Com
o objetivo de ilustrar o uso de algumas técnicas
de avaliação econômica, para o planejamento
e a solução de problemas em propriedades de
pecuária de corte, são analisados três casos
hipotéticos: a economicidade da reforma de
pastagens perenes, a melhoria no sistema de
alimentação do rebanho e a melhoria no manejo
sanitário dos animais. Ressalta-se que, na
elaboração de análises econômicas, uma das
principais dificuldades é isolar ou separar
adequadamente o problema em estudo, dada a
ampla variedade de fatores inter-relacionados
que compõem o sistema de produção na pecuária
de corte e a dinâmica das atividades de cria,
recria e engorda que interferem na evolução
do rebanho pecuário. Assim, é comum na formulação
de problemas econômicos, a super ou subavaliação
dos custos e/ou dos benefícios adicionais
proporcionados exclusivamente pelas alterações
no sistema de produção, vis-à-vis,
à situação anterior às mudanças.
A metodologia de se trabalhar com cenários,
por exemplo, permite: (1) incorporar
o risco na avaliação econômica; (2)
identificar a sensibilidade dos retornos esperados,
dada à ocorrência de variações em coeficientes
técnicos, índices zootécnicos de produtividade,
preços de insumos e produtos, etc.; (3)
tomar decisões com maior nível de certeza.
Outro procedimento metodológico interessante,
na tentativa de se isolar o problema econômico
em estudo, é avaliar, separadamente, as situações
com e sem a mudança tecnológica proposta e,
por diferença de valores, estimar os benefícios
adicionais e os custos adicionais proporcionados
pela alteração tecnológica. Normalmente, a
avaliação em separado das duas situações facilita
a identificação das variáveis que realmente
se alteram, com a incorporação da nova tecnologia.
A melhoria de conhecimentos, habilidades e
atitudes, por parte dos produtores e dos profissionais
da assistência técnica, visando à correta
aplicação das técnicas de avaliação econômica,
pode minimizar as incertezas vinculadas ao
processo de tomada de decisões nas propriedades
rurais. Palavras-chaves: Pecuária de corte,
análise econômica, administração rural.
1 - O problema da pesquisa
Na pecuária de corte, a elaboração
de análises econômicas para
subsidiar o processo de tomada de decisões
possui algumas particularidades inerentes
à atividade. Essas particularidades
precisam ser devidamente consideradas, quando
se pretende identificar a viabilidade econômica
de mudanças no sistema de produção,
a fim de se evitar erros na formulação
do problema em estudo e na interpretação
dos resultados. As mudanças mais
comuns no sistema de produção
da pecuária de corte, normalmente,
estão relacionadas a melhorias na
genética, na alimentação
e na sanidade do rebanho.
Na maioria das vezes, a maior dificuldade
na elaboração de análises
econômicas é isolar ou separar
adequadamente o problema em estudo, dada
a ampla variedade de fatores inter-relacionados
que compõem o sistema de produção
na pecuária de corte e a dinâmica
das atividades de cria, recria e à
engorda que interferem na evolução
do rebanho pecuário. Nesse sentido,
é comum, na formulação
de problemas econômicos, a super ou
a subavaliação dos custos
e/ou dos benefícios adicionais proporcionados
exclusivamente pelas alterações
no sistema de produção, vis-à-vis,
à situação anterior
às mudanças.
No caso das estimativas de valor para os
benefícios adicionais (geração
adicional de receitas e/ou rendas), o longo
tempo necessário para se completar
o ciclo de produção na pecuária
de corte (que é normalmente superior
a 2,5 anos) aparece como uma dificuldade
adicional. É difícil, por
exemplo, prever com exatidão, em
nível das propriedades rurais, qual
será o ganho de peso adicional (incremental),
ao longo do tempo, das diferentes categorias
animais de um rebanho; ou quais serão
as mudanças adicionais (incrementais)
nas taxas de natalidade e de mortalidade,
quando se incorporam algumas novas tecnologias
de manejo na propriedade. Essas dificuldades
na formulação e de avaliação
de problemas econômicos ocorrem, também,
pela dificuldade de se extrapolar com precisão
os resultados das pesquisas zootécnicas
de campo e pela, em geral, ausência
de correspondentes avaliações
econômicas na divulgação
dos resultados dessas pesquisas zootécnicas.
