USO TERAPÊUTICO DA TERRAMICINA/LA CONTRA ANAPLASMOSE AGUDA EM BOVINOS: RESULTADOS BRASIL

 


Dalmo Fernandes / Div. Saúde Animal, Pfizer Brasil / Gerente Técnico Produtos Antibacterianos.


INTRODUÇÃO
A anaplasmose é uma doença parasitária infecciosa que acomete bovinos, ovinos e caprinos, causada pela rickttesia Anaplasma marginale, que parasita os glóbulos vemelhos destas espécies. Em ovinos e caprinos sua manisfetação é subclínica. No entanto, sua ocorrência na forma clínica em bovinos possui grande importância econômica por atraso no desenvolvimento e, não raramente, morte dos animais, tanto em rebanhos puros quanto em mestiços europeus (CEPANZO, 1976). Sua transmissão pode ser feita por carrapatos, moscas hemotófagas e agulhas contaminadas. Os principais sinais clínicos da anaplasmose em bovinos são: debilidade, febre, anemia e icterícia. Esta doença, que normalmente caracteriza a segunda etapa da Tristeza Parasitária Bovina, não raro pode manisfestar-se independentemente da babesiose. Mesmo quando a manifestação da anaplasmose não ocorre secundariamente à babesiose, ainda é denominada como Tristeza. Em regiões endêmicas, os bovinos em regime de campo se infectam quando ainda bem jovens, quando adquirem relativa resistência, e daí por diante recebem sucessivas reinfecções ao longo de suas vidas, mantendo um nível aceitável de premunição. Entretanto,existem situações sazonais e/ou epidemiológicas que predispõem a ocorrência de surtos de anaplasmose aguda nos rebanhos. Bezerros que nascem em áreas livres de carrapatos e posteriormente são transferidos para regiões infestadas, ou regiões em que ocorram pico de nascimento de bezerros durante longo período de estiagem e/ou frio quando a disponibilidade de larvas na pastagem é baixa ou ausente, e após alguns meses recebem alta carga de carrapato com início das chuvas, são alguns exemplos de situações que podem levar à doença. No primeiro caso, deve-se estabelecer uma quarentena, onde os animais serão induzidos à infecção seguida de tratamento com Terramicina/LA, desenvolvendo assim a imunidade. Este processo denomina-se premunição, que futuramente será discutido em capítulo especial. No segundo caso, os animais não possuem imunidade contra o parasito e necessitam de tratamento terapêutico .O objetivo deste trabalho foi demosntrar nacionalmente a eficácia de Terramicina /LA na dosagem de 20 mh/kg no controle de casos de anaplasmose aguda ocorridas naturalmente em bovinos a campo.

PROCEDIMENTOS
O estudo foi realizado em fazendas em todas regiões do Brasil. Os casos de anaplasmose foram diagnosticados clinicamente, por esfregaços sangüíneos, e na maioria dos casos por micro-hematócrito. Os animal positivos foram tratados com dose única de Terramicina/LA na dosagem de 20mg/kg por via intra-muscular. Ficou a critério do médico veterinário a aplicação de 2 ou 3 doses, de acordo com as análises da parasitemia e o hematócrito em cada caso.

MATERIAL E MÉTODOS
Total de animais tratados: 227
Peso médio: 270 kg
Idade média: 16 meses
Raças: Holandês, Girolanda, Marchigiana, Pardo Suíço, Charolês, e cruzados em Nelore, Devon e Simenthal.

Os testes de campo foram realizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul do Brasil, conforme apresentado na Tabela 1.

Tab. 1: Distribuição geográfica dos testes de eficácia de Terraminica/LA contra anaplasmose aguda em bovinos.

REGIÃO ESTADO(S) MUNICÍPIO(S)
     
SUDESTE São Paulo, Minas Gerais S.J. do Rio Preto, Pedrinhas Paulista, Herculândia, Santa Rita do Sapucaí
CENTRO-OESTE Mato Grosso, Mato Grosso do Sul Rondonópolis, Terenos, Campo Grande
NORDESTE Pernambuco, Maranhão, Bahia Belo Jardim, Boquimão, Feira de Santana
SUL Paraná Clevelândia, Cambé

RESULTADOS
Ocorrência e incidência de casos de anaplasmose aguda nas diferentes raças bovinas criadas no Brasil

A doença ocorreu em todas as regiões do Brasil, afetando algumas das principais raças bovinas criadas no País, tais como: Holandês, Marchigiana, Girolanda, Pardo Suíço, Charolês e cruzados de Nelore, Devon e Simenthal. A incidência foi maior em rebanhos da raça holandesa.

