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IMPACTO DE IBR E DE BVD SOBRE A EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM GADO DE CORTE

 

Victor S. Cortese

Diretor de Serviços Técnicos da Unidade de Negócios com Bovinos da Pfizer Saúde Animal, Exton, PA

Introdução
Durante a gestação, o sistema reprodutivo bovino, com sua placenta em camadas múltiplas, deixa o feto em um ambiente imaturo, suscetível à infecção. Abortos podem ocorrer devido a infecção da placenta, inflamação do ovário, morte do feto e/ou ruptura de tampão cervical. Assim, a proteção contra a doença reprodutiva é a mais difícil de ser obtida. A vacinação deve minimizar a quantidade/duração da viremia/septicemia ou impedir que a doença migre através da cervix.

As doenças reprodutivas e sua proteção pela vacinação são áreas de pesquisa ativa. Baseando-se em pesquisas atuais, pode-se estabelecer um programa de vacinação para auxiliar no controle das doenças reprodutivas.

Devido às várias causas de falhas reprodutivas, a vacinação para prevenir perdas por infecções reprodutivas não parece ser efetiva. Isto geralmente se deve ao fato de que não foi obtido um diagnóstico acurado ou não foi determinada a causa da incapacidade reprodutiva. Um programa de vacinação pode ser inadequadamente instituído quando a causa não é infecciosa ou o programa atual pode ser injustamente julgado ineficaz.


Vírus da diarréia viral bovina

O controle do vírus da diarréia viral bovina (BVDV) está centrado na prevenção e na eliminação dos animais persistentemente infectados. A identificação e a remoção de animais persistentemente infectados e a vacinação continuada para evitar animais persistentemente infectados são necessárias para fundamentar medidas eficazes de controle. Para que as demais síndromes sejam entendidas torna-se necessário rever a BVD não-citopática e acitopática. Há muitas cepas diferentes de BVD, que podem ser diferenciadas usando-se anticorpos monoclonais e depois agrupado-as em famílias baseadas em antígenos comuns. Todas as cepas BVD são divididas em citopáticas (CP) e não-citopáticas (NCP). Parece que algumas destas cepas têm a habilidade de mutação de NCP para CP. A BVD citopática é rara na população bovina.


Cepas Citopáticas versus não-citopáticas

A diferenciação CP/NCP é determinada somente em laboratório. Quando a cepa CP é cultivada em cultura celular, os vírus destroem as células, enquanto que a cepa NCP, não. A designação NCP/CP não está relacionada com a virulência da cepa. Algumas das mais virulentas cepas in vivo são NCP in vivo. Clinicamente não se pode dizer se o rebanho está infectado por cepa NCP ou CP.


Síndrome reprodutiva

Estas diferenças ainda são importantes pelo que podem causar no rebanho. As cepas CP e NCP reagem de maneira muito diferente na vaca prenhe não-imune. Se uma vaca não-imune for exposta à cepa NCP, enquanto estiver no primeiro trimestre de gestação, pode ocorrer morte embriônica precoce, aborto, mumificação ou podem nascer bezerros persistentemente infectados (Tabela 1). Se ocorrer exposição durante o segundo trimestre surgirão defeitos no nascimento, envolvendo principalmente tecido nervoso e, ocasionalmente, infecções persistentes são encontradas. Infecção durante o último trimestre geralmente não tem efeito sobre o feto, e o bezerro nascerá com anticorpos contra BVD. Raramente há uma exposição tão grande, que cause aborto tardio.

Infecções persistentes ocorrem pela infecção do feto no útero até aproximadamente 125 dias de gestação com uma cepa não-citopática de BVDV. O mecanismo de transferência transplacentária de BVDV é desconhecido; entretanto, pequenas quantidades de vírus na corrente sanguínea da mãe parecem ser suficientes para causar o desenvolvimento destes bovinos imuno tolerantes. Proteção da mãe pode ou não ser correlacionada com proteção do feto contra infecção persistente subseqüente se ocorrer viremia na mãe. A fim de quebrar o ciclo vicioso de uma infecção de útero e infecção persistente, é essencial que a vacinação proporcione proteção fetal.

As cepas BVD também podem causar mortes embrionárias precoces, abortos precoses ou intermediários, nascimento de bezerros fracos e/ou nascimento de bezerros persistentemente infectados com o vírus BVD. Diversos estudos foram realizados para avaliar a habilidade das vacinas de proteger o feto contra um desafio natural ou artificial. Quando analisadas, a maioria das vacinas inativadas falhou em proporcionar efetiva proteção fetal 3, 4, 5, 6, 7, com exceção de uma vacina experimental que proporcionou um alto nível de proteção fetal 8.

