Índice
é tudo aquilo que indica ou denota alguma
qualidade ou característica especial.
Com relação à produção
de gado de corte, a reprodução é
sem dúvida uma característica muito
especial.
Há vários anos, foi feita uma avaliação
econômica da importância relativa das
diferenças de fertilidade, crescimento e
qualidade da carcaça na rentabilidade da
produção de gado de corte. As conclusões
foram:
1) As diferenças na fertilidade
são muito mais importantes do que as diferenças
no crescimento ou na qualidade da carcaça.
2) As diferenças no crescimento
são mais importantes do que as diferenças
na qualidade da carcaça.
Isto significa que a fertilidade e a sobrevivência
dos bezerros são mais importantes do que
qualquer outra característica na determinação
da rentabilidade da produção de
bovinos de corte.
É importante que a performance reprodutiva
seja periodicamente avaliada e interpretada quando
se pretende maximizar a fertilidade sob um determinado
conjunto de condições ambientais
e de manejo.
Os índices reprodutivos são valiosas
ferramentas para esta avaliação
e para verificação do impacto que
o melhoramento genético tem sobre a eficiência
reprodutiva, principalmente no que diz respeito
às características ligadas ao crescimento
e à qualidade da carcaça.
Quanto mais completas e acuradas forem as informações
disponíveis na propriedade, maior o número
de índices que poderão ser calculados
e interpretados.
O intervalo entre partos (IEP) é um índice
importante e para obtê-lo basta computar
o númeor de dias compreendidos entre os
partos consecutivos de cada matriz do rebanho.
Assim, podem-se calcular as médias de IEP
por matriz, individualmente, ou para todo o rebanho.
Como nosso objetivo é produzir um bezerro
por vaca por ano, o IEP ideal é de 12 meses
ou 365 dias. Em muitas propriedades não
é possível sequer obter este índice
porque a data dos partos não costuma ser
anotada. Caso a data da prenhez esteja disponível,
é possível incluir no cálculo
do IEP as vacas prenhes, utilizando-se a data
da previsão de parto. Com isso, amplia-se
a base de cálculo, o que melhora a acurácia.
Embora muito útil, este índice é
bem amplo e, nos casos em que é superior
a 12 meses, torna-se difícil identificar
onde está o problema. Por exemplo, as vacas
podem estar demorando muito tempo para reassumir
a ciclicidade pós-parto ou, apesar de estarem
ciclando precocemente, não terem sido detectadas
no cio ou mesmo estarem sendo inseminadas ou cobertas
e repetindo o estro.
Todas estas causas podem ser responsáveis
pelo aumento do IEP, porém as providências
a ser tomadas em cada caso são diferentes,.
Portanto outros índices são necessários
para identificar o problema e tomar a decisão
correta.
A Taxa de Prenhez (TP) corresponde ao número
de fêmeas prenhes em relação
ao número de fêmeas introduzidas
no programa reprodutivo. Podemos calcular a TP
na estação de monta (EM) ou mesmo
em intervalos menores de tempo, como, por exemplo,
a TP após um programa de sincronização
dos estros ou nos primeiros 30 ou 60 dias da EM.
Para que uma vaca emprenhe, deve ser detectada
em estro e ser inseminada ou coberta e conceber
após este serviço,. Portanto a TP
pode ser desmembrada em outras duas taxas: a Taxa
de Serviço (TS) e a Taxa de Cncepção
(TC), ao ponto de ser obtida pelo produto de ambas
(TP = TS x TC).
Temos verificado, na maioria das fazendas, que
a baixa eficiência reprodutiva está
intimamente ligada a um índice extremamente
importante e que é geralmente relegado
a um segundo plano: a Taxa de Serviço (TS).
