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Introdução
A Campilobacteriose Genital Bovina (vibriose)
é uma doença infecciosa venérea
dos bovinos causada pelo Campylobacter fetus subsp.
venerealis, que leva à infertilidade temporária
da vaca devido a repetições de cio
e aborto.
As duas subespécies de C. fetus, C. fetus
subsp. venerealis e C. fetus subsp. fetus podem
causar problemas reprodutivos nos bovinos, entretanto,
a manifestação de infecção
por estas subespécies difere quanto à
ocorrência e patogenia.
A infecção pelo C. fetus subsp.
venerealis provoca uma doença de caráter
endêmico, onde vários animais de
um mesmo rebanho são acometidos, intervalo
entre partos. Esta doença, que tem transmissão
venérea, é também denominada
de Infertilidade Enzoótica dos Bovinos.
A infecção do útero da vaca
pelo C. fetus subsp. fetus provoca o Aborto Esporático
dos Bovinos. Na infecção dos bovinos
por este microorganismo somente um ou alguns poucos
animais da propriedade abortam, diferentemente
do que ocorre nos ovinos, onde a infecção
pelo C. fetus subsp. fetus leva à infertilidade
endêmica. A infecção neste
caso não se dá através do
coito, mas pela disseminação de
C. fetus subsp. fetus a partir do intestino ou
da vesícula biliar, provocando uma bacteremia
conseqüente infecção do útero
gestante. A placentite causada por este microrganismo
leva o feto à morte, através da
anóxia, que é inevitavelmente seguida
pelo aborto. Após o aborto, que é
o principal sinal clínico da infecção,
o trato genital feminino elimina rapidamente o
agente.
Apesar dos escassos estudos realizados nas últimas
duas décadas, sabe-se que a Campilobacteriose
Genital Bovina é uma doença prevalente
no nosso meio, pois a maior parte das propriedades
utiliza a decorrentes do aumento do número
de coberturas por concepção e do
aumento do intervalo entre partos, assim como
de perdas ocasionadas pelos abortos.
Etiologia
Campylobacter fetus subsp. venerealis são
bastonetes Gram negativos, espiralados em forma
de vírgula, "S" ou asa de gaivota.
São microrganismos microaerófilos,
necessitando de uma atmosfera rica em CO2 (10%)
e com reduzida concentração de 02
(5%) para seu crescimento. Possuem um ou dois
flagelos polares, sendo usa motilidade característica
melhor observada em microscopia de contraste de
fase ou de campo escuro.
A diferenciação entre C. fetus subsp.
venerealis e C. fetus subsp. fetus é feita
pelas provas de crescimento em meio contendo 1,0%
de glicina e de produção de H2S
em meio contendo L-cisteína.
O C. fetus subsp. fetus apresenta resultados positivos
em ambos os testes, enquanto o C. fetus subsp.
venerealis não reage em ambos.
Transmissão
Por ser um microrganismo microaerófilo
e por ser muito sensível à desidratação
o C. fetus subsp. venerealis não resiste
por longos períodos no ambiente, for a
do hospedeiro. Desta forma a transmissão
se dá principalmente pelo contato direto
entre touros e vacas.
A transmissão do C. fetus subsp. venerealis
nas fêmeas contaminam-se após a cópula
com touro infectado e que não foi tratado
com antibióticos também é
fonte de infecção para as vacas.
Os touros também adquirem a infecção
quando da cópula com uma fêmea infectada.
Entretanto, a transmissão através
de cama, quando touros infectados e não
infectados são mantidos em uma mesma baia,
ou de utensílios utilizados na coleta de
sêmen (vagina artificial, etc) já
foi descrita. Os touros com mais de quatro anos
de idade parecem ser mais susceptíveis
devido ao maior número e tamanho das criptas
do epitélio peniano onde a bactéria
se multiplica, embora touros jovens possam se
infectar e permanecer temporariamente portadores,
transmitindo a doença.
