| INTRODUÇÃO
Em fêmeas de bovinos, as membranas fetais
são eliminadas fisiologicamente até
12 horas após o parto ou abortamento. A
retenção parcial ou total da placenta,
por período mais prolongado, deve ser considerada
como patológica (Grunert & Birgel,
1982). Esta retenção resulta de
uma insuficiência nas contrações
uterinas após o segundo estágio
do trabalho de parto ou de uma lesão placentária
que afeta a união entre as vilosidades
fetais e as criptas maternas. Ocorre com maior
freqüência em gado leiteiro do que
em animais destinados ao corte. Sua incidência
é maior após partos anormais nos
quais se incluem partos gemelares, cesariana,
fetotomias, distocias, abortamentos ou nascimentos
prematuros. Segundo Grunert & Birgel (1992),
outros fatores associados à ocorrência
da retenção de placenta são:
• Stress associados ao manejo (vacas mantidas
secas por menos de 5 semanas, transporte, etc)
• Deficiência de vitaminas (A e E)
e minerais (iodo e selênio)
• Diminuição ou aumento do
período de gestação (induzido
por hormônios, por exemplo)
• Distensão excessiva do útero
• Intoxicações
• Reações anafiláticas
diversas
• Distúrbios hormonais (deficiências
de estrógeno e progesterona)
• Hereditariedade
• Sexo do feto (maior incidência em
bezerros)
• Brucelose, leptospirose, vibriose e infecções
causadas por Campylobacter foetus, Listeria spp
e virus do grupo IBR.
No Brasil, em propriedades onde se observam alta
incidência de mastite aguda, diarréia
de bezerros e deficiências nutricionais,
tem sido relatados altos surtos de retenção
de placenta, o que coincide com as observações
de Roberts (1971) nos EUA. Este pesquisador observou
que a retenção ocorreu particularmente
quando vacas pariram uma após a outra nos
mesmos locais. Essas retenções seriam
causadas principalmente pelo aumento da patogenicidade
de bactérias que tem como habitat natural
o organismo dos bovinos como Streptococcus sp,
Staphylococcus sp, Pseudomonas sp, Escherichia
coli e Corynebacterium pyogenes. Quando havia
intervalo de alguns meses entre os partos, ou
quando as vacas do mesmo rebanho pariam aleatoriamente
nas pastagens, observou-se uma grande redução
na incidência da doença.
Merece destaque o fato de que vacas que não
liberam a placenta em até 36 horas, se
não medicadas, podem retê-la por
7 a 10 dias, isto porque, não ocorrem contrações
uterinas significativas após 36 horas do
nascimento do bezerro. Se a placenta não
for expelida neste período, poderá
ocorrer infecção bacteriana e sua
eliminação somente ocorrerá
como resultado de liquefação putrefativa
dos cotilédones fetais e sua expulsão
dependerá da involução uterina
(Elliot L. et al., 1968). Nesta fase, o quadro
clínico da infecção poderá
levar o animal desde a esterilidade até
a morte por septicemia ou toxemia. O tratamento
com antibióticos visa em primeiro lugar,
impedir o desenvolvimento de infecções
e a decomposição do material contaminado
da placenta retida e, em segundo lugar, provocar
a expulsão da placenta. O objetivo deste
trabalho foi demonstrar a eficácia terapêutica
de Terramicina®/LA no controle das infecções
e expulsão da placenta em vacas com retenção
por período superior à 12 horas
após o parto sob condições
naturais de campo.
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi realizado em fazendas nas regiões
sul, sudeste e centro-oeste do Brasil (tabela
1). Vacas que haviam parido à mais de 12
horas e que apresentavam retenção
parcial ou total dos anexos fetais, foram selecionadas
para o tratamento com Terramicina®/LA na dosagem
de 20 mg/kg por via intramuscular. O dia de detecção
da doença e tratamento foi considerado
dia 0. No dia 1 foi realizado o primeiro exame
clínico pós-tratamento, onde foi
avaliada a eliminação parcial ou
completa das membranas fetais. As vacas que apresentavam
eliminação total da placenta saíam
do experimento e não mais eram visitadas.