2 - Objetivos e organização
da pesquisa
O objetivo geral desse artigo é
ilustrar o uso de diferentes técnicas
de avaliação econômica,
para o planejamento e a solução
de problemas em propriedades de pecuária
de corte. Serão apresentadas três
técnicas de avaliação
econômica, a fim de se avaliar, para
casos hipotéticos, a economicidade
da reforma de pastagens perenes, da melhoria
no sistema de alimentação
do rebanho e da melhoria no manejo sanitário
dos animais. A idéia básica
do artigo é repassar aos leitores
algumas formas de avaliação
de problemas econômicos e não
os resultados numéricos dos exemplos
que serão apresentados adiante. Com
isso, espera-se que a assistência
técnica e/ou os próprios produtores
possam avaliar com maior precisão
seus casos particulares.
O presente texto está organizado
da seguinte forma: no item 3, a seguir,
fazem-se considerações sobre
a metodologia da pesquisa, no qual se apresenta
a base teórica relacionada às
três técnicas de avaliação
econômica utilizadas no estudo; no
item 4, é feita a apresentação
e a discussão dos resultados para
os exemplos hipotéticos considerados
no estudo; e, no item 5, fazem-se as considerações
finais.
3 - Metodologia
Na falta de certeza sobre o exato valor
dos custos adicionais e/ou dos benefícios
adicionais proporcionados por alterações
na tecnologia utilizada na propriedade rural,
uma boa opção é avaliar
economicamente as alternativas em estudo,
sob diferentes cenários. A metodologia
de se trabalhar com cenários, por
exemplo, com cenários pessimistas,
normais e otimistas, permitem: (1) incorporar
o risco na avaliação econômica;
(2) identificar a sensibilidade dos retornos
esperados, dado à ocorrência
de variações em coeficientes
técnicos, índices zootécnicos
de produtividade, preços de insumos
e produtos, etc.; (3) tomar decisões
com maior nível de certeza. Outro
procedimento metodológico interessante,
na tentativa de se isolar o problema econômico
em estudo, é avaliar, separadamente,
as situações com e sem a mudança
tecnológica proposta e, por diferença
de valores, estimar os benefícios
adicionais e os custos adicionais proporcionados
pela alteração tecnológica.
Normalmente, a avaliação em
separado das duas situações
facilita a identificação das
variáveis que realmente se alteram,
com a incorporação da nova
tecnologia.
Dentre os métodos ou técnicas
de avaliação econômica,
que podem ser utilizados para se identificar
a viabilidade de mudanças em sistemas
de produção na agropecuária,
destacam-se: (1) a técnica do orçamento
parcial, utilizada principalmente quando
a mudança tecnológica a ser
avaliada economicamente não envolve
investimentos, mas apenas proporciona alterações
nos fluxos futuros de receitas e despesas;
(2) a técnica de avaliação
de projetos de fluxo incremental, utilizada
principalmente quando a mudança tecnológica,
que altera o sistema de produção,
exige investimentos em ativos fixos. Nesse
caso, normalmente o que se pretende fazer
é a seleção entre dois
projetos mutuamente exclusivos; (3) a técnica
da seleção (avaliação
comparativa) de projetos de investimento.
Nesse caso, analisam-se, simultaneamente,
vários projetos alternativos, e,
por comparação, seleciona-se
aquele de maior viabilidade econômica.
3.1. Orçamento parcial
A técnica do orçamento parcial
é freqüentemente utilizado em
avaliações econômicas,
quando se pretende comparar a economicidade
de duas alternativas mutuamente exclusivas.
