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AT Nº 39 - USO TERAPÊUTICO A TERRAMICINA/LA CONTRA ANAPLASMOSE AGUDA EM BOVINOS: RESULTADOS BRASIL

 


1Dalmo Fernandes
Div. Agropecuária Pfizer Brasil
Gerente Técnico Produtos Antibacterianos

INTRODUÇÃO

A anaplasmose é uma doença parasitária infecciosa que acomete bovinos, ovinos e caprinos, causada pela rickttesia Anaplasma marginale, que parasita os glóbulos vermelhos destas espécies. Em ovinos e caprinos, sua manifestação é subclínica. No entanto, sua ocorrência na forma clínica em bovinos possui grande importância econômica por atraso no desenvolvimento e, não raramente, morte dos animais, tanto em rebanhos puros quanto em mestiços europeus (CEPANZO, 1976). Sua transmissão pode ser feita por carrapatos, moscas hemotófagas e agulhas contaminadas. Os principais sinais clínicos da anaplasmose em bovinos são: debilidade, febre, anemia e icterícia. Esta doença, que normalmente caracteriza a segunda etapa da Tristeza Parasitária Bovina, não raro pode manisfestar-se independentemente da babesiose. Mesmo quando a manifestação da anaplasmose não ocorre secundariamente à babesiose, ainda é denominada como Tristeza. Em regiões endêmicas, os bovinos em regime de campo se infectam quando ainda bem jovens, onde adquirem relativa resistência, e daí por diante recebem sucessivas reinfecções ao longo de suas vidas, mantendo um nível aceitável de premunição. Entretanto, existem situações sazonais e/ou epidemiológicas que predispõem a ocorrência de surtos de anaplasmose aguda nos rebanhos. Bezerros que nascem em áreas livres de carrapatos e posteriormente são transferidos para regiões infestadas ou regiões em que ocorram pico de nascimento de bezerros durante longo período de estiagem e/ou frio quando a disponibilidade de larvas na pastagem é baixa ou ausente, e após alguns meses recebem alta carga de carrapato com início das chuvas, são alguns exemplos de situações que podem levar à doença. No primeiro caso, deve-se estabelecer uma quarentena, onde os animais serão induzidos à infecção, seguida de tratamento com Terramicina/LA, desenvolvendo assim a imunidade. Este processo denomina-se premunição, que futuramente será discutido em capítulo especial. No segundo caso, os animais não possuem imunidade contra o parasita e necessitam de tratamento terapêutico. O objetivo deste trabalho foi demonstrar nacionalmente a eficácia de Terramicina /LA na dosagem de 20 mh/kg no controle de casos de anaplasmose aguda ocorridos naturalmente em bovinos a campo.

PROCEDIMENTOS

O estudo foi realizado em fazendas de todas regiões do Brasil. Os casos de anaplasmose foram diagnosticados clinicamente, por esfregaços sangüíneos, e na maioria dos casos por microhematócrito. Os animais positivos foram tratados com dose única de Terramicina/LA na dosagem de 20mg/kg por via intra-muscular. Ficou a critério do médico veterinário a aplicação de 2 ou 3 doses de acordo com as análises da parasitemia e o hematócrito em cada caso.

MATERIAL E MÉTODOS

Total de animais tratados 227
Peso médio 270kg
Idade média 16 meses
Raças Holandês, Girolanda, Marchigiana, Pardo Suíço, Charolês, e cruzados em Nelore, Devon e Simenthal.

Os testes de campo foram realizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul do Brasil, conforme apresentado na Tabela 1.

Tab. 1: Distribuição geográfica dos testes de eficácia de Terramicina/LA contra anaplasmose aguda em bovinos.

REGIÃO ESTADO MUNICÍPIO
SUDESTE São Paulo, Minas Gerais S. J. do Rio Preto, Pedrinhas Paulista, Herculândia, Santa Rita do Sapucaí
CENTRO-OESTE Mato Grosso, Mato Grosso do Sul Rondonópolis, Terenos, Campo Grande
NORDESTE Pernambuco, Maranhão, Bahia Belo Jardim, Boquimão, Feira de Santana
SUL Paraná Clevelândia, Cambé

RESULTADOS

Ocorrência e incidência de casos de anaplasmose aguda nas diferentes raças bovinas criadas no Brasil.

A doença ocorreu em todas as regiões do Brasil, afetando algumas das principais raças bovinas criadas no País, tais como: Holandês, Marchigiana, Girolanda, Pardo Suíço, Charolês e cruzados de Nelore, Devon e Simenthal. A incidência foi maior em rebanhos da raça Holandesa, conforme demonstrado na Figura 1.

Fig.1: Incidência por raça de casos de anaplasmose aguda em bovinos, nas diversas regiões do Brasil

A eficácia clínica da Terramicina/LA foi determinada observando-se os seguintes aspectos:

• redução à temperatura normal (37,5°C a 39,5°C ) - Fig. 2;
• recuperação do hematócrito aos níveis normais 27,5% a 31,6% (nos casos em foi possíveil a realização do exame) Fig. 3;
• desaparecimento dos sistomas como icterícia, debilidade e anorexia.

