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A Diarréia Viral Bovina (BVD) é
uma doença que deprime o sistema imunológico
do animal, permitindo que outras doenças
virais e bacterianas se estabeleçam esse
disseminem. O efeito combinado da infecção
pelo vírus da BVD e outros agentes, normalmente
leva a doença de maior gravidade e morte,
por exemplo, o gado bovino infectado pelo vírus
da BVD e pela bactéria Pasteurella. O
vírus da BVD permite que a bactéria
colonize e cresça nos pulmões,
o que freqüentemente resulta em típica
pneumonia de "pasteurelose bovina".
Para piorar , o gado com essas infecções
associadas não responde à terapia
antibacteriana. Aqui está o porquê:
já que o vírus da BVD deprime
o sistema imunológico, os mecanismos
naturais de defesa pouco auxiliam em reduzir
o crescimento das bactérias e o tratamento
com antibacterianos não pode agir sozinho.
Isto sugere que a BVD deveria ser considerada
um fator complicador em condições
nas quais os bovinos são incapazes de
resistir a qualquer outra infecção
leve. Conforme mostrado nas Figuras 3 e 4, o
vírus da BVD freqüentemente infecta
as membranas mucosas do nariz e boca.
A BVD pode ser a doença mais importante
para vaca e bezerro porque ocorre em rebanhos
e todos os tipos e idades. Primariamente ocorre
em bezerros de mais de 12 meses de idade; entretanto,
os bezerros com menos de1 semana também
podem ser infectados in útero (dentro
do útero). Os fetos infectados in útero
podem nascer vivos, mas o vírus está
presente no sangue. O sistema imunológico
desses bezerros não reconhece os vírus
como agentes estranhos e, então, não
combate a doença. Como sua habilidade
em com bater a doença está suprimida,
eles não podem responder à vacinação
contra a BVD.
Muitos portadores do vírus da BVD não
apresentam sinais da infecção,
embora eliminem, intermitentemente, o vírus.
Em tais casos leves, uma febre fraca, tosse
e poucas úlceras pequenas na boca podem
ser os únicos sinais detectáveis.
Esses bovinos podem continuar a eliminar os
vírus por períodos prolongados
e , acreditar-se que sejam principais responsáveis
pela disseminação e persistência
dos vírus em um rebanho. O aborto
e defeitos no nascimento são os mais
importantes problemas econômicos que ocorre
em tais bovinos.
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| FIGURA3:Ulceração
das gengivas (seta) que torna o ato de comer
doloroso; uma razão para a perda
de peso do gado infectado por BVD |
FIGURA 4:Um focinho
enrugado/áspero seco e com crostas
é um sinal de BVD. Note, também,
a secreção nasal incolor. |
Os criadores que não estão cientes
da presença de vacas e machos reprodutores
persistentemente infectados correm o risco de
acumular animais nessas condições,
o que poderia ser economicamente desastroso.
Por parecerem saudáveis, esses bovinos
podem ser identificados somente quando ocorrer
o "desastre BVD" ou quando o diagnóstico
laboratorial for feito com amostras de sangue.
A súbita ocorrência normal, freqüentemente
está associada com o estresse, que pode
ser o fator desencadeante de uma epidemia.
Assim como com a IBR, o contato direto entre
bovinos e água e alimento infectado são
fontes de contaminação de BVD;
o vírus pode atingir o feto atravessando
o placenta, através da circulação
sangüínea materna, e causar aborto.
Muitos especialistas acreditam que a BVD é
a causa mais importante de aborto em bovinos.
Embora haja muitas exceções ,
os abortos por BVD tem maior probabilidade de
ocorrer quando a vaca prenhe é infectada
logo no primeiro trimestre. De várias
semanas a diversos meses podem se passar entre
o momento que a vaca foi infectada e o bezerro
morto expelido. Ocasionalmente, os fetos infectados
por BVD nascem a termo apresentado uma variedade
de anormalidades, dependendo dos tecidos do
orgão infectado. Os bezerros gravemente
afetados têm dificuldades em se levantar
e , eventualmente, morrem. Aqueles levemente
afetados também apresentam dificuldade
em ficar de pé e andar mas, se tiverem
controle de alimentação e assistência,
após o nascimento, podem sobreviver.
De maneira geral, esses bezerros são
fracos, menores que o normal, têm inclinação
de cabeça e andar mais difícil,
sendo suscetíveis a doenças respiratórias
crônicas.
A síndrome da BVD mais recente, chamada
de síndrome hemorrágica ou "hemofílica",
está associada, primariamente, aos rebanhos
leiteiros. O bezerro infectado apresenta diarréia
leve, elevação de temperatura
e sangramento do nariz ou dos locais de injeção.
A prevalência parece ser mais alta em
vacas leiteiras mais jovens; bezerros afetados
morrem com freqüência de hemorragias
internas. Uma forma incomum de BVD, a síndrome
hemofílica é mais freqüentemente
vista em fazendas "abertas" de produção
de leite ou de bezerros e carne bovina.
Por Ter tantas manifestações diferentes
e porque os sinais da doença, em alguns
casos, não são realmente aparentes
, o diagnóstico da BVD pode ser difícil
de ser feito. De acordo com o Dr. Donald Mackey,
um veterinário de Greeley, no Colorado.
"Um caso isolado é quase impossível
de ser clinicamente diagnosticado com segurança,
a menos que esteja em um estagio avançado.
Febre, salivação e tosse, observados,
nos estágios iniciais da BVD, são
muito semelhantes aos sinais de outras doenças
respiratórias, particularmente a IBR.
Embora a diarréia seja uma manifestação
da BVD, usualmente é um dos últimos
sinais a aparecer "(Norden News, Verão
de 1979, pag.12). Um diagnóstico apurado
pode requerer uma variedade de testes de laboratórios,
em amostras de sangue e tecido.
Ocorrência no Brasil:
A BVD já foi identificada no Brasil,
especialmente no Rio Grande do Sul, onde foi
feito isolamento do vírus em 1974. Também
foram descritos vários surtos da doença
em São Paulo (1968, 1972 2 1974). Um
estudo realizado em 1991 em Pernambuco detectou
como positivas para BVD 72,6% das amostras de
sangue testadas, enquanto que um estudo semelhante
em Minas Gerais, feitos com doadoras e receptoras
de transferência de embriões, detectou
37,3% destes animais como positivos.
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