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EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DA CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA

 

Andrey Pereira Lage

Departamento de Medicina Veterinária Preventiva Escola de Veterinária
Universidade Federal de Minas Gerais

Introdução
A viabilidade da produção pecuária está diretamente ligada aos índices reprodutivos do rebanho. No Brasil, uma análise histórica dos índices reprodutivos mostra que não houve um incremento nestes índices nas últimas décadas (Neves et al., 1999). Com isto, apesar do aumento do número de bovinos no País, não houve um aumento de produtividade dos plantéis. Um dos índices reprodutivos que mais interferem com a produção pecuária é o intervalo entre partos. Um aumento no intervalo entre partos reflete na pecuária de corte em um menor número de bezerros no período e, na pecuária leiteira, em uma menor produção de leite (Neves et al., 1999; Ferreira & Teixeira, 2000).

Os principais fatores responsáveis pelos baixos índices produtivos e reprodutivos dos rebanhos brasileiros são as deficiências nutricionais e as doenças infecciosas (Moreira, 1974; Leite, 2000; Lage, 2000). Enquanto muito se tem feito em relação a maior produtividade de pastagens, melhor suplementação e mineralização dos animais e implantação de formas de produção que minimizem ou eliminem as carências nutricionais, pouco tem sido feito em relação às doenças infeciosas que interferem com a reprodução de bovinos, sendo algumas consideradas de pouca importância no País devido a ausência de dados sobre elas.

Uma desta doenças é a Campilobacteriose Genital Bovina, uma doença venérea dos bovinos causada pelo C. fetus subsp. venerealis e que interfere negativamente no intervalo entre partos.

A principal característica da Campilobacteriose Genital Bovina é a repetição de cios a intervalos aumentados e irregulares, em geral maiores que 35 dias (Leite, 1977; Dekeyser, 1984). Outra característica menos freqüente, observada em vacas infectadas, é o aborto em torno do quarto mês de gestação (Stoessel, 1982). Além disto, a Campilobacteriose Genital Bovina pode levar a endometrite, cervicite, salpingite e até mesmo infertilidade temporária ou permanente em algumas vacas (Ware, 1980; Stoessel, 1982; Lage & Leite, 2000).

Em touros a infecção é assintomática. O C. fetus subsp. venerealis infecta as criptas prepuciais, mas não causa reação do hospedeiro à sua presença (Eaglesome & Garcia, 1992).

A Campilobacteriose Genital Bovina é uma doença de apresentação geralmente subclínica e pouco perceptível no rebanho, principalmente se não há um bom controle zootécnico, pois muitas vezes as repetições de cio não são observadas, e quando se suspeita da doença no rebanho as perdas já são grandes (Newsam, 1960; Lage, 2000; Pellegrin, 2001). Devido a isto, a Campilobacteriose Genital Bovina é uma doença que rouba silenciosa e lentamente os lucros da exploração pecuária.

Além das repetições de cio e abortos, em rebanhos onde não há estação de monta bem definida, as principais observações relativas a Campilobacteriose Genital Bovina são a idade à primeira cria tardia e longos intervalos entre partos (Stoessel, 1992; Lage, 2000). Em rebanhos com estação de monta definida, observa-se grande número de fêmeas vazias ao final da estação de monta, principalmente novilhas, e uma estação de parição esparsa, sem concentração de nascimentos (Stoessel, 1982).

Apesar do encontro destas alterações nos índices zootécnicos suigerir a presença da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho, o diagnóstico definitivo da doença deve ser laboratorial, pois a Tricomonose Bovina, uma outra doença de transmissão venérea, também pode levar a alterações reprodutivas e a presença de baixos índices reprodutivos semelhantes (Pellegrin et al, 1998).

Geralmente o diagnóstico é realizado no touro, pois a maioria das técnicas foram padronizadas para serem realizadas em esmegma ou lavado prepucial. Além disto, os touros apresentam seu número reduzido em relação ao de fêmeas do rebanho e cobrem grande número de fêmeas, diminuindo os custos do diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina no rebanho (Lage & Leite, 2000).

