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AT Nº 49 - CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA (VIBRIOSE)

 

Andrey Pereira Lage
MV, MMV, DSc - Prof. Adjunto
Departamento de Medicina Veterinária Preventiva
Escola de Veterinária
Universidade Federal de Minas Gerais

Rômulo Cerqueira Leite
MV, MMV, DSc - Prof. Adjunto
Departamento de Medicina Veterinária Preventiva
Escola de Veterinária
Universidade Federal de Minas Gerais

Introdução
A Campilobacteriose Genital Bovina (vibriose) é uma doença infecciosa venérea dos bovinos causada pelo Campylobacter fetus subsp. venerealis, que leva à infertilidade temporária da vaca devido a repetições de cio e aborto.
As duas subespécies de C. fetus, C. fetus subsp. venerealis e C. fetus subsp. fetus podem causar problemas reprodutivos nos bovinos, entretanto, a manifestação de infecção por estas subespécies difere quanto à ocorrência e patogenia.
A infecção pelo C. fetus subsp. venerealis provoca uma doença de caráter endêmico, onde vários animais de um mesmo rebanho são acometidos, intervalo entre partos. Esta doença, que tem transmissão venérea, é também denominada de Infertilidade Enzoótica dos Bovinos.
A infecção do útero da vaca pelo C. fetus subsp. fetus provoca o Aborto Esporático dos Bovinos. Na infecção dos bovinos por este microorganismo somente um ou alguns poucos animais da propriedade abortam, diferentemente do que ocorre nos ovinos, onde a infecção pelo C. fetus subsp. fetus leva à infertilidade endêmica. A infecção neste caso não se dá através do coito, mas pela disseminação de C. fetus subsp. fetus a partir do intestino ou da vesícula biliar, provocando uma bacteremia conseqüente infecção do útero gestante. A placentite causada por este microrganismo leva o feto à morte, através da anóxia, que é inevitavelmente seguida pelo aborto. Após o aborto, que é o principal sinal clínico da infecção, o trato genital feminino elimina rapidamente o agente.
Apesar dos escassos estudos realizados nas últimas duas décadas, sabe-se que a Campilobacteriose Genital Bovina é uma doença prevalente no nosso meio, pois a maior parte das propriedades utiliza a decorrentes do aumento do número de coberturas por concepção e do aumento do intervalo entre partos, assim como de perdas ocasionadas pelos abortos.

Etiologia
Campylobacter fetus subsp. venerealis são bastonetes Gram negativos, espiralados em forma de vírgula, "S" ou asa de gaivota.
São microrganismos microaerófilos, necessitando de uma atmosfera rica em CO2 (10%) e com reduzida concentração de 02 (5%) para seu crescimento. Possuem um ou dois flagelos polares, sendo usa motilidade característica melhor observada em microscopia de contraste de fase ou de campo escuro.
A diferenciação entre C. fetus subsp. venerealis e C. fetus subsp. fetus é feita pelas provas de crescimento em meio contendo 1,0% de glicina e de produção de H2S em meio contendo L-cisteína.
O C. fetus subsp. fetus apresenta resultados positivos em ambos os testes, enquanto o C. fetus subsp. venerealis não reage em ambos.

Transmissão
Por ser um microrganismo microaerófilo e por ser muito sensível à desidratação o C. fetus subsp. venerealis não resiste por longos períodos no ambiente, for a do hospedeiro. Desta forma a transmissão se dá principalmente pelo contato direto entre touros e vacas.
A transmissão do C. fetus subsp. venerealis nas fêmeas contaminam-se após a cópula com touro infectado e que não foi tratado com antibióticos também é fonte de infecção para as vacas.
Os touros também adquirem a infecção quando da cópula com uma fêmea infectada. Entretanto, a transmissão através de cama, quando touros infectados e não infectados são mantidos em uma mesma baia, ou de utensílios utilizados na coleta de sêmen (vagina artificial, etc) já foi descrita. Os touros com mais de quatro anos de idade parecem ser mais susceptíveis devido ao maior número e tamanho das criptas do epitélio peniano onde a bactéria se multiplica, embora touros jovens possam se infectar e permanecer temporariamente portadores, transmitindo a doença.
Como o touro pode permanecer portador durante anos, ou mesmo por toda a vida útil, e devido às características da exploração reprodutiva deste, utilizando-o para a cobertura de diversas fêmeas no rebanho, o touro é o grande disseminador da infecção na propriedade.