Como o touro pode permanecer portador durante
anos, ou mesmo por toda a vida útil, e
devido às características da exploração
reprodutiva deste, utilizando-o para a cobertura
de diversas fêmeas no rebanho, o touro é
o grande disseminador da infecção
na propriedade.
Epidemiologia
A Campilobacteriose Genital Bovina é
uma doença importante em países
onde existem grandes efetivos bovinos que estão
em regime de monta natural, como a Austrália
(23%) e Argentina (48%).
O primeiro isolamento de C. fetus subsp. venerealis
no Brasil foi feito em 1956, no Estado de São
Paulo, sendo verificado que a Campilobacteriose
Genital Bovina está amplamente difundida
entre nossos rebanhos.
Esta doença já foi diagnosticada
em São Paulo, no Rio Grande do Sul, em
Minas Gerais, no Paraná, na Bahia, em Goiás,
no Rio de Janeiro e no Mato Grosso do Sul, encontrando-se
entre 8 e 67% de animais infectados. A Tabela
1 mostra as freqüências de animais
com Campilobacteriose Genital Bovina encontrados
nos vários Estados.
A alta prevalência da Campilobacteriose
Genital Bovina em nossos rebanhos é certamente
um dos fatores que influenciam as baixas taxas
de desfrute e produtividade observadas em nossos
plantéis bovinos devido as freqüentes
repetições de cio e aumento do intervalo
entre os partos.
Além disto, a alta prevalência da
infecção entre os touros (56%) examinados
no Estado do Mato Grosso do Sul, uma das principais
áreas de pecuária de corte do país,
é, certamente, uma das causas da elevada
relação touro/vaca no Estado (1:25)
e, principalmente, no Pantanal (1:12), o que acarreta
grandes perdas para a pecuária do país.
Tabela 1. Freqüência de animais
com Campilobacteriose Genital Bovina no Brasil
| Ano |
Estados |
Autores |
Freqüência |
| 1956 |
São Paulo |
D'Ápice |
1º isolamento |
| 1960 |
Rio Grande do Sul |
Mies Filho |
27,0% |
| 1971 |
Paraná,
Rio Grande do Sul e Minas Gerais |
Castro et al. 8,0% |
8,0% |
| 1976 |
Bahia |
Costa |
66,9% |
| 1978 |
Rio de Janeiro |
Ramos & Guida |
12,0% |
| 1986 |
São Paulo |
Genovez et al. |
23,9% |
| 1986 |
Goiás |
Andrade et al. |
22,4% |
| 1995 |
Mato Grosso do
Sul |
Pellegrin et al. |
56,0% |
| 1997 |
Minas Gerais |
Lage et al. |
27,9% |
Patogenia
Nos machos o C. fetus subsp. venerealis localiza-se
na cavidade prepucial, multiplicando-se nas glândulas
penianas, e não provoca lesões.
A qualidade do sêmen geralmente também
não e afetada. A recuperação
espontânea da infecção nos
machos raramente ocorre. Isto se deve, provavelmente,
devido a pequenas variações antigênicas
que a bactéria sofre no curso de infecção
e por esta não ter um caráter invasivo
nos machos não induzindo uma grande produção
de anticorpos. Com isto o macho permanece como
portador assintomático, disseminando a
infecção no rebanho.
Nas fêmeas a bactéria penetra no
sistema genital durante a fase ovulatória
através do coito ou da inseminação
artificial. Como nesta fase estrogênica
há um grande aporte de neutrófilos
para a vagina e útero, somente os microrganismos
que conseguirem escapar da fagocitose e se multiplicarem
vão invadir o útero durante a fase
progesterônica, quando o aporte de neutrófilos
é menor. Em 25% das novilhas infectadas
os ovidutos também são acometidos.
A presença do C. fetus subsp. venerealis
no útero vai causar uma endometrite com
grande produção de imunoglobulinas,
sendo as mais importantes as da classe G (predominante
no útero) e as da classe A (predominantes
na vagina).