Por exemplo, a situação ou
alternativa A versus a situação
ou alternativa B.
Considerando-se que a alternativa A represente
a situação atual, e a alternativa
B a situação proposta, normalmente
se utiliza o orçamento parcial para
se saber sobre a viabilidade econômica
de se passar de A para B. Ou seja, pretende-se
saber se os ganhos líquidos são
positivos com a adoção da
situação proposta.
A passagem de A para B pode gerar ganhos
(benefícios) e/ou perdas (custos).
Os ganhos, proporcionados pela mudança,
podem ocorrer mediante aumentos de receita
e/ou reduções de custos. As
perdas, por sua vez, podem ocorrer mediante
reduções de receitas e/ou
aumento de custos. O esquema, abaixo, ilustra
as possibilidades de ganhos e perdas.
Alternativa A: situação
atual
Alternativa B: situação
proposta |
|
Ganhos com a passagem de A para B: |
Aumento
de receitas
Reduções de custos |
|
Perdas com a passagem de A para B: |
|
Aumento de custos
Reduções de receitas |
Em termos de
resultado, a alternativa B é preferível
à alternativa A quando os ganhos, decorrentes
da mudança, superam as perdas, ou seja,
quando o ganho líquido é positivo.
Na igualdade entre ganhos e perdas tem-se
o ponto de equilíbrio ou nivelamento,
e uma conseqüente situação
de indiferença entre as duas alternativas.
A identificação quantitativa
do ponto de equilíbrio e, a sua respectiva
sensibilidade às variações
dos parâmetros considerados em seu cálculo,
corresponde a uma importante informação
auxiliar ao processo de tomada de decisão.
Se pequenas alterações nos parâmetros
utilizados no cálculo proporcionam
grandes alterações no ponto
de equilíbrio, a mudança tecnológica
é de maior risco, caso contrário,
sua adoção é de baixo
risco econômico.
3.2. Avaliação de projetos
Todo projeto
apresenta fluxos de entrada e saída
de recursos. A diferença entre estes
fluxos é chamada de fluxo líquido
ou de entradas líquidas de caixa.
Sobre o fluxo líquido aplicam-se
as técnicas de desconto para calcular
a rentabilidade real dos investimentos.
VPL
= ? Valor Atual das Receitas
- ? Valor Atual dos Custos
VPL = ? Valor Atual das Entradas
Líquidas de Caixa |
| Se
VPL c/ CMPC% > 0, o projeto é
viável. |
| Se
VPL c/ CMPC% < 0, o projeto é
inviável. |
| Se
VPL c/ CMPC% = 0, o projeto é
indiferente. |
Dentre os critérios
de avaliação de projetos,
os métodos que consideram a dimensão
tempo dos valores monetários são
mais precisos, pois o valor real do dinheiro
não permanece constante ao longo
do tempo, ou seja, raramente o custo de
oportunidade do capital é zero. Assim,
uma vez conhecida a taxa de desconto relevante
para uma empresa ou projeto, denominada
Custo Médio Ponderado do Capital
da empresa (CMPC) ou custo médio
ponderado do capital do projeto, pode-se
transformar valores nominais, que ocorrem
em datas diferentes, em valores reais, expressos
em uma mesma data-base. Com esse procedimento
os valores de um fluxo de caixa tornam-se
comparáveis, tornando possível
a avaliação de projetos individuais
e a seleção entre projetos
alternativos.
Os principais métodos
para a avaliação do fluxo
líquido dos projetos são:
o VPL (Valor Presente Líquido); o
VPLA (Valor Presente Líquido Anualizado);
a TIR (Taxa Interna de Retorno); a TRF (Taxa
de Retorno de Fischer); a relação
B/C (Relação BenefícioCusto);
e o PRC (Período de Recuperação
do Capital).