Epidemiologia
A Campilobacteriose Genital Bovina é uma doença importante em países onde existem grandes efetivos bovinos que estão em regime de monta natural, como a Austrália (23%) e Argentina (48%).
O primeiro isolamento de C. fetus subsp. venerealis no Brasil foi feito em 1956, no Estado de São Paulo, sendo verificado que a Campilobacteriose Genital Bovina está amplamente difundida entre nossos rebanhos.
Esta doença já foi diagnosticada em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, no Paraná, na Bahia, em Goiás, no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul, encontrando-se entre 8 e 67% de animais infectados. A Tabela 1 mostra as freqüências de animais com Campilobacteriose Genital Bovina encontrados nos vários Estados.
A alta prevalência da Campilobacteriose Genital Bovina em nossos rebanhos é certamente um dos fatores que influenciam as baixas taxas de desfrute e produtividade observadas em nossos plantéis bovinos devido as freqüentes repetições de cio e aumento do intervalo entre os partos.
Além disto, a alta prevalência da infecção entre os touros (56%) examinados no Estado do Mato Grosso do Sul, uma das principais áreas de pecuária de corte do país, é, certamente, uma das causas da elevada relação touro/vaca no Estado (1:25) e, principalmente, no Pantanal (1:12), o que acarreta grandes perdas para a pecuária do país.

Tabela 1. Freqüência de animais com Campilobacteriose Genital Bovina no Brasil

Ano Estados Autores Freqüência
1956 São Paulo D'Ápice 1º isolamento
1960 Rio Grande do Sul Mies Filho 27,0%
1971 Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais Castro et al. 8,0% 8,0%
1976 Bahia Costa 66,9%
1978 Rio de Janeiro Ramos & Guida 12,0%
1986 São Paulo Genovez et al. 23,9%
1986 Goiás Andrade et al. 22,4%
1995 Mato Grosso do Sul Pellegrin et al. 56,0%
1997 Minas Gerais Lage et al. 27,9%

Patogenia
Nos machos o C. fetus subsp. venerealis localiza-se na cavidade prepucial, multiplicando-se nas glândulas penianas, e não provoca lesões. A qualidade do sêmen geralmente também não e afetada. A recuperação espontânea da infecção nos machos raramente ocorre. Isto se deve, provavelmente, devido a pequenas variações antigênicas que a bactéria sofre no curso de infecção e por esta não ter um caráter invasivo nos machos não induzindo uma grande produção de anticorpos. Com isto o macho permanece como portador assintomático, disseminando a infecção no rebanho.
Nas fêmeas a bactéria penetra no sistema genital durante a fase ovulatória através do coito ou da inseminação artificial. Como nesta fase estrogênica há um grande aporte de neutrófilos para a vagina e útero, somente os microrganismos que conseguirem escapar da fagocitose e se multiplicarem vão invadir o útero durante a fase progesterônica, quando o aporte de neutrófilos é menor. Em 25% das novilhas infectadas os ovidutos também são acometidos.
A presença do C. fetus subsp. venerealis no útero vai causar uma endometrite com grande produção de imunoglobulinas, sendo as mais importantes as da classe G (predominante no útero) e as da classe A (predominantes na vagina).
IgM contra C. fetus subsp. venerealis aparece no muco cérvico-vaginal uma a duas semanas após a infecção e persiste por 8 a 18 semanas. IgA específica contra C. fetus subsp. venerealis aparece no muco cérvico-vaginal entre 3 e 5 semanas após a infecção, podendo persistir por mais de 40 semanas. Imunoglobulinas de classe G aparecem em torno da 8ª semana após a infecção e perduram por 24 e 36 semanas.
As IgG's funcionam como potentes opsoninas, facilitando a fagocitose do C. fetus subsp. venerealis por macrófagos e neutrófilos, mas a ativação da via clássica do complemento não é muito eficiente contra C. fetus subsp. venerealis. Isto pode ser explicado pela presença de uma chamada camada "S", como componente mais externo do envelope celular. A presença desta camada "S" impede a fixação do componente C3b do complemento, não permitindo assim a ação desse.
As IgA's, como não são boas opsoninas, atuam imobilizando estes microrganismos no muco cérvico-vaginal e limitam a entrada das bactérias no útero e na camada de muco, facilitando assim a expulsão do C. fetus subsp. venerealis, principalmente durante o estro.
A endometrite causada pelo C. fetus subsp. venerealis cria um ambiente desfavorável para o embrião, diminuindo a disponibilidade de 02, o que leva o embrião à morte e ao retorno ao cio com intervalos irregulares.
Apesar de as fêmeas que não foram cobertas conseguirem se livrar da infecção em 4 a 5 meses, ou seja, em torno de 3 cios após a infecção, em alguns animais o C. fetus subsp. venerealis pode permanecer por meses na cérvix e, principalmente, na vagina, mesmo durante a gestação, quando o hospedeiro tem mais dificuldade de abortar devido ao C. fetus subsp. venerealis e o mecanismo de aborto parecem ser uma reação alérgica aos lipopolissacarídeos (LPS) da bactéria.

