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REAÇÕES VACINAIS EM BOVINOS: REAÇÕES NOS LOCAIS DE APLICAÇÃO DE VACINAS CONTRA CLOSTRIDIOSES

 

Este estudo foi conduzido no Brasil para avaliar as reações nos locais de injeção das vacinas clostridiais em bovinos. Em uma primeira fase, avaliou-se o tamanho dos nódulos após injeção de 3 vacinas: Vacina A, contendo o adjuvante hidrossolúvel Stimugen, vacina B, com adjuvante oleoso e vacina C também com adjuvante oleoso. No dia 48 p.v a vacina A não teve mais nódulos em nenhum dos animais vacinados, enquanto que 72% dos animais vacinados com a vacina B e 76% dos vacinados com a vacina C ainda apresentavam nódulos mensuráveis. Em uma Segunda fase avaliaram-se as reações no local da injeção da vacina A e Solução Salina em termos de edema, ganho de peso e quantidade de carne retirada na toalete da carcaça. Nenhum dos animais vacinados com a vacina A ou solução salina teve lesões ao abate e não houve necessidade de retirada de porções de carne. Os resultados obtidos neste estudo permitem concluir que a vacina A** é segura, tem reatogenicidade menor do que a vacina B ou C, não induz lesões na carcaça e não interfere negativamente no ganho de peso dos animais vacinados.


INTRODUÇÃO
A prevenção e o controle das doenças infecciosas em bovinos são baseados fundamentalmente em programas de vacinação. Embora essenciais no controle das doenças, as vacinas podem, às vezes, provocar reações indesejáveis, das quais o edema ou nódulo no local de aplicação é o mais comum. Estas reações são conseqüências principalmente do tipo de vacinas e dos adjuvantes empregados como a emulsão primária de óleo mineral (McKercher 1986), atualmente presente em grande escala nas vacinas contra a febre aftosa (Sutmoller & Olascoaga, 1981) e provavelmente o maior responsável pela depreciação e eliminação de grandes porções de carne no matadouro (Pellegrini, 1992; Moro & Junqueira, 1999).

As vacinas com os adjuvantes hidróxido de alumínio e saponina, assim como em outros adjuvantes, são reatogênicas (Bunn et al, 1986), embora em menor grau. O adjuvante oleoso é também empregado em algumas vacinas contra as clostridioses. A vacinação contra as clostridioses, embora não-compulsória, é fundamental para o controle dessas doenças que são altamente letais (Baldassi, 1996). As vacinas contra as clostridioses, entretanto, têm sido incriminadas como responsáveis pela maioria das reações locais nos Estados Unidos (Smith et al., 1992). Nestas condições (Odde et al, 1998), relataram os resultados de estudos comparativos de reações causadas pelas vacinas clostridiais Fortress 8, Vision 8, Alpha 7 e SiteGuard MLG conduzidos nos Estados Unidos, concluindo que em termos de edema no local de aplicação das vacinas, Fortress 8 teve reações significativamente menores.

O presente estudo foi realizado em duas fases: a primeira fase foi delineada para avaliar as reações locais de aplicação de três vacinas contra as clostridioses bovinas: Vacina A, contendo o adjuvante hidrossolúvel Stimugen, vacina B com adjuvante oleoso, e vacina C também com adjuvante oleoso, em gado zebu, nas condições de campo no Brasil. A Segunda fase foi delineada para avaliar o efeito da vacinação com a vacina A, sobre o ganho de peso e as perdas de carne decorrentes da toalete da reação local no abatedouro em gado zebu, em fase final de engorda em confinamento.

* Trabalho apresentado no III Congresso Brasileiro de Buiatria, São Paulo, SP, 5-7 julho de 1999.
** Fortress 7, Pfizer Inc.
1Faculdade de Medicina Veterinária Octávio Bastos - FEOB, São João da Boa Vista, SP, BRASIL.
2Laboratórios Pfizer Ltda., Rua Alexandre Dumas, 1860, Chácara Santo Antônio, CEP 04717-904, São Paulo, SP, BRASIL.
3Cooperativa de Laticínios de São Carlos - R. Quintino Bocaiuva, 1559, Cep 13574-077, São Carlos, SP, BRASIL.
4Fundação para o Desenvolvimento da Pecuária - Fundepec, São Paulo, SP, BRASIL.

MATERIAL E MÉTODO
Local do estudo e animais A primeira fase - avaliação do nódulo no local de aplicação da vacina A, B e C, foi realizada em uma fazenda comercial de criação de gado de corte, situado no município de Brotas, Estado de São Paulo. Foram utilizados 150 novilhas Nelore com idade entre 7 e 18 meses e peso corporal entre 162 kg e 258 kg. Os animais foram selecionados de um rebanho maior, após a palpação na tábua do pescoço, no lado esquerdo, para a verificação de sinais de injeção de medicamentos ou vacinas. Foram utilizados somente animais sem esses sinais.

