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ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS SOBRE MYCOPLASMA HYOPNEUMONIAE E RESULTADO DE VACINAÇÃO COM RESPISURE® NO BRASIL.

BT 01 - 2001

INTRODUÇÃO
Desde seu primeiro isolamento de lesões pulmonares (Mare & Switzer, e Goodwin et al., 1965), o Mycoplasma hyopneumoniae, agente etiológico da Pneumonia Enzoótica, tem sido descrito em diversos países como um dos agentes mais comuns envolvidos em problemas respiratórios dos suínos, causando importantes perdas econômicas. Avaliações de abate realizadas em diversos países, sugerem que lesões decorrentes de infecção por M. hyopneumoniae estão presentes em quase 100% dos rebanhos e em cerca de 75% dos animais abatidos (Schwartz, 1996).
Em levantamento realizado na região Sul do Brasil (Sobestiansky et al., 1999), constatou-se que 55% dos suínos de abate tinham lesões sugestivas de Pneumonia Enzoótica, e 100% dos rebanhos examinados estavam afetados.
Para compreendermos a importância do Mycoplasma hyopneumoniae como agente causador de problemas respiratórios e traçarmos as melhores medidas de prevenção e controle, é importante conhecermos alguns fatores ligados à imunologia pulmonar, patogenia e modo de ação do M. hyopneumoniae e diagnóstico.

Imunologia Pulmonar
As infeções víricas e bacterianas do trato respiratório são relativamente comuns no suíno. A susceptibilidade do suíno às infecções respiratórias variam de acordo com a idade e condições de manejo. A morbidade e a mortalidade em decorrência de doença respiratória pode ser aumentada a partir de certos fatores predisponentes como: concentração de amônia, estresse, substâncias imunossupressoras (micotoxinas) e agentes infecciosos que comprometem o mecanismo de defesa pulmonar.
Os mecanismos de defesa do pulmão são representados pelos mecanismos de defesa não específicos, os quais estão presentes nos animais normais e saudáveis, e os mecanismos de defesa específicos e induzidos, os quais se desenvolvem a partir do contato do animal com um determinado agente infeccioso ou substância estranha ao organismo ou uma vacina.
Os mecanismos de defesa não-específicos são compostos por fatores físicos/químicos (estrutura da cavidade nasal, epitélio ciliar recoberto com muco
, reflexo da tosse e espirro, interferon, sistema complemento, etc.) e fatores celulares (linfócitos, macrófagos, neutrófilos e eosinófilos).
O sistema de defesa não-específico é a primeira barreira contra a invasão do sistema respiratório por agentes causadores de distúrbios, além de ser um componente essencial para o desencadeamento da resposta imune específica.
O sistema de defesa específico e induzido está representado principalmente pelas imunoglobulinas específicas (IgG, IgM, IgA e IgE) que correspondem à imunidade humoral, e também pela imunidade mediada por células ou imunidade celular (Linfócitos T, macrófagos ativados, etc.). Assim como o sistema de defesa não-específico é de fundamental importância para o início da resposta imune, a imunidade celular desempenha um papel fundamental na proteção pulmonar contra os efeitos do M. hyopneumoniae.

