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As constantes buscas por maior produtividade
e desempenho da pecuária de corte ou de
leite no Brasil têm levado a consideráveis
mudanças na forma de criação,
alterando assim muitas práticas e manejos
até então utilizadas.
Estas mudanças quase sempre objetivam
um melhor aproveitamento do potencial genérico
do animal, da mão-de-obra, da área
explorada e do potencial de ganho dos produtores,
o que deve resultar em uma maior rapidez na renovação
do plantel, densidade animal por hectare cada
vez maior e por conseguinte, resultado em mudanças
estruturais no manejo.
Embora estes avanços sejam essenciais
para uma maior produtividade, também propiciam,
devido às maiores aglomerações,
condições epidemiológicas
mais favoráveis para a manutenção
de agentes patogênicos e maior facilidade
de transmissão de agentes bacterianos,
virais e protozoários.
Entre as viroses merecem destaque o Herpesvírus
bovino tipo 1 (HVB-1), agente da Rinotraqueíte
Infecciosa Bovina (IBR), e Diarréia Viral
Bovina (BVD), por produzir perdas significativas
na produtividade da pecuária de corte e
leite em todo o mundo.
A IBR caracteriza-se por apresentar quadros clínicos
de rinotraqueítes, conjuntivites, vulvovaginites,
balonopostites, meningoencefalites e falhas reprodutivas,
incluindo abortos, natimortos e nascimento de
bezerros débeis e quadros de enterite (LEMAIRE
et al., 1974).
O HVB-1 é excretado pelas secreções
oculares, respiratórias, secreções
genitais e através de sêmen de touros
infectados, sendo a via oro-nasal uma das principais
vias de transmissão pelo contato direto
entre animais infectados e não-infectados,
além da transmissão direta pela
via venérea.
A infecção por BVD em vacas prenhes
pode causar severas perdas econômicas devido
a variedade de desordens que pode causar tais
como baixas taxas de fertilidade, morte embrionária,
abortos, anomalias fetais, nascimento de bezerros
fracos, além de estar associada com problemas
respiratórios (BAKER, 1995).
Entre as doenças bacterianas merece destaque
a leptospirose, por ser uma importante zoonose
e causar enormes prejuízos econômicos
aos produtores de bovinos.
A transmissão da leptospirose entre os
bovinos pode ocorrer por contato direto com urina,
fluidos placentários e leite ou pelocontato
indireto com alimentos contaminados pela urina
de animais infectados. A leptospirose em vacas
prenhes causa repetição de cio,
abortos, natimortos, mumificação
fetal, nascimento de bezerros fracos e mastites
em vacas em lactação.
O controle destas doenças é baseado
fundamentalmente na prevenção, protegendo-se
os animais sucetíveis mediante programas
de vacinação.
VACINAS
A utilização de vacinas contra
a IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina)
e BVD (Diarréia Bovina a Vírus)
é muito recente no Brasil. As primeiras
vacinas foram lançadas em finais de 1995
ou início de 1996. As vacinas contra Leptospirose,
embora disponíveis no mercado brasileiro
há mais tempo, também não
possuem ainda utilização muito ampla.
Quando do lançamento das vacinas contra
IBR e LVD, ainda persistiam dúvidas a respeito
da ocorrência destas doenças em nosso
meio. Hoje, passados 4 anos, recentes estudos
confirmam a ampla disseminação destes
agentes no Brasil.
O trabalho de RICHTZENHAIN at al (1998) foi o
primeiro grande levantamento sorológico
realizado no país envolvendo IBR e BVD.
Apresentado durante o Congresso Mundial de Buiatria
na Austrália, em julho de 1998, esta pesquisa
envolveu a amostragem sorológica de fêmeas
na idade reprodutiva provenientes de fazendas
em 6 Estados brasileiros. Os resultados mostraram
69% dos animais positivos para IBR e 73% positivos
para BVD. Estudo mais recente, apresentado por
RICHTZENHAIN at.al (1998) III Congresso Brasileiro
de Buiatria, em julho de 1999, pesquisou a ocorrência
de anticorpos séricos contra vírus
da IBR em 21.062 amostras de soro de fêmeas
bovinas originadas de 1.992 propriedades com histórico
de problemas reprodutivos e não, vacinas
contra a doença, em 21 Estados brasileiros.
