| INTRODUÇÃO
A prevenção e o controle das doenças infecciosas
em bovinos são baseados fundamentalmente
em programas de vacinação. Embora essenciais
no controle das doenças, as vacinas podem,
às vezes, provocar reações indesejáveis,
das quais o edema ou nódulo no local de
aplicação é o mais comum. Estas reações
são conseqüências principalmente do tipo
de vacinas e dos adjuvantes empregados como
a emulsão primária de óleo mineral (McKercher
1986), atualmente presente em grande escala
nas vacinas contra a febre aftosa (Sutmoller
& Olascoaga, 1981) e provavelmente o maior
responsável pela depreciação e eliminação
de grandes porções de carne no matadouro
(Pellegrini, 1992; Moro & Junqueira, 1999).
As vacinas com os adjuvantes hidróxido de
alumínio e saponina, assim como em outros
adjuvantes, são reatogênicas (Bunn et al,
1986), embora em menor grau. O adjuvante
oleoso é também empregado em algumas vacinas
contra as clostridioses. A vacinação contra
as clostridioses, embora não-compulsória,
é fundamental para o controle dessas doenças
que são altamente letais (Baldassi, 1996).
As vacinas contra as clostridioses, entretanto,
têm sido incriminadas como responsáveis
pela maioria das reações locais nos Estados
Unidos (Smith et al., 1992). Nestas condições
(Odde et al, 1998), relataram os resultados
de estudos comparativos de reações causadas
pelas vacinas clostridiais Fortress 8, Vision
8, Alpha 7 e SiteGuard MLG conduzidos nos
Estados Unidos, concluindo que em termos
de edema no local de aplicação das vacinas,
Fortress 8 teve reações significativamente
menores.
O presente estudo foi realizado em duas
fases: a primeira fase foi delineada para
avaliar as reações locais de aplicação de
três vacinas contra as clostridioses bovinas:
Vacina A, contendo o adjuvante hidrossolúvel
Stimugen, vacina B com adjuvante oleoso,
e vacina C também com adjuvante oleoso,
em gado zebu, nas condições de campo no
Brasil. A Segunda fase foi delineada para
avaliar o efeito da vacinação com a vacina
A, sobre o ganho de peso e as perdas de
carne decorrentes da toalete da reação local
no abatedouro em gado zebu, em fase final
de engorda em confinamento.
*
Trabalho apresentado no III Congresso Brasileiro
de Buiatria, São Paulo, SP, 5-7 julho de
1999.
** Fortress 7, Pfizer Inc.
1Faculdade de Medicina Veterinária Octávio
Bastos - FEOB, São João da Boa Vista, SP,
BRASIL.
2Laboratórios Pfizer Ltda., Rua Alexandre
Dumas, 1860, Chácara Santo Antônio, CEP
04717-904, São Paulo, SP, BRASIL.
3Cooperativa de Laticínios de São Carlos
- R. Quintino Bocaiuva, 1559, Cep 13574-077,
São Carlos, SP, BRASIL.
4Fundação para o Desenvolvimento da Pecuária
- Fundepec, São Paulo, SP, BRASIL.
MATERIAL E MÉTODO
Local do estudo e animais A primeira fase
- avaliação do nódulo no local de aplicação
da vacina A, B e C, foi realizada em uma
fazenda comercial de criação de gado de
corte, situado no município de Brotas, Estado
de São Paulo. Foram utilizados 150 novilhas
Nelore com idade entre 7 e 18 meses e peso
corporal entre 162 kg e 258 kg. Os animais
foram selecionados de um rebanho maior,
após a palpação na tábua do pescoço, no
lado esquerdo, para a verificação de sinais
de injeção de medicamentos ou vacinas. Foram
utilizados somente animais sem esses sinais.
