AT Nº 37 - VACA SECA: ONDE COMEÇA O LUCRO COM LEITE

 


1 Dalmo Fernandes
Div. Agropecuário Pfizer Brasil
Gerente Técnico Produtos Antibacterianos

INTRODUÇÃO
A mastite bovina continua sendo fator limitante da produção leiteira em muitas propriedades no Brasil, surgindo como o mais freqüente causador de prejuízos aos produtores de leite. Para que este quadro mude, é fundamental a conscientização do produtor sobre a importância do manejo no controle da mastite. Pode parecer óbvio, mas muitos produtores não percebem que todo o seu investimento na melhoria genética do rebanho, instalações e nutrição, pode ir por terra na hora da produção leiteira, devido a perdas com surgimento de mastites e por ausência de um planejamento no seu controle. Normalmente, os produtores não protegem seu rebanho da forma adequada e só iniciam algum tipo de tratamento quando a doença já está em estágio bem avançado. Em muitas propriedades, a mastite só merece atenção e tratamento quando é visível (clínica) acometendo vacas em lactação, determinando prejuízos pela queda na produção e descarte de leite devido ao tratamento antibiótico. Por isso, é fundamental a adoção de um planejamento no controle de mastite. Este planejamento deve envolver duas etapas:

1 - Prevenção

2 - Tratamento

O tratamento se limita aos casos clínicos emergenciais quando o prejuízo já é inevitável. A base do controle da mastite está na prevenção, que significa redução das possibilidades de infecção por meio do manejo, sejam as mastites contagiosas (durante a ordenha) ou ambientais (pós-ordenha,) e tratamento intramamário preventivo na secagem das vacas com antibiótico de longa ação. O fator determinante para o sucesso no controle da mastite é que todo o processo seja feito corretamente e com a mesma importância para cada etapa.
Na Atualização Técnica 33, discutimos sobre medidas de manejo no controle de mastites contagiosas e ambientais. Neste capítulo iremos abordar a importância da fase seca da vaca no controle da mastite e demonstrar que o investimento na fase seca do animal pode resultar em aumento da produtividade e dos lucros com a lactação.

SECAGEM DE VACAS - Por quê, Quando e Como

Secar uma vaca é interromper sua lactação.

Razões para secagem

·• Vacas que parem ainda em lactação produzem bezerros fracos e não apresentam boas condições corporais no momento do parto.
·• Boas condições corporais e sanitárias facilitam o parto, o aparecimento do cio pós-parto e potencializam a produção de leite na próxima lactação.
·• A secagem garante um descanso fisiológico ao úbere - são necessários 50-60 dias entre o fim da lactação e o parto para regeneração das células secretoras de leite.
·• Favorece a maior produção de colostro.

No terço final da gestação, o desenvolvimento do feto é acentuado e grande parte dos nutrientes ingeridos pela vaca vão para o processo de formação do bezerro. Se a vaca ainda estiver em lactação nesta fase, o desgaste orgânico será maior, prejudicando o feto, as condições corporais da vaca e conseqüentemente a lactação subseqüente. Pesquisas realizadas demonstram que este período de descanso traz benefícios tanto para a vaca (fisiologicamente) quanto para o produtor (economicamente). Outra importante razão para a secagem é quando a vaca apresenta acentuada queda na produção, tornando economicamente inviável sua manutenção em lactação devido aos custos de alimentação e mão-de-obra, além de diminuir a média de produção leiteira na propriedade.

Quando secar

Se a razão for a proximidade do parto, a secagem deve ser feita no sétimo mês de gestação.

