A mastite
bovina continua sendo fator limitante da produção
leiteira em muitas propriedades no Brasil, surgindo
como o mais freqüente causador de prejuízos
aos produtores de leite. Para que este quadro mude,
é fundamental a conscientização
do produtor sobre a importância do manejo
no controle da mastite. Pode parecer óbvio,
mas muitos produtores não percebem que todo
o seu investimento na melhoria genética do
rebanho, instalações e nutrição,
pode ir por terra na hora da produção
leiteira, devido a perdas com surgimento de mastites
e por ausência de um planejamento no seu controle.
Normalmente, os produtores não protegem seu
rebanho da forma adequada e só iniciam algum
tipo de tratamento quando a doença já
está em estágio bem avançado.
Em muitas propriedades, a mastite só merece
atenção e tratamento quando é
visível (clínica) acometendo vacas
em lactação, determinando prejuízos
pela queda na produção e descarte
de leite devido ao tratamento antibiótico.
Por isso, é fundamental a adoção
de um planejamento no controle de mastite. Este
planejamento deve envolver duas etapas:
1 - Prevenção
2 - Tratamento
O tratamento se limita aos casos clínicos
emergenciais quando o prejuízo já
é inevitável. A base do controle
da mastite está na prevenção,
que significa redução das possibilidades
de infecção por meio do manejo,
sejam as mastites contagiosas (durante a ordenha)
ou ambientais (pós-ordenha,) e tratamento
intramamário preventivo na secagem das
vacas com antibiótico de longa ação.
O fator determinante para o sucesso no controle
da mastite é que todo o processo seja feito
corretamente e com a mesma importância
para cada etapa.
Na Atualização Técnica
33, discutimos sobre medidas de manejo no
controle de mastites contagiosas e ambientais.
Neste capítulo iremos abordar a importância
da fase seca da vaca no controle da mastite e
demonstrar que o investimento na fase seca do
animal pode resultar em aumento da produtividade
e dos lucros com a lactação.
SECAGEM DE VACAS - Por quê, Quando e
Como
Secar uma vaca é interromper sua lactação.
Razões para secagem
· Vacas que parem ainda em lactação
produzem bezerros fracos e não apresentam
boas condições corporais no momento
do parto.
· Boas condições corporais
e sanitárias facilitam o parto, o aparecimento
do cio pós-parto e potencializam a produção
de leite na próxima lactação.
· A secagem garante um descanso fisiológico
ao úbere - são necessários
50-60 dias entre o fim da lactação
e o parto para regeneração das células
secretoras de leite.
· Favorece a maior produção
de colostro.
No terço final da gestação,
o desenvolvimento do feto é acentuado e
grande parte dos nutrientes ingeridos pela vaca
vão para o processo de formação
do bezerro. Se a vaca ainda estiver em lactação
nesta fase, o desgaste orgânico será
maior, prejudicando o feto, as condições
corporais da vaca e conseqüentemente a lactação
subseqüente. Pesquisas realizadas demonstram
que este período de descanso traz benefícios
tanto para a vaca (fisiologicamente) quanto para
o produtor (economicamente). Outra importante
razão para a secagem é quando a
vaca apresenta acentuada queda na produção,
tornando economicamente inviável sua manutenção
em lactação devido aos custos de
alimentação e mão-de-obra,
além de diminuir a média de produção
leiteira na propriedade.
Quando secar
Se a razão for a proximidade do parto,
a secagem deve ser feita no sétimo mês
de gestação.
Como secar
O processo de secagem consiste em alterar de
uma só vez os principais fatores que influenciam
a produção de leite: a alimentação
e os estímulos psíquico-hormonais
(presença do bezerro, das companheiras
do rebanho, sala de ordenha, cheiro da ração
e/ou silagem, etc.). Os passos para a secagem
são os seguintes:
1. Teste da caneca telada ou fundo escuro. Se
a vaca estiver com mastite, tratá-la com
Pathozone em dose única; se for
negativo, a vaca está apta ao processo
de secagem
2. Esgotar totalmente o úbere. Em seguida
aplicar, em cada teta, antibiótico de longa
ação, Orbenin Extra Dry Cow (cloxacilina
benzatina 600 mg - age por até 7 semanas
no úbere). Segundo pesquisas (COSTA et
al, 1996) é o produto que apresenta maior
eficácia no tratamento de vacas secas com
menor índice de recidivas de mastite na
lactação seguinte.