IgM contra C. fetus subsp. venerealis aparece
no muco cérvico-vaginal uma a duas semanas
após a infecção e persiste
por 8 a 18 semanas. IgA específica contra
C. fetus subsp. venerealis aparece no muco cérvico-vaginal
entre 3 e 5 semanas após a infecção,
podendo persistir por mais de 40 semanas. Imunoglobulinas
de classe G aparecem em torno da 8ª semana
após a infecção e perduram
por 24 e 36 semanas.
As IgG's funcionam como potentes opsoninas, facilitando
a fagocitose do C. fetus subsp. venerealis por
macrófagos e neutrófilos, mas a
ativação da via clássica
do complemento não é muito eficiente
contra C. fetus subsp. venerealis. Isto pode ser
explicado pela presença de uma chamada
camada "S", como componente mais externo
do envelope celular. A presença desta camada
"S" impede a fixação do
componente C3b do complemento, não permitindo
assim a ação desse.
As IgA's, como não são boas opsoninas,
atuam imobilizando estes microrganismos no muco
cérvico-vaginal e limitam a entrada das
bactérias no útero e na camada de
muco, facilitando assim a expulsão do C.
fetus subsp. venerealis, principalmente durante
o estro.
A endometrite causada pelo C. fetus subsp. venerealis
cria um ambiente desfavorável para o embrião,
diminuindo a disponibilidade de 02, o que leva
o embrião à morte e ao retorno ao
cio com intervalos irregulares.
Apesar de as fêmeas que não foram
cobertas conseguirem se livrar da infecção
em 4 a 5 meses, ou seja, em torno de 3 cios após
a infecção, em alguns animais o
C. fetus subsp. venerealis pode permanecer por
meses na cérvix e, principalmente, na vagina,
mesmo durante a gestação, quando
o hospedeiro tem mais dificuldade de abortar devido
ao C. fetus subsp. venerealis e o mecanismo de
aborto parecem ser uma reação alérgica
aos lipopolissacarídeos (LPS) da bactéria.
Sinais Clínicos
A infecção pelo C. fetus subsp.
venerealis geralmente resulta em uma doença
subclínica que muitas vezes passa despercebida
em muitas propriedades. As primeiras evidências
encontradas nos casos de Campilobacteriose Genital
Bovina são repetição de cio
com intervalos irregulares em torno de 35 dias
e aumento do intervalo entre partos.
Nos machos a infecção limita-se
à cavidade prepucial, mas não se
observam anormalidades clínicas nos animais
infectados. Entretanto, estes animais tornam-se
portadores assintomáticos e são
muito importantes na transmissão da bactéria
durante o coito. Pode haver diminuição
da libido por excesso de serviço decorrente
das altas taxas de repetição de
cio.
Nas fêmeas a doença é caracterizada
por infertilidade temporária, que se traduz
principalmente por repetições de
cio com intervalos irregulares variando de 25
a 120 dias, com média de 35 dias, resultante
de cervicite subaguda difusa, endometrite e salpingite
causadas pelo C. fetus subsp. venerealis.
As novilhas são mais susceptíveis
por não terem tido contato prévio
com o microorganismo. Nestas a percentagem d retorno
ao cio pode superar os 75%.
Abortos também podem acontecer em 5 a 10%
das fêmeas. Ocorre geralmente entre o 4º
e 6º mês de gestação,
mas, algumas vezes, conceptos mais jovens podem
ser explicados envoltos em suas membranas.
Lesões
O exame clínico dos machos infectados pelo
C. fetus subsp. venerealis não revela nenhuma
alteração.
O exame da vagina no início da infecção
pode revelar uma vaginite catarral. O muco pode
ser claro ou ligeiramente turvo.
Histologicamente, a infecção pelo
C. fetus subsp. venerealis causa uma endometrite
mucopurulenta subaguda difusa, caracterizada pelo
acúmulo de exsudato no lúmen das
glândulas uterinas e por um pesado infiltrado
periglandular de linfócitos.