A Segunda fase - avaliação da reação local induzida pela vacina A no abatedouro, a vacinação foi realizada em uma fazenda comercial de gado de corte em condições de confinamento no município de São Carlos - SP, e, após o período de confinamento, os animais foram abatidos e inspecionados em um frigorífico no município de Barretos - SP. Neste estudo, foram utilizados 60 novilhos Nelore de 18 a 26 meses de idade e peso corporal inicial entre 360 kg e 402 kg, em fase de engorda, em condições de confinamento. Da mesma maneira, os animais foram selecionados de um rebanho maior, após palpação da tábua do pescoço, no lado esquerdo, e utilizados somente animais que não apresentavam nenhum nódulo ou sinais de injeção de medicamentos aplicados nessa região.

Procedimento

Primeira fase:


Trinta (30) dias antes do experimento, os 150 animais selecionados foram identificados com brincos numerados e vacinados com Ultrabac 7 (Pfizer Inc.) no lado direito do pescoço, como primeira vacinação contra as clostridioses. Neste mesmo dia, os animais foram sorteados aleatoriamente para 3 grupos (T1, T2 e T3) de 50 novilhas cada. No dia zero, os animais foram vacinados na tábua do pescoço de acordo com indicação de bula das diferentes vacinas, lado esquerdo, conforme o desenho experimental constante da Tabela 1 e que serviu como vacinação de reforço.

Os animais do grupo T1 foram vacinados com a vacina A na dose de 5 ml via subcutânea (SC), os animais do grupo T2 foram vacinados com a vacina B na dose de 2 ml (SC) e os animais do grupo T3 foram vacinados com 3 ml (SC) da vacina C. O local de aplicação das vacinas foi demarcado com tinta, para facilitar a visualização e localização nas observações seguintes. Após as vacinações, os animais foram observados por duas horas pra verificar se apresentavam reações adversas como dor, anafilaxia, etc. Nos dias 2, 9, 18, 32 e 48, após a vacinação (p.v.), os animais foram examinados e palpados para verificação de presença de edemas de vacinação, e foi inspecionado o local da aplicação experimental das vacinas. Quando presentes, o comprimento e a largura dos edemas foram medidos com auxílio de um paquímetro.

Tabela 1. Desenho Experimental

Grupo Vacina Dose Via Número de animais Dia da vacinação Dias de observação
T1 Vacina A 5 ml SC 50 0 02, 09, 18, 32 e 48
T2 Vacina B 2 ml SC 50 0 02, 09, 18, 32 e 48
T3 Vacina C 3 ml SC 50 0 02, 09, 18, 32 e 48


Análise dos dados

Os resultados foram avaliados pela análise de variância. O tamanho das reações e a proporção (%) de animais que tiveram reações locais mensuráveis foram comparados pelo teste exato de Fisher bicaudal, a cada dia de observação por tratamento. O nível de significância foi fixado em alfa = 0,05.

Segunda fase:

Os 60 animais foram distribuídos aleatoriamente em 2 grupos (T1 - solução salina e T2 - vacinado com a vacina A) de 30 animais cada, baseado no peso corporal, antes de entrarem no confinamento. No dia 0, os animais do grupo T1 receberam uma injeção subcutânea de solução salina na dose de 5 ml, e os animais do grupo T2 foram vacinados com 5 ml da vacina A, pela via SC, no terço médio inferior do pescoço, lado esquerdo. No dia 30 os animais receberam uma Segunda dose (T1 salina e T2 vacina A) no terço médio superior do lado esquerdo do pescoço. Os locais de injeção também foram marcados conforme descrito no estudo 1. Nos dias 15, 30, 45, após cada vacinação, os animais foram examinados e o local de injeção palpado para verificação de nódulos vacinais, que, quando presentes, eram medidos em seu comprimento e largura. Nos dias 30, 60 e 90 os animais foram pesados para determinação do ganho de peso, e no dia 91 os animais foram abatidos em abatedouro de Barretos - SP. Após o abate, o local de injeção experimental da vacina A ou solução salina (lado esquerdo do pescoço) foi inspecionado pelo Inspetor Federal para exame de qualquer resíduo ou reação local indesejável.

Análise dos dados

Os resultados foram avaliados pela análise de variância. O tamanho das reações e a proporção (%) de animais que tiveram reações locais mensuráveis foram comparados pelo teste exato de Fisher bicaudal, a cada dia de observações por tratamento. O nível de significância foi fixado em alfa = 0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A reação local imediata (primeira fase), no dia 2 p.v., nos animais vacinados com 5 ml da vacina A, foi similar à reação de 2 ml da vacina B e significativamente menor (p<0,05) do que 3 ml de C medidas pela largura (Figura 2) das reações. Nos dias 9, 18 e 32, as reações observadas nos animais vacinados com vacina A tiveram tamanhos reduzidos significativamente (p<0,05) menores do que B e C, as quais foram indistinguíveis entre si. No dia 48 p.v., os animais vacinados com vacina A não tinham mais edemas locais de vacinação em nenhum dos 50 animais, enquanto os animais vacinados com B tiveram reações com largura média de 2,37 cm e 4,68 cm de comprimento e os comC tiveram teve largura média de 2,33 cm e comprimento de 3,78 cm.

