| A viabilidade
da produção pecuária está
diretamente ligada aos índices reprodutivos
do rebanho. No Brasil, uma análise histórica
dos índices reprodutivos mostra que não
houve um incremento nestes índices nas últimas
décadas (Neves et al., 1999). Com isto, apesar
do aumento do número de bovinos no País,
não houve um aumento de produtividade dos
plantéis. Um dos índices reprodutivos
que mais interferem com a produção
pecuária é o intervalo entre partos.
Um aumento no intervalo entre partos reflete na
pecuária de corte em um menor número
de bezerros no período e, na pecuária
leiteira, em uma menor produção de
leite (Neves et al., 1999; Ferreira & Teixeira,
2000).
Os principais fatores responsáveis pelos
baixos índices produtivos e reprodutivos
dos rebanhos brasileiros são as deficiências
nutricionais e as doenças infecciosas (Moreira,
1974; Leite, 2000; Lage, 2000). Enquanto muito
se tem feito em relação a maior
produtividade de pastagens, melhor suplementação
e mineralização dos animais e implantação
de formas de produção que minimizem
ou eliminem as carências nutricionais, pouco
tem sido feito em relação às
doenças infeciosas que interferem com a
reprodução de bovinos, sendo algumas
consideradas de pouca importância no País
devido a ausência de dados sobre elas.
Uma desta doenças é a Campilobacteriose
Genital Bovina, uma doença venérea
dos bovinos causada pelo C. fetus subsp.
venerealis e que interfere negativamente no
intervalo entre partos.
A principal característica da Campilobacteriose
Genital Bovina é a repetição
de cios a intervalos aumentados e irregulares,
em geral maiores que 35 dias (Leite, 1977; Dekeyser,
1984). Outra característica menos freqüente,
observada em vacas infectadas, é o aborto
em torno do quarto mês de gestação
(Stoessel, 1982). Além disto, a Campilobacteriose
Genital Bovina pode levar a endometrite, cervicite,
salpingite e até mesmo infertilidade temporária
ou permanente em algumas vacas (Ware, 1980; Stoessel,
1982; Lage & Leite, 2000).
Em touros a infecção é assintomática.
O C. fetus subsp. venerealis infecta
as criptas prepuciais, mas não causa reação
do hospedeiro à sua presença (Eaglesome
& Garcia, 1992).
A Campilobacteriose Genital Bovina é uma
doença de apresentação geralmente
subclínica e pouco perceptível no
rebanho, principalmente se não há
um bom controle zootécnico, pois muitas
vezes as repetições de cio não
são observadas, e quando se suspeita da
doença no rebanho as perdas já são
grandes (Newsam, 1960; Lage, 2000; Pellegrin,
2001). Devido a isto, a Campilobacteriose Genital
Bovina é uma doença que rouba silenciosa
e lentamente os lucros da exploração
pecuária.
Além das repetições de cio
e abortos, em rebanhos onde não há
estação de monta bem definida, as
principais observações relativas a
Campilobacteriose Genital Bovina são a idade
à primeira cria tardia e longos intervalos
entre partos (Stoessel, 1992; Lage, 2000). Em rebanhos
com estação de monta definida, observa-se
grande número de fêmeas vazias ao final
da estação de monta, principalmente
novilhas, e uma estação de parição
esparsa, sem concentração de nascimentos
(Stoessel, 1982).
Apesar do encontro destas alterações
nos índices zootécnicos suigerir
a presença da Campilobacteriose Genital
Bovina em um rebanho, o diagnóstico definitivo
da doença deve ser laboratorial, pois a
Tricomonose Bovina, uma outra doença de
transmissão venérea, também
pode levar a alterações reprodutivas
e a presença de baixos índices reprodutivos
semelhantes (Pellegrin et al, 1998).
