| INTRODUÇÃO
A Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina, também
conhecida como conjuntivite, é uma doença
ocular, de caráter infeccioso, com grandes
implicações econômicas na
criação de bovinos no Brasil e no
mundo. Estima-se que apenas nos EUA, o controle
da conjuntivite reduziria perdas anuais de US$
150 milhões, pois um bovino afetado pode
perder até duas semanas de ganho de peso
(Trout & Schuring, 1985). Uma vez contraída,
a conjuntivite dissemina-se rapidamente no rebanho,
podendo causar nos animais acometidos ulceração
central da córnea. O principal agente causador
é a bactéria Moraxella bovis (Pugh
et al., 1976) mas, para predispor sua infecção
são necessários alguns agentes irritantes
ao olho como:
• raios ultravioletas do sol;
• poeira;
• moscas;
• gravetos secos na pastagem, entre outros.
A Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina é
transmitida por disseminação direta
ou indireta, através de contatos diretos
com secreções dos animais acometidos
ou portadores sãos, ou ainda, veiculados
por moscas. A doença ocorre tanto em confinamentos,
quanto em pastagens afetando principalmente zebuínos,
geralmente de engorda. Os surtos normalmente ocorrem
no outono/inverno, onde a poeira é abundante
em muitas regiões do Brasil, podendo afetar
até 90% de um rebanho. A doença
inicia através de uma conjuntivite em um
ou ambos os olhos. As vezes, é observada
como pequenas opacidades no centro da córnea
podendo evoluir para a cura. Outras vezes, entretanto,
a opacidade central sofre ulceração
e a córnea torna-se opaca de cor branco-acinzentado
e edematosa. O tratamento, portanto, deve ser
feito por antibiótico cuja farmacocinética
garanta nível terapêutico apropriado
no local da infecção (bolsa conjuntival),
afim de inibir o crescimento da bactéria
M. bovis evitando a ulceração. Em
estudo realizado na Universidade da Califórnia,
em Davis, 20 bezerros foram tratados com Terramicina®/LA.
Amostras de tecido da conjuntiva bulbar foram
coletadas 0, 4, 8, 12, 16, 20, 24, 48 e 72 horas
após administração do produto,
para determinar a concentração de
oxitetraciclina em cada período de tempo.
A média do pico de concentração
do antibiótico na glândula lacrimal
ocorreu nas amostras de 12 horas e permaneceu
em níveis suficientes para inibir o crescimento
bacteriano (acima de 2mg/g) por 24 horas. O Objetivo
do presente estudo realizado no Brasil, foi demonstrar
a eficácia clínica da Terramicina®/LA
na dosagem de 20 mg/kg, contra a ocorrência
natural da queratoconjuntivite infecciosa em bovinos
sob condições de campo em algumas
regiões do Brasil.
PROCEDIMENTOS
O estudo foi realizado em fazendas nas regiões
sudeste e sul do Brasil e os casos de queratoconjuntivite
infecciosa foram diagnosticados obedecendo os
seguintes parâmetros clínicos:
• Lacrimejamento excessivo
• Epífora (corrimento ou descarga
ocular mucopurulenta)
• Conjuntivite
• Presença de úlcera corneal
• Perfuração de córnea
• Febre (TR > 39,5ºC)
Os animais positivos foram tratados com Terramicina®/LA
na dosagem de 20 mg/kg por via intramuscular.
A aplicação de 2 ou 3 doses ficou
à critério do médico veterinário
de acordo com as análises da redução
ou não de escores de lesão. O dia
do diagnóstico e tratamento foi considerado
dia 0 e as observações clínicas
se seguiram nos dias 3, 6, 9, 12 e 15 pós
tratamento.
MATERIAL E MÉTODOS
Total de animais: 63
Peso médio: 210 kg
Idade média: 15 meses
Raças: Hereford, P. Suíço,
Holandês, Simenthal, Limosin e mestiços
Os testes de campo foram realizados nas regiões
sudeste e sul do Brasil, conforme apresentado
na Tabela 1.
Tabela 1: Distribuição geográfica
dos testes de eficácia de Terramicina®/LA
contra queratoconjuntivite infecciosa bovina.
| Região |
Estado(s) |
Município(s) |
| Sudeste |
Minas Gerais, São Paulo |
Além Paraíba, Araçatuba |
| Sul |
Paraná, Santa Catarina |
Maringá, Lages |
RESULTADOS
Durante o período deste estudo, as raças
mais acometidas pela queratoconjuntivite infecciosa
foram (na ordem): Mestiços de várias
raças, Hereford, Holandês, Simenthal,
P. Suiço e Limosin. (Figura 1).

Eficácia Clínica
Parâmetros para avaliação
de eficácia clínica antes e depois
do tratamento:
O principal parâmetro para avaliação
de resposta clínica ao tratamento foi a
redução dos escores de lesão.
Além disso, foi avaliada a eliminação
da febre nos casos acompanhados por este sintoma.
A tabela 2 mostra o quadro para interpretação
dos escores de lesão nos olhos dos animais
acometidos pela queratoconjuntivite infecciosa
bovina.
