| A
carne bovina é um alimento importante
na composição de uma dieta
equilibrada, nutritiva e saudável.
O consumo per capita, no Brasil,
situa-se ao redor de 40 kg ano. Esta quantidade
demonstra a importância da carne na
alimentação humana. Importante
no consumo interno, e também com
grande potencial de exportação,
para aqueles Países desenvolvidos,
onde a área, ou as condições
de produção, são restritas.
Porém, o Brasil não é
o único País nessas condições,
outros Países do primeiro mundo são
bons consumidores de carne bovina, e também
produtores, razão para a importância
que se dá à atividade de pecuária
de corte, onde esse agronegócio tem
um peso significativo na economia.
Em face da importância como alimento,
e do processo educacional dos consumidores,
que a cada dia se tornam mais esclarecidos
e exigentes, a demanda por produtos de qualidade
tem aumentado de forma extraordinária.
A preocupação com os aspectos
relacionados à saúde e ao
bem-estar das pessoas tem aumentado de forma
considerável. Essa demanda acontece
tanto pelos atributos intrínsecos
de qualidade como maciez, sabor, quantidade
de gordura, como também pelas características
de ordem ou natureza voltadas para as formas
de produção, utilização
do meio ambiente, processamento, comercialização,
etc.
Quanto ao aspecto nutricional, foi-se o
tempo em que era inquestionável o
aspecto de que a carne era um bom alimento,
e que quanto mais, melhor. No decorrer dos
últimos anos tem aumentado sensivelmente
o foco sobre o aspecto saudável do
alimento.
As questões relacionadas à
segurança: contaminação
por patógenos, pesticidas e agentes
biológicos, o uso de antibióticos
e/ou hormônios e a possível
presença da encefalopatia espongiforme
bovina (BSE ou mais comumente "vaca
louca") são as que mais preocupam
os consumidores. Esse medo do consumidor,
por questões reais ou imaginárias,
tem aberto espaços para produtos
denominados naturais ou orgânicos,
e que são obtidos sem a utilização
de produtos impróprios ou considerados
nocivos à saúde. Segurança
tornou-se um assunto de vital importância
para os consumidores.
Outro assunto polêmico, que tem atraído
a atenção do consumidor, é
a utilização de organismos
geneticamente modificados, também
conhecidos como transgênicos, e que,
a nosso ver, a princípio vem despertando
um certo receio na população,
com os avanços da engenharia genética
e o domínio das informações
do genoma, passarão a ser vistos
de forma mais amigável e, finalmente,
aceitos pela sociedade, em virtude dos benefícios
que os mesmos possuem.
O uso incorreto de tecnologias
Todo estresse imposto ao animal na fase
antemorte, irá desencadear reações,
que irão interferir diretamente na
qualidade da carne. O melhor animal, produzido
da melhor forma possível, se não
forem tomados os cuidados devidos por ocasião
do abate, poderá apresentar uma carne
da pior qualidade. Esses cuidados devem
ser tomados desde o preparo dos animais
na fazenda para envio ao frigorífico,
até o momento do atordoamento já
dentro da sala de matança.
Após o sacrifício do animal,
vários são os pontos em que,
se não forem tomadas as medidas apropriadas,
o dano causado à qualidade da carne
é irreversível. Contaminações
por agentes de ordem física ou química,
mas principalmente aqueles de origem biológica,
durante o abate, resfriamento da carcaça,
processamento, transporte e comercialização,
têm de ser evitados ao máximo.
A utilização correta do frio
durante todas as fases, desde o resfriamento
da carcaça até a comercialização,
incluindo ainda a fase anterior ao consumo,
quando o produto já se encontra em
poder do consumidor, pois a cadeia de frio
é de extrema importância na
manutenção da qualidade, tem
de ser enfatizada ao extremo.
Outro problema que tem aumentado e ocasionado
grandes prejuízos econômicos
e à imagem do produto, é a
presença de reações
a vacinas e a medicamentos. Desenvolvidas
para garantir a saúde dos animais,
e indiretamente do ser humano, as vacinas
e medicamentos, se utilizados de forma adequada,
são uma garantia para o pecuarista
de que está enviando para consumo
um produto dentro dos padrões. Quando
utilizadas de forma imprópria, podem
representar um problema a mais. As lesões
causadas pela aplicação indevida
de vacinas e medicamentos, além de
acarretar um sério problema de qualidade
na carne bovina, também apresentam
os custos de mão de obra, necessária
para realizar as aparas da região
afetada, e o custo da perda de tecidos (carne).