Geralmente o diagnóstico é realizado
no touro, pois a maioria das técnicas foram
padronizadas para serem realizadas em esmegma
ou lavado prepucial. Além disto, os touros
apresentam seu número reduzido em relação
ao de fêmeas do rebanho e cobrem grande
número de fêmeas, diminuindo os custos
do diagnóstico da Campilobacteriose Genital
Bovina no rebanho (Lage & Leite, 2000).
As principais técnicas utilizadas para
o diagnóstico da Campilobacteriose Genital
Bovina são o isolamento e identificação
e a imunofluorescência direta (Stoessel,
1982). Para que ambos possam trazer resultados
satisfatórios, é necessário
que a coleta e o transporte de material sejam
adequados. Para o isolamento e identificação
o esmegma pode ser coletado com pipeta de inseminação
ou zaragatoa (Stoessel, 1982). O material coletado
deve ser enviado sob refrigeração
imediatamente ao laboratório, chegando
ao laboratório no prazo máximo de
4 horas, ou ser colocado em meio de transporte
para Campylobacter, enviado à temperatura
ambiente, que deve estar no laboratório
no máximo em 48 horas (Genovez et al.,
1989; Lander, 1990). O isolamento e identificação
possui a vantagem de realmente identificar o agente
causador do problema. Entretanto, possui a desvantagem
de requerer que o C. fetus subsp. venerealis
esteja viável no material. A presença
maciça de contaminantes da flora normal
do prepúcio pode dificultar ou impedir
a identificação do C. fetus
subsp. venerealis no material.
A imunofluorescência direta é realizada
em esmegma ou lavado prepucial, que deve ser enviado
sob refrigeração ao laboratório
(Mellick et al., 1965; Winter et al., 1967; Lage
& Leite, 2000). Possui a grande vantagem de
não ser tão rígida em relação
ao tempo decorrido entre a coleta e o processamento
laboratorial do material, podendo este ser realizado
alguns dias após a coleta, desde que o
material seja bem acondicionado. Isto facilita
o diagnóstico da Campilobacteriose Genital
Bovina em áreas de difícil acesso
e distantes dos centros de diagnóstico.
Possui a desvantagem de não diferenciar
amostras de C. fetus subsp. venerealis,
que são todas do sorogrupo A, das amostras
de C. fetus subsp. fetus do sorogrupo
A, que podem causar aborto esporádico em
bovinos (Figueiredo, 2001). A imunofluorescência
direta é sensível e específica
para o diagnóstico da Campilobacteriose
Genital Bovina, podendo detectar até 3,2
x 102 bactérias por mililitro de lavado
prepucial, mostrando resultados semelhantes aos
do isolamento e identificação (Figueiredo,
2001).
Em fêmeas, o diagnóstico da Campilobacteriose
Genital Bovina pode ser realizado pelo isolamento
e identificação, pela imunofluorescência
direta e pela aglutinação de muco
cérvico-vaginal (Stoessel, 1982).
Epidemiologia da Campilobacteriose Genital
Bovina
A entrada da Campilobacteriose Genital Bovina
em um rebanho quase sempre ocorre pela aquisição
e introdução de animais infectados,
geralmente touros. A infecção se
difunde rapidamente, permanecendo em geral inaparente
no início, pela falta de controle zootécnico
dos rebanhos.
A transmissão da Campilobacteriose Genital
Bovina é venérea; o touro infectado
transmite o C. fetus subsp. venerealis
às fêmeas susceptíveis, e
vice-versa, durante o coito (Dekeyser, 1984).
Além da transmissão venérea,
a doença pode ser transmitida por sêmen
contaminado; entretanto, no Brasil, os touros
doadores de sêmen devem ser livres da infecção
pelo C. fetus subsp. venerealis
(Normas..., 1996). Há também relatos
de transmissão do C. fetus subsp.
venerealis de forma mecânica, pela
atividade homossexual de touros confinados em
alta densidade (Dekeyser, 1984).
