AT Nº 42 USO TERAPÊUTICO DE TERRAMICINA®/LA CONTRA CONJUNTIVITE (QUERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA BOVINA): RESULTADOS BRASIL

 
Dalmo Fernandes
Saúde Animal - Pfizer Brasil
Gerente de Produtos Antibacterianos


INTRODUÇÃO
A Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina, também conhecida como conjuntivite, é uma doença ocular, de caráter infeccioso, com grandes implicações econômicas na criação de bovinos no Brasil e no mundo. Estima-se que apenas nos EUA, o controle da conjuntivite reduziria perdas anuais de US$ 150 milhões, pois um bovino afetado pode perder até duas semanas de ganho de peso (Trout & Schuring, 1985). Uma vez contraída, a conjuntivite dissemina-se rapidamente no rebanho, podendo causar nos animais acometidos ulceração central da córnea. O principal agente causador é a bactéria Moraxella bovis (Pugh et al., 1976) mas, para predispor sua infecção são necessários alguns agentes irritantes ao olho como:

• raios ultravioletas do sol;
• poeira;
• moscas;
• gravetos secos na pastagem, entre outros.

A Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina é transmitida por disseminação direta ou indireta, através de contatos diretos com secreções dos animais acometidos ou portadores sãos, ou ainda, veiculados por moscas. A doença ocorre tanto em confinamentos, quanto em pastagens afetando principalmente zebuínos, geralmente de engorda. Os surtos normalmente ocorrem no outono/inverno, onde a poeira é abundante em muitas regiões do Brasil, podendo afetar até 90% de um rebanho. A doença inicia através de uma conjuntivite em um ou ambos os olhos. As vezes, é observada como pequenas opacidades no centro da córnea podendo evoluir para a cura. Outras vezes, entretanto, a opacidade central sofre ulceração e a córnea torna-se opaca de cor branco-acinzentado e edematosa. O tratamento, portanto, deve ser feito por antibiótico cuja farmacocinética garanta nível terapêutico apropriado no local da infecção (bolsa conjuntival), afim de inibir o crescimento da bactéria M. bovis evitando a ulceração. Em estudo realizado na Universidade da Califórnia, em Davis, 20 bezerros foram tratados com Terramicina®/LA. Amostras de tecido da conjuntiva bulbar foram coletadas 0, 4, 8, 12, 16, 20, 24, 48 e 72 horas após administração do produto, para determinar a concentração de oxitetraciclina em cada período de tempo. A média do pico de concentração do antibiótico na glândula lacrimal ocorreu nas amostras de 12 horas e permaneceu em níveis suficientes para inibir o crescimento bacteriano (acima de 2mg/g) por 24 horas. O Objetivo do presente estudo realizado no Brasil, foi demonstrar a eficácia clínica da Terramicina®/LA na dosagem de 20 mg/kg, contra a ocorrência natural da queratoconjuntivite infecciosa em bovinos sob condições de campo em algumas regiões do Brasil.

PROCEDIMENTOS

O estudo foi realizado em fazendas nas regiões sudeste e sul do Brasil e os casos de queratoconjuntivite infecciosa foram diagnosticados obedecendo os seguintes parâmetros clínicos:

• Lacrimejamento excessivo
• Epífora (corrimento ou descarga ocular mucopurulenta)
• Conjuntivite
• Presença de úlcera corneal
• Perfuração de córnea
• Febre (TR > 39,5ºC)

Os animais positivos foram tratados com Terramicina®/LA na dosagem de 20 mg/kg por via intramuscular. A aplicação de 2 ou 3 doses ficou à critério do médico veterinário de acordo com as análises da redução ou não de escores de lesão. O dia do diagnóstico e tratamento foi considerado dia 0 e as observações clínicas se seguiram nos dias 3, 6, 9, 12 e 15 pós tratamento.

MATERIAL E MÉTODOS

Total de animais: 63
Peso médio: 210 kg
Idade média: 15 meses
Raças: Hereford, P. Suíço, Holandês, Simenthal, Limosin e mestiços
Os testes de campo foram realizados nas regiões sudeste e sul do Brasil, conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1: Distribuição geográfica dos testes de eficácia de Terramicina®/LA contra queratoconjuntivite infecciosa bovina.

Região Estado(s) Município(s)
Sudeste Minas Gerais, São Paulo Além Paraíba, Araçatuba
Sul Paraná, Santa Catarina Maringá, Lages

RESULTADOS

Durante o período deste estudo, as raças mais acometidas pela queratoconjuntivite infecciosa foram (na ordem): Mestiços de várias raças, Hereford, Holandês, Simenthal, P. Suiço e Limosin. (Figura 1).




Eficácia Clínica

Parâmetros para avaliação de eficácia clínica antes e depois do tratamento:
O principal parâmetro para avaliação de resposta clínica ao tratamento foi a redução dos escores de lesão. Além disso, foi avaliada a eliminação da febre nos casos acompanhados por este sintoma. A tabela 2 mostra o quadro para interpretação dos escores de lesão nos olhos dos animais acometidos pela queratoconjuntivite infecciosa bovina.