O VPL expressa o lucro do
projeto já descontado o CMPC. É
o que o projeto rende, em valores atuais
absolutos, acima do CMPC. A expressão
abaixo apresenta a forma de cálculo
do VPL. Na expressão, o termo "atual"
representa que o fluxo líquido nominal
(expresso em valores nominais) foi transformado
para valores presentes, considerando uma
determinada taxa de desconto. Se o VPL resultante
for positivo, o projeto é viável,
a essa taxa de desconto. Se for negativo
o projeto, é inviável e, se
for igual a zero, o projeto é indiferente,
ou seja, proporciona um lucro igual ao que
seria obtido em um investimento alternativo
considerando-se a mesma taxa de desconto.
Por definição,
a TIR é aquele valor de taxa de juros
que torna o VPL igual a zero. A TIR expressa
a lucratividade percentual do projeto sobre
o capital empatado durante sua vida útil.
Dependendo das características do
fluxo líquido de caixa do projeto,
a TIR pode ser indeterminada.
| Se
TIR > CMPC%, o projeto é viável.
|
| Se
TIR < CMPC% , o projeto é
inviável. |
| Se
TIR = CMPC%, o projeto é indiferente. |
| A relação
custobenefício é
o que o projeto rende, em valores atuais
absolutos, para cada unidade de custo,
já descontado o CMPC. |
B/C
= ? Valor Atual das Receitas
/ ? Valor Atual dos Custos |
| Se
B/C c/ CMPC% > 1, o projeto é
viável. |
| Se
B/C c/ CMPC% < 1, o projeto é
inviável. |
| Se
B/C c/ CMPC% = 1, o projeto é
indiferente. |
No mundo real,
as alternativas de investimento em uma determinada
atividade agropecuária raramente são
totalmente independentes entre si. Porém,
para efeito de avaliações econômicas,
quando o grau de interação (influência
de um projeto sobre o fluxo de caixa de outro
projeto) é pequeno, pode-se considerar
que os projetos são independentes.
Quando, por outro lado, a implantação
de um projeto impede a do outro, dizemos que
os projetos são mutuamente exclusivos
ou substitutos perfeitos. Entre os dois extremos,
na prática há muitos graus de
complementaridade entre projetos. Quando determinado
projeto é independente dos demais,
tanto o critério do VPL como da TIR
permite chegar consistentemente à mesma
decisão final, assumindo que a TIR
exista e seja única. Entretanto, quando
dois projetos são mutuamente exclusivos,
os dois métodos de análise (TIR
e VPL) nem sempre indicam a mesma escolha.
Entre os métodos
que usam fatores de desconto, o VPL é
mais preciso do que os demais, na maioria
dos casos. Entretanto, é preciso
reconhecer que a TIR é bem mais atrativa
como método de análise, pois
sua interpretação, por ser
uma porcentagem de crescimento, é
mais fácil
e cômoda. De qualquer
forma, seja qual for o método de avaliação
adotado, é necessário considerar
ainda as seguintes dificuldades adicionais
na seleção de projetos alternativos:
diferentes volumes de investimentos; horizontes
diferentes; diferenças nos períodos
de implantação, e diferenças
dos níveis de risco dos projetos alternativos,
entre outras. Por sorte, na prática,
as empresas rurais dificilmente terão
problemas de escolha entre uma série
de projetos alternativos ao mesmo tempo. Em
geral, as decisões de investimento
são feitas, por um lado, na forma de
pequenos projetos destinados a modificar parcialmente
a organização da empresa. Por
outro lado, os grandes projetos normalmente
se compõem de um conjunto de atividades
complementares. Em vez de muitos projetos
competitivos tem-se de fato um único
projeto, que pode ou não ser redimensionado
dependendo dos recursos disponíveis
e das condições da empresa (Noronha,
1987). Um princípio
fundamental na avaliação de
projetos é a correta construção
dos fluxos de caixa. Isso significa que
devem ser considerados no projeto apenas
as receitas e despesas que podem ser atribuídas
diretamente à decisão de implementá-lo.