Vacas que não eliminaram completamente
a placenta 3 dias após o primeiro tratamento,
receberam uma segunda dose de Terramicina®/LA,
seguindo-se o mesmo critério para aplicação
da terceira dose. Os animais que não eliminaram
completamente a placenta dentro de 3 dias após
a terceira dose, foram reportados como insucesso
clínico do tratamento. Foram utilizados
os seguintes parâmetros clínicos
antes e após o tratamento para avaliação
de eficácia:
• Retenção dos anexos fetais
por mais de 12 hs;
• Febre
• Supressão da lactação
Total de vacas tratadas: 178
Peso médio : 437 kg
Idade média : 52 meses
Raças: Holandês,
Girolando, Jersey, Pardo Suiço, Nelore,
Gir, Simenthal e mestiços
Tabela 1: Distribuição geográfica
dos testes de eficácia de Terramicina®/LA
contra retenção da placenta em vacas
sob condições naturais à
campo.
| Região |
Estado(s) |
Município(s) |
| Sudeste |
São Paulo, Minas Gerais |
Marília, Cerqueira César, Uberaba |
| Centro-Oeste |
Mato Grosso, Goiás |
Primavera do Leste, Rondonópolis, Piracanjuba,
Aloândia |
| Sul |
Paraná, Rio Grande do Sul |
Pres. Castelo Branco, Carlos Barbosa |
RESULTADOS
A distribuição de ocorrência
da retenção de placenta pós-parto,
segundo as diferentes raças está
apresentada na Figura 1. A ocorrência, nas
condições do estudo, foi mais observada
em rebanhos de aptidão leiteira e com maior
freqüência em vacas da raça
holandesa com 45% dos casos estudados.

A Figura 2 mostra o quadro clínico das
vacas quanto ao período de retenção
de placenta no momento do tratamento. Sessenta
e quatro por cento (64%) apresentavam retenção
até 24 hs, 12% com retenção
de 25 à 36 horas e 24% de vacas estavam
com retenção de placenta de 37 à
120 horas após o parto.
Cura clínica
O nível de cura clínica após
o tratamento foi determinado pela eliminação
da placenta. Noventa e nove porcento (99%) das
vacas eliminaram a placenta após o tratamento
com Terramicina®/LA, sendo 60% após
aplicação de uma única dose,
29% após duas doses e 10% após 3
doses. Um por cento (1%) das vacas estudadas não
eliminaram a placenta após os 3 tratamentos
e foram considerados insucessos clínicos
(Figura 3). Antes do tratamento, 70% das vacas
apresentavam quadro clínico de febre subseqüente
ao parto com temperatura retal acima de 39.5º
C e 26% das vacas apresentavam inibição
da lactação.

A rápida redução da temperatura
retal para níveis normais (Figura 4) e
o retorno à lactação (Figura
5) após o tratamento, confirmaram a alta
eficácia de Terramicina®/LA no controle
das infecções em conseqüência
da retenção de placenta em vacas
após o parto.

DISCUSSÃO
A ocorrência de retenção de
placenta em vacas nas diversas regiões
do Brasil, tem como causa primária deficiências
tanto nos aspectos nutricionais quanto de sanidade
do rebanho brasileiro. O maior intervalo entre
partos, a ausência de cio, inibição
da lactação, esterilidade e até
morte por septicemia ou toxemia são algumas
de suas conseqüências (Johanns C.J.,
1967), acarretando grandes prejuízos econômicos
aos produtores. A correção do manejo
nutricional e sanitário envolve medidas
amplas e deve ser adotado respeitando-se a particularidade
e as carências de cada região do
Brasil. Independente das causas primárias,
as infecções bacterianas são
responsáveis pelo agravamento da doença,
sejam elas causadas por bactérias da flora
uterina ou provenientes do ambiente externo por
contaminação no momento do parto.