O papel do Mycoplasma no Complexo de Doenças Respiratórias do Suíno (CDRS)
O Complexo de Doenças respiratórias dos Suínos (CDRS) é mundialmente reconhecido como uma ameaça à saúde do rebanho, ocasionando consideráveis perdas econômicas, e exige medidas de controle eficientes para limitar sua incidência e gravidade.
Este complexo pode envolver infecções concomitantes causadas por qualquer um dos vários patógenos respiratórios, de origem bacteriana ou viral, como o Vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (SRRS), Vírus da Doença de Aujeszky, Vírus da Influenza Suína, Mycoplasma hyopneumoniae, Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida, etc.
Dentre estes agentes citados, o Vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos, o Vírus da Influenza, o Vírus da Doença de Aujeszky e o Mycoplasma hyopneumoniae são considerados agentes primários ou seja, a infecção do animal por um destes agentes leva a alterações do sistema de defesa pulmonar, predispondo às infecções secundárias por Pasteurella multocida Tipo A, Haemophilus parasuis, Actinobacillus suis, etc.
O Actinobacillus pleuropneumoniae e Salmonella choleraesuis podem ser causas primárias de pneumonia, mas freqüentemente surtos com estes agentes estão associados com a presença de outros patógenos primários.
Recentemente, estudos têm mostrado que o Mycoplasma hyopneumoniae pode agir como um potencializador da pneumonia causada pelo Vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos, sendo portanto o controle do Mycoplasma uma importante ferramenta para auxiliar na diminuição do impacto dos sinais respiratórios de SRRS. Embora o mecanismo exato como M. hyopneumoniae que potencializa a infecção por SRRS não seja conhecido, os autores sugerem que M. hyopneumoniae pode induzir a produção de citocinas pró-inflamatórias e atrair para o pulmão, células pró-inflamatórias como macrófagos ativados, proporcionando um ambiente ideal para a persistência do Vírus da SRRS (Thacker et al., 1998).
Dois outros fatores da patogenia do M. hyopneumoniae também desempenham importante papel na predisposição aos agentes secundários. A colonização do epitélio ciliar do trato respiratório pelo M. hyopneumoniae acarreta a destruição do mesmo, fazendo com que uma das barreiras mecânicas da imunidade não-específica seja perdida, com conseqüente redução da capacidade de defesa do trato respiratório. Outro evento potencialmente importante é a interação do M. hyopneumoniae com células linfóides, fazendo com que os animais infectados tenham a atividade fagocítica dos macrófagos alterada, levando a um processo de imunossupressão, uma vez que os macrófagos são peças fundamentais no desencadeamento de uma resposta imune.

Impacto Econômico da Pneumonia Enzoótica
As conseqüências da infecção do suíno pelo M. hyopneumoniae podem ser divididas em duas situações. A primeira delas se refere à presença isolada do M. hyopneumoniae no pulmão, causando a doença chamada de Pneumonia Enzoótica. Neste caso, o maior impacto está ligado à redução da performance do suíno, traduzida em menor ganho de peso e pior conversão alimentar. Em uma análise de 27 estudos sobre o impacto econômico do M. hyopneumoniae (Straw et al., 1989) concluíu-se que, em média, a Pneumonia Enzoótica causa uma redução de 17% no ganho de peso diário e 14% de aumento na conversão alimentar. Os mesmos autores também deduziram que em média, para cada 10 % do pulmão lesionado, o ganho de peso diário é reduzido em 37 g .
Quando o M. hyopneumoniae atua como agente predisponente e ocorre uma infecção secundária por outros agentes, as conseqüências se agravam, uma vez que, além da perda de performance, temos a ocorrência de mortalidade e condenação de carcaça devido a ocorrência de aderência de pleura e abcessos pulmonares. Normalmente, em condições de campo esta segunda situação é a que prevalece, ou seja, o M. hyopneumoniae atuando como agente primário no Complexo de Doenças Respiratórias do Suíno.
Em estudo realizado no Estado de Santa Catarina (Sobestiansky et al., 1987), a partir da prevalência e gravidade de lesões pulmonares observadas no abate, estimou-se que neste Estado, para cada 100 animais abatidos, há uma perda de 2,4 animais devido pneumonias. Este estudo, foi conduzido anteriormente ao advento das vacinas contra Pneumonia Enzoótica, e nos retrata bem o tamanho do prejuízo enfrentado pelo produtor, e quanto pode ser beneficiado a partir de novas tecnologias para prevenção e controle dos problemas respiratórios.