Assim, aquelas despesas e receitas que a
empresa teria necessariamente de fazer ou
receber, na ausência do projeto, são
irrelevantes para a formação
dos fluxos de caixa. Na agropecuária,
como as decisões de investimento
normalmente estão relacionadas às
alterações de um sistema de
produção já em andamento,
às vezes é mais fácil
construir dois fluxos de caixa (com e sem
as alterações) e, por diferença,
avaliar o fluxo líquido resultante,
mediante a Taxa de Retorno de Fischer (TRF).
Por definição,
a TRF é o valor da taxa de desconto
que iguala o VPL das duas alternativas (por
exemplo, A e B) em análise. Para
taxas de desconto (ou CMPC) acima ou abaixo
da TRF, uma alternativa (A ou B) será
preferível à outra, e, vice-versa,
sendo possível a seleção
de projetos mutuamente exclusivos.
4. Apresentação
e discussão dos resultados
Para exemplificar a utilização
das três técnicas, serão
consideradas, nesse estudo, três situações
hipotéticas distintas. Na primeira,
será apresentado um exemplo para
identificar a viabilidade econômica
da melhoria no manejo sanitário dos
animais, que compõem o rebanho da
propriedade. Nesse caso, o problema em estudo
será avaliado com a técnica
da orçamentação parcial.
Na segunda situação, será
apresentado um exemplo para identificar
a viabilidade econômica da reforma
de pastagens na propriedade. Por serem as
pastagens um ativo fixo e as duas situações
alternativas (pastagens com ou sem reforma)
serem mutuamente exclusivas, nesse caso,
o problema em estudo será tratado
com a técnica de avaliação
de projetos de fluxo incremental. Por fim,
na terceira situação, vários
sistemas de alimentação do
rebanho (mais ou menos intensivos) serão
comparados entre si,por meio da técnica
de seleção de projetos.
4.1. Melhoria no manejo
sanitário
Normalmente, a introdução
de melhorias no manejo sanitário
de um rebanho bovino proporciona aumentos
no desembolso com os animais e, também,
aumentos na produtividade, com conseqüente
ampliação da renda da exploração
pecuária. Na maioria dos casos, a
ampliação dos gastos para
a melhoria do manejo sanitário envolve
pequenos desembolsos adicionais, relativamente
ao custo total de produção
de bovinos ou à movimentação
financeira total da propriedade pecuária.
Mesmo assim, em muitos casos, produtores
e técnicos descartam a introdução
de novas práticas de manejo sanitário
por não considerar, adequadamente,
os benefícios econômicos por
ela proporcionados. Com a técnica
da orçamentação parcial
pretende-se avaliar, para uma situação
hipotética, se a introdução
das melhorias resulta ou não em ganhos
líquidos positivos.
O caso em estudo compreende
um rebanho composto por 1.535 cabeças
no ano-base, que são avaliadas, em
conjunto, pelo valor aproximado de R$ 696
mil. As tabelas 1 e 2 projetam a renda adicional
para o rebanho, considerando-se, respectivamente,
o atual manejo sanitário utilizado
na propriedade (situação atual)
e um novo sistema de manejo sanitário
mais intensivo (situação proposta).
A projeção da renda de uma
exploração de bovinos de corte
envolve: (a) o aumento líquido do
número de cabeças no rebanho,
em função dos nascimentos
de bezerros e mortalidade dos animais; (b)
a mudança de categoria dos animais,
em função do crescimento e
engorda. Em análises econômicas
para a pecuária de corte, o critério
de se projetar a renda é preferível
às estimativas de receita, pois a
política de comercialização
das diferentes categorias animais é
muito variável entre as propriedades
de pecuária de corte.