Por isso, o tratamento à base de antibióticos
deve ser adotado tão logo se perceba que
a vaca não eliminou a placenta no tempo
devido. Consideramos como patológica a
vaca que não elimina a placenta em até
12 horas após o parto. Devemos ressaltar
que vacas que não eliminam a placenta em
até 36 horas do nascimento do bezerro,
provavelmente só irão fazê-lo
de 7a 10 dias após, pois não ocorrem
contrações uterinas significativas
após este período e a eliminação
dependerá da liquefação putrefativa
da placenta que será expulsa quando ocorrer
a involução do útero.
O tratamento com Terramicina®/LA visa impedir
o estabelecimento da infecção e
a liquefação do material infectado
da placenta, favorecendo sua eliminação.
Esta afirmação é confirmada
pelos resultados obtidos no presente estudo, pois
64% das vacas estudadas apresentavam retenção
de placenta entre 12-24 hs, portanto apresentando
estágio inicial de infecção
sem putrefação. Este número
coincide com o índice de 60% de eliminação
da placenta com uma única dose de
Terramicina®/LA. Podemos afirmar que praticamente
todas as vacas que foram tratadas com até
24 hs de retenção, foram curadas
com dose única. Estes resultados são
reforçados quando observamos que 36% das
vacas apresentavam retenção à
mais de 24 hs (sendo 24% acima de 36 hs) fase
em que já ocorre infecção
uterina e putrefação dos anexos
fetais. Estes dados vão ao encontro do
índice de cura clínica com 2-3 doses
que foi de 39%. Estes resultados somados proporcionaram
níveis de cura clínica de 99%. Destacamos
ainda, o desaparecimento de sintomas como febre
(já nas primeiras 24 hs após o tratamento)
e redução da inibição
da lactação, que antes do tratamento
ocorria em 26% das vacas e ao final do teste apenas
2% das vacas não produziam leite. Portanto,
o tratamento com Terramicina®/LA proporcionou
a eliminação da placenta em 99%
das vacas, além do desaparecimento da febre
e retorno à lactação nos
animais que apresentavam estes sintomas.
CONCLUSÃO
Terramicina®/LA se mostrou altamente eficaz
no controle de infecções e expulsão
da placenta em vacas com retenção
por período superior à 12 horas,
atingindo índices de cura clínica
de 99%.
RESUMO
Um estudo foi realizado no Brasil, envolvendo
178 bovinos, para demonstrar a eficácia
de Terramicina®/LA no controle de infecções
e expulsão da placenta em vacas com retenção
por período superior à 12 horas
após o parto. Terramicina®/LA atingiu
índices de cura clínica de 99%,
sendo que 60% das vacas eliminaram a placenta
após aplicação de única
dose.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ROBERTS, S. J. Veterinary Obstetrics and Genital
Disease. 1971. Woodstock.
ELLIOT L.; Mc MAHON K. J.; GIER H.T.; MARION G.B..
1968. Uterus of the cow after parturition: Bacterial
content. Am. Journal of Veterinary Research 29:
77-81
JOHANNS C.J.; CLARK T.E.; HERRIC J.B., 1967. Factors
affecting calving interval. Journal of the American
Veterinary Medical Association 151: 1692-1704
SANDALS W.C.; CURTIS R. A.; COTE J. E.; MARTIN
S.W.. 1980 . The effect of retained placenta and
metritis complex on reproductive performance in
dairy cattle. Canadian Veterinary Journal 20:
131-135.
GRUNERT E. & BIRGEE E. H. 1982. Obstetrícia
Veterinária. Ed. Sulina.
ARTHUR, G. H.. 1979. Reprodução
e Obstetrícia Veterinária. Ed. Guanabara
Koogan
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