Considerações sobre diagnóstico da Pneumonia Enzoótica
Os sinais clínicos da Pneumonia Enzoótica - tosse crônica não-produtiva, redução do crescimento, baixa mortalidade e desuniformidade dos lotes, bem como as lesões macroscópicas observadas - áreas e consolidação pulmonar de cor púrpura a cinza, devem ser encarados como sugestivos do problema, uma vez que outros agentes também podem causar sinais clínicos e lesões semelhantes. Além deste fato, em razão de infecções secundárias que geralmente ocorrem, tanto os sinais clínicos quanto as lesões podem apresentar alterações na sua forma de apresentação. Para a confirmação do diagnóstico, se faz necessário a utilização de recursos laboratoriais.
O M. hyopneumoniae, em razão de suas características de crescimento "in vitro", é de difícil isolamento; portanto, em termos práticos não é possível utilizar esta ferramenta (isolamento) como meio de diagnóstico.
Os métodos sorológicos para diagnóstico do M. hyopneumoniae podem ser uma ferramenta muito útil, uma vez que, além do diagnóstico, a sorologia pode ser largamente empregada para o monitoramento do plantel ou em estudos de prevalência. Para a realização de provas sorológicas, podem ser empregadas várias técnicas laboratoriais como: Hemoaglutinação Indireta, Fixação de Complemento e ELISA. A utilização do teste de ELISA (Tween 20 e anticorpo monoclonal) no diagnóstico e monitoria de plantel é uma prática amplamente disseminada na atualidade, e que pode ser uma ferramenta muito útil na tomada de decisões quanto às medidas profiláticas a serem implementadas. Soronsen et al. ( 1994 ) em um estudo sobre a resposta imune à infecção experimental por Mycoplasma hyopneumoniae concluíram que:

1 - A tosse ocorre em média 4 semanas após o rebanho ser infectado pelo M. hyopneumoniae.
2 - A soroconversão ocorre em média 9 dias após a observação de tosse no animais
3 - A tosse e a soroconversão são bons indicadores do momento da infecção pelo M. hyopneumoniae.

A partir destas observações podemos pensar em algumas medidas práticas quando estamos diante dos resultados positivos de sorologia para fins de diagnóstico ou monitoria:

1 - Resultado sorológico negativo de um animal em quarentena ou não, não indica que o mesmo realmente é negativo para Pneumonia Enzoótica, uma vez que, como visto, a soroconversão ocorre cerca de 5 semanas após a infecção, portanto um animal com infecção recente , pode ser negativo na sorologia.

2 - A conjugação dos sinais clínicos (tosse) e soroconversão pode ser um parâmetro utilíssimo, na esquematização de um programa de vacinação
Obs.: Incluir quadro de tempo do folheto 298.441

Mais recentemente, a técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction) tem se mostrado muito útil no diagnóstico da Pneumonia Enzoótica, por ser uma técnica rápida e bem específica. A utilização de Nested PCR, tem possibilitado detectar M. hyopneumoniae, mesmo quando em baixos níveis de contaminação (Calsamiglia et al., 1999).

Respisure®: Modo de Ação

RespiSure® é uma bacterina, composta por uma cultura quimicamente inativada de células totais de M. hyopneumoniae. A inativação química torna RespSure® incapaz de causar infecção, e portanto extremamente segura. A utilização do adjuvante AMPHIGEM (foto 1), causa baixa irritabilidade no local de aplicação, ao mesmo tempo que proporciona uma apresentação do antígeno ao sistema imunológico mais efetivo do que o Hidróxido de Alumínio ou adjuvantes oleosos convencionais (foto 2).
Como consequência, a utilização de RespSure desencadeia uma potente resposta imune de mucosa através da elevação de IgG e IgA nos fluidos broncoalveolares, resposta imune celular do tipo T-helper-1 e redução da resposta inflamatória induzida pelo M. hyopneumoniae através da mediação da produção do Fator de Necrose Tumoral Alfa (Boletim Técnico Pfizer 02 - 2000).
A imunidade da mucosa e a imunidade celular são elementos de fundamental importância para a proteção do pulmão contra os efeitos negativos do M. hyopneumoniae. Portanto a quantidade de anticorpos circulantes e proliferação linfocitária em suínos vacinados, não estão necessariamente correlacionados com grau de proteção contra M. hyopneumoniae.