Sinais Clínicos
A infecção pelo C. fetus subsp. venerealis geralmente resulta em uma doença subclínica que muitas vezes passa despercebida em muitas propriedades. As primeiras evidências encontradas nos casos de Campilobacteriose Genital Bovina são repetição de cio com intervalos irregulares em torno de 35 dias e aumento do intervalo entre partos.
Nos machos a infecção limita-se à cavidade prepucial, mas não se observam anormalidades clínicas nos animais infectados. Entretanto, estes animais tornam-se portadores assintomáticos e são muito importantes na transmissão da bactéria durante o coito. Pode haver diminuição da libido por excesso de serviço decorrente das altas taxas de repetição de cio.
Nas fêmeas a doença é caracterizada por infertilidade temporária, que se traduz principalmente por repetições de cio com intervalos irregulares variando de 25 a 120 dias, com média de 35 dias, resultante de cervicite subaguda difusa, endometrite e salpingite causadas pelo C. fetus subsp. venerealis.
As novilhas são mais susceptíveis por não terem tido contato prévio com o microorganismo. Nestas a percentagem d retorno ao cio pode superar os 75%.
Abortos também podem acontecer em 5 a 10% das fêmeas. Ocorre geralmente entre o 4º e 6º mês de gestação, mas, algumas vezes, conceptos mais jovens podem ser explicados envoltos em suas membranas.

Lesões
O exame clínico dos machos infectados pelo C. fetus subsp. venerealis não revela nenhuma alteração.
O exame da vagina no início da infecção pode revelar uma vaginite catarral. O muco pode ser claro ou ligeiramente turvo.
Histologicamente, a infecção pelo C. fetus subsp. venerealis causa uma endometrite mucopurulenta subaguda difusa, caracterizada pelo acúmulo de exsudato no lúmen das glândulas uterinas e por um pesado infiltrado periglandular de linfócitos.
Alguns animais apresentam salpingite, que, quando é bilateral, pode levar à infertilidade permanente.
Nos casos de aborto pode-se observar edema da placenta e necrose dos cotilédones semelhantes aos encontrados na Brucelose. Metrites pode ocorrer quando há retenção placentária e infecções secundárias.

Diagnóstico
A consulta aos dados das fichas de controle reprodutivo do rebanho, com a verificação de grande número de fêmeas com repetição de cio a intervalos irregulares, aumento do intervalo entre partos, abortos esporádicos e aumento do número de coberturas por prenhez são sugestivos de infecção pelo C. fetus subsp. venerealis no rebanho. Entretanto, a confirmação laboratorial é imprescindível para a determinação da etiologia do problema, pois várias outras doenças do sistema genital dos bovinos podem produzir sinais clínicos semelhantes.
O diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina é difícil devido o C. fetus subsp. venerealis ser uma bactéria microaerofílica, de dificil isolamento e que não resiste bem fora do hospedeiro. Além disto, a detecção de anticorpos no soro dos animais não apresenta boa sensibilidade e especificidade, devido à infecção pelo C. fetus subsp. venerealis restringir-se ao trato genital dos animais.
As técnicas laboratoriais rotineiramente utilizadas para diagnóstico da infecção pelo C. fetus subsp. venerealis são, além do isolamento e identificação, a imunofluorescência direta e a aglutinação com muco cérvico-vaginal.
Os materiais a serem coletados para envio ao laboratório são esmegma prepucial nos machos, muco cérvico-vaginal nas fêmeas e fetos, placentas e outros materiais de abortos.
Esmegma prepucial pode ser coletado através de raspado ou de lavado prepucial. No primeiro caso, a mucosa do pênis e da bainha peniana é escarificada com uma pipeta de inseminação artificial e o material é aspirado por uma seringa acoplada na outra extremidade. O material é colocado em meio de transporte para C. fetus subsp. venerealis ou a pipeta é selada e transportada sob refrigeração ao laboratório. No segundo caso, 50ml de solução salina tamponada (PBS) estéril é introduzida na bainha prepucial através de um tubo plástico estéril (equipo utilizado para hidratação parenteral).
É importante que o touro urine antes da coleta do material para evitar-se a sua contaminação. Após introdução do PBS o orifício prepucial é fechado com uma das mãos e com a outra, massageia-se vigorosamente o prepúcio. Depois da massagem o frasco que continha o PBS é colocado em um nível abaixo do orifício prepucial e o lavado é recolhido por gravidade. Este é semeado em meio de transporte ou enviado sob refrigeração ao laboratório.
Um aspecto importante a ser observado quando da coleta de esmegma é que o touro deve ser colocado em repouso sexual por, no mínimo, 15 dias antes da coleta. A sensibilidade de detecção do C. fetus subsp. venerealis é maior se forem realizadas duas ou três coletas, intervaladas com períodos de descanso sexual de 15 dias.