A relação tourovaca também
é importante na difusão da Campilobacteriose
Genital Bovina no rebanho. Observa-se que em rebanhos
onde a doença está presente a relação
tourovaca é maior, 1 touro para cada
12 a 15 vacas, quando o ideal seria em torno de
1 touro para cada 40 vacas (Stoessel, 1982; Sereno
et al., 1998a; Sereno et al., 1998b; Pellegrin,
2001). Este aumento da relação tourovaca
é relativo, pois como cada fêmea
pode repetir o cio por até seis vezes,
estes touros têm de realizar um número
muito maior de coberturas. Em função
deste maior número de touros e do aumento
de freqüência de coberturas, há
uma maior disseminação da doença
dentro de um rebanho (Ávila et al., 1991).
Outro ponto importante na epidemiologia da Campilobacteriose
Genital Bovina que geralmente não é
levado em consideração na avaliação
do histórico do problema reprodutivo do
rebanho e, conseqüentemente, na suspeita
e diagnóstico da doença, é
a presença de touros de repasse. Os touros
de repasse, animais utilizados para a cobertura
das fêmeas que não se tornaram gestantes
após duas ou três inseminações,
podem ser infectados e manter a infecção
em rebanhos que utilizam a inseminação
artificial (Reinato et al., 1998). A manutenção
dos touros de repasse, além de ser prejudicial
do ponto de vista sanitário, também
é ruim do ponto de vista econômico,
pois pode superar o preço de cinco doses
de sêmen (Ferraz, 1996).
Devido ao fato de que o touro ser portador assintomático
do C. fetus subsp. venerealis, existe
um grande risco de transmissão da Campilobacteriose
Genital Bovina onde há um compartilhamento
de touros entre os rebanhos, como é freqüente
em algumas regiões com grande número
de pequenas propriedades. A presença de
touros velhos em atividade é outro fator
de risco para a difusão da Campilobacteriose
Genital Bovina em um rebanho (Phillpot, 1968;
Clark, 1971; Soto & Dick, 1983). Os touros
mais velhos, por possuírem maior número
de criptas prepuciais mais profundas, propiciam
condições ideais para a manutenção
do C. fetus subsp. venerealis no
prepúcio. Nas condições de
criação do Pantanal Mato-grossense,
não houve diferença na freqüência
de infecção entre os touros ditos
jovens e os touros velhos (Pellegrin et al., 1998,
Pellegrin, 2001), como observado em outros países
(Phillpot, 1968; Clark, 1971; Soto & Dick,
1983), pois os animais, quando entram em reprodução
na região, já possuem mais de 34
anos de idade e já possuem as criptas prepuciais
desenvolvidas. Isto, associado à dominância
dos touros velhos sobre o jovens (Barling et al.,
1997) e ao longo período de utilização
dos touros em diversas regiões do País,
propicia condições favoráveis
à manutenção da Campilobacteriose
Genital Bovina nas condições de
criação de bovinos brasileiras.
A presença de fêmeas portadoras
do C. fetus subsp. venerealis também
contribui para a manutenção da doença
em um rebanho. A maioria das fêmeas consegue
eliminar a infecção após
três cios sem cobertura (Stoessel, 1982;
Dekeyser, 1984). Entretanto, algumas fêmeas,
por deficiência da resposta imune ou por
variação antigênica da amostra
infectante, não conseguem eliminar o agente
da vagina, tornando-se portadoras e disseminadoras
do C. fetus subsp. venerealis (Garcia
& Brooks, 1993; Cippola et al., 1994). Uma
baixa percentagem de vacas pode mesmo levar a
gestação a termo, mantendo o C.
fetus subsp. venerealis na vagina (Stoessel,
1982).
Apesar de ser relatada em vários países,
devido às suas características,
a Campilobacteriose Genital Bovina é uma
doença de grande importância econômica
em áreas de produção de bovinos
com grandes rebanhos e onde o manejo reprodutivo
é essencialmente pela monta natural, como
os encontrados na Argentina, na Austrália
e no Brasil.
