| INTRODUÇÃO
O incentivo à pecuária leiteira por meio
da introdução de touros puros em rebanhos
mestiços faz parte de programas de fomento
a produção conduzidos por várias cooperativas
industriais de laticínios de Minas Gerais.
Os animais especializados geralmente são
provenientes de áreas ou criados em condições
de instabilidade enzoótica para Tristeza
Parasitaria Bovina (TPB). Antes de serem
introduzidos no novos rebanhos precisam
passar por um período de adaptação que inclui
a imunização contra a TPB. Dos métodos de
imunização, a premonição é o mais utilizado
no Brasil, mas pode apresentar como desvantagens
o elevado custo, a possível transmissão
de doenças em resultados inconstantes (Lima,
1991). Nos últimos anos, modificações introduzidas
nos métodos de premonição, como o uso de
inóculo padronizado, parasitos, parcialmente
atenuados e tratamento com tetraciclinas
de longa ação contribui significativamente
para melhorar o desempenho do processo e
reduzir os custos (Silva & Lima,1995). Neste
trabalho, é avaliada a eficácia do cloridrato
de oxitetraciclina de longa ação no tratamento
de anaplasmose em tourinhos submetidos ao
processo de premunição antes de serem distribuídos
aos cooperados pela Itambé/Cooperativa Central
dos Produtores Rurais de Minas Gerais Ltda.
(CCPR).
MATERIAL E MÉTODOS
Local do Estudo
O experimento foi conduzido nos laboratórios
do Departamento de Parasitologia do Instituto
de Ciências Biológicas da Universidade Federal
de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e na
Granja Itambé/CCPR, localizada no município
de Sete Lagoas, MG.
Animais e Manejo
Foram utilizados 61 tourinhos Holandeses,
com 5 a 13 meses de idade, provenientes
de áreas de instabilidade enzoótica para
TPB, dos Estado do Paraná. Os animais, ao
chegarem à fazenda foram identificados
com brincos numerados, foram pesados, submetidos
a exames clínicos e alojados em instalações
com volumoso de boa qualidade (silagem de
milho e capim picado), ração para tourinhos,
suplemento mineral e água à
vontade.
Inoculação em colheita de material
O processo de premunição teve a duração
de 80 dias e para as diversas atividades
executadas foi usado como referência o dia
da inoculação, identificado como dia zero
(D0). Os animais receberam no D0, por via
subcutânea, um inóculo, mantido em
nitrogênio líquido (-196ºC), constituído
por amostras virulentas de hemoparasito
isoladas de bovinos naturalmente infectados.
Cada animal recebeu uma dose de 1,5 x 10,
2,3 x 10 e 1,1 x 10 de hemácias parasitadas,
respectivamente, por Anaplasma marginale,
Babesia bigemina e B.bovis. A
temperatura retal foi medida em intervalos
de 12 horas (manhã e tarde) a partir do
D1 até o D80.
O volume globular foi determinado, pelo
método do microhematócrito, nos D0, D7,
D14, e então a intervalos de 24 a 28 horas,
a partir do início da fase clínica
da doença, até o D80.
Esfregaços sanguíneos foram preparados com
sangue capilar, colhido na extremidade da
cauda, nos D0, D2, D6, D8, e a cada 24 ou
48 horas, até o D80. Os esfregaços foram
corados pela solução de Giemsa e a porcentagem
de parasitemia determina após o exame de
10,4 a 3x 104 hemácias, em microscópio óptico,
com objetiva de imersão (1.000x).
Os animais foram pesados no D3, no dia de
cada tratamento e no D80. O tratamento era
instituído quando os animais apresentavam
sinais clínicos de anaplasmose (febre, tristeza,
anemia, icterícia) associados à queda no
volume globular (320%) e parasitemia igual
ou superior a 1%. O tratamento consistia
de injeção intramuscular única de cloridrato
de oxitetracicilina de longa ação (TM-LA)
na dose de 20 mg/kg p.v. Quando a paristemia
persistia em níveis elevados por períodos
superiores a quatro dias e o animal não
apresentava melhora no quadro clínico, uma
segunda, terceira ou mesmo quarta dose eram
administradas.
O tratamento específico contra babesiose,
feito com 4,4- diazoamine dibenzimidine
diaceturado1 na dose de 3,5 mg/kg p.v.,
era administrado quando os animais apresentavam
sinais clínicos e exame parasitológico.