Tabela 2: Escores de lesão ocular em animais
acometidos pela queratoconjuntivite infecciosa
bovina
Escore Observações clínicas
| Escore |
Observações clínicas |
| 1 |
Olhos normais |
| 2 |
Caso brando (epífora conjuntivite) |
| 3 |
Pequena úlcera corneal (<0,5cm) |
| 4 |
Grande úlcera corneal (>=0,5cm) |
| 5 |
Perfuração de córnea |
Resposta Clínica
A Figura 2 mostra a redução média
dos escores de lesão ocular, durante o
período de observação clínica
do estudo, após tratamento com Terramicina®/LA.
A Figura 3 mostra a distribuição
percentual dos escores de lesão no início
e final do teste (dias 0 e 15). Trinta e quatro
(34%) dos animais estudados apresentavam quadro
febril, a Figura 4 mostra a evolução
da eliminação da febre nos animais
acometidos e a Figura 5 mostra o percentual de
resposta clínica em função
do número de doses.
DISCUSSÃO
A queratoconjuntivite infecciosa bovina é
uma doença altamente contagiosa podendo
se disseminar e afetar rebanhos inteiros, podendo
interromper o ganho de peso por um período
de até duas semanas. As pesquisas demonstram
que a bactéria Moraxella bovis é
a principal causadora da doença a partir
de fatores pre-disponentes de irritação
ocular, como raios ultra-violeta do sol, poeira,
etc. Sua manifestação clínica
se inicia com corrimento ocular (epífora)
podendo evoluir para úlcera e perfuração
da córnea em animais não medicados.
No presente estudo, avaliamos a eficácia
clínica da Terramicina®/LA no tratamento
da queratoconjuntivite infecciosa bovina através
da redução de escores de lesão
ocular e eliminação da febre. A
redução média dos escores
de lesão (Figura 2) durante os 15 dias
de observação após o tratamento,
evidenciam um alto índice de resposta clínica.
Esta resposta se deve principalmente aos casos
clínicos de escore 2 (epífora e
conjuntivite) que desapareceram completamente
15 dias após o tratamento (Figura 3). Os
casos de insucesso se devem ao fato de 17% dos
animais entrarem no teste em estágio bastante
avançado da doença com sintomas
que variavam de úlcera até perfuração
de córnea (Figura 3). Ainda assim, podemos
destacar que ao final do teste, 87% dos animais
apresentavam olhos normais (escore 1) e 13% apresentavam
ainda algum tipo de ulceração (Figura
3). A eliminação da febre também
evidenciou a resposta clínica ao tratamento
como mostrado na Figura 4. A farmacocinética
do produto garante concentrações
terapêuticas na bolsa conjuntival por 24
hs, o que dependendo do estágio da doença,
pode acarretar na necessidade de mais de uma dose.
Neste estudo, uma única dose foi suficiente
para cura em 51% dos casos enquanto em 36% foram
necessárias duas ou três doses. Em
13% dos casos, que incluiam até perfuração
de córnea, não houve relato de cura
após a terceira dose (Figura 5). Vale ressaltar
que em casos de ulceração com perfuração
de córnea não é indicado
o tratamento com antinflamatórios (corticóides)
tanto tópicos quanto injetáveis,
pois estes retardam a cicatrização
da córnea.
Nestas circunstâncias, somente o tratamento
com antibióticos deve ser realizado e a
cicatrização ou não da córnea
vai depender da capacidade orgânica de cada
animal, podendo a lesão assumir caráter
irreversível. Neste estudo, o tratamento
com Terramicina®/LA no estágio inicial
da doença, 91 % dos animais apresentavam
escores entre 2 e 3 (Figura 3), garantiu a visão
em 87% dos bovinos acometidos pela queratoconjuntivite
infecciosa.
CONCLUSÃO
O uso de Terramicina®/LA se mostrou altamente
eficaz no controle da queratoconjuntivite infecciosa
bovina, atingindo índice de 87% de resposta
clínica sob boas condições
de desafio, pois 17% dos casos apresentavam ulcerações
de intensidades variadas e até perfuração
de córnea.
RESUMO
Foram realizados testes de campo em algumas regiões
do Brasil envolvendo 63 bovinos, para demonstrar
a eficácia de Terramicina®/LA contra
queratoconjuntivite infecciosa em bovinos naturalmente
infectados. Os testes foram conduzidos sob boas
condições de desafio, pois 17% desanimais
apresentavam ulcerações de intensidades
variadas e até perfuração
de córnea. A eficácia clínica
foi medida através da redução
de escores de lesão eliminação
da febre. Ao final do teste 87%, dos animais apresentavam
olhos normais, com eliminação total
da febre nos animais acometidos.
REFERÊNCIAS
Trout & Schuring. Animal Nutrition & Health.
February, 1985.
Pugh et al., 1976.
George et al. J. Vet. Pharmacol. Therapy. Agricultural
Publications File, vol. 2. 1985. Terramycin/LA,
section Cattle, p. 108.
Webber et al. Antimicrobial Agents & Chemotherapy.
Agricultural Publications File, vol 2. 1982. Terramycin/LA,
section Cattle, p. 116.
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