No caso em estudo, as razões
que explicam o maior aumento de renda adicional
na situação proposta são:
(1) aumento da taxa de natalidade de 75%
para 85%; (2) redução da taxa
de mortalidade, de animais com até
1 ano, de 3% para 2,5%; e (3) redução
da taxa de mortalidade, de animais com mais
de 1 ano, de 1% para 0,7%. Nesse caso, não
foi considerado nenhum benefício
adicional pela melhoria no manejo sanitário,
em termos de ganho de peso das diferentes
categorias animais. Ressalta-se, porém,
que esse tipo de ganho poderia existir e,
se fosse o caso, se deveria considerar os
novos pesos para as diferentes categorias
animais. No caso considerado, o ganho adicional,
com a passagem da situação
atual para a situação proposta,
é estimado em R$ 13.797,25 por ano.
Do lado dos custos, a melhoria
no manejo sanitário compreende os
seguintes aumentos nos gastos anuais: (1)
vacinas e medicamentos, de R$ 3,28 para
R$ 5,83 por cabeça; (2) sal mineral,
de R$ 9,76 para R$ 12,20 por cabeça;
(3) mão-de-obra, serviços
e outros gastos: de R$ 3,67 para R$ 4,02
por cabeça. Dessa forma, o custo
adicional, com a passagem da situação
atual para a situação proposta,
é estimada em R$ 8.064,64 por ano.
No caso em estudo, o ganho
líquido adicional seria positivo
e estimado em R$ 5.732,62 por ano, tornando
viável a adoção da
situação proposta.
Alguns softwares, como
o aplicativo ATEPEC, por exemplo, possibilitam
ao usuário a simulação
de diferentes situações e,
conseqüentemente, a identificação
das variações nos resultados
em função de alterações
nos níveis dos custos e dos benefícios
adicionais. O aplicativo ATEPEC - Análise
Técnica e Econômica da Pecuária
de Corte1 foi o software utilizado nesse
estudo para a idealização
empírica das situações-problemas.
Tabela 1
Exemplo de quadro contendo a estimativa
para a evolução de um rebanho,
de acordo com a atual situação
de manejo sanitário utilizado na
propriedade.
| |
Rebanho
no ano-base |
Rebanho
no ano 1 |
| Categorias
do rebanho |
Número
de Animais |
Peso
Médio Animais (Kg PV) |
Valor
Rebanho (R$) |
Número de Animais |
Valor
Rebanho (R$) |
Renda
Adicional (R$) |
| Matrizes |
495 |
460 |
284.625,00 |
653 |
375.705,00 |
91.080,00 |
| Bezerras
até 1 ano |
176 |
160 |
35.200,00
|
186 |
37.125,00
|
1.925,00 |
| Bezerros
até 1 ano |
176
|
180 |
42.768,00
|
186
|
45.106,88 |
2.338,88 |
| Novilhas
de 1 a 2 anos |
169 |
290
|
61.262,50 |
171
|
61.886,00
|
623,50 |
| Garrotes
de 1 a 2 anos |
169 |
320 |
73.008,00 |
171
|
73.751,04
|
743,04 |
| Novilhas
de 2 a 3 anos |
165
|
410
|
84.562,50 |
167
|
85.746,38
|
1.183,88 |
| Bois
de 2 a 3 anos ou + |
165
|
450
|
100.237,50 |
331
|
215.209,91
|
114.972,41 |
| Touros
|
20
|
550
|
14.850,00
|
20
|
14.701,50 |
(148,50) |
| Total |
1.535 |
|
696.513,50 |
1.884 |
909.231,70 |
212.718,20 |
Fonte: Valores hipotéticos.