Fig.1: Incidência por raça de casos de anaplasmose aguda em bovinos, nas diversas regiões do Brasil.


A eficácia clínica da Terramicina/LA foi determinada observando-se os seguintes aspectos:
• redução à temperatura normal (37,5ºC a39,5ºC);
• recuperação do hematócrito aos níveis normais 27,5% a 31,6% (nos casos em que foi possível a realização do exame );
• desaparecimento dos sistomas como icterícia, debilidade e anorexia.

Cura clínica
A eliminação da febre (pela redução da temperatura) e o desaparecimento da anemia (pela recuperação do hematócrito) proporcionaram 97% de cura clínica com uso de Terramicina/LA contra anaplasmose aguda em bovinos, como mostrado na figura 4.


* Mortalidade em casos da associação com Babesia sp em animais mais velhos, onde os efeitos da anaplasmose é masi severos



DISCUSSÃO
A anaplasmose é primariamente uma doença anemiante cuja gravidade depende do número de hemácias parasitadas. O aparecimento do parasito no sangue coincide com a diminuição do hematócrito, do número de hemácias circulantes e também com aparecimento de eritrócitos imaturos nos esfregaços sanguíneos, além de febre. A temperatura aumenta vagarosamente, e raramente vai além de 40,5ºC. A partir daí pode permanecer elevada ou alternar fases de pico e temperatura normal. Esta fase pode se estender por até 2 semanas. Neste estudo a eficácia de Terramicina /LA contra anaplasmose aguda foi demonstrada pela interrupção do curso normal da doença. Na figura 2 pode-se observar a queda contínua da temperatura durante duas semanas (14 dias) após o tratamento, sem oscilações ou picos febris, o que caracterizaria a evolução normal da doença. A diminuição do hematócrito foi drástica: em alguns animais, chegou a 14% (50% abaixo do valor normal). Normalmente a mortalidade sobrevém nesta fase. A recuperação do hematócrito demostrado na Figura 3 indica que a evolução do ciclo do parasito foi interrompida, determinando o desaparecimento da sintomatologia clínica da doença .Em 17% dos casos foram aplicadas duas doses de Terramicina/LA. Foram casos em que ocorreram queda no hematócrito após a primeira dose, como demostrado na Figura 3. Este fenômeno tem sido observado em vários trabalhos envolvendo o tratamento da anaplasmose aguda, inclusive durante processos de premunição. Sabe-se que os animais respondem de forma individual a parasitemia. É fato que, em muitos casos, ocorre um aumento da parasitemia imediatamente após a primeira aplicação de Terramicina /LA, que por sua vez determina a queda no hematócrito. Especula-se que este fato talvez se deva ao mecanismo de ação da oxitetraciclina, que impede a combinação das frações ribossômicas responsáveis pela multiplicação do Anaplasma, mas, sob algumas circunstâncias, o DNA do parasito, que já recebeu o código genético para replicação, na fração de tempo imediatamente anterior à ação do produto, não será atingido por ele nesta fase. Neste caso, o parasito conseguirá se replicar e formar mais uma geração, que só então será atingida. A formação de uma geração a mais representa muito no aumento da parasitemia, pois cada Anaplasma ao romper uma hemácia se multiplica em 8, e invadem oito novas hemácias, e assim por diante. A progressão da parasitemia é geométrica. Em estudos que acompanhamos, pudemos constatar que casos de aumento da parasitemia e queda no hematócrito após a primeira dose, em 3 a 5 dias responderam ao tratamento sem necessidade da segunda aplicação, sugerindo que, neste estudo, muitos dos casos tratados com duas doses, poderiam apresentar o mesmo sucesso clínico com dose única. Podemos assim, destacar a excepcional performance de Terramicina/LA, no tratamento dos casos anaplasmose aguda em bovinos a campo, apresentando eficácia clínica de 97 %, sendo 77% dos casos resolvidos com aplicação de única dose. O controle de anaplasmose em áreas ezoóticas deve envolver o controle do carrapato, de moscas sugadoras e a prevenção da transmissão mecânica por contaminação de agulhas ou instrumentais cirúrgicos. A introdução em áreas enzoóticas de animais provenientes de áreas livres de carrapato, deve ser precedida pelo processo de premunição, e o tratamento tanto dos casos agudos quanto nos animais em premunição, deve ser feito com Terraminica/LA, a primeira a demonstrar nacionalmente sua eficácia clínica contra anaplasmose aguda ocorrida naturalmente em bovinos a campo.