Os resultados deste estudo mostraram que 64,7%
dos animais possuíam anticorpos contra
o vírus da IBR enquanto que 94,7% das fazendas
mostraram pelo menos uma das amostras de soro
com sorologia positiva.
A situação para Leptospirose não
difere muito daquela mostrada para IBR e BVD.
Pesquisa conduzida por Vasconcellos at al (1997)
envolvendo animais provenientes de fazendas pertencentes
a 6 Estados brasileiros mostrou que 60% dos animais
eram positivos para doença e que 100% das
fazendas apresentavam pelo menos um animal soropositivo
para a leptospirose. Outro estudo, apresentado
por Vasconcellos e cols (1999), no III Congresso
Brasileiro de Buiatria, mostrou que das 17.582
amostras de sangue avaliadas, 49,2% foram positivas
para pelo menos um sorotipo de Leptospira. Estas
amostras eram provenientes de 1.701 propriedades
de 21 Estados brasileiros e, dentre estas, 84,1%
das fazendas amostradas apresentavam pelo menos
um animal positivo.
Embora a ampla disseminação destas
doenças reprodutivas infecciosas esteja
plenamente provada no território brasileiro,
o benefício econômico da vacinação
sob condições de campo em nosso
país ainda gera discussões. Para
alguns, a elevada ocorrência destas doenças
não justificaria o investimento em vacinação,
uma vez que os prejuízos econômicos
gerados por doenças como a IBR e BVD estariam
relacionados com as condições de
criação comum nos Estados Unidos
e na Europa: confinamento, baixas temperaturas
e outras condições de eestressee
a que os animais estariam submetidos. No Brasil,
entretanto, não se dispõe de dados
suficientes para confirmar o custo/benefício
do controle destas doenças.
A avaliação da relação
custo, benefício de um programa de vacinação
em bovinos é melhor observada a médio
e longo prazo.
Três exemplos de observações
bem sucedidas são aí relatadas e
comprovam a relação altamente favorável
da vacinação.
Estas observações foram apresentadas
em uma mesa-redonda realizada durante o XIII Congresso
Brasileiro de Reprodução Animal,
em julho de 1999, como uma das atividades do III
Simpósio Pfizer de Doenças Infecciosas
e Vacinas para Bovinos. Para cada caso selecionado,
escolheu-se um parâmetro disponível
nos registros usuais da fazenda para mensurar
o benefício econômico da vacinação.
Infelizmente estes parâmetros não
são os mesmos para todas as fazendas, visto
que não se trata de um experimento e sim
a descrição de casos de campo.
Os resultados apresentados demonstram claramente
os benefícios econômicos decorrentes
da vacinação de bovinos com a vacina
CattleMaster, combinada ou não com Leptospirose,
melhorando os aspectos reprodutivos como também
o controle das doenças respiratórias.
Vacinação contra IBR / BVD em
fazenda leiteira em Minas Gerais melhorou os índices
reprodutivos.
Dr. Paulo Samuel de Melo
Médico Veterinário, Sete Lagoas
- MG
Caracterização da fazenda/exploração
Trata-se de uma grande fazenda leiteira, situada
no município de Esmeraldas, MG. A propriedade
possui 100 vacas em lactação, da
raça Holandesa (PO e PC), com média
de produção/dia de 28 kg por vaca.
O rebanho total da fazenda é composto por
350 cabeças, incluindo 100 receptoras para
transferência de embriões. As vacas
em lactação são mantidas
em free stall, ordenhadas 3 vezes ao dia
e recebem alimentação 4 vezes ao
dia, no sistema total mix. Os demais animais
da fazenda são mantidos em piquetes, com
suplementação de silagem e concentrado.
Situação da fazenda antes da
vacinação contra IBR / BVD e leptospirose
Os parâmetros reprodutivos mostravam-se
muito comprometidos. As taxas de repetição
de cio, morte embrionária e também
de abortos eram muito elevadas, muito acima daquelas
aceitas internacionalmente. Também eram
comuns casos de vulvovaginites e retenção
de placenta, sendo estas de cura difícil
e com a necessidade de trocas freqüentes
de tratamentos.
Problemas respiratórios também
eram freqüentes, acometendo com mais intensidade
os animais jovens, com destaque para a conjuntivite.