As principais técnicas utilizadas para o diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina são o isolamento e identificação e a imunofluorescência direta (Stoessel, 1982). Para que ambos possam trazer resultados satisfatórios, é necessário que a coleta e o transporte de material sejam adequados. Para o isolamento e identificação o esmegma pode ser coletado com pipeta de inseminação ou zaragatoa (Stoessel, 1982). O material coletado deve ser enviado sob refrigeração imediatamente ao laboratório, chegando ao laboratório no prazo máximo de 4 horas, ou ser colocado em meio de transporte para Campylobacter, enviado à temperatura ambiente, que deve estar no laboratório no máximo em 48 horas (Genovez et al., 1989; Lander, 1990). O isolamento e identificação possui a vantagem de realmente identificar o agente causador do problema. Entretanto, possui a desvantagem de requerer que o C. fetus subsp. venerealis esteja viável no material. A presença maciça de contaminantes da flora normal do prepúcio pode dificultar ou impedir a identificação do C. fetus subsp. venerealis no material.

A imunofluorescência direta é realizada em esmegma ou lavado prepucial, que deve ser enviado sob refrigeração ao laboratório (Mellick et al., 1965; Winter et al., 1967; Lage & Leite, 2000). Possui a grande vantagem de não ser tão rígida em relação ao tempo decorrido entre a coleta e o processamento laboratorial do material, podendo este ser realizado alguns dias após a coleta, desde que o material seja bem acondicionado. Isto facilita o diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina em áreas de difícil acesso e distantes dos centros de diagnóstico. Possui a desvantagem de não diferenciar amostras de C. fetus subsp. venerealis, que são todas do sorogrupo A, das amostras de C. fetus subsp. fetus do sorogrupo A, que podem causar aborto esporádico em bovinos (Figueiredo, 2001). A imunofluorescência direta é sensível e específica para o diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina, podendo detectar até 3,2 x 102 bactérias por mililitro de lavado prepucial, mostrando resultados semelhantes aos do isolamento e identificação (Figueiredo, 2001).

Em fêmeas, o diagnóstico da Campilobacteriose Genital Bovina pode ser realizado pelo isolamento e identificação, pela imunofluorescência direta e pela aglutinação de muco cérvico-vaginal (Stoessel, 1982).


Epidemiologia da Campilobacteriose Genital Bovina

A entrada da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho quase sempre ocorre pela aquisição e introdução de animais infectados, geralmente touros. A infecção se difunde rapidamente, permanecendo em geral inaparente no início, pela falta de controle zootécnico dos rebanhos.

A transmissão da Campilobacteriose Genital Bovina é venérea; o touro infectado transmite o C. fetus subsp. venerealis às fêmeas susceptíveis, e vice-versa, durante o coito (Dekeyser, 1984). Além da transmissão venérea, a doença pode ser transmitida por sêmen contaminado; entretanto, no Brasil, os touros doadores de sêmen devem ser livres da infecção pelo C. fetus subsp. venerealis (Normas..., 1996). Há também relatos de transmissão do C. fetus subsp. venerealis de forma mecânica, pela atividade homossexual de touros confinados em alta densidade (Dekeyser, 1984).

A relação touro–vaca também é importante na difusão da Campilobacteriose Genital Bovina no rebanho. Observa-se que em rebanhos onde a doença está presente a relação touro–vaca é maior, 1 touro para cada 12 a 15 vacas, quando o ideal seria em torno de 1 touro para cada 40 vacas (Stoessel, 1982; Sereno et al., 1998a; Sereno et al., 1998b; Pellegrin, 2001). Este aumento da relação touro–vaca é relativo, pois como cada fêmea pode repetir o cio por até seis vezes, estes touros têm de realizar um número muito maior de coberturas. Em função deste maior número de touros e do aumento de freqüência de coberturas, há uma maior disseminação da doença dentro de um rebanho (Ávila et al., 1991).