Tabela 2: Escores de lesão ocular em animais acometidos pela queratoconjuntivite infecciosa bovina
Escore Observações clínicas

Escore Observações clínicas
1 Olhos normais
2 Caso brando (epífora conjuntivite)
3 Pequena úlcera corneal (<0,5cm)
4 Grande úlcera corneal (>=0,5cm)
5 Perfuração de córnea

 

Resposta Clínica
A Figura 2 mostra a redução média dos escores de lesão ocular, durante o período de observação clínica do estudo, após tratamento com Terramicina®/LA. A Figura 3 mostra a distribuição percentual dos escores de lesão no início e final do teste (dias 0 e 15). Trinta e quatro (34%) dos animais estudados apresentavam quadro febril, a Figura 4 mostra a evolução da eliminação da febre nos animais acometidos e a Figura 5 mostra o percentual de resposta clínica em função do número de doses.









DISCUSSÃO

A queratoconjuntivite infecciosa bovina é uma doença altamente contagiosa podendo se disseminar e afetar rebanhos inteiros, podendo interromper o ganho de peso por um período de até duas semanas. As pesquisas demonstram que a bactéria Moraxella bovis é a principal causadora da doença a partir de fatores pre-disponentes de irritação ocular, como raios ultra-violeta do sol, poeira, etc. Sua manifestação clínica se inicia com corrimento ocular (epífora) podendo evoluir para úlcera e perfuração da córnea em animais não medicados. No presente estudo, avaliamos a eficácia clínica da Terramicina®/LA no tratamento da queratoconjuntivite infecciosa bovina através da redução de escores de lesão ocular e eliminação da febre. A redução média dos escores de lesão (Figura 2) durante os 15 dias de observação após o tratamento, evidenciam um alto índice de resposta clínica.

Esta resposta se deve principalmente aos casos clínicos de escore 2 (epífora e conjuntivite) que desapareceram completamente 15 dias após o tratamento (Figura 3). Os casos de insucesso se devem ao fato de 17% dos animais entrarem no teste em estágio bastante avançado da doença com sintomas que variavam de úlcera até perfuração de córnea (Figura 3). Ainda assim, podemos destacar que ao final do teste, 87% dos animais apresentavam olhos normais (escore 1) e 13% apresentavam ainda algum tipo de ulceração (Figura 3). A eliminação da febre também evidenciou a resposta clínica ao tratamento como mostrado na Figura 4. A farmacocinética do produto garante concentrações terapêuticas na bolsa conjuntival por 24 hs, o que dependendo do estágio da doença, pode acarretar na necessidade de mais de uma dose. Neste estudo, uma única dose foi suficiente para cura em 51% dos casos enquanto em 36% foram necessárias duas ou três doses. Em 13% dos casos, que incluiam até perfuração de córnea, não houve relato de cura após a terceira dose (Figura 5). Vale ressaltar que em casos de ulceração com perfuração de córnea não é indicado o tratamento com antinflamatórios (corticóides) tanto tópicos quanto injetáveis, pois estes retardam a cicatrização da córnea.

Nestas circunstâncias, somente o tratamento com antibióticos deve ser realizado e a cicatrização ou não da córnea vai depender da capacidade orgânica de cada animal, podendo a lesão assumir caráter irreversível. Neste estudo, o tratamento com Terramicina®/LA no estágio inicial da doença, 91 % dos animais apresentavam escores entre 2 e 3 (Figura 3), garantiu a visão em 87% dos bovinos acometidos pela queratoconjuntivite infecciosa.

CONCLUSÃO

O uso de Terramicina®/LA se mostrou altamente eficaz no controle da queratoconjuntivite infecciosa bovina, atingindo índice de 87% de resposta clínica sob boas condições de desafio, pois 17% dos casos apresentavam ulcerações de intensidades variadas e até perfuração de córnea.

RESUMO

Foram realizados testes de campo em algumas regiões do Brasil envolvendo 63 bovinos, para demonstrar a eficácia de Terramicina®/LA contra queratoconjuntivite infecciosa em bovinos naturalmente infectados. Os testes foram conduzidos sob boas condições de desafio, pois 17% desanimais apresentavam ulcerações de intensidades variadas e até perfuração de córnea. A eficácia clínica foi medida através da redução de escores de lesão eliminação da febre. Ao final do teste 87%, dos animais apresentavam olhos normais, com eliminação total da febre nos animais acometidos.

REFERÊNCIAS

Trout & Schuring. Animal Nutrition & Health. February, 1985.
Pugh et al., 1976.
George et al. J. Vet. Pharmacol. Therapy. Agricultural Publications File, vol. 2. 1985. Terramycin/LA, section Cattle, p. 108.
Webber et al. Antimicrobial Agents & Chemotherapy. Agricultural Publications File, vol 2. 1982. Terramycin/LA, section Cattle, p. 116.

 

 



 
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