AT Nº 50 - VACINAÇÃO CONTRA RINOTRAQUEÍTE INFECCIOSA BOVINA (IBR), DIARRÉIA VIRAL BOVINA (BVD) E LEPTOSPIROSE.

 


Resultados de campo, em condições brasileiras.

INTRODUÇÃO

As constantes buscas por maior produtividade e desempenho da pecuária de corte ou de leite no Brasil têm levado a consideráveis mudanças na forma de criação, alterando assim muitas práticas e manejos até então utilizadas.

Estas mudanças quase sempre objetivam um melhor aproveitamento do potencial genérico do animal, da mão-de-obra, da área explorada e do potencial de ganho dos produtores, o que deve resultar em uma maior rapidez na renovação do plantel, densidade animal por hectare cada vez maior e por conseguinte, resultado em mudanças estruturais no manejo.

Embora estes avanços sejam essenciais para uma maior produtividade, também propiciam, devido às maiores aglomerações, condições epidemiológicas mais favoráveis para a manutenção de agentes patogênicos e maior facilidade de transmissão de agentes bacterianos, virais e protozoários.

Entre as viroses merecem destaque o Herpesvírus bovino tipo 1 (HVB-1), agente da Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR), e Diarréia Viral Bovina (BVD), por produzir perdas significativas na produtividade da pecuária de corte e leite em todo o mundo.

A IBR caracteriza-se por apresentar quadros clínicos de rinotraqueítes, conjuntivites, vulvovaginites, balonopostites, meningoencefalites e falhas reprodutivas, incluindo abortos, natimortos e nascimento de bezerros débeis e quadros de enterite (LEMAIRE et al., 1974).

O HVB-1 é excretado pelas secreções oculares, respiratórias, secreções genitais e através de sêmen de touros infectados, sendo a via oro-nasal uma das principais vias de transmissão pelo contato direto entre animais infectados e não-infectados, além da transmissão direta pela via venérea.

A infecção por BVD em vacas prenhes pode causar severas perdas econômicas devido a variedade de desordens que pode causar tais como baixas taxas de fertilidade, morte embrionária, abortos, anomalias fetais, nascimento de bezerros fracos, além de estar associada com problemas respiratórios (BAKER, 1995).

Entre as doenças bacterianas merece destaque a leptospirose, por ser uma importante zoonose e causar enormes prejuízos econômicos aos produtores de bovinos.

A transmissão da leptospirose entre os bovinos pode ocorrer por contato direto com urina, fluidos placentários e leite ou pelocontato indireto com alimentos contaminados pela urina de animais infectados. A leptospirose em vacas prenhes causa repetição de cio, abortos, natimortos, mumificação fetal, nascimento de bezerros fracos e mastites em vacas em lactação.

O controle destas doenças é baseado fundamentalmente na prevenção, protegendo-se os animais sucetíveis mediante programas de vacinação.

VACINAS

A utilização de vacinas contra a IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina) e BVD (Diarréia Bovina a Vírus) é muito recente no Brasil. As primeiras vacinas foram lançadas em finais de 1995 ou início de 1996. As vacinas contra Leptospirose, embora disponíveis no mercado brasileiro há mais tempo, também não possuem ainda utilização muito ampla.

Quando do lançamento das vacinas contra IBR e LVD, ainda persistiam dúvidas a respeito da ocorrência destas doenças em nosso meio. Hoje, passados 4 anos, recentes estudos confirmam a ampla disseminação destes agentes no Brasil.

O trabalho de RICHTZENHAIN at al (1998) foi o primeiro grande levantamento sorológico realizado no país envolvendo IBR e BVD. Apresentado durante o Congresso Mundial de Buiatria na Austrália, em julho de 1998, esta pesquisa envolveu a amostragem sorológica de fêmeas na idade reprodutiva provenientes de fazendas em 6 Estados brasileiros. Os resultados mostraram 69% dos animais positivos para IBR e 73% positivos para BVD. Estudo mais recente, apresentado por RICHTZENHAIN at.al (1998) III Congresso Brasileiro de Buiatria, em julho de 1999, pesquisou a ocorrência de anticorpos séricos contra vírus da IBR em 21.062 amostras de soro de fêmeas bovinas originadas de 1.992 propriedades com histórico de problemas reprodutivos e não, vacinas contra a doença, em 21 Estados brasileiros. Os resultados deste estudo mostraram que 64,7% dos animais possuíam anticorpos contra o vírus da IBR enquanto que 94,7% das fazendas mostraram pelo menos uma das amostras de soro com sorologia positiva.