Numa pesquisa denominada National Beef
Quality Audit, conduzida pela National Cattlemen's
Association em conjunto com a Colorado State
University e a Texas A&M University,
nos Estados Unidos, em que foram ouvidos
os vários segmentos envolvidos na
cadeia da carne bovina, as preocupações
principais com relação ao
produto foram:
1. Excesso de gordura de cobertura;
2. Alta incidência de lesões
causadas por aplicações incorretas;
3. Exagero no tamanho da área do
contrafilé;
4. Excesso de gordura intermuscular e pouca
uniformidade do produto.
Na mesma linha de trabalho foi proposto
um projeto denominado de Strategic Alliances
Field Studies, com o objetivo de averiguar
os problemas identificados na National Beef
Quality Audit, e encontrar soluções
para os mesmos. O estudo demonstrou que
trabalhando unidos, todos os setores, é
possível melhorar a qualidade, a
consistência e a competitividade da
carne bovina. Mais ainda, a "chave
para o sucesso", segundo os resultados
do estudo, reside na comunicação
e nas trocas de informações
entre todos os segmentos da cadeia produtiva.
Ações
Na obtenção de um produto
que atenda as exigências do consumidor,
principalmente no quesito qualidade, o manejo
dispensado aos animais e a utilização
de tecnologias apropriadas destinadas a
melhoria do produto têm de ser conduzidos
corretamente e da melhor forma possível.
A fim de aprimorar o trabalho e garantir
a qualidade, evitando a utilização
de técnica imprópria ou forma
incorreta de aplicação da
tecnologia, é extremamente importante
a capacitação e o continuo
treinamento do pessoal envolvido nessas
tarefas.
A educação do consumidor,
com informações gerais sobre
a pecuária de corte nacional, a importância
da carne na alimentação, as
formas de conservação e preparo
da carnes, enfim, esclarecendo a população
sobre o produto carne bovina, é outro
ponto que necessita ser abordado com urgência.
Algumas tendências do consumidor
como: demanda por menor quantidade de gordura
aparente (ou presente) na carne, e que tem
levado a uma diminuição do
consumo de carne vermelha, é um assunto
que necessita ser encarado de forma adequada,
ou a imagem do produto carne e seu consumo
poderão sofrer prejuízos ainda
maiores.
Deve-se realizar uma grande campanha mercadológica,
tanto de abragência nacional como
internacional, mostrando como é o
gado de corte produzido no Brasil e as vantagens
da carne bovina brasileira. O momento atual
é propício para uma grande
ação unindo os esforços
de todos os segmentos envolvidos, ou seja,
pecuaristas, frigoríficos, atacadistas
e varejistas.
Finalizando
De forma análoga à de qualquer
outro produto, o responsável pelo
mau funcionamento, por falha na expectativa
ou por qualquer prejuízo que venha
a causar ao consumidor, é, em última
instância, o efetivo causador da má
qualidade. No caso da carne bovina, esse
responsável é o pecuarista.
Os programas de controle de qualidade estão
aí, e devem ser uma ferramenta, na
tarefa de auxiliar os pecuaristas, na obtenção
de um produto dentro das conformidades,
e que atenda plenamente os anseios dos consumidores.
O agronegócio da carne bovina apresenta
grandes desafios. O aumento na preocupação
com a segurança do alimento; a busca
por novos meios de comercialização
tais como: alianças, associações
e cadeias de suprimentos; mudanças
na forma de atuação do setor
varejista e no comércio de alimentos
perecíveis; práticas adequadas
de comercialização e maior
competitividade; aumento na demanda por
produtos de valor adicionado; aumento na
preocupação da sociedade com
relação à poluição
ambiental; necessidade de mais inovações
e aumento na produtividade, e o lançamento
de novos tipos de produtos, mais convenientes,
práticos, amigáveis, consistentes
em tamanho e outros atributos qualitativos,
é que irão assegurar a preferência
do consumidor pela carne bovina em relação
às carnes de outras espécies.
Os últimos acontecimentos envolvendo
a pecuária de corte na União
Européia só podem ajudar àqueles
que acreditarem e se dispuserem a trabalhar,
investir e mudar. Com certeza os resultados
serão dos mais compensadores.
Referências Bibliográficas
Strategic Alliances Field Studies. Executive
Summary. 1993. National Beef Quality Audit.
Executive Summary. 1992.
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