A TS é o número de fêmeas
efetivamente inseminadas ou cobertas em relação
ao número de fêmeas disponíveis
para serem inseminadas ou cobertas. Ela também
pode ser calculada considerando-se toda a EM,
ou os primeiros 30 ou 60 dias da EM ou na primeira
semana após a aplicação da
PGF2a por exemplo. Basta para isso dividir o número
de vacas inseminadas pelo número de vacas
disponíveis no programa, em cada um destes
intervalos de tempo e multiplicar por 100. Há
outras maneiras de se calcular a TS que procuraremos
abordar assim que o conceito ficar melhor estabecido.
A TS efetivamente depende do número de
fêmeas que estão ciclando e da eficiência
com que os estros estão sendo detectados.
Como já relatamos anteriormente, a TP está
em função da TS e portanto os dois
fatores que a influenciam também influenciam
a TP. Assim, é lícito afirmar que
a performance reprodutiva de um rebanho de corte
depende em grande parte da ciclicidade das matrizes
no início da EM e da eficiência da
detecção de estros.
Se separarmos apenas fêmeas ciclando para
iniciar a EM, deveríamos inseminar 100%
delas nos primeiros 22 dias. Entretanto, nestes
casos inseminamos em média 65% das mesmas
quando a eficiência de detecção
dos estros pode ser considerada boa, o que nos
leva a uma falha da ordem de 35%. A mesma TS (65%)
costuma ser obtida ao aplicarmos PGF2a em fêmeas
bovinas após a detecção do
corpo lúteo por palpação
retal.
De um modo geral, a porcentagem de matrizes que
iniciam a EM em anestro é muito variável
e se considerarmos um rebanho com 50% de vacas
ciclando e 50% de vacas em anestro (uma condição
das mais comuns), teríamos uma TS de apenas
32,5% nos primeiros 22 dias da EM (TS = % de animais
ciclando x eficiência da detecção
de cios).
A TS geralmente não se mantém constante
durante toda a EM. A eficiência da deteção
de cios costuma ser mais alta para a 1a
IA do que para as inseminações posteriores.
Isto ocorre porque entre as vacas que repetem
o cio após a 1a IA, apenas cerca
de 50% delas são reinseminadas.
Como já relatamos anteriormente, existem
outras maneiras de calcularmos a TS, como, por
exemplo:
| 1.
TS geral = |
22
x nº médio de
serviços/concepção |
dia
da EM no qual a
vaca emprenhou + 11 |
| 2.
TS à 1a IA = |
22
|
| dia
da EM ao 1o serviço + 11 |
| 3.
TS à 2a = |
22
x (no médio de
serviços/concepção -
1) |
dia
da EM no qual
a vaca emprenhou -
dia do 1o serviço e demais
IA |
Onde:
- 22 é a duração
do ciclo estral em dias.
- Número médio de serviços/concepção
é calculado com base apenas nas vacas prenhes.
Não é portanto o número de
serviços/concepção do rebanho!
- Dia da EM no qual a vaca emprenhou é
o número de dias compreendido entre o início
da EM e o dia do serviço no qual a vaca
emprenhou.
- 11 é o número correspondente à
metade de um ciclo estral.
Estes índices são um pouco mais
difíceis para compreender mas muito úteis
quando calculados na metade da EM ou no final
da mesma, quando os diagnósticos parcial
ou total de gestação estão
disponíveis, permitindo correções
para a fase final da EM ou programação
das EM futuras.
Para exemplificar o emprego destes índices
suponhamos que nos primeiros 22 dias da EM inseminamos
todas as vacas, sem nenhuma concentração
de cios em algum dia especificamente. Assim:
| TS
= |
22 |
=
1 x 100 = 100% |
| 11
+ 11 |
Note-se que são possíveis TS maiores
do que 100% em determinadas situações.
Se o estro for sincronizado em um grupo de vacas
de modo que todas forem inseminadas, em tempo fixo,
no 1º dia da EM, teríamos:
| TS
= |
22 |
=
1,83 x 100 = 183% |
| 1
+ 11 |
Várias atitudes podem ser tomadas para se
melhorar a TS, principalmente as ligadas à
diminuição do anestro e ao aumento
da eficiência de detecção de
cios. A diminuição do anestro pode
ser obtida por várias ferramentas de manejo
como:
- Possibilitar às matrizes
uma condição corporal adequada no
pré-parto (BCS 7 ou 8).