A resposta imune humoral foi determinada
pela titulação de anticorpos (IgG), através
da reação de imunofluorescência indireta
(RIFI), usando do diluições múltiplas do
soro sanguíneo, a partir de 1:80 até 1:10.240,
segundo técnica recomendada pelo IICA (1987).
RESULTADOS
Todos os animais apresentaram parasitemia
detectada nos esfregaços sanguíneos em diferentes
porcentagens. A parasitemia foi inicialmente
observada em um animal no D8, atingindo
um nível máximo de 0,28% de hemácias parasitadas
no D10; este animal permaneceu como único
positivo até o D15, tornando-se então negativo
até o D30. A partir do D17 o número de animais
positivos aumentou e no D34 todos apresentavam
parasitemia. O nível médio de parasitemia
atingiu o pico no D25 e permaneceu em níveis
elevados até o D37, quando então passou
a declinar gradualmente, alternando períodos
de níveis elevados e baixos em alguns animais.
( Tabela 1 )
Tabela 1. Parasitemia média de Anaplasma
marginale em tourinhos submetidos à
premunição e tratados com cloridrato de
oxitetraciclina em Sete Lagoas, MG.
| Dia
do Experimento |
Número
de animais |
Parasitemia
média % |
Amplitude
total |
Dia
do experimento |
Números
de animais |
Parasitemia
média % |
Amplitude
total |
| 2 |
0 |
0 |
|
44 |
58 |
0,261 |
0,01-2,0 |
| 6 |
0 |
0 |
|
45 |
57 |
0,189 |
0,01-1,7 |
| 8 |
1 |
0,1 |
|
46 |
56 |
0,164 |
0,01-0,9 |
| 9 |
1 |
0,2 |
|
47 |
56 |
0,130 |
0,01-0,8 |
| 10 |
1 |
0,28 |
|
48 |
56 |
0,155 |
0,01-0,8 |
| 12 |
1 |
0,16 |
|
49 |
56 |
0,217 |
0,01-1,0 |
| 15 |
1 |
0,01 |
|
50 |
56 |
0,247 |
0,01-1,5 |
| 17 |
5 |
0,41 |
0,01-2,0 |
51 |
56 |
0,239 |
0,01-1,8 |
| 18 |
12 |
0,527 |
0,01-5,0 |
52 |
56 |
0,277 |
0,01-2,3 |
| 19 |
20 |
0,608 |
0,01-7,7 |
53 |
56 |
0,283 |
0,01-1,6 |
| 20 |
33 |
0,477 |
0,01-6,0 |
54 |
56 |
0,263 |
0,01-1,5 |
| 21 |
37 |
0,643 |
0,01-3,6 |
56 |
57 |
0,361 |
0,01-3,3 |
| 22 |
43 |
0,685 |
0,01-3,0 |
57 |
58 |
0,320 |
0,01-2,8 |
| 23 |
52 |
0,806 |
0,01-4,3 |
58 |
53 |
0,444 |
0,01-3,5 |
| 24 |
54 |
0,910 |
0,01-2,8 |
59 |
51 |
0,362 |
0,01-2,2 |
| 25 |
54 |
1,061 |
0,01-8,4 |
60 |
49 |
0,404 |
0,01-2,8 |
| 26 |
54 |
0,925 |
0,01-3,8 |
61 |
50 |
0,272 |
0,01-1,8 |
| 27 |
56 |
0,868 |
0,01-3,6 |
63 |
43 |
0,215 |
0,01-2,6 |
| 28 |
57 |
0,837 |
0,01-3,4 |
64 |
43 |
0,127 |
0,01-1,9 |
| 29 |
58 |
0,761 |
0,01-4,0 |
65 |
39 |
0,126 |
0,01-1,8 |
| 30 |
59 |
0,772 |
0,01-3,3 |
66 |
39 |
0,100 |
0,01-1,2 |
| 31 |
59 |
0,936 |
0,01-3,9 |
67 |
38 |
0,119 |
0,01-0,8 |
| 32 |
60 |
0,809 |
0,01-3,9 |
68 |
39 |
0,090 |
0,01-1,6 |
| 33 |
60 |
1,032 |
0,01-6,0 |
69 |
39 |
0,085 |
0,01-2,2 |
| 34 |
61 |
0,954 |
0,01-3,5 |
70 |
31 |
0,072 |
0,01-0,9 |
| 35 |
61 |
0,842 |
0,01-4,0 |
71 |
23 |
0,039 |
0,01-0,3 |
| 36 |
61 |
0,808 |
0,01-5,0 |
72 |
22 |
0,022 |
0,01-0,2 |
| 37 |
61 |
0,939 |
0,01-5,0 |
73 |
22 |
0,075 |
0,01-0,5 |
| 38 |
61 |
0,700 |
0,01-4,3 |
74 |
20 |
0,062 |
0,01-0,4 |
| 39 |
60 |
0,664 |
0,01-5,7 |
75 |
20 |
0,062 |
0,01-0,5 |
| 40 |
58 |
0,607 |
0,01-4,0 |
77 |
20 |
0,213 |
0,01-2,5 |
| 41 |
58 |
0,488 |
0,01-2,6 |
78 |
20 |
0,302 |
0,01-3,0 |
| 42 |
58 |
0,425 |
0,01-2,7 |
80 |
16 |
0,432 |
0,01-2,0 |
| 43 |
58 |
0,348 |
0,01-2,8 |
- |
- |
- |
- |
Em nove animais o percentual de parasitismo
não atingiu 1% e a infecção por A. marginale
se caracterizou por períodos de parasitemia
patente intercalados com períodos de exames
negativos, que se estenderam durante todo
o experimento.