Outro ponto importante na epidemiologia da Campilobacteriose Genital Bovina que geralmente não é levado em consideração na avaliação do histórico do problema reprodutivo do rebanho e, conseqüentemente, na suspeita e diagnóstico da doença, é a presença de touros de repasse. Os touros de repasse, animais utilizados para a cobertura das fêmeas que não se tornaram gestantes após duas ou três inseminações, podem ser infectados e manter a infecção em rebanhos que utilizam a inseminação artificial (Reinato et al., 1998). A manutenção dos touros de repasse, além de ser prejudicial do ponto de vista sanitário, também é ruim do ponto de vista econômico, pois pode superar o preço de cinco doses de sêmen (Ferraz, 1996).

Devido ao fato de que o touro ser portador assintomático do C. fetus subsp. venerealis, existe um grande risco de transmissão da Campilobacteriose Genital Bovina onde há um compartilhamento de touros entre os rebanhos, como é freqüente em algumas regiões com grande número de pequenas propriedades. A presença de touros velhos em atividade é outro fator de risco para a difusão da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho (Phillpot, 1968; Clark, 1971; Soto & Dick, 1983). Os touros mais velhos, por possuírem maior número de criptas prepuciais mais profundas, propiciam condições ideais para a manutenção do C. fetus subsp. venerealis no prepúcio. Nas condições de criação do Pantanal Mato-grossense, não houve diferença na freqüência de infecção entre os touros ditos jovens e os touros velhos (Pellegrin et al., 1998, Pellegrin, 2001), como observado em outros países (Phillpot, 1968; Clark, 1971; Soto & Dick, 1983), pois os animais, quando entram em reprodução na região, já possuem mais de 3–4 anos de idade e já possuem as criptas prepuciais desenvolvidas. Isto, associado à dominância dos touros velhos sobre o jovens (Barling et al., 1997) e ao longo período de utilização dos touros em diversas regiões do País, propicia condições favoráveis à manutenção da Campilobacteriose Genital Bovina nas condições de criação de bovinos brasileiras.

A presença de fêmeas portadoras do C. fetus subsp. venerealis também contribui para a manutenção da doença em um rebanho. A maioria das fêmeas consegue eliminar a infecção após três cios sem cobertura (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984). Entretanto, algumas fêmeas, por deficiência da resposta imune ou por variação antigênica da amostra infectante, não conseguem eliminar o agente da vagina, tornando-se portadoras e disseminadoras do C. fetus subsp. venerealis (Garcia & Brooks, 1993; Cippola et al., 1994). Uma baixa percentagem de vacas pode mesmo levar a gestação a termo, mantendo o C. fetus subsp. venerealis na vagina (Stoessel, 1982).

Apesar de ser relatada em vários países, devido às suas características, a Campilobacteriose Genital Bovina é uma doença de grande importância econômica em áreas de produção de bovinos com grandes rebanhos e onde o manejo reprodutivo é essencialmente pela monta natural, como os encontrados na Argentina, na Austrália e no Brasil.

Na Argentina, a Campilobacteriose Genital Bovina apresenta-se bem distribuída, com índices de rebanhos positivos que variam de 21% a 43% e de touros portadores do C. fetus subsp. venerealis variando entre 15% e 23% (Vilar & Spina, 1982; Cipolla et al., 1984; Soto e Di Roco, 1984). Na Austrália, em algumas regiões há uma freqüência de 23% de touros infectados, e a doença causa grandes perdas anuais, considerando-se que exista uma média de 60% de taxa de retorno ao cio e que apenas 35% das novilhas cobertas ficam prenhes (McCool et al. 1988).

No Brasil, o primeiro diagnóstico da doença foi feito por D'Ápice (1956), no Estado de São Paulo, em 1956. Desde então, a doença tem sido relatada em vários Estados do País, com freqüências que variam de 3,5% a 66,9% (Figura 1).

Tabela 1

Estudos de freqüência de Campilobacteriose Genital Bovina no Brasil de 1956 a 2001.

