AT Nº 41 USO TERAPÊUTICO DA TERRAMICINA®/LA CONTRA RETENÇÃO DE PLACENTA EM VACAS SOB CONDIÇÕES NATURAIS DE CAMPO: RESULTADOS BRASIL.

 
Dalmo Fernandes
Div. Saúde Animal - Pfizer Brasil
Gerente de Produtos Antibacterianos


INTRODUÇÃO

Em fêmeas de bovinos, as membranas fetais são eliminadas fisiologicamente até 12 horas após o parto ou abortamento. A retenção parcial ou total da placenta, por período mais prolongado, deve ser considerada como patológica (Grunert & Birgel, 1982). Esta retenção resulta de uma insuficiência nas contrações uterinas após o segundo estágio do trabalho de parto ou de uma lesão placentária que afeta a união entre as vilosidades fetais e as criptas maternas. Ocorre com maior freqüência em gado leiteiro do que em animais destinados ao corte. Sua incidência é maior após partos anormais nos quais se incluem partos gemelares, cesariana, fetotomias, distocias, abortamentos ou nascimentos prematuros. Segundo Grunert & Birgel (1992), outros fatores associados à ocorrência da retenção de placenta são:

• Stress associados ao manejo (vacas mantidas secas por menos de 5 semanas, transporte, etc)
• Deficiência de vitaminas (A e E) e minerais (iodo e selênio)
• Diminuição ou aumento do período de gestação (induzido por hormônios, por exemplo)
• Distensão excessiva do útero
• Intoxicações
• Reações anafiláticas diversas
• Distúrbios hormonais (deficiências de estrógeno e progesterona)
• Hereditariedade
• Sexo do feto (maior incidência em bezerros)
• Brucelose, leptospirose, vibriose e infecções causadas por Campylobacter foetus, Listeria spp e virus do grupo IBR.

No Brasil, em propriedades onde se observam alta incidência de mastite aguda, diarréia de bezerros e deficiências nutricionais, tem sido relatados altos surtos de retenção de placenta, o que coincide com as observações de Roberts (1971) nos EUA. Este pesquisador observou que a retenção ocorreu particularmente quando vacas pariram uma após a outra nos mesmos locais. Essas retenções seriam causadas principalmente pelo aumento da patogenicidade de bactérias que tem como habitat natural o organismo dos bovinos como Streptococcus sp, Staphylococcus sp, Pseudomonas sp, Escherichia coli e Corynebacterium pyogenes. Quando havia intervalo de alguns meses entre os partos, ou quando as vacas do mesmo rebanho pariam aleatoriamente nas pastagens, observou-se uma grande redução na incidência da doença.

Merece destaque o fato de que vacas que não liberam a placenta em até 36 horas, se não medicadas, podem retê-la por 7 a 10 dias, isto porque, não ocorrem contrações uterinas significativas após 36 horas do nascimento do bezerro. Se a placenta não for expelida neste período, poderá ocorrer infecção bacteriana e sua eliminação somente ocorrerá como resultado de liquefação putrefativa dos cotilédones fetais e sua expulsão dependerá da involução uterina (Elliot L. et al., 1968). Nesta fase, o quadro clínico da infecção poderá levar o animal desde a esterilidade até a morte por septicemia ou toxemia. O tratamento com antibióticos visa em primeiro lugar, impedir o desenvolvimento de infecções e a decomposição do material contaminado da placenta retida e, em segundo lugar, provocar a expulsão da placenta. O objetivo deste trabalho foi demonstrar a eficácia terapêutica de Terramicina®/LA no controle das infecções e expulsão da placenta em vacas com retenção por período superior à 12 horas após o parto sob condições naturais de campo.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi realizado em fazendas nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil (tabela 1). Vacas que haviam parido à mais de 12 horas e que apresentavam retenção parcial ou total dos anexos fetais, foram selecionadas para o tratamento com Terramicina®/LA na dosagem de 20 mg/kg por via intramuscular. O dia de detecção da doença e tratamento foi considerado dia 0. No dia 1 foi realizado o primeiro exame clínico pós-tratamento, onde foi avaliada a eliminação parcial ou completa das membranas fetais. As vacas que apresentavam eliminação total da placenta saíam do experimento e não mais eram visitadas. Vacas que não eliminaram completamente a placenta 3 dias após o primeiro tratamento, receberam uma segunda dose de Terramicina®/LA, seguindo-se o mesmo critério para aplicação da terceira dose. Os animais que não eliminaram completamente a placenta dentro de 3 dias após a terceira dose, foram reportados como insucesso clínico do tratamento. Foram utilizados os seguintes parâmetros clínicos antes e após o tratamento para avaliação de eficácia:

• Retenção dos anexos fetais por mais de 12 hs;
• Febre
• Supressão da lactação

Total de vacas tratadas: 178
Peso médio : 437 kg
Idade média : 52 meses
Raças: Holandês, Girolando, Jersey, Pardo Suiço, Nelore, Gir, Simenthal e mestiços

Tabela 1: Distribuição geográfica dos testes de eficácia de Terramicina®/LA contra retenção da placenta em vacas sob condições naturais à campo.

Região Estado(s) Município(s)
Sudeste São Paulo, Minas Gerais Marília, Cerqueira César, Uberaba
Centro-Oeste Mato Grosso, Goiás Primavera do Leste, Rondonópolis, Piracanjuba, Aloândia
Sul Paraná, Rio Grande do Sul Pres. Castelo Branco, Carlos Barbosa

 


RESULTADOS

A distribuição de ocorrência da retenção de placenta pós-parto, segundo as diferentes raças está apresentada na Figura 1. A ocorrência, nas condições do estudo, foi mais observada em rebanhos de aptidão leiteira e com maior freqüência em vacas da raça holandesa com 45% dos casos estudados.