O volume globular começou a declinar a partir
do D15, atingindo o nível mais baixo no
D33, seguido de recuperação gradual até
o D49, quando iniciou novo período de queda
que persistiu até o D58, quando, novamente,
começou, gradualmente, a se recuperar (Tabela
2).
Tabela 2. Volume globular médio de tourinhos
infectados com Anaplasma marginale
submetidos à premunição e tratados com cloridrato
de oxitetraciclina, em Sete Lagoas, MG.
| Dia
do Experimento |
Volume
globular médio % |
Amplitude
total |
Dia
do experimento |
Volume
globular médio % |
Amplitude
total |
| 0 |
31,98 |
26-42 |
47 |
23,93 |
15-35 |
| 7 |
34,43 |
26-42 |
49 |
24,36 |
12-37 |
| 14 |
31,88 |
15-45 |
51 |
24,34 |
15,35 |
| 15 |
27,23 |
15-43 |
53 |
23,97 |
15,35 |
| 19 |
26,11 |
17,38 |
58 |
21,49 |
13,32 |
| 21 |
24,11 |
14,31 |
60 |
21,57 |
14,34 |
| 23 |
22,48 |
15,34 |
61 |
22,07 |
13,34 |
| 25 |
21,44 |
15,30 |
63 |
22,75 |
14,35 |
| 27 |
20,62 |
12-30 |
65 |
23,03 |
14-34 |
| 29 |
20,62 |
12-30 |
67 |
23,23 |
15-35 |
| 31 |
19,95 |
13-30 |
68 |
23,16 |
14-34 |
| 33 |
19,39 |
11-32 |
70 |
22,98 |
14-32 |
| 35 |
19,70 |
13-30 |
72 |
23,23 |
14-35 |
| 37 |
20,30 |
14-31 |
74 |
24,64 |
16-33 |
| 39 |
20,74 |
15-30 |
75 |
24,74 |
16-32 |
| 41 |
21,21 |
15-35 |
77 |
25,90 |
15-35 |
| 43 |
22,00 |
15-36 |
80 |
27,70 |
17-35 |
| 45 |
23-57 |
15-38 |
- |
- |
- |
A temperatura retal apresentou variações
significativas durante o experimento, atingindo
níveis mais elevados no período da tarde.
A temperatura média, no período da manhã,
permaneceu entre 39,0ºC e 39,5ºC
do D9 até o D26, e abaixo de 39,0ºC
nos outros dias; no período da tarde a temperatura
permaneceu sempre acima de 39,0ºC e,
a partir do D6, acima de 39,5ºC. Os
níveis mais elevados foram atingidos durante
a fase clínica da anaplasmose. A maioria
dos animais (59,6%) apresentou, no período
da manhã, temperatura retal abaixo de 39,0ºC
no dia do tratamento. Entre os animais tratados,
a temperatura, no período da manhã, atingiu
valores iguais ou maiores que 40,0ºC
no dia do tratamento em 16 animais (30,8%),
e no período da tarde em 21 animais (40,4%).
A temperatura máxima observada foi 41,4ºC
no período da manhã e 41,6ºC à tarde.
A TM-LA foi eficiente para controlar a infecção
por A. marginale em todos os animais tratados.