O muco cérvico-vaginal é coletado diretamente na vagina através de pipeta de inseminação acoplada a uma seringa ou através de tampões colocados na vagina. Em ambos os casos o material pode ser inoculado em meio de transporte para C. fetus subsp. venerealis ou enviado sob refrigeração laboratório.
Feto abortado ou membranas fetais ou maternas, em casos de aborto, devem ser enviados ao laboratório sob refrigeração. Conteúdo estomacal do feto pode ser retirado assepticamente e inoculado em meio de transporte para C. fetus subsp. venerealis ou remetido sob refrigeração.
O material a ser enviado para cultura, quando sob refrigeração, deve chegar ao laboratório em, no máximo, seis horas. Quando o material foi inoculado em meio de transporte, este deve ser mantido a temperatura ambiente e deve ser trabalhado no laboratório dentro de três dias após a coleta. Estes cuidados na coleta e transporte do material são de fundamental importância para a realização de uma tentativa de isolamento confiável.
O isolamento e identificação, apesar de ser o único método diagnóstico que permita diferenciar C. fetus subsp. venerealis e C. fetus subsp. fetus é o método dispendioso, difícil e que requer laboratório e técnicos especializados para a sua realização. Por estas características, o isolamento e a identificação só são realizados por uma minoria de laboratórios, o que torna sua utilização em nosso meio bastente restrita. Entretanto, nos locais onde esta técnica esteja disponível, ela deve ser utilizada, principalmente em conjunto com outras técnicas, aumentando assim a probabilidade de diagnóstico.
O material enviado sob refrigeração pode ser utilizado para a realização das demais técnicas de diagnóstico.
A imunofluorescência direta é uma técnica sensível, específica e de fácil utilização, sendo factível sua realização na maioria dos laboratórios. O seu resultado pode ser fornecido pelo laboratório em até 12 horas.
É utilizada para a detecção do C. fetus em lavados prepuciais, fetos ou materiais de aborto. Esta técnica é hoje a de mais fácil utilização em nosso meio.
A aglutinação do muco cérvico-vaginal é uma técnica para ser utilizada como de diagnóstico de rebanho, pois um resultado individual negativo não indica ausência de infecção. Sua sensibilidade e especificidade não são boas e ela necessita que o muco seja muito bem coletado, pois, a presença de sangue ou exsudato no material aumenta a proporção de resultados falso positivos ao teste. Além disso, a aglutinação com muco cérvico-vaginal também possui vários inconvenientes como a demora no aparecimento de aglutininas no muco cérvico-vaginal após a infecção pelo C. fetus venerealis e a presença de resultados falso negativos durante o estro. Esta técnica está em desuso atualmente.
Nos últimos anos, novas técnicas foram desenvolvidas como um ensaio imuno-enzimático (ELISA), para a detecção de imunoglobulinas A no muco cérvico-vaginal, e a reação em cadeia da polimerase (PCR), para a detecção de DNA de C. fetus subsp. venerealis em esmegma, muco cérvico-vaginal e material de abortos. Apesar dos resultados promissores dos primeiros testes, estas técnicas ainda necessitam de validação para serem incorporadas na rotina de diagnóstico da infecção pelo C. fetus subsp. venerealis.