- Praticar algum tipo de restrição
da amamentação, como permiti-la
por 1 ou 2 período por dia ou mesmo o desmame
precoce.
- Manter as primíparas separadas das multíparas.
- Introduzir rufiões 3 a 4 semanas antes
do início da EM.
- A suplementação alimentar pós-parto
não costuma dar bons resultados do ponto
de vista econômico. Entretanto a suplementação
com gordura, por exemplo, caroço de algodão,
precisa ser melhor avaliada no Brasil.
- A escolha de raças sexualmente mais precoces
e seleção por precocidade dentro
da raça são fatores importantes
para melhorar a TS de novilhas.
A eficiência de detecção
de cios pode ser incrementada de várias
maneiras:
- Treinamento de pessoal e realização
de no mínimo dois momentos de observação/dia
de pelo menos 30 minutos cada um.
- Introdução de rufiões.
- Utilização de PGF2a.
- Sincronização dos estros com emprego
de progesterona/progestágenos, que além
de induzir ciclicidade em vacas em anestro possibilitam
a IA em tempo fixo, eliminando a necessidade de
detecção de cios, possibilitando
TS de 100%.
- Associação de uma restrição
da amamentação por 48 h, juntamente
com emprego de progesterona/progestágenos,
costuma dar bons resultados.
Como já vimos, a TP depende
não só da TS mas também da
TC. Feitas as considerações quanto
à TS, analisaremos a TC.
A TC é a relação entre o
número de fêmeas prenhes e o número
de fêmeas inseminadas multiplicado por 100.
Esta taxa expressa a fertilidade de cada serviço,
seja da IA ou da monta natural. Em outras palavras,
é a probabilidade que uma fêmea possui
de tornar-se gestante uma vez inseminada ou coberta.
Comumente utilizamos um índice que é
o número de serviços por concepção
e que não deixa de ser uma avaliação
da TC, pois o número de serviços/concepção
= 100/TC.
Assim, quando dizemos que o ideal é que
o número de serviços/concepção
seja de 1,5, estamos entendendo que a fertilidade
de cada serviço é de 66,7% (1,5
= 100/TC, portanto TC = 100/1,5, que é
igual a 66,7%).
A TC é influenciada por uma série
de fatores que interagem de uma maneira muito
complexa. A fertilidade das vacas é o primeiro
destes fatores e é influenciada principalmente
pela condição nutricional, período
pós-parto, estresse e também por
problemas individuais e sanitários. O segundo
fator diz respeito à fertilidade do macho
ou da qualidade do sêmen. O terceiro fator
está relacionado à acurácia
da detecção dos estros. A acurácia
se refere ao fato de a vaca ter sido inseminada
estando realmente em estro e não à
TS ou eficiência da detecção
do estro como já discutido.
O quarto fator que influencia a TC está
ligado à eficiência da técnica
da IA, como descongelação do sêmen,
higiene e deposição do sêmen
no local correto.
Assim sendo, as estratégias
para se melhorar a TC devem estar direcionadas
a cada um destes quatro fatores:
1 - Fertilidade da vaca
- É uma característica
de baixa herdabilidade. Portanto responde pouco
à seleção e é muito
dependente do manejo, daí a importância
do manejo nutricional, do período pós-parto
e do estresse.
- Eliminar vacas vazias no final da EM é
muito importante para controlar os problemas individuais.
- Manejo sanitário é pré-requisito
para obtenção de boas TC. As doenças
infecciosas podem ser responsáveis pelo
aumento da mortalidade embrionária, o que
leva a índices inaceitáveis de concepção.
A atenção deve estar voltada ao
controle da leptospirose, brucelose, tricomonose,
campilobacteriose, além das causadas por
ureaplasma, micoplasma, IBR, BVD e neospora.