Em função destes problemas, a mortalidade
de bezerras era muito alta, apesar dos elevados
gastos com antibióticos e outros medicamentos
veterinários.
Em virtude de todos estes problemas, foi feito
sorologia para IBR (pela técnica de ELISA)
na UFMG e mais de 90% dos animais testados foram
positivos. Com este resultado, foi iniciada a
vacinação contra IBR e BVD a partir
de novembro de 1996.
Situação pós-vacinação
Hoje, já com 3 anos de vacinação,
a situação observada na fazenda
é bem diferente daquela encontrada antes
de novembro de 1996. Os índices reprodutivos
melhoram sensivelmente, principalmente a repetição
de cio e morte embrionária. Também
a retenção de placenta apresentou
melhora significativa. As doenças respiratórias
nas bezerras praticamente desapareceram, o que
resultou em melhor desenvolvimento destes animais
e a conseqüente redução dos
gastos com medicamentos. O quadro 1, a seguir,
mostra o consumo de sêmen para se conseguir
uma prenhez no período antes da vacinação
(média anual), contra a média anual
dos anos seguintes, quando já se efetuava
vacinação.
O programa de vacinação contra
doenças reprodutivas/respiratórias
utilizado na fazenda é a vacinação
de todo o gado adulto com CattleMaster 4+L5 -
Vacina contra IBR (cepa viva termossensível),
BVD, PI3, BRSV e leptospirose a cada 11 meses,
com o reforço contra Leptospirose sendo
feito a cada 6 meses.
As bezerras recebem 2 doses de CattleMaster 4+L5,
com intervalo de 3-4 semanas entre elas, sendo
a primeira aos 2 meses de idade. Entre os 3-8
meses, as bezerras recebem vacinação
contra brucelose. O reforço para CattleMaster
e leptospirose é feito seguindo o mesmo
esquema adotado nas vacas.
Conclusão
A vacinação com CattleMaster 4+L5
na fazenda em questão resultou em melhora
dos índices reprodutivos e de retenção
de placenta, maior desenvolvimento dos animais
jovens, redução do consumo de medicamentos
e de doses de sêmen para se obter uma prenhez.
Todos estes fatores combinados melhoram a rentabilidade
da exploração e comprovam o benefício
econômico da vacinação com
CattleMaster.
Benefícios da vacinação
contra doenças reprodutivas em vacas de
corte a campo no Mato Grosso do Sul
Dr. Fabiano de Brida
Médico Veterinário, Naviraí
- MS
Caracterização da fazenda/exploração:
É uma fazenda de gado de corte, na qual
é realizado cria, recria e engorda. Objetivo
comercial da operação é a
produção de novilhos superprecoces
(abate aos 12-14 meses de idade) ou precoces (abate
aos 18-24 meses). A propriedade possui 4.100 ha,
sendo 65% deles com pastagens (brachiaria, colonião,
tifton). O rebanho bovino, na safra 98/99, foi
de 3.428 vacas Nelore ou mestiças Nelore
x europeu, com um rebanho total de 5.500 cabeças.
As vacas e novilhas são mantidas em pastagens
de brachiara e colonião e suplementadas
com sal mineral com 85 g de fósforo. Na
época de menor oferta de forrageira é
feita suplementação com cana mais
uréia. A estação de monta
para novilhas com 12 meses de idade vai de 1º
de outubro a 30 de novembro, enquanto a das vacas,
vai de 1º de novembro a 15 de janeiro. Ao
final desta estação as vacas vazias
são descartadas. As novilhas que não
emprenham entre outubro e novembro possuem uma
segunda tentativa no meio do verão e uma
terceira entre abril e maio.
Quadro 1: média de doses de sêmen
para se conseguir um aprenhez com e sem vacinação
contra IBR, BVD e Leptospirose em fazenda leiteira
de alta tecnologia em Minas Gerais.
| Sem vacinação
(antes de novembro de 1996) |
3,5 doses por
animal |
| Vacinação
com CattleMaster (maio de 1999) |
2,3 doses por
animal |
Situação antes da vacinação
Durante os anos de 93, 94 e 95 foram feitos exames
de brucelose, com descarte dos animais suspeitos
e positivos. Os índices reprodutivos melhoraram
com isto e estavam em padrões razoáveis
para gado de corte a campo, nas condições
de cerrado brasileiro. Entretanto, ao final da
estação de nascimento de 96/97 foi
observado que um grande número de vacas
não havia parido, embora estas vacas tivessem
sido tocadas e dadas como prenhes ao final da
estação de monta. É o que
se chama na região de "Fundo de Maternidade".