Ano Estado Autores Técnica Índice (%)
1956 SP D'Ápice Isolamento 1o isolamento
1959 RJ Guida et al. Muco-aglutinação 3,5
1960 RS Mies Filho Muco-aglutinação 27,0
1967 SP Castro et al. Muco-aglutinação 8,2
1971 PR, RS, MG Castro et al. Muco-aglutinação 8,0
1976 BA Costa Muco-aglutinação 66,9
1977 MG Leite IFD1 28,9
1978 RJ Ramos e Guida Muco-aglutinação 12,0
1986 SP Genovez et al. Isolamento 23,9
1997 MG Lage et a.l IFD 27,9
1999 MG Jesus et al. Muco-aglutinação 46,9
1999 RJ Jesus et al. Muco-aglutinação 22,3
1999 MG Jesus et al. Isolamento 16,7
1999 RJ Jesus et al. Isolamento 42,3
2001 MS Pellegrin IFD 52,3
2001 BA, GO, MA, MG, MS,
MT , PA, PR, RO, RS, SP, TO
Lage et al. IFD 18,8
1 - IFD - imunofluorescência direta.



Nos últimos anos a freqüência de infecção pelo C. fetus subsp. venerealis em touros no Brasil foi estudada por Genovez et al. (1986) no Estado de São Paulo, por Jesus et al. (1997) no Estado do Rio de Janeiro, e por Lage et al, (1997) no Estado de Minas Gerais , e encontraram índices de animais infectados de 23,9%, 42,3% e 27,92%.

Na sub-região da Nhecolândia do Pantanal Mato-grossense, umas das maiores áreas de cria do País (Cavidad-Garcia, 1986), foi encontrada um prevalência de 52,3% (IC 95%: 42,6% a 62,0%) de touros infectados pelo C. fetus (Pellegrin, 2001). A prevalência de propriedades com animais infectados foi de 89,5%, mostrando que a Campilobacteriose Genital Bovina está amplamente disseminada nos rebanhos da região. Estas altas taxas de infecção podem ser um dos fatores importantes na baixa eficiência reprodutiva (Cavidad-Garcia, 1986) e, conseqüentemente, produtiva dos rebanhos do Pantanal Mato-grossense.

Recentemente, a prevalência da infecção de touros de rebanhos de corte com mais de 1.500 animais foi determinada nos Estados que possuem a maior população de bovinos de corte do País (Lage et al., 2001). Foram amostrados dez touros ao acaso de dez rebanhos com mais de 1.000 fêmeas nos Estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins. No total foram amostradas 120 propriedades e 1.200 touros. Dos 1.191 animais testados, 224 foram positivos para a imunofluorescência direta, resultando em uma prevalência de 18,8% (IC 95%: 14,7% a 22,9%). Em todos os Estados amostrados foram encontrados propriedades com animais reagentes, exceto no Estado da Bahia, onde todas as dez propriedades amostradas eram livres da Campilobacteriose Genital Bovina. A prevalência encontrada e a observação que a infecção pelo C. fetus subsp. venerealis está disseminada na grande maioria dos Estados produtores de bovinos de corte no País, indicam que a medidas de controle devem ser tomadas para reduzir os prejuízos que a Campilobacteriose Genital Bovina causa à pecuária de corte no País.


Controle da Campilobacteriose Genital Bovina

As principais formas de controle da Campilobacteriose Genital Bovina são a utilização da inseminação artificial, a segregação dos animais jovens livres da doença e a vacinação.

Devido às fêmeas infectadas poderem eliminar a infecção após repouso sexual de três cios (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984), poderia se pressupor que somente o repouso sexual das fêmeas e a introdução de touros virgens ou touros livres da infecção pelo C. fetus subsp. venerealis levaria ao controle e ã erradicação da Campilobacteriose Genital Bovina em um rebanho. Entretanto, como algumas fêmeas não eliminam o C. fetus subsp. venerealis mesmo após o repouso sexual de três cios (Cippola et al., 1994), este método de controle não é eficaz, pois ele pode no início diminuir as perdas ligadas à doença, mas quando estas fêmeas infectadas forem cobertas pelos touros, estes se infectarão e disseminarão a doença no rebanho outra vez.

O tratamento também é uma outra prática que pode ser recomendada no controle da Campilobacteriose Genital Bovina (Seger et al., 1966; Lein et al, 1968). Geralmente é recomendado para touros, pois não há muitos relatos de tratamento em fêmeas, e para alguns animais do rebanho, e não como uma medida para ser utilizada em todo o rebanho (Stoessel, 1982). Entretanto, a não ser em touros de alto valor zootécnico ou que venham a ser utilizados como doadores de sêmen, a relação custo–benefício do tratamento raramente é favorável ao tratamento.