A Segunda fase - avaliação da reação local
induzida pela vacina A no abatedouro, a
vacinação foi realizada em uma fazenda comercial
de gado de corte em condições de confinamento
no município de São Carlos - SP, e, após
o período de confinamento, os animais foram
abatidos e inspecionados em um frigorífico
no município de Barretos - SP. Neste estudo,
foram utilizados 60 novilhos Nelore de 18
a 26 meses de idade e peso corporal inicial
entre 360 kg e 402 kg, em fase de engorda,
em condições de confinamento. Da mesma maneira,
os animais foram selecionados de um rebanho
maior, após palpação da tábua do pescoço,
no lado esquerdo, e utilizados somente animais
que não apresentavam nenhum nódulo ou sinais
de injeção de medicamentos aplicados nessa
região.
Procedimento
Primeira fase:
Trinta (30) dias antes do experimento, os
150 animais selecionados foram identificados
com brincos numerados e vacinados com Ultrabac
7 (Pfizer Inc.) no lado direito do pescoço,
como primeira vacinação contra as clostridioses.
Neste mesmo dia, os animais foram sorteados
aleatoriamente para 3 grupos (T1, T2 e T3)
de 50 novilhas cada. No dia zero, os animais
foram vacinados na tábua do pescoço de acordo
com indicação de bula das diferentes vacinas,
lado esquerdo, conforme o desenho experimental
constante da Tabela 1 e que serviu
como vacinação de reforço.
Os animais do grupo T1 foram vacinados com
a vacina A na dose de 5 ml via subcutânea
(SC), os animais do grupo T2 foram vacinados
com a vacina B na dose de 2 ml (SC) e os
animais do grupo T3 foram vacinados com
3 ml (SC) da vacina C. O local de aplicação
das vacinas foi demarcado com tinta, para
facilitar a visualização e localização nas
observações seguintes. Após as vacinações,
os animais foram observados por duas horas
pra verificar se apresentavam reações adversas
como dor, anafilaxia, etc. Nos dias 2, 9,
18, 32 e 48, após a vacinação (p.v.), os
animais foram examinados e palpados para
verificação de presença de edemas de vacinação,
e foi inspecionado o local da aplicação
experimental das vacinas. Quando presentes,
o comprimento e a largura dos edemas foram
medidos com auxílio de um paquímetro.
Tabela 1. Desenho Experimental
| Grupo |
Vacina |
Dose |
Via |
Número
de animais |
Dia
da vacinação |
Dias
de observação |
| T1 |
Vacina
A |
5
ml |
SC |
50 |
0 |
02,
09, 18, 32 e 48 |
| T2 |
Vacina
B |
2
ml |
SC |
50 |
0 |
02,
09, 18, 32 e 48 |
| T3 |
Vacina
C |
3
ml |
SC |
50 |
0 |
02,
09, 18, 32 e 48 |
Análise dos dados
Os resultados foram avaliados pela análise
de variância. O tamanho das reações e a
proporção (%) de animais que tiveram reações
locais mensuráveis foram comparados pelo
teste exato de Fisher bicaudal, a cada dia
de observação por tratamento. O nível de
significância foi fixado em alfa = 0,05.
Segunda fase:
Os 60 animais foram distribuídos aleatoriamente
em 2 grupos (T1 - solução salina e T2 -
vacinado com a vacina A) de 30 animais cada,
baseado no peso corporal, antes de entrarem
no confinamento. No dia 0, os animais do
grupo T1 receberam uma injeção subcutânea
de solução salina na dose de 5 ml, e os
animais do grupo T2 foram vacinados com
5 ml da vacina A, pela via SC, no terço
médio inferior do pescoço, lado esquerdo.
No dia 30 os animais receberam uma Segunda
dose (T1 salina e T2 vacina A) no terço
médio superior do lado esquerdo do pescoço.
Os locais de injeção também foram marcados
conforme descrito no estudo 1. Nos dias
15, 30, 45, após cada vacinação, os animais
foram examinados e o local de injeção palpado
para verificação de nódulos vacinais, que,
quando presentes, eram medidos em seu comprimento
e largura. Nos dias 30, 60 e 90 os animais
foram pesados para determinação do ganho
de peso, e no dia 91 os animais foram abatidos
em abatedouro de Barretos - SP. Após o abate,
o local de injeção experimental da vacina
A ou solução salina (lado esquerdo do pescoço)
foi inspecionado pelo Inspetor Federal para
exame de qualquer resíduo ou reação local
indesejável.