Como secar

O processo de secagem consiste em alterar de uma só vez os principais fatores que influenciam a produção de leite: a alimentação e os estímulos psíquico-hormonais (presença do bezerro, das companheiras do rebanho, sala de ordenha, cheiro da ração e/ou silagem, etc.). Os passos para a secagem são os seguintes:


1. Teste da caneca telada ou fundo escuro. Se a vaca estiver com mastite, tratá-la com Pathozone em dose única; se for negativo, a vaca está apta ao processo de secagem

2. Esgotar totalmente o úbere. Em seguida aplicar, em cada teta, antibiótico de longa ação, Orbenin Extra Dry Cow (cloxacilina benzatina 600 mg - age por até 7 semanas no úbere). Segundo pesquisas (COSTA et al, 1996) é o produto que apresenta maior eficácia no tratamento de vacas secas com menor índice de recidivas de mastite na lactação seguinte.

3. Transferir a vaca do local onde está habituada à rotina de ordenha. Levá-la para um piquete ou pasto, pobre em capim, de modo a não permitir que a vaca se alimente bem. Não fornecer concentrado. Deve ser oferecida água à vontade.

4. Não ordenhar mais, mesmo se o úbere encher de leite. Se isto acontecer, o organismo da vaca absorverá este leite normalmente. Na hipótese de o úbere inflamar, deve-se ordenhá-lo e proceder nova aplicação de Orbenin Extra Dry Cow.


5. Após 2 semanas, a vaca estará seca e poderá passar a receber alimentação de acordo com o período pré-parto (volumoso e concentrado).

O planejamento de controle da mastite começa, portanto, na secagem da vaca, quando todos os passos de manejo devem ser rigorosamente seguidos. Em resumo:
• Deve-se mudar a vaca de local;
• Deve-se restringir sua alimentação;
• Não se deve ordenhá-la;
• Deve haver precaução contra a mastite.

Este método de secagem é preconizado pela EMBRAPA/CNPGL e tem sido suficiente para secar vacas com produção superior a 20 litros/dia. Este processo, por ser rápido, não acarreta nenhum mal ao feto.

POR QUE TRATAR A VACA NO PERÍODO SECO


As mastites em vacas de leite freqüentemente ocorrem durante o período seco ou no início da lactação. Principal bactéria causadora de mastite, o Staphilococcus aureus pode formar focos encapsulados nas porções altas do úbere, desenvolvendo uma forma subclínica, o que dificulta a cura bacteriológica durante a lactação, pois os antibióticos usados nesta fase são de tiro-curto, devido ao período de retirada no leite, não permanecendo em níveis terapêuticos por tempo suficiente para determinar a eliminação completa da bactéria encistada. Neste caso, não havendo tratamento à secagem, estas bactérias podem atravessar todo o período seco e retornar na lactação seguinte. Outras bactérias têm sido isoladas durante o período seco, tais como Streptococcus uberis, Streptococcus agalactiae e Corynebacterium pyogenes. O tratamento de vacas no período seco reduz tanto o número de infecções durante a fase seca quanto o de novas infecções no início da lactação. Em média, pode-se eliminar 90% de infecções por Streptococcus agalactiae e 70% por Staphilococcus aureus com o tratamento no período seco (NAZTKE 1971).

POR QUE TRATAR COM ORBENIN EXTRA DRY COW

Testes comparativos demonstraram que Orbenin Extra Dry Cow, quando comparado com outros produtos para o mesmo fim, apresenta a melhor eficácia clínica na fase seca, com o menor índice de recidivas de mastite na lactação seguinte. Em teste realizado pela USP, foram utilizadas 46 vacas, divididas em 5 grupos de diferentes tratamentos, com produtos para secagem. Foram conduzidas avaliações microbiológicas do leite antes e depois do tratamento no início da fase seca, bem como a taxa de novas infecções durante a lactação subseqüente em cada grupo. Orbenin apresentou eficácia clínica de 75% na fase seca e apenas 12% de recidivas de mastite na lactação pós-parto. As bactérias isoladas no período seco foram: Staphilococcus spp, Streptococcus spp e Corynebacterium spp.