Na Argentina, a Campilobacteriose Genital Bovina
apresenta-se bem distribuída, com índices
de rebanhos positivos que variam de 21% a 43%
e de touros portadores do C. fetus subsp.
venerealis variando entre 15% e 23% (Vilar
& Spina, 1982; Cipolla et al., 1984; Soto
e Di Roco, 1984). Na Austrália, em algumas
regiões há uma freqüência
de 23% de touros infectados, e a doença
causa grandes perdas anuais, considerando-se que
exista uma média de 60% de taxa de retorno
ao cio e que apenas 35% das novilhas cobertas
ficam prenhes (McCool et al. 1988).
No Brasil, o primeiro diagnóstico da doença
foi feito por D'Ápice (1956), no Estado
de São Paulo, em 1956. Desde então,
a doença tem sido relatada em vários
Estados do País, com freqüências
que variam de 3,5% a 66,9% (Figura 1).
Tabela 1
Estudos de freqüência de Campilobacteriose
Genital Bovina no Brasil de 1956 a 2001.
| Ano
|
Estado
|
Autores
|
Técnica
|
Índice
(%) |
| 1956
|
SP |
D'Ápice
|
Isolamento |
1o
isolamento |
| 1959
|
RJ
|
Guida
et al. |
Muco-aglutinação |
3,5 |
| 1960
|
RS |
Mies Filho |
Muco-aglutinação
|
27,0
|
| 1967
|
SP
|
Castro
et al. |
Muco-aglutinação
|
8,2 |
| 1971
|
PR,
RS, MG |
Castro
et al. |
Muco-aglutinação
|
8,0 |
| 1976 |
BA |
Costa
|
Muco-aglutinação
|
66,9 |
| 1977
|
MG
|
Leite
|
IFD1
|
28,9 |
| 1978
|
RJ
|
Ramos
e Guida |
Muco-aglutinação
|
12,0 |
| 1986
|
SP
|
Genovez
et al. |
Isolamento |
23,9 |
| 1997
|
MG
|
Lage
et a.l |
IFD
|
27,9 |
| 1999
|
MG
|
Jesus
et al. |
Muco-aglutinação
|
46,9 |
| 1999
|
RJ
|
Jesus
et al. |
Muco-aglutinação
|
22,3 |
| 1999
|
MG
|
Jesus
et al. |
Isolamento
|
16,7 |
| 1999
|
RJ
|
Jesus
et al. |
Isolamento
|
42,3 |
| 2001
|
MS |
Pellegrin |
IFD
|
52,3 |
| 2001
|
BA,
GO, MA, MG, MS,
MT , PA, PR, RO, RS, SP, TO |
Lage
et al. |
IFD
|
18,8 |
| 1
- IFD - imunofluorescência direta. |
Nos últimos anos a freqüência
de infecção pelo C. fetus
subsp. venerealis em touros no Brasil foi
estudada por Genovez et al. (1986) no Estado de
São Paulo, por Jesus et al. (1997) no Estado
do Rio de Janeiro, e por Lage et al, (1997) no
Estado de Minas Gerais , e encontraram índices
de animais infectados de 23,9%, 42,3% e 27,92%.
Na sub-região da Nhecolândia
do Pantanal Mato-grossense, umas das maiores áreas
de cria do País (Cavidad-Garcia, 1986),
foi encontrada um prevalência de 52,3% (IC
95%: 42,6% a 62,0%) de touros infectados pelo
C. fetus (Pellegrin, 2001). A prevalência
de propriedades com animais infectados foi de
89,5%, mostrando que a Campilobacteriose Genital
Bovina está amplamente disseminada nos
rebanhos da região. Estas altas taxas de
infecção podem ser um dos fatores
importantes na baixa eficiência reprodutiva
(Cavidad-Garcia, 1986) e, conseqüentemente,
produtiva dos rebanhos do Pantanal Mato-grossense.