Tabela 2 Exemplo
de quadro contendo a estimativa para
a evolução de um rebanho,
de acordo com uma nova situação
de manejo sanitário para a propriedade. |
| |
Rebanho
no ano-base |
Rebanho
no ano 1 |
| Categorias do rebanho |
Número de
Animais |
Peso Médio
Animais (kg PV) |
Valor Rebanho (R$) |
Número
de Animais |
Valor Rebanho (R$) |
Renda Adicional
(R$) |
| Matrizes |
495
|
460 |
284.625,00 |
655
|
376.843,50
|
92.218,50 |
| Bezerras
até 1 ano |
176
|
160
|
35.200,00 |
210
|
42.075,00
|
6.875,00 |
| Bezerros
até 1 ano |
176
|
180
|
42.768,00 |
210 |
51.121,13 |
8.353,13 |
| Novilhas
de 1 a 2 anos |
169
|
290
|
61.262,50
|
172 |
62.205,00
|
942,50 |
| Garrotes
de 1 a 2 anos |
169 |
320 |
73.008,00
|
172 |
74.131,20
|
1.123,20 |
| Novilhas
de 2 a 3 anos |
165
|
410
|
84.562,50
|
168 |
86.006,21
|
1.443,71 |
| Bois
de 2 a 3 anos ou + |
165 |
450 |
100.237,50 |
332
|
215.862,06 |
115.624,56 |
| Touros
|
20
|
550
|
14.850,00
|
20 |
14.746,05
|
(103,95) |
| Total |
1.535
|
|
696.513,50
|
1.939 |
922.990,15 |
226.476,65 |
Fonte: valores hipotéticos
4.2. Reforma de pastagens
Normalmente, a intensificação
da reforma de pastagens proporciona um aumento
em sua capacidade de suporte (índice
de lotação) e/ou a melhoria
no nível de ganho de peso dos animais.
1 CANZIANI, J. R & DOSSA,
D. In: SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM
RURAL: Administração Regional
do Paraná. Avaliação
Técnica e Econômica da Bovinocultura
de Corte. Curitiba. 2000. 42 p.
A análise sobre a viabilidade
econômica da reforma intensiva de
pastagens deve considerar: (1) o investimento
líquido adicional necessário
para a intensificação do processo
de reforma das pastagens; (2) o investimento
líquido adicional necessário
para a aquisição do gado,
a fim de "preencher" a nova capacidade
de suporte das pastagens melhoradas; (3)
o aumento de despesas para a manutenção
do rebanho adicional (4) o aumento de despesas
devido melhorias no sistema de manutenção
das pastagens, por exemplo, com maiores
níveis de adubação
de manutenção; e (5) o aumento
na renda devido à melhoria nos níveis
de ganho de peso dos animais que compõem
o rebanho.
Com a técnica da avaliação
de projetos de fluxo incremental pode-se
identificar, por exemplo, qual é
o nível da taxa de juros (ou CMPC)
que torna viável a intensificação
da reforma de pastagens. A tabela 3 apresenta
os valores do fluxo incremental de caixa
para uma situação hipotética.
Nessa tabela, os resultados mostram, por
exemplo, que a Taxa de Retorno de Fischer
é de 18% ao ano. Isso significa que
o projeto de intensificação
de reforma de pastagens é viável
apenas em situações onde o
CMPC da empresa ou do projeto é inferior
a 18 % ao ano. Para taxas superiores a 18
% ao ano é preferível manter
o sistema atual de reforma de pastagens
da propriedade.
Da mesma forma, vale ressaltar
que o aplicativo ATEPEC possibilita, facilmente
ao usuário, a simulação
de diferentes situações e,
conseqüentemente, a identificação
das variações nos resultados
em função de alterações
nos valores dos investimentos, despesas
e receitas adicionais, considerados na avaliação
dos dois projetos mutuamente exclusivos.
4.3. Melhoria na alimentação
do rebanho
Normalmente a introdução
de melhorias na alimentação
de um rebanho bovino proporciona aumentos
de gastos com suplementos alimentares e,
também, aumentos na produtividade
do rebanho, via ampliação
nos índices de ganho de peso, com
conseqüente redução no
tempo de abate.