Figura1 -
Orbenin: Melhor eficácia no tratamento intramamário de vacas secas com menor índice de recidivas de mastite na lactação seguinte.*

* Fonte: Costa et al, 1996 - NAP-GAMA/FMVZ-USP


G1: Amoxicilina 200 mg + Cloxacilina benzatina 200 mg
G2: Cloxacilina benzatina 600 mg - Orbenin Extra Dry Cow
G3: Ampicilina + Cloxacilina
G4: Cloxacilina 500 mg
G5: Cloranfenicol


VANTAGENS DO TRATAMENTO NO PERÍODO SECO


• Melhor resposta por atuar no úbere quase em repouso.
• Permite a utilização de formulações antibióticas mais persistentes.
• Eliminam-se os prejuízos com descarte de leite por presença de antibióticos.

CONTROLE DE MASTITE X LUCRO

Um programa básico de controle de mastite deve envolver o tratamento à secagem, Orbenin Extra Dry Cow, associado a outras medidas de rotina, tais como: CMT mensal e linha de ordenha, higienização das tetas, teste da caneca, desinfecção da tetas pós-ordenha (Ex.: Biocid® 1: 250), manejo e higienização de ordenhadeiras, tratamentos de mastites clínicas (Ex.: Pathozone) e descarte de vacas mastiteiras. A EMBRAPA (VEIGA et al., 1996) realizou alguns ensaios com este programa em 4 propriedades no Estado de Minas Gerais e obteve resultados econômicos excepcionais. A média final demonstrou que, para cada real investido no programa, houve um retorno de R$ 4,00. Os cálculos se basearam no levantamento dos prejuízos antes do programa (índice de infecção subclínica/quarto, redução média da produção dos quartos infectados e da produção leiteira) e ganhos obtidos com o programa. O lucro foi calculado subtraindo-se os prejuízos após a adoção do programa do montante de prejuízos antes do programa. A relação custo/benefício foi calculada pela divisão entre o lucro e o custo do programa.


Figura 2 - Relação custo/benefício do tratamento à secagem dentro de um programa de controle de mastite bovina em condições brasileiras de criação*.

* Fonte:
Veiga et al, 1996 - EMBRAPA/CNPGL, Coronel Pacheco, MG.



CONCLUSÃO

Para a melhoria da produção leiteira, tão importante quanto o investimento em instalações, genética e nutrição é a adoção de um programa de controle de mastite, que se bem aplicado pode apresentar um Custo/Benefício bem favorável. Para que realmente o produtor obtenha lucro com leite, é fundamental que se dê à fase seca da vaca a mesma importância que se dá à fase de lactação, pois de uma boa secagem da vaca depende a saúde do bezerro e a manutenção ou aumento da média de produção leiteira por animal, e conseqüentemente aumento da média da propriedade. No manejo da secagem é indispensável a aplicação de antibiótico intramamário de longa ação, e para tal a melhor opção é Orbenin Extra Dry Cow, que garante o melhor índice de cura de mastites na fase seca e a menor ocorrência de mastites na lactação seguinte, sendo um dos fatores determinantes para o lucro com a utilização de programas de controle de mastites.

BIBLIOGRAFIA

EMBRAPA-CNPGL, Método de Secagem de Vacas, Extraído da Pasta do Produtor de Leite, Coronel Pacheco, MG, 1996.

COSTA, E.O.; Ribeiro, A.R; Wataneble, E.T.; Sá , R.; Silva, J. A.; Garino, Jr., F. Evaluation Of Dry Cow Treatment On Bovine Mastitis: Cure Rate And New Infection Rate. Nap-Gama/Fmvz-Usp, Poster Presentations, XIX World Buiatrics Congress, Edinburgh, p. 193-195, 1996.

NATZKE, R.P. Elements Of Mastitis Control. Journal of Diary Science, 64: 1431-42, 1971.

VEIGA, V.M. de O.; Gomes, A. T.; Reis, E. S.; Costa, L. R. Custo De Um Programa Básico de Controle de Mastite Bovina Em Condições Brasileiras de Criação. Embrapa/Cnpgl, Anais do XV Panvet, Campo Grande, MS, p. 247, 1996.

 


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