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A anaplasmose é uma doença parasitária
infecciosa que acomete bovinos, ovinos e caprinos,
causada pela rickttesia Anaplasma marginale,
que parasita os glóbulos vermelhos destas
espécies. Em ovinos e caprinos, sua manifestação
é subclínica. No entanto, sua ocorrência
na forma clínica em bovinos possui grande
importância econômica por atraso no
desenvolvimento e, não raramente, morte
dos animais, tanto em rebanhos puros quanto em
mestiços europeus (CEPANZO, 1976). Sua
transmissão pode ser feita por carrapatos,
moscas hemotófagas e agulhas contaminadas.
Os principais sinais clínicos da anaplasmose
em bovinos são: debilidade, febre, anemia
e icterícia. Esta doença, que normalmente
caracteriza a segunda etapa da Tristeza Parasitária
Bovina, não raro pode manisfestar-se independentemente
da babesiose. Mesmo quando a manifestação
da anaplasmose não ocorre secundariamente
à babesiose, ainda é denominada
como Tristeza. Em regiões endêmicas,
os bovinos em regime de campo se infectam quando
ainda bem jovens, onde adquirem relativa resistência,
e daí por diante recebem sucessivas reinfecções
ao longo de suas vidas, mantendo um nível
aceitável de premunição.
Entretanto, existem situações sazonais
e/ou epidemiológicas que predispõem
a ocorrência de surtos de anaplasmose aguda
nos rebanhos. Bezerros que nascem em áreas
livres de carrapatos e posteriormente são
transferidos para regiões infestadas ou
regiões em que ocorram pico de nascimento
de bezerros durante longo período de estiagem
e/ou frio quando a disponibilidade de larvas na
pastagem é baixa ou ausente, e após
alguns meses recebem alta carga de carrapato com
início das chuvas, são alguns exemplos
de situações que podem levar à
doença. No primeiro caso, deve-se estabelecer
uma quarentena, onde os animais serão induzidos
à infecção, seguida de tratamento
com Terramicina/LA, desenvolvendo assim a imunidade.
Este processo denomina-se premunição,
que futuramente será discutido em capítulo
especial. No segundo caso, os animais não
possuem imunidade contra o parasita e necessitam
de tratamento terapêutico. O objetivo deste
trabalho foi demonstrar nacionalmente a eficácia
de Terramicina /LA na dosagem de 20 mh/kg no controle
de casos de anaplasmose aguda ocorridos naturalmente
em bovinos a campo.
PROCEDIMENTOS
O estudo foi realizado em fazendas de todas regiões
do Brasil. Os casos de anaplasmose foram diagnosticados
clinicamente, por esfregaços sangüíneos,
e na maioria dos casos por microhematócrito.
Os animais positivos foram tratados com dose única
de Terramicina/LA na dosagem de 20mg/kg por via
intra-muscular. Ficou a critério do médico
veterinário a aplicação de
2 ou 3 doses de acordo com as análises
da parasitemia e o hematócrito em
cada caso.
MATERIAL E MÉTODOS
| Total de animais
tratados |
227 |
| Peso médio |
270kg |
| Idade média |
16 meses |
| Raças |
Holandês, Girolanda,
Marchigiana, Pardo Suíço, Charolês,
e cruzados em Nelore, Devon e Simenthal. |
Os testes de campo foram realizados nas regiões
Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul do Brasil,
conforme apresentado na Tabela 1.
Tab. 1: Distribuição geográfica
dos testes de eficácia de Terramicina/LA
contra anaplasmose aguda em bovinos.
| REGIÃO |
ESTADO |
MUNICÍPIO |
| SUDESTE |
São Paulo, Minas Gerais
|
S. J. do Rio Preto, Pedrinhas
Paulista, Herculândia, Santa Rita do
Sapucaí |
| CENTRO-OESTE |
Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul |
Rondonópolis, Terenos,
Campo Grande |
| NORDESTE |
Pernambuco, Maranhão,
Bahia |
Belo Jardim, Boquimão,
Feira de Santana |
| SUL |
Paraná |
Clevelândia, Cambé |
RESULTADOS
Ocorrência e incidência de casos
de anaplasmose aguda nas diferentes raças
bovinas criadas no Brasil.
A doença ocorreu em todas as regiões
do Brasil, afetando algumas das principais raças
bovinas criadas no País, tais como: Holandês,
Marchigiana, Girolanda, Pardo Suíço,
Charolês e cruzados de Nelore, Devon e Simenthal.
A incidência foi maior em rebanhos da raça
Holandesa, conforme demonstrado na Figura 1.
Fig.1: Incidência por raça de
casos de anaplasmose aguda em bovinos, nas diversas
regiões do Brasil
A eficácia clínica da Terramicina/LA
foi determinada observando-se os seguintes aspectos:
redução à temperatura
normal (37,5°C a 39,5°C ) - Fig. 2;
recuperação do hematócrito
aos níveis normais 27,5% a 31,6% (nos casos
em foi possíveil a realização
do exame) Fig. 3;
desaparecimento dos sistomas como icterícia,
debilidade e anorexia.
Fig. 2: Redução de temperatura
em bovinos acometidos por anaplasmose após
aplicação de Terramicina/LA - valores
médios/Brasil.