Cinqüenta e dois animais (85,2%) necessitam
de tratamento para a anaplasmose durante
a premunição, sendo que 17 (32,7%) receberam
apenas uma dose de TM-LA, 27 (51,9%) receberam
duas doses, 7 (13,5%) três doses e para
1 (1,9%) animal foi necessária uma quarta
dose para controlar a doença. Um animal
tratado com duas doses e outro com três
doses de TM-LA receberam a última dose,
respectivamente, 24 e 48 dias após terem
a infecção debelada pela dose anterior,
resultado confirmado por sucessivos exames
parasitológicos negativos, indicando que
houve reinfecção (Tabela 3).
Tabela 3. Tourinhos infectados com Anaplasma
marginale submetidos à premunição e
tratados com diferentes doses de cloridrato
de oxitetraciclina, em Sete Lagoas, MG.
| Dia
do Experimento à primeira dose |
|
|
Animais
Tratados |
|
|
| |
1
dose |
2
dose |
3
dose |
4
dose |
Total |
| 18 |
0 |
1 |
0 |
0 |
1 |
| 20 |
0 |
3 |
1 |
0 |
4 |
| 21 |
1 |
2 |
1* |
0 |
4 |
| 23 |
2 |
8 |
0 |
0 |
10 |
| 24 |
0 |
3 |
1 |
0 |
4 |
| 25 |
2 |
1 |
2 |
0 |
5 |
| 26 |
0 |
1 |
1 |
1 |
3 |
| 27 |
0 |
2 |
0 |
0 |
2 |
| 28 |
0 |
1 |
0 |
0 |
1 |
| 31 |
1 |
1 |
0 |
0 |
2 |
| 32 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 33 |
0 |
1 |
0 |
0 |
1 |
| 34 |
2 |
1 |
1 |
0 |
4 |
| 37 |
0 |
1 |
0 |
0 |
1 |
| 39 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 40 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 56 |
0 |
1* |
0 |
0 |
1 |
| 58 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 59 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 61 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 64 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 68 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| 77 |
1 |
0 |
0 |
0 |
1 |
| Total |
17
(32,7%) |
27
(51,9%) |
7
(13,5%) |
1
(1,9%) |
52
(85,2%) |
Tabela 4. Títulos de anticorpos (IgG)
anti-Anaplasma marginale determinados
pela reação de imunofluorescência indireta
em 61 tourinhos submetidos à premunição
e tratados com cloridrato de oxitetraciclina,
em Sete Lagoas, MG.
| Dia
do Experimento |
Títulos
de anticorpos |
| Média |
Amplitude
Total |
| 0 |
666 |
80-5.120 |
| 15 |
1.592 |
80-10.240 |
| 30 |
4.155 |
80-10.240 |
| 45 |
5.860 |
320-10.240 |
| 60 |
5.744 |
320-10.240 |
| 75 |
6.211 |
1.280-10.240 |
Em nove animais (14,8%), a parasitemia
não atingiu 1% e por isso não receberam
tratamento. A temperatura e o volume globular
nesses animais não apresentaram alterações
significativas no período de maior parasitemia,
que pudessem ser atribuídas à anaplasmose.
O tratamento iniciou-se no D18 e o último
animal foi tratado no D77. A maioria dos
animais recebeu o primeiro tratamento entre
D20 e D34.
Infecções por Babesia spp foram identificadas
inicialmente entre o D5 e o D20 e depois
entre D31 e D63, e foram tratadas com eficiência
pelo Ganaseg.
Anticorpos anti-A.marginale foram
detectados em todos os animais no D0, com
título médio de 1:666 sendo 1:80 em 8 animais,
1:320 em 34 animais, 1:1.280 em 19 animais
e 1:5.120 em 1 animal. Os títulos foram
gradualmente se elevando durante o processo
de premunição atingindo os níveis mais elevados
no D75, quando apresentou um título médio
de 1:6.211 sendo que 12 animais apresentavam
1:1.280, 27 animais 1:5.120 e 22 estavam
com títulos de pelo menos 1:10.240 (Tabela
4).
Os títulos dos nove animais que não foram
tratados durante a premunição foram de 1:80
(1 animal), 1:320 (5 animais) e 1:1.280
(3 animais) no D0 e de 1:1.280 (6 animais),
1:5.120 (1 animal) e 1:10.240 (2 animais)
no D75.