Recentemente, a prevalência
da infecção de touros de rebanhos
de corte com mais de 1.500 animais foi determinada
nos Estados que possuem a maior população
de bovinos de corte do País (Lage et al.,
2001). Foram amostrados dez touros ao acaso de
dez rebanhos com mais de 1.000 fêmeas nos
Estados da Bahia, Goiás, Maranhão,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Pará, Paraná, Rio Grande do Sul,
Rondônia, São Paulo e Tocantins.
No total foram amostradas 120 propriedades e 1.200
touros. Dos 1.191 animais testados, 224 foram
positivos para a imunofluorescência direta,
resultando em uma prevalência de 18,8% (IC
95%: 14,7% a 22,9%). Em todos os Estados amostrados
foram encontrados propriedades com animais reagentes,
exceto no Estado da Bahia, onde todas as dez propriedades
amostradas eram livres da Campilobacteriose Genital
Bovina. A prevalência encontrada e a observação
que a infecção pelo C. fetus
subsp. venerealis está disseminada
na grande maioria dos Estados produtores de bovinos
de corte no País, indicam que a medidas
de controle devem ser tomadas para reduzir os
prejuízos que a Campilobacteriose Genital
Bovina causa à pecuária de corte
no País.
Controle da Campilobacteriose Genital Bovina
As principais formas de controle
da Campilobacteriose Genital Bovina são
a utilização da inseminação
artificial, a segregação dos animais
jovens livres da doença e a vacinação.
Devido às fêmeas infectadas
poderem eliminar a infecção após
repouso sexual de três cios (Stoessel, 1982;
Dekeyser, 1984), poderia se pressupor que somente
o repouso sexual das fêmeas e a introdução
de touros virgens ou touros livres da infecção
pelo C. fetus subsp. venerealis
levaria ao controle e ã erradicação
da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho.
Entretanto, como algumas fêmeas não
eliminam o C. fetus subsp. venerealis mesmo após
o repouso sexual de três cios (Cippola et
al., 1994), este método de controle não
é eficaz, pois ele pode no início
diminuir as perdas ligadas à doença,
mas quando estas fêmeas infectadas forem
cobertas pelos touros, estes se infectarão
e disseminarão a doença no rebanho
outra vez.
O tratamento também é
uma outra prática que pode ser recomendada
no controle da Campilobacteriose Genital Bovina
(Seger et al., 1966; Lein et al, 1968). Geralmente
é recomendado para touros, pois não
há muitos relatos de tratamento em fêmeas,
e para alguns animais do rebanho, e não
como uma medida para ser utilizada em todo o rebanho
(Stoessel, 1982). Entretanto, a não ser
em touros de alto valor zootécnico ou que
venham a ser utilizados como doadores de sêmen,
a relação custobenefício
do tratamento raramente é favorável
ao tratamento.
Uma das principais armas para o
controle da Campilobacteriose Genital Bovina é
a utilização da inseminação
artificial (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984; Lage
& Leite, 2000). A introdução
da inseminação artificial com sêmen
de qualidade associada a eliminação
dos touros bloqueia a transmissão da doença,
que se dá pelo coito, e proporciona a erradicação
da Campilobacteriose Genital Bovina do rebanho.
É importante ressaltar que
a utilização de touro de repasse
conjuntamente com a implementação
da inseminação artificial retirará
os efeitos benéficos da inseminação
artificial no controle da doença, pois
o touro de repasse irá manter a doença
no rebanho (Reinato et al., 1998).
Quando se analisam taxas de infecção
observadas nos diversos Estados do país
e a proporção de animais que são
inseminados apenas 45% da população
de fêmeas do País (Yassu, 1998)
percebe-se que a maior difusão da inseminação
artificial pode contribuir muito para o controle
da Campilobacteriose Genital Bovina no Brasil.
Outro método que pode ser
utilizado na formação de rebanhos
livres a partir de rebanhos infectados é
segregação de animais jovens (Safford,
1969; Lage, 2000). Como a transmissão da
Campilobacteriose Genital Bovina só ocorre
entre os animais em reprodução e
as novilhas virgens são livres da doença,
pode-se conseguir a formação de
lotes de animais livres da doença pela
utilização de novilhas virgens que
sejam cobertas por touros livres da infecção
pelo C. fetus subsp. venerealis.