Cura clínica
A eliminação da febre (por meio
da redução da temperatura) e o desaparecimento
da anemia (pela recuperação do hematócrito)
proporcionaram 97% de cura clínica com
uso de Terramicina/LA contra anaplasmose aguda
em bovinos, como mostrado na Figura 4.
Fig. 4: Cura clínica em função
do número de doses em casos de anaplasmose
aguda ocorridos naturalmente em bovinos à
campo
* Mortalidade em casos de associação
com Babesia sp em animais mais velhos, em que
os efeitos da anaplasmose são mais severos.
DISCUSSÃO
A anaplasmose é primariamente uma doença
anemiante cuja gravidade depende do número
de hemácias parasitadas. O aparecimento
do parasita no sangue, coincide com a dimunuição
do hematócrito, do número de hemácias
circulantes e também com aparecimento de
eritrócitos imaturos nos esfregaços
sanguíneos, além de febre. A temperatura
aumenta vagarosamente, e raramente vai além
de 40,5°C. A partir daí pode permanecer
elevada ou alternar fases do pico e temperatura
normal, esta fase pode se extender por até
2 semanas. Neste estudo a eficácia de Terramicina
/LA contra anaplasmose aguda foi demonstrada através
da interrupção do curso normal da
doença. Na figura 2 pode-se observar a
queda contínua da temperatura durante
duas semanas (14 dias) após o tratamento,
sem oscilações ou picos febris,
o que caracterizaria a evolução
normal da doença. A diminuição
do hemotócrito foi drástica em alguns
animais, chegou à 14% (50% abaixo do valor
normal). Normalmente, a mortalidade sobrevém
nesta fase. A recuperação do hematócrito
demonstrado na Figura 3 indica que a evolução
do ciclo do parasita foi interrompida, determinando
o desaparecimento da sintomatologia clínica
da doença. Em 17% dos casos, foram aplicadas
duas doses de Terramicina/LA. Foram casos em que
ocorreram queda no hemotócrito após
a primeira dose, como demonstrado na Figura 3.
Este fenômeno tem sido observado em vários
trabalhos envolvendo o tratamento da anaplasmose
aguda, inclusive durante processos de premunição.
Sabe-se que os animais respondem de forma individual
parasitemia. É fato que em muitos
casos, ocorre um aumento da parasitemia
imediatamente após a primeira aplicação
de Terramicina/LA que, por sua vez, determina
a queda no hematócrito. Especula-se que
este fato talvez se deva ao mecanismo de ação
da oxitetraciclina, que impede a combinação
das frações ribossômicas responsáveis
pela multiplicação do Anaplasma,
mas sob algumas circunstâncias o DNA do
parasita que já recebeu o "código
genético" para replição,
na fração de tempo imediatamente
anterior à ação do produto
não será atingido por ele nesta
fase. Neste caso, o parasita conseguirá
se replicar e formar mais uma geração,
que só então será atingida.
A formação de uma geração
à mais, representa muito no aumento da
parasitemia, pois cada Anaplasma, ao romper
uma hemácia se multiplica em 8 e invadem
oito novas hemácias e assim por diante.
A progressão da parasitemia é
geométrica. Em estudos que acompanhamos,
pudemos constatar que casos de aumento da parasitemia
e queda no hemotócrito após a primeira
dose, em 3 à 5 dias, responderam ao tratamento
sem necessidade da segunda aplicação,
sugerindo que, neste estudo, muitos dos casos
tratados com duas doses poderiam apresentar o
mesmo sucesso clínico com dose única.
Podemos assim, destacar a excepcional performance
de Terramicina/LA, no tratamento dos casos anaplasmose
aguda em bovinos à campo, apresentando
eficácia clínica de 97%, sendo 77%
dos casos resolvidos com aplicação
de única dose. O controle de anaplasmose
em áreas ezoóticas deve envolver
o controle do carrapato, de moscas sugadoras e
a prevenção da transmissão
mecânica por contaminação
de agulhas ou instrumentais cirúrgicos.
A introdução em áreas enzoóticas
de animais provenientes de áreas livres
de carrapato deve ser precedida pelo processo
de premunição e o tratamento, tanto
dos casos agudos quanto nos animais em premunição,
deve ser feito com Terraminica/LA, a primeira
a demonstrar nacionalmente sua eficácia
clínica contra anaplasmose aguda ococoridas
naturalmente em bovinos a campo.
RESUMO
Foram realizados experimentos em nível
nacional, sob as mais variadas condições
de clima e manejo, envolvendo 227 bovinos, para
demonstrar a eficácia de Terramicina/LA
contra casos de anaplasmose aguda ocorridos naturalmente
a campo. A cura clínica foi determinada
pela recuperação do nível
de hematócrito e redução
da temperatura durante 14 dias pós-tratamento.
A eficácia clínica de Terramicina/LA
foi de 97% sendo 77% dos casos curados com aplicação
de única dose.
BIBLIOGRAFIA
CEPANZO (Centro Panamericano de Zoonozes). Diagnóstico
da situação sanitária na
sub área de São Gonçalo do
Sapucaí-MG. In: CURSO DE PLANIFICACION
EN SALUD ANIMAL, 6, Buenos Aires, 1976. Relatório
dos Participantes.
SALCEDO, J. H.P. & RIBEIRO,M.F.B. Controle
de Anaplasmose e Babesioses. Universidade Federal
de Viçosa, 11p. 1982
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