O peso médio dos tourinhos foi de 245,8
kg no D-3 e de 262,0 kg no D80, refletindo
um ganho de peso diário de 195 g durante
os 83 dias. Não houve mortalidade e todos
os animais estavam saudáveis ao final do
processo, quando foram liberados para distribuição
entre os cooperados da Hambé/Cooperativa
Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais
Ltda CCPR.
DISCUSSÃO
Os freqüentes insucessos obtidos em programas
de melhoramento genético, decorrentes da
elevada mortalidade de animais especializados,
oriundos de áreas indenes ou instáveis,
após a introdução em regiões endêmicas para
TPB, têm sido reduzidos com o uso de programas
de imunização, especialmente da premunição.
Os resultados obtidos neste experimento
justificam a adoção dessa medida profilática,
pois todos os animais provenientes de regiões
com características de instabilidade para
TPB se infectaram quando inoculados com
amostras virulentas de hemoparasitos. Embora
a premunição seja o método mais empregado
na imunização de bovinos contra TPB, algumas
desvantagens podem limitar ou mesmo impedir
o seu uso em determinadas circunstâncias.
Neste experimento o processo de premunição
foi conduzido de acordo com os métodos propostos
por Silva & Lima (1995), e os resultados
obtidos foram satisfatórios, confirmando
os achados dos referidos autores. As alterações
observadas nos diferentes parâmetros (temperatura,
volume globular e resposta imune) avaliados
durante a realização deste experimento foram
as habitualmente encontradas nos processos
de premunição e já assinaladas por diferentes
autores (KOHAYAGAWA, 1985; Lõss et al.,
1992; 1993).
O elevado número de animais que foi tratado
indica que a presença de anticorpos anti-A.
marginale, revela pela RIFI no início
do experimentos, não conferia proteção contra
o desafio proporcionado pela inoculação
de uma amostra virulenta de campo. Resultados
semelhantes têm sido relatados por diferentes
autores, que não encontraram relação entre
título de anticorpos à RIFI e proteção contra
A.marginale (Murphy et al., 1966;
Klaus & Jones, 1968; Montenegro-James et
al., 1985; Lõss et al., 1992). Outro fator
que pode estar envolvido nessa aparente
imcapacidade de proteção da imunidade humoral
seria a diferença entre amostras do parasito
oriundas de diferentes regiões. Kuttler
et al. (1984) observaram diferenças na resposta
imuni quando utilizaram amostras heterólogas.
Também, Lõss et al. (1992 ) observaram que
animais submetidos à premunição apresentavam
parasitemia patente e necessitavam de tratamento
quando eram desafiados com amostra de A.
marginale virulenta diferente da utilizada
para a premunição. A dose do inóculo pode
ser outro fator responsável pelo desencadeamento
do quadro clínico em animais com nível de
proteção insuficiente. Gale et al. (1996)
constataram variações na parasitemia e no
período de incubação da anaplasmose em bovinos
inoculados com diferentes quantidades de
hemácias infectadas com A. marginale.
Os compostos de tetraciclina são os agentes
recomendados para o tratamento da anaplasmose
bovina (Wanduragala & Ristic, 1993). A dose
e o número de tratamentos dependem da formulação
da tetraciclina, da via de tratamento, da
intensidade do quadro clínico, da idade
do animal, da virulência da amostra e do
nível de parasitemia. Durante o processo
de premunição o número de tratamentos também
é variável. Todorovic & Tellez (1975) concluíram
que 7 tratamentos com oxitetraciclina na
dose de 12mg/kg p. v. foram relativamente
ineficientes para controlar a parasitemia
por A. marginale após desafio em
25 animais de 2 a 3 anos de idade, submetidos
ao processo de premunição. Entretanto, Carson
et al. (1977) controlaram a parasitemia
por A. marginale em três vacas Jersey
submetidas à premunição tratando-as com
oxitetraciclina na dose de 11mg/kg p. v.
por 3 a 4 dias. Lõss et al.(1993) encontraram
média de 3,2 a 4,9 tratamentos/animal com
dose de 10 a 15mg/kg p. v. de cloridrato
de tetraciclina, por via endovenosa. Silva
& Lima (1995), usando TM-LA na dose de 10mg/kg
p. v. por via intramuscular, relataram que,
de 45 animais submetidos à premunição, 24,4%
receberam um tratamento, 57,8% dois tratamentos,
15,6% três tratamentos e 2,2% quatro tratamentos.