Alguns animais apresentam salpingite, que, quando
é bilateral, pode levar à infertilidade
permanente.
Nos casos de aborto pode-se observar edema da
placenta e necrose dos cotilédones semelhantes
aos encontrados na Brucelose. Metrites pode ocorrer
quando há retenção placentária
e infecções secundárias.
Diagnóstico
A consulta aos dados das fichas de controle reprodutivo
do rebanho, com a verificação de
grande número de fêmeas com repetição
de cio a intervalos irregulares, aumento do intervalo
entre partos, abortos esporádicos e aumento
do número de coberturas por prenhez são
sugestivos de infecção pelo C. fetus
subsp. venerealis no rebanho. Entretanto, a confirmação
laboratorial é imprescindível para
a determinação da etiologia do problema,
pois várias outras doenças do sistema
genital dos bovinos podem produzir sinais clínicos
semelhantes.
O diagnóstico da Campilobacteriose Genital
Bovina é difícil devido o C. fetus
subsp. venerealis ser uma bactéria microaerofílica,
de dificil isolamento e que não resiste
bem fora do hospedeiro. Além disto, a detecção
de anticorpos no soro dos animais não apresenta
boa sensibilidade e especificidade, devido à
infecção pelo C. fetus subsp. venerealis
restringir-se ao trato genital dos animais.
As técnicas laboratoriais rotineiramente
utilizadas para diagnóstico da infecção
pelo C. fetus subsp. venerealis são, além
do isolamento e identificação, a
imunofluorescência direta e a aglutinação
com muco cérvico-vaginal.
Os materiais a serem coletados para envio ao laboratório
são esmegma prepucial nos machos, muco
cérvico-vaginal nas fêmeas e fetos,
placentas e outros materiais de abortos.
Esmegma prepucial pode ser coletado através
de raspado ou de lavado prepucial. No primeiro
caso, a mucosa do pênis e da bainha peniana
é escarificada com uma pipeta de inseminação
artificial e o material é aspirado por
uma seringa acoplada na outra extremidade. O material
é colocado em meio de transporte para C.
fetus subsp. venerealis ou a pipeta é selada
e transportada sob refrigeração
ao laboratório. No segundo caso, 50ml de
solução salina tamponada (PBS) estéril
é introduzida na bainha prepucial através
de um tubo plástico estéril (equipo
utilizado para hidratação parenteral).
É importante que o touro urine antes da
coleta do material para evitar-se a sua contaminação.
Após introdução do PBS o
orifício prepucial é fechado com
uma das mãos e com a outra, massageia-se
vigorosamente o prepúcio. Depois da massagem
o frasco que continha o PBS é colocado
em um nível abaixo do orifício prepucial
e o lavado é recolhido por gravidade. Este
é semeado em meio de transporte ou enviado
sob refrigeração ao laboratório.
Um aspecto importante a ser observado quando da
coleta de esmegma é que o touro deve ser
colocado em repouso sexual por, no mínimo,
15 dias antes da coleta. A sensibilidade de detecção
do C. fetus subsp. venerealis é maior se
forem realizadas duas ou três coletas, intervaladas
com períodos de descanso sexual de 15 dias.
O muco cérvico-vaginal é coletado
diretamente na vagina através de pipeta
de inseminação acoplada a uma seringa
ou através de tampões colocados
na vagina. Em ambos os casos o material pode ser
inoculado em meio de transporte para C. fetus
subsp. venerealis ou enviado sob refrigeração
laboratório.
Feto abortado ou membranas fetais ou maternas,
em casos de aborto, devem ser enviados ao laboratório
sob refrigeração. Conteúdo
estomacal do feto pode ser retirado assepticamente
e inoculado em meio de transporte para C. fetus
subsp. venerealis ou remetido sob refrigeração.