Com a evolução do rebanho e descarte
dos animais mais velhos, fêmeas e machos,
e que são infectados, estes serão
repostos pelos lotes de animais livres, alcançando-se
assim a erradicação da Campilobacteriose
Genital Bovina do rebanho.
Entretanto, este método é
bem difícil de ser realizado na prática,
pois, para que este controle ocorra, é
necessário que haja uma segregação
total dos animais livres da infecção
daqueles infectados. Na maioria das formas de
produção utilizadas em nossos rebanhos,
a manutenção desta separação
não é possível ou economicamente
viável. Desta forma, se um animal infectado
entrar no lote de animais livres haverá
a transmissão da doença para poucos
animais que disseminarão a doença
no lote rapidamente, perdendo-se anos de trabalho
de controle da doença.
A outra grande arma a ser utilizada
no controle da Campilobacteriose Genital Bovina
é a introdução de um programa
de vacinação. Vacinas contra o C.
fetus subsp. venerealis são
utilizadas desde a década de 1960 no controle
da doença, sendo fundamentais principalmente
naqueles rebanhos em que a introdução
da inseminação artificial é
difícil (Stoessel, 1982; Lage & Leite,
2000).
A vacinação tem se
mostrado muito eficaz na prevenção
das repetições de cio e dos abortos
causados pelo C. fetus subsp. venerealis
(Clark & Fitzpatrick, 1972; Leite, 1977, Leite
et al., 1980). Em fêmeas infectadas, a vacinação
possui também um caráter curativo,
proporcionando assim um melhor controle da doença
(Stoessel, 1972).
A vacinação de touros
como forma preventiva e curativa da Campilobacteriose
Genital Bovina é controversa (Dekeyser,
1984). Alguns autores encontraram a cura de todos
os touros infectados após a vacinação,
e esta protege os animais que estão servindo
em rebanhos que possuem animais infectados (Bouters
et al., 1973). Entretanto, outros estudos mostram
que a vacinação de touros não
é eficiente para o controle dos problemas
reprodutivos devidos à Campilobacteriose
Genital Bovina, e apenas metade dos touros infectados
se cura após a vacinação
(Alan et al., 1972; Vasquez et al., 1983; Fóscolo,
2001).
Portanto, a vacinação
de touros não deve ser utilizada como a
única forma de controle da doença,
mas deve ser utilizada em conjunto com a vacinação
de fêmeas para se obter um controle eficaz
da Campilobacteriose Genital Bovina.
Todos os animais do rebanho em idade
reprodutiva devem ser vacinados 30 a 60 dias antes
da cobertura (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984;
Lage & Leite, 2000). Animais primovacinados,
dependendo do tipo de adjuvante utilizado na vacina,
devem receber duas doses da vacina com 30 dias
de intervalo entre as doses. A revacinação
deve ser anual com dose única.
A vacinação pode trazer
retorno próximo a 18 vezes o valor investido
(Leite, 1977, Leite et al., 1980), sendo a relação
custobenefício favorável,
pois o ganho de apenas um bezerro desmamado equivale
ao custo aproximado da vacinação
de 100 animais.
Para a manutenção
de um rebanho livre da Campilobacteriose Genital
Bovina é necessária uma vigilância
constante na aquisição e introdução
de animais no rebanho (Stoessel, 1982, Lage &
Leite, 2000). Os animais a ser adquiridos devem
provir de rebanhos livres da doença ou
devem ser testados, pelo menos três vezes,
com intervalo de repouso sexual de 15 dias, antes
de serem introduzidos no rebanho.
O controle da Campilobacteriose
Genital Bovina deve ser feito de forma integrada,
utilizando-se formas de combate específicas
à doença, como a inseminação
artificial e a vacinação, com outras
práticas, como o descarte freqüente
de animais velhos e a utilização
de estação de monta, para que seja
mais efetivo e rápido.
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