Com esta vacina experimental não houve isolamento de vírus dos bezerros filhos das mães vacinadas, o que indicou uma boa proteção, mas o desafio de controles não-vacinados resultou em uma taxa de somente cerca de 50% de infecções persistentes nos descendentes. Foram publicados alguns estudos sobre a efetividade da habilidade de vacinas BVDV vivas modificadas na proteção do feto.9. Até hoje, não se exige que as vacinas licenciadas nos Estados Unidos proporcionem proteção ao feto.


Herpes Vírus Bovinos Tipo 1

O vírus da IBR (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina) pode disseminar-se facilmente pelas secreções respiratórias, oculares e reprodutivas provenientes de animais infectados e permanecer nos animais após infecções em forma latente no gânglio trigêmeo. BHV 1 causa infecções severas no trato respiratório, com perda de 5–10% por morte. Exposição ao BHV 1 no campo pode causar até 25% de abortos. A maioria dos abortos causados por BHV 1 é observada no último trimestre de prenhez. Entretanto, podem ocorrer em qualquer estágio da prenhez. Expulsão do feto pode demorar até 100 dias após exposição ao vírus. Vacinação com BHV 1 viva modificada ou exposição natural ao vírus pode causar infertilidade temporária, devido a necrose folicular em vacas BHV 1 soronegativas. Esta redução da taxa de concepção após necrose folicular tem sido estimada em 30%. Também foi mostrado que o efeito no ovário não é observado em novilhas soropositivas ou com a vacinação com BHV 1 termos sensível. O vírus BHV 1 pode causar morte embrionária precoce, natimortos e nascimento de bezerros fracos.

Este vírus também pode causar falha na concepção, como uma doença venérea (vulvovaginite pustular infecciosa). Lesões pustulares e necróticas são observadas na vulva e no trato vaginal, e balanopostite pode ser observada nos touros, bem como uma descarga mucopurulenta. A doença é disseminada principalmente pelos touros infectados e pode ser causada pelo hábito de fungar do bovino.

Há poucos estudos publicados sobre a habilidade das vacinas BHV 1 de proteger contra abortos, e a proteção tem sido mostrada apenas com vacinas BHV 1 vivas modificadas, principalmente com a cepa termosseníivel 13.


Impacto Econômico das Síndromes Reprodutivas de BVDV e BHV1

O aborto é o evento mais fácil de ser medido na doença causada pelo vírus BHV 1. Em alguns anos a infecção por BHV 1 foi responsável por até 25% dos abortos diagnosticados nos Estados Unidos. Quanto às outras formas é muito mais difícil de mensurar o impacto econômico. A BHV 1 e a BVDV são as duas causas virais mais comuns de aborto em bovinos nos Estados Unidos.

O impacto econômico das infecções por BVDV tem sido melhor definido. HOUEETt AL estimou perdas por BVDV em US$ 2.380 - US$ 2.980, por ano, em oito fazendas de leite da Dinamarca (variação de US$743–5.118). Harkness determinou perdas anuais por BVDV em US$48 milhões por problemas reprodutivos na bovinocultura na Grã Bretanha. Bitsch e Ronsholt estimaram o custo para fazendas de leite e corte na Dinamarca em 17 milhões de dólares. Um estudo profundo realizado recentemente pela Universidade do Estado de Ohio em uma grande fazenda de leite com incidência de infecção por BVDV documentou durante o ano uma perda mínima de US$ 473.468 e máxima de US$ 662.247. Altas taxas de exposição a BHV 1 e BVDV são comuns na maioria dos países com grandes populações bovinas.


Tabela 1

Resumo dos Resultados de Diagnóstico em Fetos Bovinos Abortados, 1987–1989

  Número  
Diagnóstico 1987 1988 1989 Total
BVD 41 40 41 122
IBR 39 40 20 99
Aborto Micótico 33 29 52 114
Actinomyces (Corynebacterium) 17 35 33 85

Bacillus sp

40 33 24 97
Listeriosis 14 2 8 24
Leptospirose 11 6 4 21
Campylobacter sp 4 9 1 14
Misc. Bacteriano 22 39 36 97
Misc. Viral 9 3 3 15
Gêmeos 6 6 6 18
Anomalia 4 8 7 19
Brucella sp 3 0 0 3
Distocia 2 9 11 22
Diagnóstico total 245 259 246 750
Não-diagnosticado 464 560 522 1.546
Total de casos 709 819 768 2.296

Com permissão de BEEF, Primavera 1990
Direitos Reservados 1990 pela Webb Agricultural Publications
Todos os Direitos Reservados


Tabela 2

Doenças reprodutivas observadas após infecção

  BHV 1 BVDV
Lesões vaginais e vulvares Sim (IPV) Não
Concepção diminuída Sim Sim
Morte embrionária precoce Sim Sim
Feto mumificado Não Sim
Infecção persistente Não (latência bem documentada) Sim
Sêmen infectado Sim (somente durante infecção aguda) Sim
Abortos Sim (geralmente termo tardio) Sim (geralmente 2º trimestre)
Recém-nascidos,
bezerros fracos
Sim Sim


Tabela 3

Conseqüências de exposição à BVDV durante a prenhez




Referências Bibliográficas

1. McClurkin AW, et al: Production of cattle immunotolerant to bovine viral diarrhea virus (BVDV). Can J Comp Med 48: 156-161, 1984.