A constatação de que a vacina A na dose de 5 ml teve reações vacinais significativamente (p<0,05) menores do que 2 ml de B e 3 ml de C, confirma as observações de Odde et al., (1998) de que o tamanho das reações e a incidência não dependem exclusivamente do volume da dose injetada. A proporção de animais com reações (Figura 3) no local de injeção no grupo vacinado com vacina A foi similar a B e significativamente (p<0,05) menor do que C no dia 2 p.v. Nos dias 9, 18 e 32, a vacina A teve um número significativamente (p<0,05) menor de animais reagentes, e no dia 48 p.v., o número de animais com reações foi zero nesse grupo, comparado com 36 (72%) animais no grupo B e 38 (76%) animais no grupo vacinado com C que ainda tinham edemas mensuráveis no dia 48 p.v. Não se observou outro tipo de reações indesejáveis como dor, anafilaxia etc., em nenhum dos animais vacinados. Os resultados obtidos em bovinos Nelore nas condições do Brasil, no presente estudo, são similares aos resultados relatados por Odde et al., (1998) em estudos realizados nos Estados Unidos e mostram que a vacina A tem reatogenicidade baixa, significativamente menor do que B ou C e que as reações da vacina A, quando presentes, são reabsorvidas mais rapidamente. Além disso, apesar de aos 45 dias p.v. do estudo da Segunda fase, ainda ter sido detectados pequenos nódulos vacinais com média de comprimento de 1,15 cm (Figura 4) e largura de 0,95cm (Figura 5), no abate aos 91 dias p.v., não se encontrou nenhum animal com reações tissulares, nos locais de injeção, não havendo necessidade de toalete ou remoção de carne, confirmando a alta segurança da vacina A no relativo a reações locais de vacinação.

Por outro lado, ao final do confinamento, os animais vacinados com a vacina A tiveram ganho de peso similar (p>0,05) aos animais controle que receberam solução salina (Figura 6). A média de ganho de peso por animal vacinado com a vacina A foi de 87,27 kg, e do grupo controle foi de 87,18 kg, confirmando que a vacinação não teve efeito negativo no ganho de peso. Os resultados obtidos neste estudo permitem concluir que a vacina A é segura, tem reatogenicidade menor do que B ou C, não induz lesões permanentes na carcaça e não interfere negativamente no ganho de peso dos animais vacinados.

BIBLIOGRAFIA
BALDASSI, L. (1996). Clostridioses: enfoque às gangrenas gasosas. Anais do I Simpósio Pfizer sobre doenças infecciosas e de vacinas para bovinos, Guarulhos, 19 e 20 de junho de 1996.
BUNN, T.O.; NERVIG, R.M. & PEMBERTON, J.R. (1986). Metallic salts as adjuvants for veterinary biologics. In: Advances in Carriers and Adjuvants for Veterinary Biologics. The lowa State University Press. First Edition, 1986, p.105-113.
McKERCHER, P.D. (1986). Oil adjuvants: their use veterinary biologics. In: Advances in Carriers and Adjuvants for Veterinary Biologics. The lowa State University Press. First Edition, 1986, p.115-119.
MORO, E. & JUNQUEIRA, J. O. B. (1999). Levantamento da incidência de reações vacinais e/ou medicamentosas em carcaças de bovinos ao abate em frigoríficos no Brasil. III CONGRESSO BRASILEIRO DE BUIATRIA, São Paulo, 5-7 julho 1999.
ODDE, K. G.; HOLLIS, L. C.; CRAVENS, R. L.; WEIGEL, D. J. (1998). Effect of clostridial vaccines on injection site reactions, feed intake, and feed efficiency in beef cattle. Proc. Of XX WORLD BUIATRICS CONGRESS, Sydney, Australia, 6-10 July 1998, p. 917-919.
PELLEGRINI, V. L. (1992). Eficiência da via isquiorretal na imunização de bovinos com vacina oleosa antiaftosa. A Hora Veterinária, 69:63-69.
SUTMOLLER, P. & OLASCOAGA, R. C. (1981), The foot-and-mouth disease vaccine situation in South America. Proc. 85th U.S. Anim. Health Assoc., 1981, p. 304-321.
SMITH, G. C.; SAVEL, J. W.; CLAYTON, R. P.; FIELD, T. G.; GRIFFIN, D. E.; HALE, D. S.; MILLER, H. F.; MONTGOMERY, T. H.; MORGAN, J. B.; TATUM, J. D.; WISE, J. W.; WILKES, D. L.; LAMBERT, C. D. (1992). Improving the consistency and competitiveness of beef. The final Report of the National Beef Quality audit - 1991, p.1-237. National Cattlemen's Association, Englewood, CO.
SUTMOLLER, P. & OLASCOAGA, R.C. (1981). The foot-and-mouth vaccine situation in South America. Proc. 85th U.S. Anim. Health Assoc., 1981, p. 304-321.


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REAÇÃO CLÍNICA DE BEZERROS SOB DESAFIO DIRETO AO VÍRUS DA IBR E BVD: COMPARAÇÃO DE DUAS VACINAS E CONTROLE NEGATIVO.*
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