Tabela 3
Exemplo de quadro contendo valores de
um fluxo incremental de caixa para um projeto
de intensificação de reforma
de pastagens perenes.
| Ano |
Investimentos
adicionais |
Custos adicionais
|
Receitas adicionais
|
Fluxo Líquido |
| |
Pastagem
|
Rebanho |
Pastagens
|
Rebanho
|
Rebanho |
|
| Zero |
48.000,00 |
161.160,29 |
|
|
|
(209.160,29) |
| 1 |
|
|
26.150,00
|
4.597,07 |
75.311,24
|
44.564,17 |
| 2 |
|
|
26.150,00
|
4.597,07 |
75.311,24
|
44.564,17 |
| 3 |
|
|
26.150,00
|
4.597,07 |
75.311,24
|
44.564,17 |
| 4 |
|
|
26.150,00
|
4.597,07 |
75.311,24
|
44.564,17 |
| 5 |
|
161.160,29 |
26.150,00
|
4.597,07 |
75.311,24
|
205.724,46 |
| |
|
|
Taxa
de Retorno de Fischer |
18% |
| |
|
|
VPL
(8,75% ao ano) |
71.261,67 |
| |
|
|
VPLA
(8,75% ao ano) |
18.202,15 |
Fonte: valores hipotéticos
A Tabela 4 apresenta estimativas para
o tempo de recria e engorda de animais,
com peso vivo inicial de 100 kg e final
de 460 kg, segundo diferentes índices
de ganho de peso. Assim, considerando
um ganho médio diário
(GMD) de 250 gramas de peso vivo, o
tempo de recria e engorda do animal
seria de aproximadamente 48 meses, e
assim por diante. Tabela
4 Exemplo de quadro
com estimativas para o tempo de recria
e engorda de animais, submetidos a diferentes
sistemas de alimentação. |
| Projeto |
Peso
Inicial
(em kg PV) |
Ganho
de Peso
(kg PV/DIA) |
Peso
de Abate
(em kg PV) |
Tempo
de Recria
e Engorda (em meses) |
| A |
100
|
0,25
|
460
|
48 |
| B |
100
|
0,50 |
460
|
24 |
| C |
100
|
0,75 |
460
|
16 |
| D |
100
|
1,00 |
460
|
12 |
Fonte: Valores hipotéticos.
A Tabela 5, por sua vez, mostra que um animal
com maior ganho médio diário
de peso consome maior quantidade de matéria
seca por dia de alimentos e possui, por conseqüência,
um maior custo mensal de alimentação.
Da mesma forma, a Tabela 5 apresenta estimativas
de lucratividade para diferentes situações
de GMD, considerando que quanto maior o tempo
de abate menor o valor atual do animal comercializado.
Isso significa que o ponto de máxima
eficiência técnica nem sempre
coincide com o ponto de máxima eficiência
econômica. Ou seja, nem sempre o lucro
máximo ocorre no ponto de maior produtividade.
Da mesma forma
que nos estudos de casos anteriores, o aplicativo
ATEPEC possibilita, facilmente ao usuário,
a simulação de diferentes
situações e, conseqüentemente,
a identificação das variações
nos resultados econômicos dos projetos
alternativos, em função de
alterações nos valores da
taxa de juros (CMPC), do custo da alimentação
para os diferentes sistemas de produção
e dos preços de compra e venda dos
animais.
Tabela 5
Exemplo de quadro contendo valores comparativos
para o fluxo de caixa de vários projetos
alternativos para a alimentação
de animais.
| Custo
da Alimentação |
Custo do Animal |
Receita |
Margem |
| Projetos |
Total no Período |
Média Mensal |
Valor Atual |
Valor Atual |
Valor Futuro |
Valor Atual |
Valor Atual |
| A |
250,68
|
5,22 |
(222,38) |
(150,00)
|
598,00
|
470,68 |
98,31 |
| B |
222,00
|
9,25
|
(208,71) |
(150,00)
|
598,00
|
530,54 |
171,83 |
| |