Fig. 2: Redução de temperatura em bovinos acometidos por anaplasmose após aplicação de Terramicina/LA - valores médios/Brasil.

Cura clínica

A eliminação da febre (por meio da redução da temperatura) e o desaparecimento da anemia (pela recuperação do hematócrito) proporcionaram 97% de cura clínica com uso de Terramicina/LA contra anaplasmose aguda em bovinos, como mostrado na Figura 4.

Fig. 4: Cura clínica em função do número de doses em casos de anaplasmose aguda ocorridos naturalmente em bovinos à campo

* Mortalidade em casos de associação com Babesia sp em animais mais velhos, em que os efeitos da anaplasmose são mais severos.


DISCUSSÃO

A anaplasmose é primariamente uma doença anemiante cuja gravidade depende do número de hemácias parasitadas. O aparecimento do parasita no sangue, coincide com a dimunuição do hematócrito, do número de hemácias circulantes e também com aparecimento de eritrócitos imaturos nos esfregaços sanguíneos, além de febre. A temperatura aumenta vagarosamente, e raramente vai além de 40,5°C. A partir daí pode permanecer elevada ou alternar fases do pico e temperatura normal, esta fase pode se extender por até 2 semanas. Neste estudo a eficácia de Terramicina /LA contra anaplasmose aguda foi demonstrada através da interrupção do curso normal da doença. Na figura 2 pode-se observar a queda contínua da temperatura durante duas semanas (14 dias) após o tratamento, sem oscilações ou picos febris, o que caracterizaria a evolução normal da doença. A diminuição do hemotócrito foi drástica em alguns animais, chegou à 14% (50% abaixo do valor normal). Normalmente, a mortalidade sobrevém nesta fase. A recuperação do hematócrito demonstrado na Figura 3 indica que a evolução do ciclo do parasita foi interrompida, determinando o desaparecimento da sintomatologia clínica da doença. Em 17% dos casos, foram aplicadas duas doses de Terramicina/LA. Foram casos em que ocorreram queda no hemotócrito após a primeira dose, como demonstrado na Figura 3. Este fenômeno tem sido observado em vários trabalhos envolvendo o tratamento da anaplasmose aguda, inclusive durante processos de premunição. Sabe-se que os animais respondem de forma individual parasitemia. É fato que em muitos casos, ocorre um aumento da parasitemia imediatamente após a primeira aplicação de Terramicina/LA que, por sua vez, determina a queda no hematócrito. Especula-se que este fato talvez se deva ao mecanismo de ação da oxitetraciclina, que impede a combinação das frações ribossômicas responsáveis pela multiplicação do Anaplasma, mas sob algumas circunstâncias o DNA do parasita que já recebeu o "código genético" para replição, na fração de tempo imediatamente anterior à ação do produto não será atingido por ele nesta fase. Neste caso, o parasita conseguirá se replicar e formar mais uma geração, que só então será atingida. A formação de uma geração à mais, representa muito no aumento da parasitemia, pois cada Anaplasma, ao romper uma hemácia se multiplica em 8 e invadem oito novas hemácias e assim por diante. A progressão da parasitemia é geométrica. Em estudos que acompanhamos, pudemos constatar que casos de aumento da parasitemia e queda no hemotócrito após a primeira dose, em 3 à 5 dias, responderam ao tratamento sem necessidade da segunda aplicação, sugerindo que, neste estudo, muitos dos casos tratados com duas doses poderiam apresentar o mesmo sucesso clínico com dose única. Podemos assim, destacar a excepcional performance de Terramicina/LA, no tratamento dos casos anaplasmose aguda em bovinos à campo, apresentando eficácia clínica de 97%, sendo 77% dos casos resolvidos com aplicação de única dose. O controle de anaplasmose em áreas ezoóticas deve envolver o controle do carrapato, de moscas sugadoras e a prevenção da transmissão mecânica por contaminação de agulhas ou instrumentais cirúrgicos. A introdução em áreas enzoóticas de animais provenientes de áreas livres de carrapato deve ser precedida pelo processo de premunição e o tratamento, tanto dos casos agudos quanto nos animais em premunição, deve ser feito com Terraminica/LA, a primeira a demonstrar nacionalmente sua eficácia clínica contra anaplasmose aguda ococoridas naturalmente em bovinos a campo.

RESUMO

Foram realizados experimentos em nível nacional, sob as mais variadas condições de clima e manejo, envolvendo 227 bovinos, para demonstrar a eficácia de Terramicina/LA contra casos de anaplasmose aguda ocorridos naturalmente a campo. A cura clínica foi determinada pela recuperação do nível de hematócrito e redução da temperatura durante 14 dias pós-tratamento. A eficácia clínica de Terramicina/LA foi de 97% sendo 77% dos casos curados com aplicação de única dose.

BIBLIOGRAFIA

CEPANZO (Centro Panamericano de Zoonozes). Diagnóstico da situação sanitária na sub área de São Gonçalo do Sapucaí-MG. In: CURSO DE PLANIFICACION EN SALUD ANIMAL, 6, Buenos Aires, 1976. Relatório dos Participantes.

SALCEDO, J. H.P. & RIBEIRO,M.F.B. Controle de Anaplasmose e Babesioses. Universidade Federal de Viçosa, 11p. 1982

 


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