O material a ser enviado para cultura, quando
sob refrigeração, deve chegar ao
laboratório em, no máximo, seis
horas. Quando o material foi inoculado em meio
de transporte, este deve ser mantido a temperatura
ambiente e deve ser trabalhado no laboratório
dentro de três dias após a coleta.
Estes cuidados na coleta e transporte do material
são de fundamental importância para
a realização de uma tentativa de
isolamento confiável.
O isolamento e identificação, apesar
de ser o único método diagnóstico
que permita diferenciar C. fetus subsp. venerealis
e C. fetus subsp. fetus é o método
dispendioso, difícil e que requer laboratório
e técnicos especializados para a sua realização.
Por estas características, o isolamento
e a identificação só são
realizados por uma minoria de laboratórios,
o que torna sua utilização em nosso
meio bastente restrita. Entretanto, nos locais
onde esta técnica esteja disponível,
ela deve ser utilizada, principalmente em conjunto
com outras técnicas, aumentando assim a
probabilidade de diagnóstico.
O material enviado sob refrigeração
pode ser utilizado para a realização
das demais técnicas de diagnóstico.
A imunofluorescência direta é uma
técnica sensível, específica
e de fácil utilização, sendo
factível sua realização na
maioria dos laboratórios. O seu resultado
pode ser fornecido pelo laboratório em
até 12 horas.
É utilizada para a detecção
do C. fetus em lavados prepuciais, fetos ou materiais
de aborto. Esta técnica é hoje a
de mais fácil utilização
em nosso meio.
A aglutinação do muco cérvico-vaginal
é uma técnica para ser utilizada
como de diagnóstico de rebanho, pois um
resultado individual negativo não indica
ausência de infecção. Sua
sensibilidade e especificidade não são
boas e ela necessita que o muco seja muito bem
coletado, pois, a presença de sangue ou
exsudato no material aumenta a proporção
de resultados falso positivos ao teste. Além
disso, a aglutinação com muco cérvico-vaginal
também possui vários inconvenientes
como a demora no aparecimento de aglutininas no
muco cérvico-vaginal após a infecção
pelo C. fetus venerealis e a presença de
resultados falso negativos durante o estro. Esta
técnica está em desuso atualmente.
Nos últimos anos, novas técnicas
foram desenvolvidas como um ensaio imuno-enzimático
(ELISA), para a detecção de imunoglobulinas
A no muco cérvico-vaginal, e a reação
em cadeia da polimerase (PCR), para a detecção
de DNA de C. fetus subsp. venerealis em esmegma,
muco cérvico-vaginal e material de abortos.
Apesar dos resultados promissores dos primeiros
testes, estas técnicas ainda necessitam
de validação para serem incorporadas
na rotina de diagnóstico da infecção
pelo C. fetus subsp. venerealis.
Tratamento
O tratamento de fêmeas infectadas é
muito oneroso. O repouso sexual das fêmeas
por três ciclos ou por 90 a 150 dias leva
a eliminação espontânea do
C. fetus subsp. venerealis do trato genital na
maioria dos animais, acarretando a recuperação
animal. No entanto, a fertilidade destes animais
pode não retornar aos níveis normais
e alguns animais que tiverem salpingite bilateral
apresentarão infertilidade permanente.
Os touros infectados podem ser tratados com a
infusão de uma solução contendo
5g de dihidroestreptomicina no prepúcio
com massagem vigorosa do mesmo. O tratamento é
feito por cinco dias consecutivos e, no primeiro
e terceiro dias de tratamento, uma aplicação
parenteral de dihidroestreptomicina (22mg/kg)
é realizada. O animal é considerado
como livre do C. fetus subsp. venerealis após
a realização de três testes
negativos no lavado prepucial, intervalados de
15 dias de repouso sexual.
A eliminação do C. fetus subsp.
venerealis do prepúcio de touros pela utilização
da aplicação de duas doses de vacina,
intervaladas de 4 a 6 semanas, já foi relatada.