Os resultados obtidos nesse experimento
confirmaram a eficiência da TM-LA no tratamento
da anaplasmose e que a dose de 20mg/kg p.
v., por via intramuscular, recomendada pelo
fabricante, aumenta a sua eficácia, elevando
para 32,7% o percentual de animais com infecção
controlada com apenas uma dose e reduzindo
os percentuais de animais que necessitam
de duas, três ou mesmo quatro doses para
atingir este objetivo.
A ausência de mortalidade, o ganho de peso
e estado geral dos animais ao final da premunição
reforçam as recomendações de Silva & Lima
(1995) em relação ao uso de inóculo conhecido
no processo de premunição. Além disso, a
eficiência da TM-LA no tratamento da anaplasmose
contribui significativamente para reduzir
os custos, considerados como uma das principais
desvantagens da premunição.
BIBLIOGRAFIA
CARSON, C. A.; SELLIS, D. M.; RISTIC, M.
Cell- mediated immunity related to challenge
exposure of cattle inoculated with virulent
and attenuated strains of Anaplasma marginale.
Am. J. Vet. Res., 38: 1167-1172, 1977.
GALE, K. R.; LEATH , G.; DE VOS, A. J.;
JORGESEN, W. K. Anaplasma marginale: effect
of challenge of cattle with varying dosis
of erythrorytes. Int,. J. Parasitol., 26:1417-1420,
1996.
IICA-INSTITUTO INTERAMERICANO DE COOPERACIÓN
PARA LA AGRICULTURA. Técnicas para el diagnostico
de babesiosis y anaplasmosis bovinas. San
Josc. 1987. 79p.
KLAUS, G.G.; JONES, E. W. The immunoglobulin
response in intact and splenectomized calves
infected with Anaplasma marginale. J. Immunol.,
100:991-999, 1968.
KOHAYAGAWA, A. Estudo clínico e laboratorial
do desenvolvimento da premunição contra
Babesia e Anaplasma bovinos (Bostaurus)
da raça Fleckvieh. Botucatu: UNESP, 1985,
117p. Tesc (Doutorado em Medicina Veterinária).
KUTTLER, K. I.; ZAUGG, J. L.; JOHSON, L.
W. Scrologie and clinical responses of previously
infected cattle to chalenge exposure by
two different Anaplasma marginale isolutes.
Am. J. Vet. Res., 45: 2223-2226, 1984.
LIMA, J. D. Premunição; uma alternativa
para o controle da tristeza parasitaria.
In: Seminário Brasileiro de Parasitologia
Veterinária, 7., 1991, São Paulo. Anais...,
1991.
LOSS, A. C. S.; LIMA, J. D.; BRAZ. JR.,
C. J.; ASSUMPÇÃO, T.I, Avaliação da resposta
humoral para anaplasmose em bovinos submetidos
à premunição. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot,
44: 397-406, 1992. LOSS, A. C. S.; LIMA,
J. D.; ASSUMPÇÃO, T.I, BRAZ. JR., C. J.
Curso da infecção por Anaplasma marginale
(THEILER,1990) em bovinos submetidos ao
processo de premunição para anaplasmose
e babesiose. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot.,
45: 573- 584, 1993.
MONTENEGRO-JAMES, S.; JAMES, M. A.; RISTIC,
M. Modified indirect fluorescent antibody
test for the serodiagnosis of Anaplasma
marginale infection in cattle. Am. J.
Vet. Res., 46:2401-2403, 1985.
MURPHY, F. A.; OSEBOLD, J. W.; AALUND, O.
Kinceties of the antibody response to Anaplasma
marginale infecction. J. Infect. Dis.,
116: 99-111, 1966.
SILVA, A. C..; LIMA, J. D. Utilização de
inóculo padronizado na premunição de bovinos
contra anaplasmose e babesiose. Rev. Bras.
Parasitol. Vet., 4 (supl. 1): 212, 1995.
TODOROVIC, R. A.; TELLEZ, C. H. The premunition
of adult cattle against babesiosis and anaplasmosis
in Colombia. South America. Trop. Anim.
Health Prod., 7: 125-131, 1975.
WANDURAGALA, L.; RISTIC, M. Anaplasmosis.
In: WOLDENWET; Z.; RISTIC, M. Rickettsial
and Chlamydial diseases of domestic animals.
Oxford: Pergamom Press, 1993, p. 65-87.
SUMARY
EFFICACY OF LONG ACTING
OXYTETRACYCLINE CLORIDRATE IN THE
TREATMENT OF ANAPLASMOSIS IN CALVES
SUBMITTED TO THE PRE-IMMUNIZATION
PROCESS |