Uma das principais armas para o controle da Campilobacteriose Genital Bovina é a utilização da inseminação artificial (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984; Lage & Leite, 2000). A introdução da inseminação artificial com sêmen de qualidade associada a eliminação dos touros bloqueia a transmissão da doença, que se dá pelo coito, e proporciona a erradicação da Campilobacteriose Genital Bovina do rebanho.

É importante ressaltar que a utilização de touro de repasse conjuntamente com a implementação da inseminação artificial retirará os efeitos benéficos da inseminação artificial no controle da doença, pois o touro de repasse irá manter a doença no rebanho (Reinato et al., 1998).

Quando se analisam taxas de infecção observadas nos diversos Estados do país e a proporção de animais que são inseminados – apenas 4–5% da população de fêmeas do País (Yassu, 1998) – percebe-se que a maior difusão da inseminação artificial pode contribuir muito para o controle da Campilobacteriose Genital Bovina no Brasil.

Outro método que pode ser utilizado na formação de rebanhos livres a partir de rebanhos infectados é segregação de animais jovens (Safford, 1969; Lage, 2000). Como a transmissão da Campilobacteriose Genital Bovina só ocorre entre os animais em reprodução e as novilhas virgens são livres da doença, pode-se conseguir a formação de lotes de animais livres da doença pela utilização de novilhas virgens que sejam cobertas por touros livres da infecção pelo C. fetus subsp. venerealis. Com a evolução do rebanho e descarte dos animais mais velhos, fêmeas e machos, e que são infectados, estes serão repostos pelos lotes de animais livres, alcançando-se assim a erradicação da Campilobacteriose Genital Bovina do rebanho.

Entretanto, este método é bem difícil de ser realizado na prática, pois, para que este controle ocorra, é necessário que haja uma segregação total dos animais livres da infecção daqueles infectados. Na maioria das formas de produção utilizadas em nossos rebanhos, a manutenção desta separação não é possível ou economicamente viável. Desta forma, se um animal infectado entrar no lote de animais livres haverá a transmissão da doença para poucos animais que disseminarão a doença no lote rapidamente, perdendo-se anos de trabalho de controle da doença.

A outra grande arma a ser utilizada no controle da Campilobacteriose Genital Bovina é a introdução de um programa de vacinação. Vacinas contra o C. fetus subsp. venerealis são utilizadas desde a década de 1960 no controle da doença, sendo fundamentais principalmente naqueles rebanhos em que a introdução da inseminação artificial é difícil (Stoessel, 1982; Lage & Leite, 2000).

A vacinação tem se mostrado muito eficaz na prevenção das repetições de cio e dos abortos causados pelo C. fetus subsp. venerealis (Clark & Fitzpatrick, 1972; Leite, 1977, Leite et al., 1980). Em fêmeas infectadas, a vacinação possui também um caráter curativo, proporcionando assim um melhor controle da doença (Stoessel, 1972).

A vacinação de touros como forma preventiva e curativa da Campilobacteriose Genital Bovina é controversa (Dekeyser, 1984). Alguns autores encontraram a cura de todos os touros infectados após a vacinação, e esta protege os animais que estão servindo em rebanhos que possuem animais infectados (Bouters et al., 1973). Entretanto, outros estudos mostram que a vacinação de touros não é eficiente para o controle dos problemas reprodutivos devidos à Campilobacteriose Genital Bovina, e apenas metade dos touros infectados se cura após a vacinação (Alan et al., 1972; Vasquez et al., 1983; Fóscolo, 2001).

Portanto, a vacinação de touros não deve ser utilizada como a única forma de controle da doença, mas deve ser utilizada em conjunto com a vacinação de fêmeas para se obter um controle eficaz da Campilobacteriose Genital Bovina.

