VOCÊ ACREDITA EM TESTES DE GANHO DE PESO?
 
Lauro Caproni Jr.; Dalmo Fernandes

INTRODUÇÃO
Os parasitas internos e externos, que ocorrem em bovinos de todo o mundo, ocasionam perdas econômicas anuais imensas (Entrocasso 1987; Horn 1987). Essas perdas econômicas são avaliadas de muitas maneiras, tanto pelo efeito dos parasitas no atraso de crescimento (Jacobs et al. 1995, Ploeger 1989), como na redução da produção de leite (Ploeger 1989), ou na redução de produtividade dos animais em termos de ganho de peso (Amaral 1983, Bavia et al. 1986).
São inúmeros os trabalhos publicados dando conta dos prejuízos econômicos que podem advir das parasitoses nos bovinos e quem vive da pecuária sabe, na prática, o impacto econômico de não tratá-las. Entretanto, na leitura destas publicações deve-se ter a compreensão exata dos objetivos de cada teste, sua montagem e qual o resultado esperado. O teste deverá ser montado e direcionado conforme seu objetivo. Entendendo isso, o produtor pode identificar qual o significado prático dos seus resultados e se estes se aplicam a sua região e a sua propriedade.

"BOI VIRTUAL"

A julgar pelos simples resultados de várias publicações sobre prejuízos econômicos, o seu boi já não existiria mais, pois o pesquisador de carrapato diz que ele perde 80kg pela ação deste parasita, um outro relata que o boi perde 40kg pela ação da mosca, outro prova que o animal emagrece 90kg pela ação da tristeza parasitária, outro autor demonstra que o animal perde mais 50kg pela ação do berne, 60kg pela ação da verminose... Mas, o boi só tinha 300kg... Este exemplo foi dado para demonstrar que as parasitoses devem ser entendidas e tratadas como um todo, pois dificilmente ocorrerão na sua propriedade isoladamente.
As condições de calor, umidade e luminosidade predominantes na maioria das regiões brasileiras cria condições ideais para o desenvolvimento tanto de parasitas externos (moscas e carrapatos) quanto de parasitas internos (vermes). Portanto, ganharam muito em importância os controles estratégicos das parasitoses bovinas utilizando-se os chamados "endectocidas", produtos que agem simultaneamente contra parasitoses internas e externas dos bovinos.

"O MEU É MELHOR..."


Existem hoje no mercado inúmeros produtos para esta finalidade, porém, para o produtor, o mais importante não é somente o tempo de proteção que cada produto confere contra cada parasita, mas também o retorno econômico da utilização destes tratamentos, a chamada relação custo-benefício ou investimento-retorno. A escolha de um endectocida deve ir além de uma simples competição de dias ou semanas de proteção. Por exemplo, o produtor pode optar por utilizar o produto que promete o maior período de proteção contra o carrapato, pois é este o problema principal na sua propriedade. Estaria se baseando na análise de dias de proteção. Porém, se optasse por outro produto, com espectro de ação maior que, além do período de proteção contra o carrapato (ainda que fosse menor), agisse sobre uma variedade maior de verminoses, ele poderia obter um retorno maior do tratamento através do ganho de peso. Neste caso, ele faria uma análise de custo-benefício.

 
"O PAPEL ACEITA TUDO..."
Muitos laboratórios têm partido para demonstrar os benefícios dos tratamentos com seus produtos, inundando o mercado com "resultados fantásticos" de ganhos de peso. Porém, a falta de clareza nos métodos levam ao descrédito, desconfiança e confusão em suas análises. Um teste de produtividade deve envolver alguns aspectos para que seja considerado e levado a sério.
TESTE DE GANHO DE PESO: HISTÓRICO