3. Transferir a vaca do local onde está
habituada à rotina de ordenha. Levá-la
para um piquete ou pasto, pobre em capim, de modo
a não permitir que a vaca se alimente bem.
Não fornecer concentrado. Deve ser oferecida
água à vontade.
4. Não ordenhar mais, mesmo se o úbere
encher de leite. Se isto acontecer, o organismo
da vaca absorverá este leite normalmente.
Na hipótese de o úbere inflamar,
deve-se ordenhá-lo e proceder nova aplicação
de Orbenin Extra Dry Cow.
5. Após 2 semanas, a vaca estará
seca e poderá passar a receber alimentação
de acordo com o período pré-parto
(volumoso e concentrado).
O planejamento de controle da mastite começa,
portanto, na secagem da vaca, quando todos os
passos de manejo devem ser rigorosamente seguidos.
Em resumo:
Deve-se mudar a vaca de local;
Deve-se restringir sua alimentação;
Não se deve ordenhá-la;
Deve haver precaução contra
a mastite.
Este método de secagem é preconizado pela EMBRAPA/CNPGL
e tem sido suficiente para secar vacas com produção
superior a 20 litros/dia. Este processo, por ser
rápido, não acarreta nenhum mal ao feto.
POR QUE TRATAR A VACA NO PERÍODO SECO
As mastites em vacas de leite freqüentemente
ocorrem durante o período seco ou no início da
lactação. Principal bactéria causadora de mastite,
o Staphilococcus aureus pode formar
focos encapsulados nas porções altas do úbere,
desenvolvendo uma forma subclínica, o que dificulta
a cura bacteriológica durante a lactação, pois
os antibióticos usados nesta fase são de tiro-curto,
devido ao período de retirada no leite, não permanecendo
em níveis terapêuticos por tempo suficiente para
determinar a eliminação completa da bactéria encistada.
Neste caso, não havendo tratamento à secagem,
estas bactérias podem atravessar todo o período
seco e retornar na lactação seguinte. Outras bactérias
têm sido isoladas durante o período seco,
tais como Streptococcus uberis,
Streptococcus agalactiae e Corynebacterium
pyogenes. O tratamento de vacas
no período seco reduz tanto o número de infecções
durante a fase seca quanto o de novas infecções
no início da lactação. Em média, pode-se eliminar
90% de infecções por Streptococcus agalactiae
e 70% por Staphilococcus aureus
com o tratamento no período seco (NAZTKE 1971).
POR QUE TRATAR COM ORBENIN EXTRA DRY COW
Testes comparativos demonstraram que Orbenin
Extra Dry Cow, quando comparado com outros produtos
para o mesmo fim, apresenta a melhor eficácia
clínica na fase seca, com o menor índice de recidivas
de mastite na lactação seguinte. Em teste
realizado pela USP, foram utilizadas 46 vacas,
divididas em 5 grupos de diferentes tratamentos,
com produtos para secagem. Foram conduzidas avaliações
microbiológicas do leite antes e depois do tratamento
no início da fase seca, bem como a taxa de novas
infecções durante a lactação subseqüente
em cada grupo. Orbenin apresentou eficácia clínica
de 75% na fase seca e apenas 12% de recidivas
de mastite na lactação pós-parto. As bactérias
isoladas no período seco foram: Staphilococcus
spp, Streptococcus spp e Corynebacterium
spp.
