECTOS IMUNOLÓGICOS DO BRSV
O genoma do BRSV cotifica dez genes, existindo
2 glicoproteínas maiores, G e F,
sendo que a glicoproteína G é
responsável absorção
da partícula viral à célula
hospedeira e a proteína F promove
a entrada da partícula na célula
hospedeira e dispersão do vírus
entre as células por fusão
celular (BAKER & VELICER, 1991).
A proteína F (proteína de
Fusão) causa a fusão das membranas
celulares adjacentes, resultando na formação
de uma grande massa celular com vários
núcleos, formação esta
que é característica da infecção
por BRSV (KELLING, 1993). Esta proteína
, induz a produção anticorpos
neutralizantes (protetores) e não
neutralizantes (não funcionais).
Ambos são capazes de estimular as
enzimas do sistema de complemento (KIMMAN
, 1990). Também a proteína
F está envolvida com a resposta celular
contra o BRSV. As células T são
importantes na resposta imune contra BRSV:
Ratos com resposta imunológica celular
deficiente desenvolveram infecção
persistente pelo RSV humano (KIMMAN, 1990).
Portanto o antígeno mais importante,
por ser o mais imunogênico e protetor
contra o RSV é a proteína
F, a qual ativa tanto os mecanismo imunológicos
celulares , como os humorais (KIMMAN, 1990).
A proteína N (do Núcleo) também
está relacionada com a resposta celular
(KIMMAN, 1990 e BANGHAM, 1986).
Outros aspectos importantes relacionados
com a proteína F de BRSV está
na produção de vacinas contra
estes vírus. Durante o processo de
produção das vacinas inativadas,
os processos que inativam o BRSV também
pode alterar a imunológicamente a
importante proteína F gerando a produção
de anticorpos não funcionais contra
BRSV. O s processos de inativação
podem alterar (ou desnaturar) a imunológicamente
importante proteína F (MURPHY, 1988
e ELLIS 1992). A resposta imune para vacina
inativada contra BRSV é caracterizada
por altos valores de ELISA contra BRSV,
mas relativamente baixos valores para vírus
neutralização (MURPHY, 1993).
Em alguns casos, anticorpos para a proteína
F alterada falharam em neutralizar a infecção
natural por BRSV (KIMMAN, 1990 e ELLIS,
1992a ). Vírus inativado também
tem efeito muito limitado nas resposta de
memória das células T, associados
com a resposta mediada por células
(KELLING, 1993). Ao contrário das
vacinas mortas, as vacinas vivas modificadas
(atenuadas) contra BRSV preservam os seguimentos
imunologicamente importantes da proteína
F. O processo de atenuação
aparentemente preserva os seguimentos da
proteína F que ativam os anticorpos
funcionais - neutralizantes (ELLIS, 1992a).
Em um estudo comparativo, ensaios de vírus
neutralização revelaram que
somente bovinos recebendo vacinas vivas
modificadas desenvolveram anticorpos neutralizantes
para BRSV após duas imunizações
(ELLIS, 1992a). Anticorpos neutralizantes
contra BRSV têm sido associados com
reduzida necessidade de tratamento de doenças
do trato respiratório (ELLIS, 1990).
Resposta celular contra BRSV foi significativamente
mais alta em bovinos recebendo vacina viva
modificada comparado com bovinos que receberam
vacina inativada (ELLIS, 1992b). A vacina
viva modificada estimulou altos níveis
de interferon e altos níveis de interleucina
2 (um composto que transporta sinais entre
as células do sistema imune) que
as vacinas inativadas (ELLIS, 1992b).
BENEFÍCIOS DA VACINAÇÃO
CONTRA BRSV EM GADO LEITEIRO
As infecções subclínicas
por BRSV são detectadas durante durante
os exames clínicos de rotina em vacas
leiteiras próximo da parição.
Como a infecção por BRSV é
de natureza branda e de curta duração
(como inapetência e supressão
na produção leiteira não
passando de 3 a 5 dias), o uso de vacinas
contra BRSV nestes rebanhos tem sido cuidadosamente
examinado. O impacto econômico de
qualquer doença é difícil
de ser avaliada nos rebanhos leiteiros,
mas uma doença subclínica
com conseqüências reprodutivas
desconhecidas é mais difícil
de ser avaliada (FERGUSON, 1997).
Um estudo foi realizado na Universidade
da Pensilvânia, nos Estados Unidos,
(FERGUSON, 1997) com objetivo de avaliar
o custo benefício de vacinas vivas
modificadas contra BRSV na produção
leiteira, no desempenho reprodutivo e na
sanidade de vacas da raça Holandesa
em lactação conforme resumido
abaixo.
Animais - 385 novilhas e vacas da
raça Holandesa.
Procedimento - As vacas foram separadas
em dois grupos, de acordo com o número
de lactação, estação
de parição e produção
na lactação anterior (lactações
de 305 dias de produção),
quando apropriado. Antes do parto, vacas
e novilhas de um dos grupos foram vacinadas
por via intramuscular com uma vacina trivalente
contendo Rinotraqueíte Infecciosa
Bovina (IBR), Diarréia Viral Bovina
(BVD) e normal Parainfluenza 3 (PI3) (CattleMaster
3, Pfizer Saúde Animal). Também
antes do parto, as vacas e novilhas do outro
grupo foram vacinadas, por via intramuscular,
com uma vacina quadrivalente, contendo os
3 vírus anteriores mais os vírus
respiratório sincicial bovino (CattleMaster
4, Pfizer Saúde Animal) a produção
de leite foi medida diariamente durante
os 305 dias de lactação. Registros
reprodutivos e clínicos foram revisados
a fim de obter-se datas para inseminação
e registros de problemas sanitários
das vacas de cada grupo experimental.
RESULTADOS
A administração de
vacina quadrivalente (CattleMaster 4), resultou
em maior produção leite (1,39
kg/leite/dia) nas vacas de primeira parição
durante as primeiras 21 semanas de lactação,
quando comparado com as vacas do grupo da
vacina trivalente.
Vacina quadrivalente não
interferiu na produção de
leite após as 21 primeiras semanas
de lactação em vacas de qualquer
parição.
Índices de concepção
na primeira inseminação foram
mais altos para as vacas de primeira parição
vacinadas com CattleMaster 4 do que para
as vacas de primeira parição
vacinadas com vacina tríplice (54,6
vs 32,7%).
Nas vacas de Segunda parição
que receberam CattleMaster 4, o índice
de concepção na primeira inseminação
foi de 47,8%, enquanto que para as vacas
de Segunda parição vacinadas
com vacina tríplice este índice
foi 28,9%.
Em vacas de terceira ou mais parições,
a taxa de concepção na primeira
inseminação não foi
diferente entre os dois grupos de tratamento
com as vacinas trivalente ou quadrivalente.
A figura 1 mostra os índices
de concepção para as duas
vacinas, nas vacas de primeira e Segunda
parição.
CONCLUSÕES
Vacinação de novilhas
com CattleMaster 4 antes do parto aumentou
a produção de leite nas primeiras
21 semanas pós parto em vacas de
primeira parição.
Índices de concepção
na primeira inseminação para
vacas de primeira e Segunda cria foram mais
altos nos animais que receberam CattleMaster
4, quando comparados com os animais que
receberam a vacina tríplice.
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