A Figura 2 mostra o quadro clínico das vacas quanto ao período de retenção de placenta no momento do tratamento. Sessenta e quatro por cento (64%) apresentavam retenção até 24 hs, 12% com retenção de 25 à 36 horas e 24% de vacas estavam com retenção de placenta de 37 à 120 horas após o parto.



Cura clínica

O nível de cura clínica após o tratamento foi determinado pela eliminação da placenta. Noventa e nove porcento (99%) das vacas eliminaram a placenta após o tratamento com Terramicina®/LA, sendo 60% após aplicação de uma única dose, 29% após duas doses e 10% após 3 doses. Um por cento (1%) das vacas estudadas não eliminaram a placenta após os 3 tratamentos e foram considerados insucessos clínicos (Figura 3). Antes do tratamento, 70% das vacas apresentavam quadro clínico de febre subseqüente ao parto com temperatura retal acima de 39.5º C e 26% das vacas apresentavam inibição da lactação.



A rápida redução da temperatura retal para níveis normais (Figura 4) e o retorno à lactação (Figura 5) após o tratamento, confirmaram a alta eficácia de Terramicina®/LA no controle das infecções em conseqüência da retenção de placenta em vacas após o parto.




DISCUSSÃO

A ocorrência de retenção de placenta em vacas nas diversas regiões do Brasil, tem como causa primária deficiências tanto nos aspectos nutricionais quanto de sanidade do rebanho brasileiro. O maior intervalo entre partos, a ausência de cio, inibição da lactação, esterilidade e até morte por septicemia ou toxemia são algumas de suas conseqüências (Johanns C.J., 1967), acarretando grandes prejuízos econômicos aos produtores. A correção do manejo nutricional e sanitário envolve medidas amplas e deve ser adotado respeitando-se a particularidade e as carências de cada região do Brasil. Independente das causas primárias, as infecções bacterianas são responsáveis pelo agravamento da doença, sejam elas causadas por bactérias da flora uterina ou provenientes do ambiente externo por contaminação no momento do parto. Por isso, o tratamento à base de antibióticos deve ser adotado tão logo se perceba que a vaca não eliminou a placenta no tempo devido. Consideramos como patológica a vaca que não elimina a placenta em até 12 horas após o parto. Devemos ressaltar que vacas que não eliminam a placenta em até 36 horas do nascimento do bezerro, provavelmente só irão fazê-lo de 7a 10 dias após, pois não ocorrem contrações uterinas significativas após este período e a eliminação dependerá da liquefação putrefativa da placenta que será expulsa quando ocorrer a involução do útero.

O tratamento com Terramicina®/LA visa impedir o estabelecimento da infecção e a liquefação do material infectado da placenta, favorecendo sua eliminação. Esta afirmação é confirmada pelos resultados obtidos no presente estudo, pois 64% das vacas estudadas apresentavam retenção de placenta entre 12-24 hs, portanto apresentando estágio inicial de infecção sem putrefação. Este número coincide com o índice de 60% de eliminação da placenta com uma única dose de

Terramicina®/LA. Podemos afirmar que praticamente todas as vacas que foram tratadas com até 24 hs de retenção, foram curadas com dose única. Estes resultados são reforçados quando observamos que 36% das vacas apresentavam retenção à mais de 24 hs (sendo 24% acima de 36 hs) fase em que já ocorre infecção uterina e putrefação dos anexos fetais. Estes dados vão ao encontro do índice de cura clínica com 2-3 doses que foi de 39%. Estes resultados somados proporcionaram níveis de cura clínica de 99%. Destacamos ainda, o desaparecimento de sintomas como febre (já nas primeiras 24 hs após o tratamento) e redução da inibição da lactação, que antes do tratamento ocorria em 26% das vacas e ao final do teste apenas 2% das vacas não produziam leite. Portanto, o tratamento com Terramicina®/LA proporcionou a eliminação da placenta em 99% das vacas, além do desaparecimento da febre e retorno à lactação nos animais que apresentavam estes sintomas.

CONCLUSÃO

Terramicina®/LA se mostrou altamente eficaz no controle de infecções e expulsão da placenta em vacas com retenção por período superior à 12 horas, atingindo índices de cura clínica de 99%.

RESUMO

Um estudo foi realizado no Brasil, envolvendo 178 bovinos, para demonstrar a eficácia de Terramicina®/LA no controle de infecções e expulsão da placenta em vacas com retenção por período superior à 12 horas após o parto. Terramicina®/LA atingiu índices de cura clínica de 99%, sendo que 60% das vacas eliminaram a placenta após aplicação de única dose.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ROBERTS, S. J. Veterinary Obstetrics and Genital Disease. 1971. Woodstock.
ELLIOT L.; Mc MAHON K. J.; GIER H.T.; MARION G.B.. 1968. Uterus of the cow after parturition: Bacterial content. Am. Journal of Veterinary Research 29: 77-81
JOHANNS C.J.; CLARK T.E.; HERRIC J.B., 1967. Factors affecting calving interval. Journal of the American Veterinary Medical Association 151: 1692-1704
SANDALS W.C.; CURTIS R. A.; COTE J. E.; MARTIN S.W.. 1980 . The effect of retained placenta and metritis complex on reproductive performance in dairy cattle. Canadian Veterinary Journal 20: 131-135.
GRUNERT E. & BIRGEE E. H. 1982. Obstetrícia Veterinária. Ed. Sulina.
ARTHUR, G. H.. 1979. Reprodução e Obstetrícia Veterinária. Ed. Guanabara Koogan

 



 
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