A situação para Leptospirose não difere muito daquela mostrada para IBR e BVD. Pesquisa conduzida por Vasconcellos at al (1997) envolvendo animais provenientes de fazendas pertencentes a 6 Estados brasileiros mostrou que 60% dos animais eram positivos para doença e que 100% das fazendas apresentavam pelo menos um animal soropositivo para a leptospirose. Outro estudo, apresentado por Vasconcellos e cols (1999), no III Congresso Brasileiro de Buiatria, mostrou que das 17.582 amostras de sangue avaliadas, 49,2% foram positivas para pelo menos um sorotipo de Leptospira. Estas amostras eram provenientes de 1.701 propriedades de 21 Estados brasileiros e, dentre estas, 84,1% das fazendas amostradas apresentavam pelo menos um animal positivo.

Embora a ampla disseminação destas doenças reprodutivas infecciosas esteja plenamente provada no território brasileiro, o benefício econômico da vacinação sob condições de campo em nosso país ainda gera discussões. Para alguns, a elevada ocorrência destas doenças não justificaria o investimento em vacinação, uma vez que os prejuízos econômicos gerados por doenças como a IBR e BVD estariam relacionados com as condições de criação comum nos Estados Unidos e na Europa: confinamento, baixas temperaturas e outras condições de eestressee a que os animais estariam submetidos. No Brasil, entretanto, não se dispõe de dados suficientes para confirmar o custo/benefício do controle destas doenças.

A avaliação da relação custo, benefício de um programa de vacinação em bovinos é melhor observada a médio e longo prazo.

Três exemplos de observações bem sucedidas são aí relatadas e comprovam a relação altamente favorável da vacinação.

Estas observações foram apresentadas em uma mesa-redonda realizada durante o XIII Congresso Brasileiro de Reprodução Animal, em julho de 1999, como uma das atividades do III Simpósio Pfizer de Doenças Infecciosas e Vacinas para Bovinos. Para cada caso selecionado, escolheu-se um parâmetro disponível nos registros usuais da fazenda para mensurar o benefício econômico da vacinação. Infelizmente estes parâmetros não são os mesmos para todas as fazendas, visto que não se trata de um experimento e sim a descrição de casos de campo.

Os resultados apresentados demonstram claramente os benefícios econômicos decorrentes da vacinação de bovinos com a vacina CattleMaster, combinada ou não com Leptospirose, melhorando os aspectos reprodutivos como também o controle das doenças respiratórias.


Vacinação contra IBR / BVD em fazenda leiteira em Minas Gerais melhorou os índices reprodutivos.
Dr. Paulo Samuel de Melo

Médico Veterinário, Sete Lagoas - MG

Caracterização da fazenda/exploração

Trata-se de uma grande fazenda leiteira, situada no município de Esmeraldas, MG. A propriedade possui 100 vacas em lactação, da raça Holandesa (PO e PC), com média de produção/dia de 28 kg por vaca. O rebanho total da fazenda é composto por 350 cabeças, incluindo 100 receptoras para transferência de embriões. As vacas em lactação são mantidas em free stall, ordenhadas 3 vezes ao dia e recebem alimentação 4 vezes ao dia, no sistema total mix. Os demais animais da fazenda são mantidos em piquetes, com suplementação de silagem e concentrado.

Situação da fazenda antes da vacinação contra IBR / BVD e leptospirose

Os parâmetros reprodutivos mostravam-se muito comprometidos. As taxas de repetição de cio, morte embrionária e também de abortos eram muito elevadas, muito acima daquelas aceitas internacionalmente. Também eram comuns casos de vulvovaginites e retenção de placenta, sendo estas de cura difícil e com a necessidade de trocas freqüentes de tratamentos.

Problemas respiratórios também eram freqüentes, acometendo com mais intensidade os animais jovens, com destaque para a conjuntivite. Em função destes problemas, a mortalidade de bezerras era muito alta, apesar dos elevados gastos com antibióticos e outros medicamentos veterinários.

Em virtude de todos estes problemas, foi feito sorologia para IBR (pela técnica de ELISA) na UFMG e mais de 90% dos animais testados foram positivos. Com este resultado, foi iniciada a vacinação contra IBR e BVD a partir de novembro de 1996.

Situação pós-vacinação

Hoje, já com 3 anos de vacinação, a situação observada na fazenda é bem diferente daquela encontrada antes de novembro de 1996. Os índices reprodutivos melhoram sensivelmente, principalmente a repetição de cio e morte embrionária. Também a retenção de placenta apresentou melhora significativa. As doenças respiratórias nas bezerras praticamente desapareceram, o que resultou em melhor desenvolvimento destes animais e a conseqüente redução dos gastos com medicamentos. O quadro 1, a seguir, mostra o consumo de sêmen para se conseguir uma prenhez no período antes da vacinação (média anual), contra a média anual dos anos seguintes, quando já se efetuava vacinação.