Em função desta situação,
amostras de sangue destas vacas foram colhidas
e enviadas para a Universidade Estadual de Londrina
para avaliação de anticorpos contra
IBR e leptospirose. Os resultados mostraram que
grande parte destas vacas era positiva para estas
doenças e, em virtude disto, decidiu-se
pela vacinação.
Situação pós-vacinação
Na pré-estação de monta
97/98, todas as vacas e novilhas a ser cobertas
receberam 2 doses da vacina ClattleMaster 4+L5,
com 2-3 semanas de intervalo entre elas e reforço
contra a leptospirose 6 meses depois. A vacinação
também foi feita na pré-estação
de monta 98/99. Os benefícios da vacinação
contra as doenças reprodutivas nesta fazenda
são apresentados no quadro 2 abaixo:
Quadro 2: Perdas reprodutivas entre o toque
retal e o nascimento, com e sem vacinação
contra IBR, BVD e leptospirose em fazenda de gado
de corte no Mato Grosso do Sul.
| |
96/97
Sem vacinação |
97/98
Vacinação com CattleMaster |
98/99
Vacinação com CattleMaster |
| Nº de vacas prenhes
ao toque |
2.024 |
1.230 |
2.701 |
| % de vacas que não
pariram |
12,3% |
1% |
2,14% |
O programa de vacinação para doenças
reprodutivas em uso na fazenda pode ser assim
resumido:
Bezerras e novilhas: vacinação
contra brucelose entre 3-4 meses de idade e 2
doses de CattleMaster 4+L5, com intervalo de 2-3
semanas entre elas antes da primeira estação
de monta. Reforço contra leptospirose 6
meses após a vacinação com
CattleMaster 4+L5.
Vacas: dose única de CattleMaster
4+L5 na pré-estação de monta.
Reforço contra leptospirose 6 meses após
a vacinação com CattleMaster 4+L5.
Conclusão
A utilização de CattleMaster 4+L5
na pré-estação de monta,
com reforço de leptospirose 6 meses após,
resultou em redução de abortos,
com maior número de bezerros nascidos.
Conseqüentemente, houve melhora da lucratividade,
com o retorno do investimento.
CONCLUSÃO FINAL:
Para um melhor controle dos problemas respiratórios
e reprodutivos tanto nas fazendas de leite quanto
nas de corte é importante, primeiramente,
a identificação e a quantificação
dos problemas mediante análises críticas
dos índices produtivos da fazenda.
O segundo passo, após a obtenção
destes dados, é elaborar um programa de
controle e manejo adequado às necessidades
de cada fazenda e segui-lo rigorosamente.
A seleção de produtos a ser usados
deve ser baseada na necessidade do programa, na
eficácia, segurança e flexibilidade
de uso do produto.
Uma vez implantado um programa de controle, faz-se
necessária uma revisão regular dos
resultados, o que irá permitir ajustes
e aperfeiçoamento do programa de sanidade,
bem como medir a evolução.
As situações práticas de
campo aqui relatadas permitem concluir que a vacinação
com CattleMaster contra as doenças reprodutivas
e/ou respiratórias apresentam excelente
relação custo/benefício,
tanto em gado de corte como em gado de leite.
Adicionalmente, a utilização de
CattleMaster mostrou melhores resultados do que
aqueles obtidos com a utilização
de vacinas inativadas.
Os programas de vacinação utilizados
com CattleMaster foram bem distintos nos 3 casos
avaliados. Sobretudo, os resultados obtidos foram
satisfatórios em todas as fazendas, tanto
no que se refere a eficácia quanto ao retorno
econômico. Isto demonstra que o programa
de vacinação deve ser delineado
de acordo com a necessidade de cada propriedade
ou mesmo em cada situação.
CattleMaster, afinal, mostrou flexibilidade para
ser usada em todas estas situações
distintas, sempre com bom desempenho e confirmando
a segurança, mesmo nas vacas e/ou novilhas
prenhes.
BIBLIOGRAFIA
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