Os programas estratégicos de controle dos parasitas foram primeiramente estudados para algumas regiões do Brasil por Ramos & Ramos (1978), para SC, Pinheiro (1983), para o RS e Bianchin et al. (1993), para a região Centro-Oeste, que introduziram o conceito da utilização racional dos antiparasitários nas épocas mais adequadas.
Atualmente, os testes de produtividade com endectocidas estão sendo realizados em grande número e por várias empresas. Porém, devido à falta de metodologia científica aplicada, poucos têm sido efetivamente aceitos para publicação. A Pfizer Brasil tem publicado mais de 30 trabalhos sobre doramectin junto a entidades científicas oficiais. Isto se deve à idoneidade e rigor das metodologias às quais os testes têm sido submetidos e a independência dos pesquisadores utilizados. Todos os protocolos dos testes desenvolvidos pela Pfizer estão sujeitos à auditoria do FDA - USA, órgão oficial americano que regulamenta toda indústria farmacêutica daquele país.
O primeiro trabalho de produtividade realizado pela Pfizer foi desenvolvido por Gonçalves (1993), utilizando doramectin (Dectomax), demonstrando uma diferença significativa no ganho de peso de

39 kg e 16kg, respectivamente com 3 ou 2 aplicações de doramectin, superior quando comparado com o programa convencional de controle dos parasitas usado na fazenda. Posteriormente, Bressan et al. (1998) e Yamamura et al. (1999) realizaram trabalhos semelhantes com resultados altamente favoráveis ao doramectin quando comparado a um programa convencional. Mais recentemente Carvalho et al. (1998; 1999) realizaram trabalhos comparando-se doramectin e ivermectin longa ação. Além disso, outros autores como Leite et al. (1997) em Minas Gerais, Pinheiro et al. (1997) no Rio Grande do Sul, Souza et al. (1997) em Santa Catarina e Bianchin et al. (1999) no Mato Grosso do Sul, têm relatado os seus estudos de programa estratégico de controle de ecto e endoparasitas com doramectin, baseado na epidemiologia dos parasitas nessas regiões, com excelentes resultados.
Com estes testes podemos analisar a eficácia dos endectocidas e a sua relação custo/benefício ou análise econômica. Mas para a realização destes testes devemos sempre levar em conta vários fatores que podem interferir nos resultados, tais como: local, época do ano e disponibilidade de alimento, condições meteorológicas, epidemiologia da região, animais (raça, sexo, idade), tipos de pastos e número de animais/ha, e avaliações dos parasitas e pesagens dos animais.

 
O QUE DEVE SER OBSERVADO EM TESTES DE GANHO DE PESO
1. DURAÇÃO DO TESTE
Um teste de ganho de peso pode durar até 36 meses. Testes de longo prazo, propiciam melhor avaliação dos produtos frente às condições naturais de desafio no campo durante o ano, quais sejam, chuvas, seca, pasto bom, pasto ruim, calor, frio, carga parasitária, etc. Testes de ganho de peso por período curto, podem deixar dúvidas de qual seria a performance do animal quando as condições se tornassem adversas à engorda, seja pelo aumento da carga parasitária no decorrer do ano ou por empobrecimento das pastagens. Por isso, existem empresas fazendo testes de ganho de peso com 45-60 dias, finalizando-os exatamente no momento da curva descendente do ganho de peso.

2. LOCAL DO TESTE:
As fazendas são os locais de eleição para a realização dos testes. Porém, alguns aspectos devem interferir na sua escolha, como infra-estrutura adequada (balanças, tron-cos, pessoal, etc.), tamanho dos pastos, acesso à propriedade, comunicação, comprometimento do proprietário por meio de contrato para obter a total colaboração e apoio ao estudo, a não venda dos animais, etc.

3. ÉPOCA DO ANO E EPIDEMIOLOGIA DA REGIÃO
É muito importante que se conheça a epidemiologia e prevalência dos parasitas das regiões onde vão ser realizados os testes, visto que deverão ser iniciados na época de maior prevalência e intensidade dos parasitas internos e externos, além do que devemos considerar as condições climáticas da região, como chuvas, estiagens prolongadas e temperaturas. Portanto, testes realizados em épocas de baixo desafio de parasitas podem conferir aos produtos períodos irreais de proteção.

4. ANIMAIS
Em testes de produtividade; devemos sempre considerar que os animais de raça européia são mais susceptíveis que os zebuínos em relação aos parasitas externos; que os machos ganham mais peso que as fêmeas, e que devem ser utilizados de preferência animais mais jovens, logo após a desmama, pois são mais susceptíveis aos parasitas (Utech et al. 1978b; Bianchin et al. 1993). Além
disso, os animais com maiores cargas parasitárias e mais desnutridos tendem a ter melhor resposta em ganho de peso quando tratados (desparasitados). Assim sendo, os animais deverão ser homogêneos, de mesma origem, raça, idade etc. e terem sido submetidos aos mesmos desafios.