Figura1 - Orbenin: Melhor eficácia
no tratamento intramamário de vacas secas
com menor índice de recidivas de mastite
na lactação seguinte.*
* Fonte: Costa et al, 1996 - NAP-GAMA/FMVZ-USP

G1: Amoxicilina 200 mg + Cloxacilina
benzatina 200 mg
G2: Cloxacilina benzatina 600 mg - Orbenin Extra
Dry Cow
G3: Ampicilina + Cloxacilina
G4: Cloxacilina 500 mg
G5: Cloranfenicol
VANTAGENS DO TRATAMENTO NO PERÍODO SECO
Melhor resposta por atuar no úbere quase
em repouso.
Permite a utilização de formulações antibióticas
mais persistentes.
Eliminam-se os prejuízos com descarte de
leite por presença de antibióticos.
CONTROLE DE MASTITE X LUCRO
Um programa básico de controle de mastite deve
envolver o tratamento à secagem, Orbenin Extra
Dry Cow, associado a outras medidas de rotina,
tais como: CMT mensal e linha de ordenha, higienização
das tetas, teste da caneca, desinfecção da tetas
pós-ordenha (Ex.: Biocid® 1: 250), manejo
e higienização de ordenhadeiras, tratamentos de
mastites clínicas (Ex.: Pathozone) e descarte
de vacas mastiteiras. A EMBRAPA (VEIGA et al.,
1996) realizou alguns ensaios com este programa
em 4 propriedades no Estado de Minas Gerais e
obteve resultados econômicos excepcionais. A
média final demonstrou que, para cada real investido
no programa, houve um retorno de R$ 4,00.
Os cálculos se basearam no levantamento dos prejuízos
antes do programa (índice de infecção subclínica/quarto,
redução média da produção dos quartos infectados
e da produção leiteira) e ganhos obtidos com o
programa. O lucro foi calculado subtraindo-se
os prejuízos após a adoção do programa do montante
de prejuízos antes do programa. A relação custo/benefício
foi calculada pela divisão entre o lucro e o custo
do programa.
Figura 2 - Relação custo/benefício
do tratamento à secagem dentro de um programa
de controle de mastite bovina em condições
brasileiras de criação*.
* Fonte: Veiga et al, 1996 - EMBRAPA/CNPGL,
Coronel Pacheco, MG.

CONCLUSÃO
Para a melhoria da produção leiteira, tão importante
quanto o investimento em instalações, genética
e nutrição é a adoção de um programa de controle
de mastite, que se bem aplicado pode apresentar
um Custo/Benefício bem favorável. Para que realmente
o produtor obtenha lucro com leite, é fundamental
que se dê à fase seca da vaca a mesma importância
que se dá à fase de lactação, pois de uma boa
secagem da vaca depende a saúde do bezerro e a
manutenção ou aumento da média de produção leiteira
por animal, e conseqüentemente aumento da
média da propriedade. No manejo da secagem é indispensável
a aplicação de antibiótico intramamário de longa
ação, e para tal a melhor opção é Orbenin Extra
Dry Cow, que garante o melhor índice de cura
de mastites na fase seca e a menor ocorrência
de mastites na lactação seguinte, sendo um dos
fatores determinantes para o lucro com a utilização
de programas de controle de mastites.
BIBLIOGRAFIA
EMBRAPA-CNPGL, Método de Secagem de Vacas, Extraído
da Pasta do Produtor de Leite, Coronel Pacheco,
MG, 1996.
COSTA, E.O.; Ribeiro, A.R; Wataneble, E.T.; Sá
, R.; Silva, J. A.; Garino, Jr., F. Evaluation
Of Dry Cow Treatment On Bovine Mastitis: Cure
Rate And New Infection Rate. Nap-Gama/Fmvz-Usp,
Poster Presentations, XIX World Buiatrics Congress,
Edinburgh, p. 193-195, 1996.
NATZKE, R.P. Elements Of Mastitis Control. Journal
of Diary Science, 64: 1431-42, 1971.
VEIGA, V.M. de O.; Gomes, A. T.; Reis, E. S.;
Costa, L. R. Custo De Um Programa Básico de Controle
de Mastite Bovina Em Condições Brasileiras de
Criação. Embrapa/Cnpgl, Anais do XV Panvet, Campo
Grande, MS, p. 247, 1996.
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