O programa de vacinação contra doenças reprodutivas/respiratórias utilizado na fazenda é a vacinação de todo o gado adulto com CattleMaster 4+L5 - Vacina contra IBR (cepa viva termossensível), BVD, PI3, BRSV e leptospirose a cada 11 meses, com o reforço contra Leptospirose sendo feito a cada 6 meses.

As bezerras recebem 2 doses de CattleMaster 4+L5, com intervalo de 3-4 semanas entre elas, sendo a primeira aos 2 meses de idade. Entre os 3-8 meses, as bezerras recebem vacinação contra brucelose. O reforço para CattleMaster e leptospirose é feito seguindo o mesmo esquema adotado nas vacas.

Conclusão

A vacinação com CattleMaster 4+L5 na fazenda em questão resultou em melhora dos índices reprodutivos e de retenção de placenta, maior desenvolvimento dos animais jovens, redução do consumo de medicamentos e de doses de sêmen para se obter uma prenhez. Todos estes fatores combinados melhoram a rentabilidade da exploração e comprovam o benefício econômico da vacinação com CattleMaster.


Benefícios da vacinação contra doenças reprodutivas em vacas de corte a campo no Mato Grosso do Sul

Dr. Fabiano de Brida
Médico Veterinário, Naviraí - MS

Caracterização da fazenda/exploração:

É uma fazenda de gado de corte, na qual é realizado cria, recria e engorda. Objetivo comercial da operação é a produção de novilhos superprecoces (abate aos 12-14 meses de idade) ou precoces (abate aos 18-24 meses). A propriedade possui 4.100 ha, sendo 65% deles com pastagens (brachiaria, colonião, tifton). O rebanho bovino, na safra 98/99, foi de 3.428 vacas Nelore ou mestiças Nelore x europeu, com um rebanho total de 5.500 cabeças.

As vacas e novilhas são mantidas em pastagens de brachiara e colonião e suplementadas com sal mineral com 85 g de fósforo. Na época de menor oferta de forrageira é feita suplementação com cana mais uréia. A estação de monta para novilhas com 12 meses de idade vai de 1º de outubro a 30 de novembro, enquanto a das vacas, vai de 1º de novembro a 15 de janeiro. Ao final desta estação as vacas vazias são descartadas. As novilhas que não emprenham entre outubro e novembro possuem uma segunda tentativa no meio do verão e uma terceira entre abril e maio.

Quadro 1: média de doses de sêmen para se conseguir um aprenhez com e sem vacinação contra IBR, BVD e Leptospirose em fazenda leiteira de alta tecnologia em Minas Gerais.

Sem vacinação (antes de novembro de 1996) 3,5 doses por animal
Vacinação com CattleMaster (maio de 1999) 2,3 doses por animal

Situação antes da vacinação

Durante os anos de 93, 94 e 95 foram feitos exames de brucelose, com descarte dos animais suspeitos e positivos. Os índices reprodutivos melhoraram com isto e estavam em padrões razoáveis para gado de corte a campo, nas condições de cerrado brasileiro. Entretanto, ao final da estação de nascimento de 96/97 foi observado que um grande número de vacas não havia parido, embora estas vacas tivessem sido tocadas e dadas como prenhes ao final da estação de monta. É o que se chama na região de "Fundo de Maternidade".

Em função desta situação, amostras de sangue destas vacas foram colhidas e enviadas para a Universidade Estadual de Londrina para avaliação de anticorpos contra IBR e leptospirose. Os resultados mostraram que grande parte destas vacas era positiva para estas doenças e, em virtude disto, decidiu-se pela vacinação.

Situação pós-vacinação

Na pré-estação de monta 97/98, todas as vacas e novilhas a ser cobertas receberam 2 doses da vacina ClattleMaster 4+L5, com 2-3 semanas de intervalo entre elas e reforço contra a leptospirose 6 meses depois. A vacinação também foi feita na pré-estação de monta 98/99. Os benefícios da vacinação contra as doenças reprodutivas nesta fazenda são apresentados no quadro 2 abaixo:

Quadro 2: Perdas reprodutivas entre o toque retal e o nascimento, com e sem vacinação contra IBR, BVD e leptospirose em fazenda de gado de corte no Mato Grosso do Sul.