Tratamento
O tratamento de fêmeas infectadas é muito oneroso. O repouso sexual das fêmeas por três ciclos ou por 90 a 150 dias leva a eliminação espontânea do C. fetus subsp. venerealis do trato genital na maioria dos animais, acarretando a recuperação animal. No entanto, a fertilidade destes animais pode não retornar aos níveis normais e alguns animais que tiverem salpingite bilateral apresentarão infertilidade permanente.
Os touros infectados podem ser tratados com a infusão de uma solução contendo 5g de dihidroestreptomicina no prepúcio com massagem vigorosa do mesmo. O tratamento é feito por cinco dias consecutivos e, no primeiro e terceiro dias de tratamento, uma aplicação parenteral de dihidroestreptomicina (22mg/kg) é realizada. O animal é considerado como livre do C. fetus subsp. venerealis após a realização de três testes negativos no lavado prepucial, intervalados de 15 dias de repouso sexual.
A eliminação do C. fetus subsp. venerealis do prepúcio de touros pela utilização da aplicação de duas doses de vacina, intervaladas de 4 a 6 semanas, já foi relatada. Entretanto, maiores estudos são necessários para a avaliação da eficácia deste método no tratamento da Campilobacteriose Genital Bovina em touros.

Controle
O controle da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho pode ser realizado empregando-se algumas medidas básicas: a utilização da inseminação artificial e vacinação dos animais expostos.
O emprego da inseminação artificial com sêmen proveniente de animais negativos ou sêmen tratado com antibióticos é uma medida muito eficaz para o controle da Campilobacteriose Genital Bovina, pois se evita assim a maior fonte de transmissão da doença que é a cobertura das fêmeas com touros infectados.
Quando a implementação da inseminação artificial não for possível, separar as novilhas das vacas e utilizar um touro virgem ou livre de infecção com estas novilhas.
Entretanto, em muitos rebanhos, principalmente os grandes rebanhos com manejo extensivo, técnicas como a inseminação artificial ou o repouso sexual das fêmeas infectadas não são facilmente implantadas. Nestes casos, a melhor estratégia a ser utilizada para o controle da doença é a vacinação.
A vacinação, principalmente utilizando vacinas com adjuvantes oleosos, produz uma imunidade duradoura e é uma medida preventiva e de controle muito eficiente. Devem-se vacinar todos os animais em idade reprodutiva, de preferência 30 a 60 dias antes da cobertura. Os touros, apesar das controvérsias sobre a eficácia da vacina nestes animais, também devem ser vacinados. Animais primovacinados, dependendo do tipo de adjuvante utilizado na vacina com 30 dias de intervalo entre as doses. A revacinação deve ser anual com dose única.
A relação custo-benefício do controle da Campilobacteriose Genital Bovina pela vacinação é positiva, pois já foi demonstrado que o retorno está em torno de 18 vezes o valor investido na vacinação, sendo que o ganho de apenas um bezerro desmamado equivale aproximadamente ao custo da vacinação de 100 animais.

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Sobre os Autores
Andrey Pereira Lage

• Formado em Medicina Veterinária pela Escola de Veterinária da UFMG em 1988;
• Mestre em Medicina Veterinária, área de concentração de Medicina Veterinária Preventiva, pela Escola de Veterinária da UFMG em 1992;
• Doutor em Ciências, área de concentração de Microbiologia, pela Vrije Universiteit Brussel, Bélgica, em 1996;
• Professor Adjunto do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva Da Escola de Veterinária da UFMG nas disciplinas de Doenças Bacterianas, Doenças Infecciosas da Reprodução, Imunologia Básica Veterinária e Métodos Imunológicos de Diagnóstico;
• Membro de núcleo de Pesquisa em Saúde Animal - NPSA do DMVP - EV - UFMG;
• Bolsista do CNPq.

Rômulo Cerqueira Leite
• Formado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense em 1970;
• Mestre em Medicina Veterinária, área de concentração de Medicina Veterinária Preventiva, pela Escola de Veterinária da UFMG em 1977;
• Mestre em Medicina Veterinária, área de concentração de Reprodução Animal, pela Escola de Veterinária da UFMG em 1983;
• Doutor em Medicina Veterinária, área de concentração de Parasitologia, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em 1989;
• Livre Docente em Medicina Veterinária Preventiva, área de Doenças a Vírus, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em 1993;
• Professor Adjunto do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Escola de Veterinária da UFMG nas disciplinas de Doenças a Vírus e Doenças Infecciosas da Reprodução;
• Membro de Núcleo de Pesquisa em Saúde Animal - NPSA do DMVP - EV - UFMG;
• Bolsista do CNPq.

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