Todos os animais do rebanho em idade reprodutiva devem ser vacinados 30 a 60 dias antes da cobertura (Stoessel, 1982; Dekeyser, 1984; Lage & Leite, 2000). Animais primovacinados, dependendo do tipo de adjuvante utilizado na vacina, devem receber duas doses da vacina com 30 dias de intervalo entre as doses. A revacinação deve ser anual com dose única.

A vacinação pode trazer retorno próximo a 18 vezes o valor investido (Leite, 1977, Leite et al., 1980), sendo a relação custo–benefício favorável, pois o ganho de apenas um bezerro desmamado equivale ao custo aproximado da vacinação de 100 animais.

Para a manutenção de um rebanho livre da Campilobacteriose Genital Bovina é necessária uma vigilância constante na aquisição e introdução de animais no rebanho (Stoessel, 1982, Lage & Leite, 2000). Os animais a ser adquiridos devem provir de rebanhos livres da doença ou devem ser testados, pelo menos três vezes, com intervalo de repouso sexual de 15 dias, antes de serem introduzidos no rebanho.

O controle da Campilobacteriose Genital Bovina deve ser feito de forma integrada, utilizando-se formas de combate específicas à doença, como a inseminação artificial e a vacinação, com outras práticas, como o descarte freqüente de animais velhos e a utilização de estação de monta, para que seja mais efetivo e rápido.



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IMPACTO DE IBR E DE BVD SOBRE A EFICIÊNCIA REPRODUTIVA EM GADO DE CORTE
REAÇÃO CLÍNICA DE BEZERROS SOB DESAFIO DIRETO AO VÍRUS DA IBR E BVD: COMPARAÇÃO DE DUAS VACINAS E CONTROLE NEGATIVO.*
SEGURANÇA DA VACINA CATTLEMASTER 4 PRODUZIDA COM A CEPA RLB 106 DO VÍRUS HVB-1, VIVO TERMOSSENSÍVEL MODIFICADO QUIMICAMENTE, EM VACAS E/OU NOVILHAS PRENHES EM CONDIÇÕES DE CAMPO NO BRASIL*
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DOS TRABALHOS DE EFICÁCIA E SEGURANÇA DA CEPA RLB 106 Termossensível (TS) do Herpes vírus bovino tipo I (Rinotraqueíte infecciosa bovina - IBR) em vacinas comerciais.
EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE DA CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA
ÍNDICES REPRODUTIVOS EM GADO DE CORTE
AVALIAÇÃO DA RESPOSTA DE ANTITOXINAS BETA E ÉPSILON DE CLOSTRIDIUM PERFRINGENS INDUZIDAS EM BOVINOS E COELHOS POR SEIS VACINAS COMERCIAIS NO BRASIL
LEVANTAMENTO DA INCIDÊNCIA DE REAÇÕES VACINAIS E/OU MEDICAMENTOSAS EM CARCAÇAS DE BOVINOS DESOSSA EM FRIGORÍFICOS NO BRASIL
EFICÁCIA DO CLORIDRATO DE OXITETRACICLINA DE LONGA AÇÃO NO TRATAMENTO NA ANAPLASMOSE EM BOVINOS SUBMETIDOS A PREMUNIÇÃO.
REAÇÕES VACINAIS EM BOVINOS: REAÇÕES NOS LOCAIS DE APLICAÇÃO DE VACINAS CONTRA CLOSTRIDIOSES
CONTROLE DA DIARRÉIA NEONATAL DE BEZERROS POR MEIO DA VACINAÇÃO DAS VACAS PRENHES COM SCOURGUARD 3 (K)/C E TRANSFERÊNCIA DE ANTICORPOS AOS RECÉM-NASCIDOS POR MEIO DO COLOSTRO
AVALIAÇÃO TÉCNICA E ECONÔMICA DA PECUÁRIA DE CORTE
DIAGNÓSTICO DE CLOSTRIDIOSES E CONTROLE DE QUALIDADE DAS VACINAS
PRODUÇÃO DE CARNE BOVINA DE ALTA QUALIDADE
USO TERAPÊUTICO DA TERRAMICINA/LA CONTRA ANAPLASMOSE AGUDA EM BOVINOS: RESULTADOS BRASIL
     
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