- Aplicação de GnRH no momento da
IA ou alguns dias após pode melhorar a
fertilidade das vacas em rebanhos específicos.
2 - Fertilidade do touro/qualidade do sêmen
- Realizar exames andrológicos
antes de cada EM.
- Solicitar laudos das partidas de sêmen
adquiridas.
3 - Acurácia da detecção
dos estros
- Sabe-se que uma determinada porcentagem
de vacas é inseminada sem estar no estro.
A acurácia é um pouco mais difícil
de ser avaliada no campo. Uma maneira prática
é verificar qual a porcentagem de intervalos
entre estros possui menos do que 18 dias. Se há
mais do que 10% de intervalos entre estros menores
do que 18 dias, é provável que haja
problemas com acurácia da detecção
de estros (não se deve esquecer que problemas
individuais como cistos ovarianos podem diminuir
os intervalos entre-estros).
- Embora não ligado diretamente à
acurácia, é oportuno discutir, dentro
deste item, o momento da IA. As IA devem ser realizadas
entre 6 h e 20 h após o início do
estro, ou seja após a 1º aceitação
de monta. Portanto, o sistema tradicional de observação
do estro pela manhã e à tarde com
IA cerca de 12 h após é bem aceitável.
O sistema de observação dos estros
pela manhã e à tarde com momento
único de IA pela manhã, por exemplo,
também possibilita que a maioria das IA
sejam realizadas dentro da "janela"
ideal.
4 - Eficiência da técnica da IA
- Para se melhorar a eficiência
da técnica da IA é necessário
o treinamento e a reciclagem dos inseminadores,
principalmente quanto às técnicas
de descongelação do sêmen,
higiene e deposição do sêmen
no local correto. Não são raras
IA realizadas no interior do corno uterino ou
na cerviz, em vez de no corpo do útero.
Na Figura 1 pode-se verificar como a TP pode
variar em função da TS e da TC,
em 3 situações diferentes, nas quais
a TS variou de 32,5% a 100%, passando por uma
situação intermediária de
60%.
Tabela 1
Porcentagem de vacas vazias submetidas a diferentes
taxas de serviço durante a EM

Outros dados podem ser obtidos a partir da análise
da figura acima:
As TP ao final de 120 dias da EM são de
70%, 91% e 95%, respectivamente, para as situações
A, B e C.
Na situação A foram necessários
74 dias para se atingir 50% de prenhez, enquanto
na situação B, 30 dias, e na situação
C, com emprego do progestágeno, foram necessários
apenas 5 dias. Isto significa que, em média,
as vacas da situação C estarão
parindo mais cedo do que as da situação
B, que por sua vez estarão parindo mais
cedo do que as da situação A. Esta
diferença irá se refletir positivamente
na EM subseqüente, quando as vacas que pariram
mais precocemente entrarão na EM com maior
número de dias pós-parto e portanto
em melhores condições de ciclicidade.
Vale ressaltar que, ao desmame, os bezerros das
vacas que parem mais cedo são significativamente
mais pesados.
Por fim, conclui-se que a TP é influenciada
principalmente pela TS e pela TC. Ambas as taxas
são influenciadas por uma série
de fatores e há várias estratégias
de manejo que podem ser adotadas para incrementá-las.
É de extrema importância que cada
uma destas estratégias seja avaliada do
ponto de vista econômico e de exeqüibilidade
antes de serem implementadas.
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CELEGHINI,E.C.C.; BARUSELLI,P.S.; RODRIGUES,P.H.M.
Avaliação do uso do Crestar ou CIDR-B
+ benzoato de estradiol, seguidos ou não
pela aplicação de gonadotrofina
coriônica equina (eCG) no desempenho reprodutivo
de vacas de corte com bezerro ao pá. Revista
Brasileira de Reprodução Animal,
v.23, n.3, p.332-3, 1999.
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