Análise dos dados
Os resultados foram avaliados pela análise
de variância. O tamanho das reações e a
proporção (%) de animais que tiveram reações
locais mensuráveis foram comparados pelo
teste exato de Fisher bicaudal, a cada dia
de observações por tratamento. O nível de
significância foi fixado em alfa = 0,05.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A reação local imediata (primeira fase),
no dia 2 p.v., nos animais vacinados com
5 ml da vacina A, foi similar à reação
de 2 ml da vacina B e significativamente
menor (p<0,05) do que 3 ml de C medidas
pela largura (Figura 2) das reações. Nos
dias 9, 18 e 32, as reações observadas nos
animais vacinados com vacina A tiveram tamanhos
reduzidos significativamente (p<0,05) menores
do que B e C, as quais foram indistinguíveis
entre si. No dia 48 p.v., os animais vacinados
com vacina A não tinham mais edemas locais
de vacinação em nenhum dos 50 animais, enquanto
os animais vacinados com B tiveram reações
com largura média de 2,37 cm e 4,68 cm de
comprimento e os comC tiveram teve largura
média de 2,33 cm e comprimento de 3,78 cm.
A constatação de que a vacina A na dose
de 5 ml teve reações vacinais significativamente
(p<0,05) menores do que 2 ml de B e 3 ml
de C, confirma as observações de Odde et
al., (1998) de que o tamanho das reações
e a incidência não dependem exclusivamente
do volume da dose injetada. A proporção
de animais com reações (Figura 3) no local
de injeção no grupo vacinado com vacina
A foi similar a B e significativamente (p<0,05)
menor do que C no dia 2 p.v. Nos dias 9,
18 e 32, a vacina A teve um número significativamente
(p<0,05) menor de animais reagentes, e no
dia 48 p.v., o número de animais com reações
foi zero nesse grupo, comparado com 36 (72%)
animais no grupo B e 38 (76%) animais no
grupo vacinado com C que ainda tinham edemas
mensuráveis no dia 48 p.v. Não se observou
outro tipo de reações indesejáveis como
dor, anafilaxia etc., em nenhum dos animais
vacinados. Os resultados obtidos em bovinos
Nelore nas condições do Brasil, no presente
estudo, são similares aos resultados relatados
por Odde et al., (1998) em estudos realizados
nos Estados Unidos e mostram que a vacina
A tem reatogenicidade baixa, significativamente
menor do que B ou C e que as reações da
vacina A, quando presentes, são reabsorvidas
mais rapidamente. Além disso, apesar de
aos 45 dias p.v. do estudo da Segunda fase,
ainda ter sido detectados pequenos nódulos
vacinais com média de comprimento de 1,15
cm (Figura 4) e largura de 0,95cm (Figura
5), no abate aos 91 dias p.v., não se encontrou
nenhum animal com reações tissulares, nos
locais de injeção, não havendo necessidade
de toalete ou remoção de carne, confirmando
a alta segurança da vacina A no relativo
a reações locais de vacinação.
Por outro lado, ao final do confinamento,
os animais vacinados com a vacina A tiveram
ganho de peso similar (p>0,05) aos animais
controle que receberam solução salina (Figura
6). A média de ganho de peso por animal
vacinado com a vacina A foi de 87,27 kg,
e do grupo controle foi de 87,18 kg, confirmando
que a vacinação não teve efeito negativo
no ganho de peso. Os resultados obtidos
neste estudo permitem concluir que a vacina
A é segura, tem reatogenicidade menor do
que B ou C, não induz lesões permanentes
na carcaça e não interfere negativamente
no ganho de peso dos animais vacinados.
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às gangrenas gasosas. Anais do I Simpósio
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