RESUMO

Foram realizados experimentos com abrangência nacional, sob as mais variadadas condições de clima e manejo, envolvendo 227 bovinos, para demonstrar a eficácia de Terramicina/LA contra casos de anaplasmose aguda ocorridas naturalmente à campo. A cura clínica foi deteminada pela recuperação do nível de hematócrito e redução da temperatura durante 14 dias pós-tratamento. A eficácia clínica de Terramincia/LA foi de 97%, sendo 77% dos casos curados com aplicação de dose única.

BIBLIOGRAFIA
CEPANZO (Centro Panamericano de Zoonoses). Diagnóstico da situação sanitária na subárea de São Gonçalo do Sapucaí-MG. In: CURSO DE PLANIFICACION EN SALUD ANIMAL, 6, Buenos Aires, 1976. Relatório dos Participantes.
SALCEDO, J. H.P. & RIBEIRO, M.F.B. Controle de Anaplasmose e Babesioses. Universidade Federal de Viçosa, 11p. 1982.


IMPACTO DE IBR E DE BVD SOBRE A EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM GADO DE CORTE
REAÇÃO CLÍNICA DE BEZERROS SOB DESAFIO DIRETO AO VÍRUS DA IBR E BVD: COMPARAÇÃO DE DUAS VACINAS E CONTROLE NEGATIVO.*
SEGURANÇA DA VACINA CATTLEMASTER 4 PRODUZIDA COM A CEPA RLB 106 DO VÍRUS HVB-1, VIVO TERMOSSENSÍVEL MODIFICADO QUIMICAMENTE, EM VACAS E/OU NOVILHAS PRENHES EM CONDIÇÕES DE CAMPO NO BRASIL*
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS TRABALHOS DE EFICÁCIA E SEGURANÇA DA CEPA RLB 106 Termossensível (TS) do Herpes vírus bovino tipo I (Rinotraqueíte infecciosa bovina - IBR) em vacinas comerciais.
EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DA CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA
ÍNDICES REPRODUTIVOS EM GADO DE CORTE
AVALIAÇÃO DA RESPOSTA DE ANTITOXINAS BETA E ÉPSILON DE CLOSTRIDIUM PERFRINGENS INDUZIDAS EM BOVINOS E COELHOS POR SEIS VACINAS COMERCIAIS NO BRASIL
LEVANTAMENTO DA INCIDÊNCIA DE REAÇÕES VACINAIS E/OU MEDICAMENTOSAS EM CARCAÇAS DE BOVINOS DESOSSA EM FRIGORÍFICOS NO BRASIL
EFICÁCIA DO CLORIDRATO DE OXITETRACICLINA DE LONGA AÇÃO NO TRATAMENTO NA ANAPLASMOSE EM BOVINOS SUBMETIDOS A PREMUNIÇÃO.
REAÇÕES VACINAIS EM BOVINOS: REAÇÕES NOS LOCAIS DE APLICAÇÃO DE VACINAS CONTRA CLOSTRIDIOSES
CONTROLE DA DIARRÉIA NEONATAL DE BEZERROS POR MEIO DA VACINAÇÃO DAS VACAS PRENHES COM SCOURGUARD 3 (K)/C E TRANSFERÊNCIA DE ANTICORPOS AOS RECÉM-NASCIDOS POR MEIO DO COLOSTRO
AVALIAÇÃO TÉCNICA E ECONÔMICA DA PECUÁRIA DE CORTE
DIAGNÓSTICO DE CLOSTRIDIOSES E CONTROLE DE QUALIDADE DAS VACINAS
PRODUÇÃO DE CARNE BOVINA DE ALTA QUALIDADE
USO TERAPÊUTICO DA TERRAMICINA/LA CONTRA ANAPLASMOSE AGUDA EM BOVINOS: RESULTADOS BRASIL
     
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