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4. Bolin SR, Littledike ET, Ridpath JF. Serologic detection and practical consequences of antigenic diversity among bovine viral diarrhea viruses in a vaccinated herd. Am J Vet Res 52(7):1033-1037, 1991.
5. Meyling A, Rensholt L, Dalsgaard K, Jensen AM. Experimental Exposure of Vaccinated and Non-Vaccinated Pregnant Cattle to Isolates of Bovine Viral Diarrhea Vius (BVDV). Slate Veterinary Institute for Virus Research: 225-231, 1985.

6. Ellsworth MA, Kelling CL, Dickinson EO, Cravens RL, Eide EL. Fetal infection following intravenous bovine viral diarrhea virus challenge of vaccinated and unvaccinated dams. Conference of Research Workers in Animal Disease. Ellis, R.P.74th, 1994.

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8. Brownlie J. et al. Protection of the bovine fetus from bovine viral diarrhea virus by means of a new inactivated vaccine. Vet. Rec. 137:58-62, 1995.

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20. Durham PJK, Hassard LE. Prevalence of antibodies to infectious bovine rhinotracheitis, parainfluenza 3, bovine respiratory syncytial, and bovine viral diarrhea viruses in cattle in Saskatchewan and Alberta. Can Vet J 31:815-820, 1990.

21. Cortese VS, Dominguez H, Cravens R. The Prevalence of Bovine Virus Diarrhea and Bovine Respiratory Syncytial Virus in Mexico, The Bovine Practitioner, September 1991.

22. Richtzenhain LJ, Barbarini O, Umehara O, DeGracia AS, et al. Results of a serologic survey of bovine herpesvirus type 1 and bovine viral diarrhea virus antibody in adult cows in Brazil. Proc. XX Wolrd Buiatria Congress, Sydney, Australia, 6 - 10 july 1998. Abstract 142.


IMPACTO DE IBR E DE BVD SOBRE A EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM GADO DE CORTE
REAÇÃO CLÍNICA DE BEZERROS SOB DESAFIO DIRETO AO VÍRUS DA IBR E BVD: COMPARAÇÃO DE DUAS VACINAS E CONTROLE NEGATIVO.*
SEGURANÇA DA VACINA CATTLEMASTER 4 PRODUZIDA COM A CEPA RLB 106 DO VÍRUS HVB-1, VIVO TERMOSSENSÍVEL MODIFICADO QUIMICAMENTE, EM VACAS E/OU NOVILHAS PRENHES EM CONDIÇÕES DE CAMPO NO BRASIL*
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS TRABALHOS DE EFICÁCIA E SEGURANÇA DA CEPA RLB 106 Termossensível (TS) do Herpes vírus bovino tipo I (Rinotraqueíte infecciosa bovina - IBR) em vacinas comerciais.
EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DA CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA
ÍNDICES REPRODUTIVOS EM GADO DE CORTE
AVALIAÇÃO DA RESPOSTA DE ANTITOXINAS BETA E ÉPSILON DE CLOSTRIDIUM PERFRINGENS INDUZIDAS EM BOVINOS E COELHOS POR SEIS VACINAS COMERCIAIS NO BRASIL
LEVANTAMENTO DA INCIDÊNCIA DE REAÇÕES VACINAIS E/OU MEDICAMENTOSAS EM CARCAÇAS DE BOVINOS DESOSSA EM FRIGORÍFICOS NO BRASIL
EFICÁCIA DO CLORIDRATO DE OXITETRACICLINA DE LONGA AÇÃO NO TRATAMENTO NA ANAPLASMOSE EM BOVINOS SUBMETIDOS A PREMUNIÇÃO.
REAÇÕES VACINAIS EM BOVINOS: REAÇÕES NOS LOCAIS DE APLICAÇÃO DE VACINAS CONTRA CLOSTRIDIOSES
CONTROLE DA DIARRÉIA NEONATAL DE BEZERROS POR MEIO DA VACINAÇÃO DAS VACAS PRENHES COM SCOURGUARD 3 (K)/C E TRANSFERÊNCIA DE ANTICORPOS AOS RECÉM-NASCIDOS POR MEIO DO COLOSTRO
AVALIAÇÃO TÉCNICA E ECONÔMICA DA PECUÁRIA DE CORTE
DIAGNÓSTICO DE CLOSTRIDIOSES E CONTROLE DE QUALIDADE DAS VACINAS
PRODUÇÃO DE CARNE BOVINA DE ALTA QUALIDADE
USO TERAPÊUTICO DA TERRAMICINA/LA CONTRA ANAPLASMOSE AGUDA EM BOVINOS: RESULTADOS BRASIL
     
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