5. PASTOS E ANIMAIS/HA

O objetivo do uso de endectocidas é o controle parasitário tanto nos animais como nas pastagens, sendo a produtividade (ganho de peso) sua conseqüência direta.
Deste modo, são importantes alguns aspectos relacionados aos pastos:
1º) Os animais devem ser mantidos em pastos separados por grupo de tratamento e os pastos devem ser similares ou iguais.
2º) Os pastos devem ter suficiente quantidade de capim (comida). Os pastos, após a divisão, deverão ter as mesmas condições, quantidade de água, cochos para sais minerais, mesmo tipo de capim e as áreas deverão ser determinadas de acordo com a quantidade de animal e duração do teste, sendo utilizado normalmente unidade animal/hectare (1 unidade animal = 280kg). Os pastos utilizados não deverão estar sem animais por um período muito longo, evitando-se desta maneira uma possível descontaminação parasitária natural. Portanto, devemos evitar realizar o estudo em um mesmo pasto com todos os animais dos diferentes tratamentos.
Devemos levar em conta neste caso que se, houver grupo não tratado, o pasto irá se recontaminar mais rápido, aumentando o desafio parasitário para os animais tratados e diminuindo o desafio para os animais não-tratados, pois os animais medicados não estariam reinfestando as pastagens. Um protocolo montado desta forma acarretaria em NIVELAMENTO ENTRE OS TRATAMENTOS, o que pode interessar aos fabricantes de produtos tecnicamente inferiores.

6. GRUPO CONTROLE SEM TRATAMENTO
É importante, para se avaliar os níveis de infestação por parasitas durante o período de teste. É o ponto de referência, principalmente nos testes a longo prazo.

7. AVALIAÇÕES DOS PARASITAS E PESAGENS
As avaliações dos parasitas deverão ser realizadas para cada animal, de preferência a cada 28 dias ou mensais, contando-se carrapatos ??4,5 mm (Wharton & Utech 1970) somente de um lado do animal (segundo padronização internacional é utilizado o lado direito); contagem em todo o corpo do animal dos nódulos de berne com larvas vivas; contagem total ou somente presença/ausência de bicheiras; coleta de fezes para realização de OPG e cultura de larvas para identificação dos gêneros de nematódeos (vermes) prevalentes na região. Quanto as pesagens, também deverão ser realizadas a cada 28 dias ou mensal e individuais. Quando da pesagem todos os animais deverão estar em jejum total por um período de no mínimo 12 horas.
Como nos testes de produtividade estamos analisando a performance dos animais, os diferentes grupos de tratamentos deverão ser formados com base nos pesos dos animais em ordem decrescente (blocos), sorteados para cada tratamento, de acordo com o peso no início do estudo ou ganho de peso durante um período em torno de 14 dias (preferível) e, se possível, de acordo com as car-gas parasitárias. Após o término do estudo, todos os dados anotados em formulários próprios, deverão ser enviados para análises estatística e econômica.

8. ANÁLISE ESTATÍSTICA
Todas as vezes que se realizam testes comparativos entre tratamentos, para que os resultados sejam significativos, deve-se proceder análise estatística. Esta dá a veracidade ao resultado e uma vez havendo diferença estatisticamente significativa entre os tratamentos, indica que o resultado não foi ao acaso e que uma vez repetido o teste nas mesmas condições ele dará o mesmo resultado em acima de 95% das repetições. Para isso, é feita a análise estatística. Todos os testes da Pfizer são analisados estatisticamente. Por isso, "contra fatos não há argumentos".

9. CONCLUSÃO

Para muitos no mercado, interessa que haja uma certa confusão e desconfiança quando se tratam de resultados dos testes de produtividade e ganho de peso envolvendo endectocidas. Por isso, este informativo teve como objetivo básico levar ao produtor condições de avaliar e valorizar um instrumento tão importante para escolha da melhor opção para o controle parasitário na sua fazenda. A Pfizer tem feito a sua parte e coloca à disposição dos senhores produtores e veterinários todos os seus trabalhos publicados, devidamente aprovados pela comunidade científica e aptos a serem auditorados pelo FDA.

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