Respisure®: Resultado de Campo - Brasil

Foi conduzido um estudo no Brasil durante o período de Junho a Novembro de 1999, para avaliar a eficácia de RespiSure® sobre a redução de lesões pulmonares e determinar os efeitos os efeitos da vacinação sobre o ganho de peso diário e conversão alimentar em suínos, sob condições de campo. (Estudo 2124A-04-98-011 - Dados de Arquivo).

Delineamento Experimental

Foi selecionada uma propriedade com histórico de Pneumonia Enzoótica. A confirmação do histórico, foi feito através de sorologia (ELISA) e PCR positivos.
Vinte e quatro fêmeas prenhas foram divididas aleatoriamente em dois grupos de 12 fêmeas cada (T1 e T2). Todos os leitões filhos das fêmeas do grupo T1 receberam uma injeção intramuscular de 2 ml de solução salina e os leitões filhos da fêmeas do grupo T2 foram vacinados via intramuscular com 2 ml de Respisure® entre 6 e 12 dias de idade (Dia 0 de estudo). Uma segunda aplicação foi deita 20 dias após a primeira.
Os leitões foram identificados individualmente com brincos numerados e coloridos (T1 - brinco amarelo e T2 - brinco vermelho) e pesados também individualmente aos 20, 55 e 144 dias após o início do estudo. O desmame foi feito no dia 20, quando os leitões estavam com idade entre 26 e 32 dias, e a transferência da creche para a recria ocorreu no dia 55, quando os leitões estavam com idade entre 61 e 67 dias. Na instalação de recria e terminação, os leitões foram aleatoriamente divididos nas baias por leitegada, com duas leitegadas por baia em 6 baias por tratamento. Todos os animais foram novamente pesados, no dia 144, quando estavam com idade entre 150 e 156 dias.
A ração fornecida durante o período do dia 55 até o dia 144 foi pesada, para posterior avaliação da convrsão alimentar.
Todos os animais foram abatidos no mesmo dia, ou seja, dia 145 do estudo e as lesões pulmonares foram avaliadas na inspeção por uma pesoa que desconhecia os grupos de tratamento para evitar qualquer tendência de favorecimento.

Resultados


A vacinação dos leitões com duas doses de RespiSure, foi bastante efetiva no controle da Pneumonia Enzoótica causada pelo Mycoplasma hyopneumoniae. O percentual de suínos vacinados que tiveram lesões pulmonares ao abate foi de 23,7% (28/118) comparado com 57,4% (66/115) no grupo controle (Tabela 1), e a média de lesões pulmonares foi de 92% menor no grupo vacinado (Gráfico 1). Essas diferenças foram estatisticamente significantes (P<0,05).

 

Tabela 1: Frequência (%) de animais com lesões pulmonares
Tratamento Animais
com lesão
Animais
sem lesão
Total
T1 - Salina 66 (57,4%) 49 (42,6%) 115
T2 - Respisure 28 (23,7%) 90 (76,3%) 118
As frequências na mesma coluna com letras diferentes, são significantemente diferentes (P<0,05).

Os animais vacinados com Respisure®, tiveram peso médio significantemente (P<0,05) maior do que o grupo controle ao abate. A melhora de peso ao abate, representou cerca de 8 KG a mais por animal vacinado, comparado com o grupo controle (Gráfico 2).
O ganho de peso médio diário também foi significativamente maior (P<0,05) no grupo
vacinado (Gráfico 3).
A conversão alimentar do grupo vacinado com Respisure® frente ao grupo controle foi significativamente melhor, representando uma diminuição de 13 % na quantidade de alimento comsumido para cada 1 Kg de carne (Gráfico 4).


Tratamentos com letras diferentes são estatisticamente significativos (P<0,05)
Tratamentos com letras diferentes são estatisticamente significativos (P<0,05)
Tratamentos com letras diferentes são estatisticamente significativos (P, 0,05)
Tratamentos comletras diferentes são estatisticamente significativos (P, 0,05)


     
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