Entretanto, maiores estudos são necessários
para a avaliação da eficácia
deste método no tratamento da Campilobacteriose
Genital Bovina em touros.
Controle
O controle da Campilobacteriose Genital Bovina
em um rebanho pode ser realizado empregando-se
algumas medidas básicas: a utilização
da inseminação artificial e vacinação
dos animais expostos.
O emprego da inseminação artificial
com sêmen proveniente de animais negativos
ou sêmen tratado com antibióticos
é uma medida muito eficaz para o controle
da Campilobacteriose Genital Bovina, pois se evita
assim a maior fonte de transmissão da doença
que é a cobertura das fêmeas com
touros infectados.
Quando a implementação da inseminação
artificial não for possível, separar
as novilhas das vacas e utilizar um touro virgem
ou livre de infecção com estas novilhas.
Entretanto, em muitos rebanhos, principalmente
os grandes rebanhos com manejo extensivo, técnicas
como a inseminação artificial ou
o repouso sexual das fêmeas infectadas não
são facilmente implantadas. Nestes casos,
a melhor estratégia a ser utilizada para
o controle da doença é a vacinação.
A vacinação, principalmente utilizando
vacinas com adjuvantes oleosos, produz uma imunidade
duradoura e é uma medida preventiva e de
controle muito eficiente. Devem-se vacinar todos
os animais em idade reprodutiva, de preferência
30 a 60 dias antes da cobertura. Os touros, apesar
das controvérsias sobre a eficácia
da vacina nestes animais, também devem
ser vacinados. Animais primovacinados, dependendo
do tipo de adjuvante utilizado na vacina com 30
dias de intervalo entre as doses. A revacinação
deve ser anual com dose única.
A relação custo-benefício
do controle da Campilobacteriose Genital Bovina
pela vacinação é positiva,
pois já foi demonstrado que o retorno está
em torno de 18 vezes o valor investido na vacinação,
sendo que o ganho de apenas um bezerro desmamado
equivale aproximadamente ao custo da vacinação
de 100 animais.
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Sobre os Autores
Andrey Pereira Lage
Formado em Medicina Veterinária
pela Escola de Veterinária da UFMG em 1988;
Mestre em Medicina Veterinária,
área de concentração de Medicina
Veterinária Preventiva, pela Escola de
Veterinária da UFMG em 1992;
Doutor em Ciências, área de
concentração de Microbiologia, pela
Vrije Universiteit Brussel, Bélgica, em
1996;
Professor Adjunto do Departamento de Medicina
Veterinária Preventiva Da Escola de Veterinária
da UFMG nas disciplinas de Doenças Bacterianas,
Doenças Infecciosas da Reprodução,
Imunologia Básica Veterinária e
Métodos Imunológicos de Diagnóstico;
Membro de núcleo de Pesquisa em
Saúde Animal - NPSA do DMVP - EV - UFMG;
Bolsista do CNPq.
Rômulo Cerqueira Leite
Formado em Medicina Veterinária
pela Universidade Federal Fluminense em 1970;
Mestre em Medicina Veterinária,
área de concentração de Medicina
Veterinária Preventiva, pela Escola de
Veterinária da UFMG em 1977;
Mestre em Medicina Veterinária,
área de concentração de Reprodução
Animal, pela Escola de Veterinária da UFMG
em 1983;
Doutor em Medicina Veterinária,
área de concentração de Parasitologia,
pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
em 1989;
Livre Docente em Medicina Veterinária
Preventiva, área de Doenças a Vírus,
pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
em 1993;
Professor Adjunto do Departamento de Medicina
Veterinária Preventiva da Escola de Veterinária
da UFMG nas disciplinas de Doenças a Vírus
e Doenças Infecciosas da Reprodução;
Membro de Núcleo de Pesquisa em
Saúde Animal - NPSA do DMVP - EV - UFMG;
Bolsista do CNPq.
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