  96/97
Sem vacinação
97/98
Vacinação com CattleMaster
98/99
Vacinação com CattleMaster
Nº de vacas prenhes ao toque 2.024 1.230 2.701
% de vacas que não pariram 12,3% 1% 2,14%

O programa de vacinação para doenças reprodutivas em uso na fazenda pode ser assim resumido:
• Bezerras e novilhas: vacinação contra brucelose entre 3-4 meses de idade e 2 doses de CattleMaster 4+L5, com intervalo de 2-3 semanas entre elas antes da primeira estação de monta. Reforço contra leptospirose 6 meses após a vacinação com CattleMaster 4+L5.
• Vacas: dose única de CattleMaster 4+L5 na pré-estação de monta. Reforço contra leptospirose 6 meses após a vacinação com CattleMaster 4+L5.

Conclusão

A utilização de CattleMaster 4+L5 na pré-estação de monta, com reforço de leptospirose 6 meses após, resultou em redução de abortos, com maior número de bezerros nascidos. Conseqüentemente, houve melhora da lucratividade, com o retorno do investimento.

CONCLUSÃO FINAL:

Para um melhor controle dos problemas respiratórios e reprodutivos tanto nas fazendas de leite quanto nas de corte é importante, primeiramente, a identificação e a quantificação dos problemas mediante análises críticas dos índices produtivos da fazenda.

O segundo passo, após a obtenção destes dados, é elaborar um programa de controle e manejo adequado às necessidades de cada fazenda e segui-lo rigorosamente.

A seleção de produtos a ser usados deve ser baseada na necessidade do programa, na eficácia, segurança e flexibilidade de uso do produto.

Uma vez implantado um programa de controle, faz-se necessária uma revisão regular dos resultados, o que irá permitir ajustes e aperfeiçoamento do programa de sanidade, bem como medir a evolução.

As situações práticas de campo aqui relatadas permitem concluir que a vacinação com CattleMaster contra as doenças reprodutivas e/ou respiratórias apresentam excelente relação custo/benefício, tanto em gado de corte como em gado de leite. Adicionalmente, a utilização de CattleMaster mostrou melhores resultados do que aqueles obtidos com a utilização de vacinas inativadas.

Os programas de vacinação utilizados com CattleMaster foram bem distintos nos 3 casos avaliados. Sobretudo, os resultados obtidos foram satisfatórios em todas as fazendas, tanto no que se refere a eficácia quanto ao retorno econômico. Isto demonstra que o programa de vacinação deve ser delineado de acordo com a necessidade de cada propriedade ou mesmo em cada situação.
CattleMaster, afinal, mostrou flexibilidade para ser usada em todas estas situações distintas, sempre com bom desempenho e confirmando a segurança, mesmo nas vacas e/ou novilhas prenhes.

BIBLIOGRAFIA

BAKER, J. C. The clinical manifestations of bovine viral diarrhea infection.
Vet. Clin. North Amer., v. 11, p. 425-445, 1995.

LEMAIRE, M.; PASTORET, P.P.; THIRY, E. Le contrôle de I'infection par le virus de la rhinotrachéite infectieuse bovine. Annales de Médicine Vétérinaire, 138: 167-180, 1974.

RICHTZENHAIN, L.J.; ALFIERI, A; LEITE, R.C.; WEIBLEIN, R.; MORO, E.; UMEHARA, O. Pesquisa de anticorpos séricos contra herpesvírus bovino tipo 1 (HVB-1) em fêmeas bovinas de propriedades com histórico de problemas reprodutivos localizadas em 21 estados brasileiros. Proc. III Congresso Brasileiro de Buiatria. Arg. Inst. Biol., São Paulo, v 66 (supl.), p. 127, 1999.

RICHTZENHAIN, L.J.; BARBARINI, O; UMEHARA, O.; GARCIA, A. S. CORTEZ; HEINEMAMN, M.B.; FERREIRA, F. Results of serologic survey of bovine herpesvirus type1 and bovine viral diarrhea virus antibody in adult cows in Brasil. Proc. XX World Buiatrics Congress, Sydney, Australia, 6-10 July, 1998, p. 1156, (paper), 1998.

VASCONCELLOS, S. de A.; FREITAS J. C. de; LEITE, R. C.; BADKE, M.R.T.; MORO, E.; UMEHARA, O. Resultados de diagnóstico sorológico de leptospirose em soros de vacas e/ou novilhas no Brasil. Proc. III Congresso Brasileiro de Buiatria. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v 66 (supl.), p. 118, 1999.

VASCONCELLOS, S. de A.; BARBARINI, O.; UMEHARA, O.; MORAIS, Z. M.; CORTEZ, A.; PINHEIRO, S.R.; FERREIRA, F.; FÁVERO, A.C.M. FERREIRA, J.S. NETO. Leptospirose bovina. Níveis de ocorrência e sorotipos predominantes em rebanhos dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, Arq. Inst. Biol., São Paulo, v 64, n.2, p. 7-5, jul./dez., 1997.

 


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